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  • Onça-pintada é vista no Parque Nacional de Brasília, a 10 km do centro da capital
    on 26 de abril de 2018 at 22:37

    Desde a criação do parque, em 1961, não havia provas visuais que confirmassem presença do animal. Direção descarta perigo a visitantes. Onça-pintada é filmada no Parque Nacional de Brasília Uma onça-pintada foi flagrada por uma "armadilha fotográfica" instalada no interior do Parque Nacional de Brasília. As imagens foram feitas no fim do ano passado, mas só foram divulgadas nesta semana. Esta é a primeira vez, desde a criação da unidade de conservação – em 1961 – que biólogos conseguem provas visuais da existência do animal. O felino está em extinção e é considerado o maior da América Latina. Com a aparência e medidas de um macho, a onça foi vista em uma área distante da visitação e, portanto, segundo a administração do parque, não ofereceria perigo a quem visita o local. "Para quem tem medo de onça, saiba que ela tem mais medo ainda do ser humano e evita qualquer contato." "O encontro pessoal com uma onça é raro, porque ela tem medo das pessoas", explica o analista ambiental da reserva, Leonardo Mohr. Segundo o especialista, a onça foi vista em uma área muito distante do espaço reservado à visitação, que é de somente 1% da área da unidade de conservação. "A onça evita a presença do ser humano", reforça o biólogo Fábio Hudson Souza Soares, do projeto Brasília é o Bicho. Onça-pintada flagrada por câmeras no parque Nacional de Brasília, em 2017 ICMBio/Reprodução Biólogos comemoram Nas redes sociais, o registro foi comemorado pelos pesquisadores do projeto "Brasília é o Bicho", responsáveis pela instalação das câmeras. No texto, os biólogos escreveram que a imagem foi resultado de "muita dedicação e perseverança". "Poderíamos ter desistido após tanto tempo e nenhum sinal da presença da espécie. Mas não podemos esquecer que é a onça que escolhe o momento." "Foram 58 anos de espera. Uma imagem de poucos segundos que resume a luta para que uma espécie não seja extinta da capital federal", disseram. Parque Nacional de Brasília Arquivo/ICMBio Mais pistas Apesar das imagens terem sido feitas em 2017, o grupo esteve no local em março deste ano e encontrou pegadas da onça. Com mais pistas, eles aumentaram a frequência da observação do local onde o felino foi encontrado. O objetivo é entender se o animal está de passagem ou se estabeleceu seu território na área do parque. "Se ela está lá, é sinal de qualidade do meio ambiente." O biólogo Fábio Hudson Souza Soares explica que a onça é um animal exigente, necessita de uma grande área para circular. Como é carnívoro, o animal também precisa de alimentos que encontra por meio da caça, como o porco selvagem, veado, capivara, diz ele. "A onça é um animal carismático, símbolo da fauna do Brasil, que está ameaçado de extinção e foi expulsa da região do cerrado. Por isso, encontrá-la é significativo", complementa. Tatu-canastra visto no Parque Nacional de Brasília TV Globo/Reprodução Tatu gigante Em março, uma outra espécie de mamífero, um tatu-canastra, também chamou a atenção de biólogos locais por estar transitando dentro da área do parque. Conhecido como tatu gigante, ele é considerado uma "espécie raríssima". O registro, feito no fim do ano passado por câmeras instaladas em árvores,é considerado raro pelos pesquisadores, já que o animal – apesar de ter hábitos noturnos – foi visto se alimentando durante o dia. Em nova foto de onça-parda, parque do DF flagra 'passeio' de mãe e filhote Buraco cavado na terra por um tatu-canastra TV Globo/Reprodução Considerado pelos biólogos como uma "espécie raríssima", o tatu-canastra pode ser encontrado em algumas regiões de cerrado, de campos e na Mata Atlântica. O mamífero – que vive em algumas regiões de cerrado, de campos e na Mata Atlântica – chega a pesar 50 quilos e é conhecido como o "engenheiro do ecossistema". O motivo, segudo os pesquisadores, é a descoberta de que suas tocas servem como habitat e abrigo para outros animais. O tamanho da toca do animal (foto acima) também chama a atenção. Além do tatu-canastra e da onça-pintada, entre 2015 e 2017, felinos, tamanduás, antas e outros animais ameaçados de extinção também foram vistos no Parque Nacional de Brasília. Veja mais notícias sobre a região no G1 DF. […]

  • Zoológico de Piracicaba recebe tigre siberiano de seis anos e 250 quilos
    on 26 de abril de 2018 at 20:32

    Animal está em recinto que abrigava o leão Léo, que morreu em julho do ano passado. Tigre siberiano é novo habitante do Zoológico de Piracicaba Felipe Ferreira/CCS O Zoológico de Piracicaba (SP) recebeu um tigre siberiano de seis anos e 250 quilos. O animal pode ser visto a partir desta quinta-feira (26) no recinto que abrigava o leão Léo, que morreu em julho do ano passado aos 15 anos. O tigre nasceu em cativeiro no zoológico de Americana (SP), onde dividia recinto com o pai. Por ter hábitos solitários, enquanto um ficava em exposição, o outro permanecia recluso. Por conta disso, o animal foi emprestado para o zoológico de Piracicaba, que precisava de um felino de grande porte. O animal foi transferido para Piracicaba há uma semana e passou por adaptação em um recinto fechado. Segundo o diretor do zoológico, Thiago Vilalta, o felino está emprestado a Piracicaba e pode retornar a Americana. Tigre siberiano ocupa recinto do Leão Léo, que morreu em julho do ano passado em Piracicaba Felipe Ferreira/CCS "Desde a morte do Léo (leão), buscávamos com zoos parceiros algum felino que pudesse ocupar o recinto que estava vazio. Há anos mantemos uma boa relação com os colegas de Americana, que nos informaram do ocorrido com os tigres siberianos. Então, houve o acordo para que o animal viesse por empréstimo a Piracicaba, onde viverá até que o zoo de Americana o solicite novamente, ou se obtermos em caráter definitivo um felino de grande porte". Vilalta afirmou que haverá um concurso cultural para escolha do nome do tigre. "Uma equipe interna escolherá três opções que serão apresentadas à sociedade. O nome mais votado passará a ser o utilizado. Esta é uma forma de integrar a população com o zoo e de aproximá-la a nosso novo morador". O Zoológico de Piracicaba abriga 385 animais, sendo 253 aves de 62 espécies; 80 exemplares de mamíferos divididos em 31 espécies; e 52 répteis de oito espécies. O zoo fica na avenida Marechal Castelo Branco, 426, Jardim Primavera. Leão Léo Baiano O animal sofria de uma disfunção cardíaca provocada por um tipo raro de câncer, segundo a Secretaria Municipal da Defesa de Meio Ambiente. Léo Baiano morreu no dia 3 de julho. O animal chegou na instituição em 2014. Ele foi transferido de um zoológico em Salvador, na Bahia, para substituir o outro felino que era o "astro" do zoo municipal, que também se chamava Léo, e morreu em novembro daquele ano. Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba […]

  • Acampados em Brasília, mais de três mil indígenas exigem suas terras e direitos
    on 25 de abril de 2018 at 23:47

    Mais de três mil indígenas, vindos de aldeias de todo o país, estão reunidos em Brasília para o Acampamento Terra Livre (ATL) de 2018, encontro que acontece anualmente desde 2003, organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) com um objetivo direto: lutar pela demarcação de terras indígenas e pela garantia de seus direitos. Antes de passar a contar para vocês as principais notícias que estão acontecendo agora durante o ATL, quero lembrar que, para quem se mobiliza em torno das questões que envolvem um desenvolvimento sustentável (tema principal aqui deste blog), a maneira com que os indígenas cuidam e preservam suas terras é um exemplo.   Não, não estou defendendo que se passe a viver como eles, o que muitos acham que seria um enorme retrocesso civilizatório o que outros, com razão, discordam. A questão aqui, fundamental, é tentar fazer uma espécie de imersão na maneira como eles entendem e respeitam o ambiente em que vivemos. E aprender alguma coisa. Ou muita coisa.   Feito o parêntesis, assumida minha posição, passo às notícias. É preciso, antes ainda, informar que os indígenas falam através das lideranças que escolhem. E as mulheres indígenas foram o principal assunto no primeiro dia do Acampamento, que aconteceu anteontem (23) no Memorial dos Povos Indígenas, na Praça do Buriti, em Brasília. Afinal, entre elas existe hoje uma pré-candidata à presidência pelo PSOL, Sônia Guajajara.   “As falas foram duras: exigiram a demarcação imediata das Terras Indígenas e o fim do ataque aos direitos indígenas. Se os povos indígenas estão entre os mais vulneráveis sob governos que não acolhem as políticas públicas diferenciadas e de garantias constitucionais, é entre as mulheres que os efeitos do problema podem ser piores”, contam os repórteres do site Amazônia.org.br.   Os repórteres que estão fazendo a cobertura para a Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro contam que a primeira noite no acampamento foi bem fria e chuvosa. A água entrou nas barracas armadas nos jardins do Memorial e muitos rituais foram feitos para defender os povos de um mal maior.Na fala dos indígenas captadas pelas câmeras do vídeo feito pela equipe do site da Mobilização Nacional Indígena, a mágoa está sempre presente e deixa mais do que aparente uma relação ainda muito complexa com o povo branco, ou não-índio, como eles gostam de falar:   “A gente sai de casa e vem preparado sabendo que não vai ser fácil. É chegar aqui e ninguém vai abrir as portas pra nós. Engraçado que quando chegamos aqui eles fecham as portas pra gente, mas quando eles querem invadir nosso território, eles querem invadir sem consultar ninguém”   “Quando o Brasil foi invadido, que o Cabral invadiu, a gente habitava aqui no Brasil. E hoje a gente continua lutando para poder defender o restante do nosso território”.   “O fazendeiro fala que ele tem um título de terra de duzentos anos. Se o título de terra dele tem duzentos anos, o nosso é de mil, mil e quinhentos, três mil anos atrás. Quando agimos na defesa desse direito, somos criminalizados”.   Como sempre acontece, o acampamento está sendo marcado por protestos, encontros, debates. No segundo dia, lideranças foram recebidas em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Lá o assunto foi a PEC215, o grande temor dos índios, já que tira deles a última palavra sobre demarcações, passando isso para as mãos do Congresso. Há hoje um passivo de 836 terras indígenas a serem demarcadas:   “No atual governo, composto não somente pelos cargos ocupados pelo Executivo, mas também caracterizado por uma forte influência do legislativo, dominado pela bancada ruralista, os processos de demarcação estão tomando o caminho contrário, quando não simplesmente paralisados”, diz o texto do blog da Mobilização.   Índios precisam de terra para viver, é dela que tiram seu sustento. Qualquer empreendimento que invada um pouco que seja de espaço onde eles podem pescar e plantar, faz um estrago danado em sua rotina. Pensando em tornar mais clara essa situação, a tribo dos Munduruku aproveitou o encontro para lançar um mapa, sugestivamente chamado de “Mapa da Vida”.   “O mapa da vida nasce da indignação dos Munduruku ao ouvirem do governo que a construção da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós iria alagar ‘apenas 7%’ da terra indígena Sawre Muybu. O que parecia pouco aos olhos do governo e dos empreendedores envolvidos com o licenciamento da usina era – e é – inegociável para os Munduruku. Pedir que abram mão de seu território é pedir que abram mão do seu modo de vida e de sua relação com o Rio Tapajós e suas florestas”, diz o texto do Mapa, feito em parceria com o Greenpeace.   Hoje, no terceiro dia de Acampamento, a luta continuou. Dessa vez, foi para tentar evitar que uma ferrovia corte as bacias do Xingu e Tapajós, entre Mato Grosso e Pará. Chamada de Ferrogrão, ela vai ter quase mil quilômetros de extensão, partindo da região produtora de cereais de Sinop (MT) e chegando aos portos de Miritituba (PA), para consolidar o novo corredor ferroviário de exportação de soja pelo Norte do país. Não há como não impactar a vida dos indígenas que moram nesse trajeto, e a maior indignação é com o fato de eles não terem sido consultados.   “Temos o nosso protocolo no Xingu. Os interessados em fazer a ferrovia têm que fazer a consulta. Estamos preparados para isso”, afirma Wareaiup Kaiabi, presidente da Associação Terra Indígena do Xingu (Atix), para o blog da Mobilização.    A exoneração do presidente da Funai Franklimberg de Freitas, exatamente na época do ATL, também foi um assunto que mereceu a atenção dos indígenas. Segundo comentários nas redes sociais, a exoneração foi feita a pedido da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), composta por 252 parlamentares, entre deputados e senadores.  Mas a demanda teria sido de outros indígenas, considerados “ruralistas”.  Há um imbróglio aí que precisa ser entendido.   O tema do Acampamento, que termina na sexta-feira (27) é “Unificar as lutas em defesa do Brasil Indígena – Pela garantia dos direitos originários dos nossos povos”. Está acontecendo num momento percebido pelo movimento indígena nacional como o maior ataque aos direitos indígenas desde a promulgação da Constituição Federal em 1988.   Sempre que o tema aquecimento global versus desenvolvimentismo vem à tona, é inevitável que o estilo de vida indígena seja citado como exemplo, como eu disse no início do texto. Mas tem sido também inevitável uma absurda e incoerente falta de respeito aos hábitos e costumes que ajudem a preservar mais o meio ambiente, coisa que os indígenas têm muito a ensinar. Uma pena. […]

  • O trágico destino de milhares de elefantes usados no turismo e rituais religiosos na Índia
    on 25 de abril de 2018 at 15:14

    Presentes na vida dos indianos há séculos, animais vivem presos, são mal alimentados, adoecem e morrem precocemente; segundo ativistas, leis de proteção a paquidermes não são cumpridas. A elefante Rajeshwari morreu apenas dias depois que um defensor de animais conseguiu permissão para sacrificá-la em um tribunal BBC Por mais de um mês, Rajeshwari, uma elefanta de 42 anos mantido em um templo na Índia, permaneceu deitado em um trecho de areia, sua pata dianteira e seu fêmur quebrados e seu corpo tomado por ferimentos. Um ativista por direitos de animais entrou na Justiça com um pedido para sacrificá-la. O tribunal local determinou que o paquiderme poderia ser sacrificado depois de ser examinado por veterinários. Mas, no último sábado, ela morreu, poucos dias após a decisão. Rajeshwari teve uma vida difícil desde o momento em que foi vendida a um templo no estado de Tamil Nadu, em 1990. Ela ficava sobre um chão de pedra durante horas para "abençoar" devotos do deus hindu Ganesha – sempre representado com uma cabeça de elefante – e participar de rituais como levar água para as divindades. Em 2004, ela caiu de um caminhão aberto quando era levada para um acampamento de "rejuvenescimento" para elefantes mantidos em cativeiro e quebrou a perna. Desde então, sentia dor no membro. Recentemente, ela quebrou o fêmur quanto veterinários usaram uma escavadeira para movê-la e tratá-la. Depois disso, segundo ativistas que visitaram o templo para monitorar suas condições, ela enfraqueceu até morrer. Mortes prematuras A história trágica de Rajeshwari se assemelha à de muitos dos 4 mil elefantes mantidos em cativeiro na Índia, a maioria deles nos Estados de Assam, Kerala, Rajastão e Tamil Nadu. De acordo com o Relatório de Proteção Animal, o país é considerado o "local de nascimento da domesticação de elefantes para o uso por humanos" – uma prática que começou há milhares de anos. Para efeito de comparação, o país tem 27 mil elefantes selvagens. Os elefantes são fortemente associados às tradições religiosas e culturais do país. No sul da Índia, os paquidermes são alugados durante festivais religiosos para procissões barulhentas e outras festividades como casamentos e inauguração de hotéis e lojas. Eles viajam longas distâncias em veículos abertos e caminham por estradas asfaltadas sob o sol escaldante por horas. Muitas vezes, eles tentaram fugir dos templos durante festivais e acabaram matando participantes. Elefantes mantidos em templos costumam ser levados para "acampamentos de rejuvenescimento", mas frequentemente sofrem acidentes no caminho AFP Em outros locais, elefantes acorrentados e selados são usados para levar turistas, subir e descer escadarias ou ser banhados e tocados por eles. Os animais também são alugados por políticos para comícios ou por empresas para promover seus produtos em feiras. E ainda podem ser usados na derrubada ilegal de árvores e até para pedir dinheiro em estradas. De acordo com a imprensa local, mais de 70 elefantes em cativeiro morreram "jovens e em circunstâncias não naturais" em apenas três Estados entre 2015 e 2017. Só em Kerala, 12 destes animais já morreram em 2018. "A maior parte destas mortes se deve a tortura, abusos, excesso e trabalho ou práticas de má gestão", diz Suparna Ganguly, presidente do Centro de Resgate e Reabilitação de Animais Selvagens. 'Ignorância' A falta de espaço e de habitat para que os elefantes se exercitem e pastem faz com que os elefantes em cativeiro fiquem presos por muitas horas em abrigos de concreto com chão de pedra. Isso já é o suficiente para que os animais fiquem doentes. Em geral, eles desenvolvem uma "podridão no casco", condição que faz com que suas patas tenham abcessos e as solas fiquem mais finas, podendo levar a uma infecção séria. Quando estão em ambientes abertos, a exposição constante ao brilho do sol pode afetar sua visão. Ganguly diz que estes problemas derivam da "enorme ignorância de tratadores e administradores". Além disso, há a má alimentação. Elefantes comem devagar e, na natureza, comem mais de 100 tipos de raízes, brotos, gramíneas, folhagens e tubérculos. Em cativeiro, sua dieta é bastante restrita. Em partes do nordeste da Índia, por exemplo, eles só têm acesso a uma dieta de bagaço de cana, muito rica em glicose. Veterinários dizem que muitos sofrem de infecção intestinal, septicemia (infecção que se espalha pela corrente sanguínea) e infecções pulmonares. A expectativa de vida dos elefantes em Kerala, de acordo com um relatório, caiu de 70 a 75 anos há cerca de duas décadas para menos de 40 anos. Negócio lucrativo Não há nem lugares suficientes para abrigar elefantes resgatados e doentes. Há apenas cinco destes abrigos na Índia – incluindo três centros de resgate privados –, que mantêm apenas 40 elefantes. Tamil Nadu tem acampamentos de rejuvenescimento para elefantes de templos, onde os animais podem descansar, receber tratamento médico e interagir com outros elefantes em um ambiente natural durante um mês. Mas os paquidermes são levados de caminhão para estes locais, viajando longas distâncias e, frequentemente, sofrendo acidentes pelo caminho. A Suprema Corte da Índia proibiu a venda e a exibição de elefantes em uma famosa feira de animais e instruiu as autoridades a proibir o uso de elefantes em cerimônias religiosas para reduzir sua demanda. Mais de 350 elefantes cativos em Kerala e no Rajastão são "ilegais", ou seja, seus donos não possuem permissão para mantê-los cativos. Ativistas dizem que apesar de as leis indianas serem adequadas, o governo não faz o suficiente para que sejam cumpridas. Uma das razões para isso parece ser o fato de que elefantes são um negócio lucrativo. O dono de um elefante em Kerala, por exemplo, pode facilmente lucrar 70 mil rúpias (cerca de R$ 3.600) por uma aparição de um dia em um festival religioso na alta estação. A Suprema Corte, no entanto, analisa novas leis para proteger os animais. […]

  • Câmara aprova texto-base de MP que cria fundo com recursos de compensação ambiental
    on 25 de abril de 2018 at 01:31

    Deputados ainda analisarão destaques antes de encaminhar projeto ao Senado. Pela proposta, Instituto Chico Mendes poderá escolher banco público para administrar o fundo. A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (24), por 259 votos a 12, o texto-base da medida provisória (MP) que cria um fundo com recursos obtidos por meio da compensação ambiental. Após a aprovação do texto-base, a sessão foi encerrada e, com isso, os deputados ainda terão de analisar os destaques (propostas para alterar o projeto original). A sessão foi marcada para a manhã desta quarta. Concluída a votação do projeto na Câmara, o texto seguirá para análise do Senado. Entenda o projeto A compensação ambiental está prevista na Lei 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Pela lei, o empreendedor é obrigado a apoiar a implantação e manutenção de unidade de conservação quando o empreendimento causar "significativo impacto ambiental". A MP em análise na Câmara define que os recursos da compensação serão reunidos em fundo. Pela proposta, o Instituto Chico Mendes deverá escolher um banco público, sem licitação, para administrar o fundo. O texto da MP estabelece que o fundo financiará unidades federais de conservação - parques nacionais, reservas biológicas e áreas de proteção ambiental. Indenizações A MP estabelece também que até 50% dos recursos de compensação ambiental poderão ser usados nas indenizações por demarcação de terras, desapropriações e regularização fundiária. O texto permite, ainda, que áreas e instalações de unidades de conservação possam ser exploradas em atividades de visitação para a educação ambiental e turismo ecológico. […]

  • Girafa escapa da jaula em zoológico dos EUA e 'passeia' em área próxima a estacionamento
    on 25 de abril de 2018 at 00:44

    Área onde filhote chegou não é aberta para o público. Ela foi recapturada antes de fugir do parque. Filhote de girafa escapa de zoológico nos Estados Unidos Um filhote de girafa escapou de sua jaula no Zoológico para Crianças Fort Wayne, em Indiana, nos EUA, e chegou a área próxima ao estacionamento do parque na segunda (23). Segundo a rede NBC, o animal de 7 meses é uma fêmea e fazia parte de uma exposição especial chamada Jornada Africana. Thabisa, como é chamada a girafinha, escapou e ficou galopando pela área por duas horas antes de ser recapturada. Bonnie Kemp, representante do zoológico, declarou que o animal não chegou a deixar a propriedade. Os funcionários conseguiram encurralar a girafa em uma área próxima ao estacionamento e que não é aberta ao público. Eles trabalharam para acalmar a girafa antes de conseguir fazê-la retornar para a jaula. O zoológico não esclareceu como o filhote, a girafa mais nova entre as nove que estão no local, conseguiu escapar. Filhote de girafa é visto próxima a estacionamento de zoológico em Indiana Rod Stayner/via REUTERS […]

  • Sem cheiro ruim, flor cadáver floresce em jardim botânico nos EUA
    on 24 de abril de 2018 at 23:28

    Organizadores do evento estranham a falta do tradicional cheiro ruim associação ao florescimento da planta. Famosa flor cadáver floresce durante exibição nos EUA Uma flor cadáver começou a florescer no jardim botânico de Tucson, nos EUA, pouco antes do meio-dia de segunda-feira (23). Centenas de pessoas de todo o país foram conferir de perto a planta, mas uma coisa estava faltando: o tradicional cheiro. Normalmente ela fica aberta por cerca de 48 horas e libera o cheiro de carne podre por 12 horas. A planta Arum Titan, que floresce apenas três ou quatro vezes ao longo de seus 40 anos de vida, é conhecida como flor-cadáver por exalar um forte cheiro de carne podre para atrair insetos polinizadores, como besouros, garantindo a sua reprodução. A planta é originária das florestas tropicais de Sumatra, na Indonésia, onde está em perigo de extinção por causa do desmatamento. […]

  • Expedição ao Pico da Neblina se depara com novas espécies, restos de garimpo e expectativa de yanomamis com turismo
    on 24 de abril de 2018 at 11:12

    BBC acompanhou viagem pioneira à região mais alta do Brasil; missão chefiada por zoólogos da USP envolveu Exército, mobilizou guias do povo yanomami e rendeu descoberta de nove espécies de animais e plantas. Subida ao platô onde fica o Pico da Neblina ocorreu em helicóptero do Exército BBC À beira de um riacho ao pé do Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil, biólogos e militares haviam acabado de montar o acampamento onde passariam os dez dias seguintes quando uma perereca amarela com os olhos fluorescentes surgiu entre as folhas de uma bromélia. Confira o vídeo. Foi agarrada pelo zoólogo paulistano Ivan Prates, um dos oito pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) a integrar a primeira grande expedição científica a uma das regiões mais remotas da Amazônia, no último mês de novembro. "Não tenho ideia do que seja", disse Prates, enquanto exibia o bicho aos colegas, igualmente intrigados com os olhos brilhantes em tons de azul, verde e laranja. Conforme escurecia e a temperatura despencava no platô, os pesquisadores torciam por novos encontros como aquele. E nossa equipe, que produzia um documentário sobre a expedição - lançado no último dia 14 pela BBC World News - rezava para que a fria garoa desse uma trégua e nosso cinegrafista conseguisse registrar os encontros sem ser importunado por vespas, percalços enfrentados nos primeiros dias de gravação. Sonho concretizado Há muitos anos a equipe liderada pelo professor Miguel Trefaut Rodrigues, um dos maiores especialistas em répteis e anfíbios do mundo, sonhava em viajar ao Parque Nacional do Pico da Neblina para catalogar as espécies que ali vivem. O grupo esperava encontrar animais e plantas jamais registrados pela ciência e preencher importantes lacunas na história da formação da Amazônia, bioma com a maior diversidade de espécies do mundo. Também pretendia estudar como a região do pico pode ser afetada pelas mudanças climáticas e quais espécies estão mais sujeitas a desaparecer. Após um ano de preparativos feitos numa parceria inédita com o Exército, a expedição finalmente rendia frutos. A perereca amarela capturada pelos pesquisadores era uma Myersohyla Chamaleo, anfíbio até então jamais encontrado no território brasileiro. Em um mês de expedição, foram coletadas mais de mil amostras de plantas, anfíbios, aves e pequenos mamíferos - material que propiciará vários anos de estudos e enriquecerá as coleções nacionais de botânica e zoologia. Parceria com o Exército Tirar a expedição do papel, porém, não foi simples. O Parque Nacional do Pico da Neblina está fechado a visitantes desde 2013, quando o turismo desordenado ameaçava gerar conflitos na região. Myersohyla Chamaleo, espécie encontrada pela primeira vez no território brasileiro BBC Para pesquisar na área, foram necessárias autorizações do ICMBio (órgão que administra os parques federais) e da Funai (Fundação Nacional do Índio), pois boa parte do parque se sobrepõe à Terra Indígena Yanomami. Biólogos da USP já haviam tentado trabalhar lá, mas dizem que a Funai sempre negou os pedidos. Outra dificuldade era chegar a uma região de mata fechada e desprovida de estradas, na fronteira do Brasil com a Venezuela. A saída foi buscar uma parceria com o Exército, que mantém uma base dentro do território yanomami, a alguns dias de caminhada do Pico da Neblina. Após a USP procurar em janeiro de 2017 o general Sinclair James Mayer, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, a força resolveu abraçar a missão. A partir dali, todas as portas se abriram: a Funai - hoje presidida por um general, Franklimberg Ribeiro de Freitas - concedeu a licença aos pesquisadores, e o Exército assumiu toda a logística da viagem, inclusive o transporte. Acordou-se que os biólogos voariam de São Gabriel da Cachoeira (AM) até o 5º Pelotão Especial de Fronteira, em Maturacá, onde passariam duas semanas hospedados em alojamentos militares, e depois subiriam de helicóptero até um acampamento na base do pico, a dois mil metros de altitude e a mil metros do cume. Nossa equipe os acompanharia por dez dias. Dezenas de militares do Exército cuidaram da logística da expedição BBC Banquete na aldeia Só faltava combinar com os donos do pedaço, os yanomami. Após a chegada a Maturacá e um encontro tenso com os indígenas, mediado por um intérprete yanomami que parecia suavizar as falas mais críticas aos pesquisadores, a equipe recebeu sinal verde da comunidade e se comprometeu a contratar guias locais. O clima só apaziguou de vez dias depois, com um convite para uma festa na aldeia Maturacá. A cerimônia, com centenas de pessoas, celebrava o retorno de dezenas de caçadores que haviam passado uma semana na mata e capturado porcos do mato, mutuns, um macaco e uma anta. Com os corpos pintados de preto e penas de gavião na cabeça, os caçadores fizeram uma entrada triunfal na aldeia. Dançando e cantando, caminharam até uma grande estrutura de palha, onde os bichos estavam empilhados e moqueados. Foram recebidos por mais de 20 xamãs, os líderes espirituais, que tinham os rostos pintados e penas de arara nos ombros. Alguns sopravam nas narinas dos outros paricá, um pó alucinógeno feito de plantas locais e que, segundo os xamãs, permite que se comuniquem com os xapiripë, espíritos de entidades cósmicas e criaturas da floresta. Povo yanomami habita a região do Pico da Neblina, na divisa do Brasil com a Venezuela BBC Os pesquisadores assistiam ao transe dos xamãs, sentados em cadeiras escolares. "Tantos anos fazendo trabalho de campo e eu nunca vi um negócio desses", exultava Trefaut enquanto filmava tudo com a câmera. Ao final, quando os cientistas deixavam a aldeia, um ancião apontou para os óculos escuros de um pesquisador, que propôs trocá-lo pelas flechas do interlocutor. Negócio fechado, o velho pôs os óculos e posou para fotos com os visitantes. Ataque de vespa A contratação dos guias se mostrou crucial para os pesquisadores. Grandes conhecedores da floresta, foram eles que indicaram as trilhas mais produtivas e encontraram vários dos animais coletados - entre os quais uma bela jiboia verde, serpente não venenosa. As buscas mais profícuas ocorriam à noite. Aos 65 anos, o professor Trefaut exibia perícia e disposição surpreendentes. Era capaz de identificar sapos pelo canto a longas distâncias e os rastreava mata adentro - às vezes cruzando pântanos e riachos com a água na cintura - até capturá-los com as próprias mãos. O Pico da Neblina, a 2.994 metros acima do nível do mar, visto do acampamento dos pesquisadores BBC Alguns eram tão pequenos quanto moedas e se escondiam entre raízes, fazendo com que ele levasse o ouvido ao chão e revirasse a terra à sua procura. Certa vez, ficou quase uma hora no encalço de um e só desistiu porque passava das onze da noite. Em outra noite, logo após uma tempestade, Trefaut foi ferroado na pálpebra por uma vespa - talvez a mesma que, momentos antes, entrou na cobertura de plástico que protegia a câmera do nosso cinegrafista, fazendo com que fugisse em disparada. Após a ferroada, Trefaut praguejou, jogou água no rosto e, ainda com os olhos inchados, continuou as buscas. A recompensa veio momentos depois: "Uma pipa, uma pipa!", ele gritou ao encontrar numa poça um tipo raro de sapo aquático com corpo achatado e olhos minúsculos, a Pipa surinamensis. Antes que o bicho sumisse na lama, o zoólogo Agustín Camacho o agarrou. Outros pontos altos da expedição foram a coleta de sapos no topo do pico, quando nossa equipe já tinha deixado o acampamento, e a captura de lagartos da família Anolis - que não têm qualquer parentesco com espécies amazônicas, mas sim com espécies dos Andes e da Mata Atlântica. "Temos um quebra-cabeça para montar e explicar como esses bichos se mantiveram completamente isolados nessa pequena porção da América do Sul", diz Trefaut. Uma das hipóteses é que, no passado, houve platôs que serviam como corredores para espécies de altitude, conectando diferentes biomas da América do Sul. Os lagartos e outros bichos capturados passaram por um exame conduzido pelo zoólogo Agustín Camacho, que mediu sua tolerância à variação de temperatura. Os dados, que permitirão identificar quais espécies locais estão mais vulneráveis às mudanças climáticas, ainda estão sendo processados. Entre os resultados da expedição, houve ainda a captura de quatro espécies novas de sapos, dois lagartos, uma coruja e um arbusto - espécies novas, vale dizer, para a ciência ocidental, mas não para os yanomami, que diziam conhecer cada animal capturado, embora nem todos tivessem nomes específicos em sua língua. Sacrifício em nome da ciência Os guias tinham acesso livre ao laboratório improvisado onde os animais eram armazenados - e, diferentemente de nossa equipe, não pareceram se chocar ao conhecer a instalação. Dezenas de aves coloridas já mortas, com vísceras e olhos extraídos, secavam ao sol sobre painéis. Numa mesa ao centro, os pesquisadores sacrificavam com injeções pequenos marsupiais, roedores, anfíbios e répteis. Em seguida, extraíam tecidos para exames genéticos futuros. "Ninguém fica feliz e sorrindo quando tem de coletar um animal", contou-me o professor Luís Fábio Silveira, um dos integrantes da expedição e curador de ornitologia do Museu de Zoologia da USP. Ele diz que matar os animais é importante para estudar sua genética e fisiologia - além de permitir que os bichos sejam incorporados a coleções. "Pegamos poucos indivíduos de cada espécie, uma amostragem que não causa impactos significativos. E, depois que montamos uma coleção, ganhamos elementos importantes para justificar que uma área seja preservada, então os ganhos compensam", afirma. Ancião que trocou óculos escuros por flechas com um dos pesquisadores BBC Silveira diz que o sacrifício dos bichos segue diretrizes éticas definidas por comitês internacionais. No caso das aves, costumam ser mortas com tiros de espingarda ou, quando capturadas por redes, têm ataques cardíacos induzidos. "Nós pressionamos o coração e, em um ou dois segundos, ela morre em nossas mãos. São métodos que provocam o menor sofrimento possível." O professor afirma que o material coletado renderá entre cinco e seis anos de pesquisas. "Os resultados foram além das minhas expectativas." Onde estão os bichos? A expedição, porém, também gerou algumas descobertas negativas - e preocupantes. Na primeira etapa da viagem, quando analisavam a fauna nas matas baixas e densas da região de Maturacá, os pesquisadores quase não encontraram mamíferos - uma decepção para o professor Alexandre Reis Percequillo, especialista em roedores. Poderia ser só má sorte, não fossem os relatos dos próprios yanomami, que disseram ter de se deslocar por distâncias cada vez maiores para caçar. Não por acaso, os caçadores tiveram de passar uma semana na mata antes de voltar à aldeia com as mãos cheias para o ritual presenciado pelos pesquisadores. "Quando nossos pais saíam para caçar, às vezes a caça estava perto, mas a população cresceu muito e os bichos ficaram distantes", contou a professora yanomami Maria Cleia Pereira. Professor Miguel Trefaut já descobriu cerca de 80 espécies em sua carreira BBC Dizimados por epidemias após terem seu território invadido por cerca de 40 mil garimpeiros nos anos 1980, os yanomami conseguiram reverter a queda demográfica. Hoje, segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena, somam 23,5 mil integrantes no Amazonas e em Roraima - além de outros 11 mil na Venezuela. Antes organizados em pequenos grupos dispersos pela floresta, muitos yanomami hoje vivem em aldeias populosas, onde a caça rareou e há maior dependência das trocas com o mundo exterior - caso da região de Maturacá. Todos os meses, centenas de famílias yanomami daquela área se deslocam para São Gabriel da Cachoeira para fazer compras e receber o Bolsa Família, a principal fonte de recursos para a maioria das comunidades indígenas amazônicas. Ouro como moeda A invasão garimpeira deixou sequelas ambientais e sociais na região do Pico da Neblina - e jamais foi completamente erradicada. Na base do pico, acampamos num antigo ponto de garimpo conhecido como Bacia do Gelo, onde a temperatura caía para menos de dez graus à noite. Naquela região, garimpeiros desviaram riachos e provocaram o surgimento de vários lagos. Em muitos trechos, margens de cursos d'água foram reviradas, criando praias de pedregulhos sem qualquer vegetação. Num encontro com a equipe da BBC antes da expedição, o general Omar Zendim, comandante da 2ª Brigada de Infantaria da Selva, disse que a região estava livre de garimpeiros há alguns anos. Roedor capturado pelo biólogo Alexandre Percequillo BBC Porém, numa clareira usada por garimpeiros perto da Bacia de Gelo, encontrei uma embalagem de comida fabricada em 2016 e com validade até julho de 2018, além de pilhas que pareciam ter sido descartadas recentemente. Em Maturacá, mulheres yanomami me contaram que garimpeiros têm oferecido 21 gramas de ouro (o equivalente a R$ 3 mil) a indígenas pelo transporte de alimentos até um garimpo do lado venezuelano da fronteira. O local fica a vários dias de caminhada de Maturacá - o percurso é feito todo a pé pela mesma trilha íngreme que dá acesso ao Pico da Neblina. O ouro circula livremente pela região. Numa loja vizinha à base do Exército em Maturacá, clientes podem usar o metal como moeda, e há uma balança no balcão para pesá-lo. Contaminação por mercúrio O professor Miguel Trefaut diz que os danos causados pelo garimpo não prejudicaram a pesquisa, pois em boa parte da região visitada as matas estavam intactas. Mas ele afirma que o uso de mercúrio pelos garimpeiros pode ter gerado impactos graves - ainda que invisíveis - para a fauna e comunidades locais. Em 2016, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou altos índices de contaminação por mercúrio em aldeias yanomami próximas a garimpos em Roraima. Numa delas, a de Aracaçá, o índice de moradores com níveis perigosos de mercúrio no sangue chegou a 92%. A substância pode causar problemas motores e neurológicos, perda de visão e danos permanentes em fetos. Não foram feitas medições em Maturacá. Muitos indígenas da região disseram esperar que o turismo em pequena escala aumente a autonomia das comunidades e afaste o garimpo. Chamado pelos yanomami de Yaripo, o Pico da Neblina deve ser reaberto à visitação nos próximos meses. Agora a atividade será gerida pelas próprias comunidades, e não mais por agências de turismo, modelo que estava gerando tensões nas comunidades. Aves sacrificadas e etiquetadas durante a expedição BBC Vários yanomami - inclusive os que acompanharam os pesquisadores - foram treinados nos últimos quatro anos para receber os turistas, em iniciativa apoiada pelo ISA, Funai, Exército e ICMBio. Temporal no acampamento Para seis guias, a expedição científica serviu como uma espécie de treino. Apesar da boa relação com os pesquisadores, nem sempre as recomendações dos yanomami foram ouvidas. Quando a equipe chegou ao pé do pico, os guias alertaram sobre os riscos de erguer o acampamento na área definida pelo Exército, perto de um riacho. Eles avisaram que o local era vulnerável a enchentes - informação descartada pelos militares - e preferiram atar suas redes numa gruta morro acima. Dias depois, uma tempestade fez com que várias cataratas se formassem no topo do pico. Em instantes, o riacho encheu e inundou o acampamento, levando militares e pesquisadores a transferi-lo às pressas. Na gruta dos yanomami, ninguém se molhou. […]

  • Empresas, cidadãos comuns, governos... quem tem culpa sobre as mudanças do clima?
    on 24 de abril de 2018 at 09:00

    Em janeiro deste ano, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, surpreendeu positivamente os ambientalistas quando decidiu comprar uma briga na Justiça contra as cinco grandes petroleiras do mundo, culpando-as pelo avanço do aquecimento global. No mês passado, doze cidadãos do Reino Unido fizeram o mesmo, segundo reportagem do jornal “The Guardian” que chama a atenção  para o início de uma era de prestação de contas, em que se vai  começar a tentar achar culpados pelas mudanças do clima. E a cobrar que eles paguem por isso. Corroborando a teoria da jornalista Dana Nuccitelli, que assina a reportagem, no dia 21 de março, na Califórnia, o juiz William Alsup convocou especialistas renomados em questões climáticas (pró e contra os cientistas que afirmam que o aquecimento é causado pela ação humana) e dirigentes das grandes petrolíferas para responderem a questões-chave sobre aquecimento do planeta. Foi uma inusitada audiência que pôs, de um lado, as cidades de São Francisco e Califórnia e, de outro, a Chevron, Exxonmobil, Shell e BP. Não foi, exatamente, um interrogatório. Conhecido por ser pouco ortodoxo, Alsup pediu inclusive aos repórteres presentes, entre eles Sam Levin, do “The Guardian”, para não carregarem nas tintas. Isto porque a audiência já tinha sido comparada, em manchete do dia anterior, a um famoso julgamento sobre a teoria da evolução que acontecera nos Estados Unidos em 1925. Alsup negou que fosse algo tão grandioso e disse que queria mesmo era conhecer melhor o tema. Durante as cinco horas de debate, ficou claro para todos os presentes que as companhias petrolíferas têm um argumento sólido para se defenderem das acusações e das multas pesadas que possam começar a acontecer: para elas, a culpa do aquecimento não deve ser da extração e produção do petróleo, mas do crescimento econômico e populacional: “É o caminho. As pessoas estão seguindo suas vidas. As mudanças climáticas requerem uma ação global”, disse Theodore Boutrous Jr, advogado da Chevron. Em outras palavras, o que o advogado quis foi tentar afastar ao máximo esta audiência da famosa ação que o país moveu contra a gigante de tabaco Philip Morris, em 1999, quando a juíza Gladys Kessler entendeu que a empresa negou, nas propagandas, os efeitos nocivos do cigarro, para vender mais seu produto. No caso das mudanças climáticas, afirmam as empresas, todos estão sabendo de tudo.  Mas há denúncias, segundo a reportagem, de que as petrolíferas estão investindo numa espécie de contrainformação sobre as mudanças climáticas. “Ao invés de desinformar diretamente o público, elas canalizaram think thanks para fazerem o trabalho sujo. Ao terceirizarem  a campanha de desinformação e permitir que seus cientistas publiquem pesquisas em periódicos revisados ??por pares - onde estavam disponíveis, mas em grande parte despercebidos pelo público -, as companhias de petróleo tentaram se proteger contra a responsabilidade legal que derrubou a indústria do tabaco”, escreve a jornalista. A reportagem encontrou um relatório que a própria equipe de analistas da Shell produzira há três décadas, em 1988, alertando para os riscos das mudanças climáticas. E que só agora  veio à tona. “As mudanças no clima estão a uma distância incomum de tempo para que possa ser feito qualquer  planejamento futuro. Estão mesmo além da vida da maioria dos atuais tomadores de decisão... E as mudanças podem ser as maiores já registradas em toda a história”, dizem os pesquisadores no relatório. Os profissionais contratados pela petrolífera para fazerem o estudo alertaram para a necessidade de mudanças enérgicas na produção. Mas reconhecem que elas serão custosas e que não devem ser “perceptíveis”. Conclusão: a Shell sabia de tudo e não fez nada para diminuir a venda de petróleo. Sob este ponto de vista, portanto, e se estivéssemos num julgamento real, a empresa já poderia ser considerada culpada.    Mas, de fato, não se pode dizer que as questões sobre mudanças do clima sejam novidade ou mesmo assunto reservado a este ou aquele ator principal.  Até mesmo para quem optar por seguir a linha dos cientistas “céticos do clima”, há uma grande rede de informações. As Nações Unidas promovem encontros anuais (as Conferências das Partes) que são amplamente divulgados pela mídia e não param de divulgar relatórios para mostrar que o abuso dos combustíveis fósseis está causando problemas. Vidas humanas e animais estão sendo perdidas por conta de furacões, tempestades e secas cada vez mais frequentes pelo fato de a Terra estar sendo aquecida por causa do  efeito estufa, e este link é feito pela mídia especializada ou não. Financeiramente, só nos Estados Unidos, os custos dos três grandes furacões de 2017 (Harvey, Irma e Maria) chegam a US$ 200 bilhões. Vai ser difícil, portanto, julgar somente as empresas sem levar em conta a participação dos governantes e dos cidadãos comuns na crise civilizatória em que estamos. Em artigo escrito para a revista britânica “Resurgence & Ecologist”, o escritor ambientalista Jonathon Porritt  diz, claramente, que as mudanças do clima são uma questão moral. “Acredito que um cenário em que estão em jogo as pessoas mais pobres do planeta, todas as gerações futuras e todas as criaturas não humanas pode legitimar uma profunda e radical mudança de nossos costumes e hábitos antes que seja tarde”, escreve ele. No entanto, como lembra Anthony Giddens em “A política da mudança climática” (Ed. Zahar), pesquisas de comportamento mostram que a maior parte da população reconhece o aquecimento global como uma grande ameaça. Mas somente uns poucos se dispõem a alterar sua vida de modo significativo em decorrência disso. O que falta? Em parte, acredita Giddens, falta o apoio do estado para estimular a mudança, dando suporte a grupos sociais que levarão adiante as medidas. Um Estado assegurador, que “tenha a capacidade de produzir resultados definidos, um Estado em que não apenas seus cidadãos podem confiar, mas com o qual também podem contar os dirigentes de outros Estados”. Giddens escreveu este livro em 2009, antes do furacão Trump atravessar a vida de todos nós, declarando-se um cético do clima e desconstruindo algumas boas iniciativas que o ex-presidente Obama havia tomado, como a assinatura do Acordo de Paris.  Aqui no Brasil temos uma revoada de retrocessos na área ambiental, culminando com o aumento do desmatamento da Amazônia. Há outros casos de estados que não têm assegurado, na prática, uma mudança que apregoam nos acordos e tratados que assinam. Na era de julgamentos, portanto, um amplo espectro precisa ser considerado antes de se achar o culpado. Mais producente do que isso poderia ser uma também ampla conscientização, e que cada um pudesse ir fazendo seu papel. Está em jogo não apenas a vida de gerações futuras mas, é bom pontuar, vidas que já estão se perdendo agora. […]

  • Monitor diz que Volkswagen não fez esforço suficiente para mudar após o 'dieselgate'
    on 23 de abril de 2018 at 17:52

    Larry Thompson foi escolhido pelo Departamento de Justiça dos EUA para supervisionar a montadora por 3 anos. Isso faz parte do acordo bilionário assinado no ano passado. Carros envolvidos no 'dieselgate' que a Volkswagen recomprou de clientes americanos armazenados em deserto na Califórnia, nos EUA Lucy Nicholson/Reuters O monitor da Volkswagen pós escândalo do "dieselgate" relatou que a montadora não tem feito esforço suficiente para mudar a cultura da empresa e evitar que isso se repita. Larry Thompson, ex-Procurador Geral Adjunto dos Estados Unidos, foi designado pelo Departamento de Justiça americano para observar a conduta da fabricante de veículos, de forma independente, por 3 anos, a partir de agosto último. Isso fez parte do acordo feito pela Volkswagen em janeiro do ano passado, para encerrar processos sobre a fraude de motores a diesel no país. O pacto incluiu uma multa de US$ 4,3 bilhões. Thompson fica na sede do grupo, em Wolfsburg, na Alemanha, onde tem uma equipe de cerca de 20 pessoas. Segundo o jornal alemão "Bild am Sonntag", que foi o primeiro a noticiar o relatório, a avaliação do monitor fez com que o novo presidente do grupo, Herbert Diess, cobrasse ações de seus principais executivos. Peik von Bestenbostel, vice-presidente de comunicação da empresa, afirmou que as observações de Thompson "vão ajudar a mudar a Volkswagen para a direção certa", segundo o "New York Times". Prisão de executivo Na Alemanha, as investigações sobre o "dieselgate" continuam. Na última semana, um diretor da Porsche foi detido, e a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da empresa. De acordo com os jornais "Bild" e "Wirtschaftwoche", o executivo detido é Jörg Kerner, ex-diretor de motores da Porsche, que trabalhava na Audi quando explodiu o escândalo. Ambas as marcas pertencem ao grupo Volkswagen. […]

  • Depois de enfrentar urso e cobra, homem sobrevive a ataque de tubarão
    on 23 de abril de 2018 at 15:54

    Americano de 20 anos foi atacado na semana passada quando fazia bodyboard no Havaí: 'tenho sorte em situações de azar', diz. Dylan McWilliams aponta para trecho onde foi mordido na perna: 'Eu vi o tubarão debaixo de mim' BBC/Arquivo Pessoal Um provérbio em inglês diz que a "má sorte sempre vem três vezes" e foi exatamente o que aconteceu com Dylan McWilliams, um jovem de 20 anos do Colorado (EUA). O esportista sobreviveu na semana passada ao terceiro ataque violento de animais - de um tubarão, quando fazia bodyboard na costa do Havaí. "Isso é meio louco", disse à BBC na ilha havaiana de Kauai. "Eu não pareço ter muita sorte, mas sim sorte em situações de azar." McWilliams estava aproveitando as ondas do Pacífico na manhã de quinta-feira (19) quando sentiu algo bater em sua perna. "Eu vi o tubarão debaixo de mim. Comecei a chutá-lo - sei que o acertei pelo menos uma vez - e nadei até a praia o mais rápido que pude", explicou. Preocupado com o rastro de sangue que estava deixando, ele disse à mídia local após o ataque: "Eu não sabia se havia perdido metade da perna ou o quê". ATENÇÃO: esta página pode conter imagens fortes O tubarão, que se acredita ser da espécie tubarão-tigre e que tinha aproximadamente 2 metros de comprimento, deixou marcas de dentes distintas em sua perna, que precisou de sete pontos. "Minha mãe ficou preocupada", disse sobre o telefonema que deu para os pais logo após ser atendido por paramédicos. "Eu não sei se eles querem que eu faça todas essas coisas", diz. Entusiasta da vida ao ar livre, McWilliams vinha fazendo um mochilão pelos EUA e pelo Canadá nos últimos anos, financiando suas viagens com "bicos" - trabalhando como vaqueiro ou instrutor de treinamento de sobrevivência. Seu avô foi a primeira pessoa a lhe ensinar técnicas de sobrevivência, aos três ou quatro anos de idade, e daí nasceu seu amor pela vida ao ar livre. Imagens mostram feriamentos que sofreu em ataque de urso no ano passado (à esquerda) e após a mordida do turbarão na semana passada (à direita) BBC/Arquivo Pessoal "Eu tenho ensinado crianças e outras pessoas a como sobreviver no deserto e viver da terra como os exploradores faziam", disse McWilliams, que é fã da série Crocodile Hunter (Caçador de Crocodilos, em tradução literal), de seu acampamento em uma praia havaiana. Em julho passado, em uma viagem acampando em florestas do Colorado, ele dormia ao ar livre quando, às 4 da manhã, foi acordado com a cabeça presa nas mandíbulas de um urso. "Ele me agarrou pela parte de trás da cabeça, e eu estava reagindo, cutucando seu olho até ele me soltar", descreve. Seus amigos acordaram com a confusão e conseguiram enxotar o urso, de 136 kg. As autoridades do parque o capturaram na manhã seguinte, e depois de testes confirmarem que o sangue do rapaz estava sob suas garras, o animal teria sido abatido. Nove grampos colocados na parte de trás da cabeça de McWilliams deixaram cicatrizes e provocam dor quando tocados, mas a experiência não foi suficiente para desencorajar seu amor pelo ar livre. "Eu sempre amei animais e passei o maior tempo que pude com eles", disse o mochileiro. Ele atribui esses incidentes perigosos ao fato de estar no lugar errado na hora errada. "Eu não culpo o tubarão, não culpo o urso, nem a cascavel", diz fazendo referência a um ataque de cascavel que sofreu há menos de três anos, durante uma trilha em Utah, nos Estados Unidos. Initial plugin text Ele conta que, na ocasião, estava descendo uma picada e pensou ter chutado um cacto. "Mas não consegui vê-lo, e então me deparei com uma cascavel toda enrolada". Então com 17 anos, McWilliams pediu para não ser levado ao hospital porque achava ter sofrido uma mordida não venenosa. "Mas havia um pouco de veneno, e fiquei doente por alguns dias", disse, "Temos que respeitar os limites [dos animais], mas não acho que eu esteja invadindo o espaço deles ou provocando os ataques - eles simplesmente aconteceram". O rapaz está agora ansioso para que suas feridas cicatrizem e ele possa voltar às ondas. McWilliams "espera não ter" outro encontro do tipo, mas reconhece que riscos sempre existirão. "Eu passo a maior parte do tempo fora com animais ... então acho que tudo pode acontecer." […]

  • Como um penhasco mudou para sempre a forma como entendemos a Terra
    on 23 de abril de 2018 at 11:09

    Formação em área remota da Escócia confirmou as teorias de James Hutton, “o pai da geologia”, e influenciou Charles Darwin a criar a teoria da evolução. Hutton não chegou a testemunhar seu próprio legado, mas suas ideias mudaram nossa percepção sobre o tempo John Van Hoesen "Só um pouquinho mais à frente, logo após a próxima curva", disse Jim, meu guia, enquanto nosso barco de pescador desbravava as águas densas do Mar do Norte. Não foi muito tranquilizador. Mas, conforme avançávamos lado a lado, eu lembrei que o motivo da viagem valia a pena. Nós estávamos refazendo uma jornada de 230 anos de existência, que mudou para sempre a perspectiva da humanidade sobre a história da Terra - e até do próprio tempo. Nosso destino era o Ponto Siccar. Eu o havia visitado mais cedo naquele dia, mas a pé. Ao ficar de pé sobre os penhascos, a uma hora de distância de carro a leste de Edimburgo (Escócia), eu tive a impressão incontestável de estar em uma fronteira. Muito abaixo, lascas pontiagudas de rochas cinzentas mergulhavam no mar cheio de espuma. Nos penhascos em volta, porém, as pedras tinham um tom mais avermelhado. O Ponto Siccar é uma das localidades geológicas mais importantes do mundo - e foi um fazendeiro de 62 anos quem desvendou sua importância John Van Hoesen De repente, Jim deu um tapinha no meu ombro. "Logo ali", apontou ele. Conforme nos aproximávamos, eu comecei a notar os afloramentos rochosos que o anunciam. Mais perto, o contraste entre as camadas verticais de pedra oceânica com a base do penhasco e as camadas horizontais de arenito bem mais acima estava claramente visível. Em 1788, poucas pessoas entendiam a importância desse contraste. Foi um pensador iluminista - o fazendeiro de 62 anos James Hutton, que fez essa viagem em volta do Ponto Siccar há mais de dois séculos - que percebeu que ele comprovava a existência de um "tempo profundo". Muito antes da chegada de Hutton, o Ponto Siccar tinha uma importância histórica e geográfica. Mais de mil anos atrás, os britânicos antigos haviam construído um pequeno forte ali para espantar os invasores do norte. Mas ninguém havia percebido como o Ponto Siccar ilustrava a própria história da Terra. Muito antes de James Hutton, o Ponto Siccar já tinha uma importância histórica John Van Hoesen Na verdade, quase todas as pessoas na sociedade do século 18 ainda acreditavam que a Terra tinha entre 4 e 10 mil anos de idade, uma estimativa baseada em interpretações literais da Bíblia. Hutton acreditava que a Terra era na verdade muito mais velha. Era uma percepção que mudaria o curso da ciência. Assim como muitas figuras-chave do Iluminismo Escocês do século 18, como o economista Adam Smith, o filósofo David Hume e o poeta Robert Burns, Hutton era um polimato (quem estuda ciências diversas). Nascido em 1726, ele entrou na Universidade de Edimburgo com apenas 14 anos e com 23 ele tinha um diploma de medicina da Universidade de Leiden, na Holanda, além de um interesse crescente em química. Alguns anos depois, ele descobriu como isolar cloreto de amônio da fuligem. Hutton começou um negócio produzindo a substância em sais, tintas e metais, o que lhe garantiu riquezas pelo resto da vida. Apesar do sucesso profissional, a vida pessoal de Hutton havia mudado para pior. Tido como um "homem de pouco caráter" pela elite de Edimburgo após ter um filho ilegítimo, ele se isolou em várias fazendas perto da fronteira entre a Escócia e a Inglaterra, terras que herdou de seu pai. Isso deu início a um fascínio pela agricultura que ele mais tarde descreveu como "o estudo da minha vida". A agricultura levou sua mente inquieta a questionar os processos que formavam a Terra - e a própria idade da Terra. "Uma das dificuldades que ele enfrentou foi muita erosão do solo", disse Colin Campbell, chefe-executivo do centro de pesquisas Instituto James Hutton. "Ele ficava se perguntando como manter o solo na terra durante as tempestades. Mas ele começou a perceber que havia um processo de renovação: enquanto o solo era levado, um novo solo começaria a ser formado e esse ciclo levava bastante tempo". Hutton começou a entender que a Terra havia sido formada e esculpida em processos graduais, todos operando em escalas de tempo imensas e, depois de juntar seus pensamentos um a um lentamente, ele apresentou suas descobertas e um pequeno grupo acadêmico de filósofos na Sociedade Real de Edimburgo. Foi bem recebido. Mas, para convencer uma audiência maior, Hutton sabia que precisava de mais evidências. Hutton encontrou sua ilustração ideal da história da Terra no Ponto Siccar John Van Hoesen Ele partiu Escócia adentro procurando paisagens com junções claras ou inconformidades, que ele acreditava representar intervalos de tempo entre diferentes períodos geológicos. Quanto mais visualmente evidente o contraste, mais fácil era ver que essas características haviam sido criadas separadamente ao longo de enormes períodos de tempo, com intervalos de até milhões de anos. Assim que Hutton avistou o Ponto Siccar, ele sabia que havia encontrado o que procurava. Como o matemático John Playfair, seu companheiro naquele dia, descreveu mais tarde: "A mente parecia ficar um pouco tonta de olhar para tão longe no abismo do tempo". O palpite de Hutton estava certo. Hoje sabemos como certas pedras oceânicas foram formadas há 435 milhões de anos. Com o tempo, camadas de lama no fundo marinho endureceram, cresceram na vertical, subiram acima do nível do mar e então lentamente sofreram erosão, revelando as formações. As pedras grauvaque do Ponto Siccar foram formadas 435 milhões de anos atrás John Van Hoesen Mas foram necessários outros 65 milhões de anos até que o arenito fosse formado. Isso aconteceu em um período climático muito diferente, quando a Escócia era uma região tropical que ficava um pouco ao sul da Linha do Equador. Lentamente, os rios que se formavam no período chuvoso depositaram desertos de areia no topo da pedra de grauvaque. "Hutton percebeu que a formação e o movimento dessas rochas para criar o litoral que vemos no Ponto Siccar não poderia ter ocorrido em cataclismas repentinos no intervalo de anos ou décadas", disse Iain Stewart, geólogo da Universidade de Plymouth. "Ele entendeu esse conceito da profundidade do tempo: são necessárias dezenas de milhões de anos para ter grandes mudanças no planeta como efeito. E isso é perfeitamente ilustrado pela desconformidade entre as camadas de pedra oceânicas e terrestres". As ideias de Hutton começaram a se tornar dominantes no começo do século 19, depois que Playfair publicou seu livro de ilustrações da Teoria Huttoniana da Terra, em 1802, resumindo as teorias de seu amigo. O livro incluía uma ilustração do Ponto Siccar. Muitas décadas depois, o geólogo Charles Lyell escreveu a então inovadora obra de três volumes Os Princípios da Geologia, levando as ideias revolucionárias de Hutton ao público em geral e propondo uma idade indefinidamente longa da Terra. "O próprio Hutton, durante sua vida, era conhecido por dar essas palestras impenetráveis", diz Stewart. "Boa parte de sua escrita também era inacessível. Mas, para Playfair, e mais tarde Lyell, a lógica do seu pensamento era muito atraente e eles tiveram um papel fundamental na sua popularização e em fazer as pessoas aceitarem a longevidade da história da Terra". O arenito no local foi formado 65 milhões de anos após a formação da grauvaque, o que deu a Hutton a desconformidade que ele precisava John Van Hoesen Essas ideias influenciaram intensamente o então jovem Charles Darwin, fornecendo boa parte da base para seus pensamentos, que acabaram o levando à teoria da evolução. "Se você acredita que a Terra tem apenas 4 mil anos, não há muito tempo para seleção natural e evolução", disse Campbell. "Mas se você acredita que o mundo tem milhões e milhões de anos, isso lhe dá todo tempo que você precisa para a evolução. É por isso que Hutton teve um impacto tão grande no pensamento das pessoas nos séculos seguintes". O próprio Hutton nunca testemunhou o legado de suas ideias. Ele morreu em 1797, com 70 anos de idade, nove anos após sua visita ao Ponto Siccar. Apesar de ser um dos maiores cientistas da Escócia, sua morte mal foi homenageada e ele foi enterrado em uma cova sem identificação. Somente 100 anos mais tarde, um grupo de geólogos juntou recursos para criar uma lápide para ele. "Ninguém sabe por que isso aconteceu", diz Campbell. "Deve haver várias razões - ele não havia se casado, teve um filho ilegítimo. Algumas pessoas dizem que ele bebia muito e ficava mais feminino, mas isso pode ser um mito. Além de sua genialidade científica, há muita história pessoal sem explicação no caso de Hutton". Ainda assim, em um intervalo de décadas, as ideias de Hutton influenciaram a cultura popular e se tornaram amplamente aceitas, até mesmo pela Igreja Anglicana. Muito disso se deve não apenas a Hutton, mas ao próprio Ponto Siccar. "É um contraste tão grande e óbvio não apenas no ângulo mas nas cores das pedras, e isso não dá margem para discussão", disse Campbell. "Resume tão bem as teorias de Hutton, e eu acho que esse é um dos motivos para sua importância". […]

  • Michael Bloomberg diz que vai assinar cheque de US$ 4,5 milhões para acordo climático de Paris
    on 22 de abril de 2018 at 20:27

    No ano passado, o presidente norte-americano retirou os Estados Unidos do acordo, tornando o país o único a se opor ao pacto. O ex-prefeito de Nova York e bilionário Michael Bloomberg Mario Tama/Getty Images/AFP O ex-prefeito de Nova York e bilionário Michael Bloomberg disse neste domingo (22) que assinará um cheque de US$ 4,5 milhões para o compromisso financeiro dos Estados Unidos este ano com o Acordo Climático de Paris. No ano passado, o presidente norte-americano, Donald Trump, retirou os Estados Unidos do acordo, tornando o país o único a se opor ao pacto. Em entrevista ao canal CBS, Bloomberg não se comprometeu a fornecer recursos depois deste ano e disse esperar que até o ano que vem Trump tenha mudado de ideia. Trump se opõe firmemente ao acordo e seu governo reverteu uma série de regulações ambientais. […]

  • Sistema Cantareira opera com 52,4% de sua capacidade de abastecimento de água
    on 22 de abril de 2018 at 13:57

     Seis sistemas abastecem e fornecem água para as cidades paulistas. Confira os outros índices.  Sistema Cantareira abastece rios da região de Campinas Reprodução / EPTV O Sistema Cantareira opera com 52,4% de sua capacidade neste domingo (22), segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O Cantareira abastece cidades do estado. Até o momento foram registrados 22,4 mm de chuva em abril. Nas últimas 24 horas, não houve registro de chuva sobre o sistema. Ao todo, seis sistemas fornecem água para as cidades paulistas. Veja os índices nos sistemas que abastecem os municípios paulistas: Cantareira: 52,4% da capacidade Alto Tietê: 64,6% da capacidade Guarapiranga: 90,7% da capacidade Alto Cotia: 90,7% da capacidade Rio Grande: 89,5% da capacidade Rio Claro: 101,9% da capacidade Índices Após uma ação do Ministério Público Estadual (MPE), aceita pela Justiça, a Sabesp passou a divulgar outros dois índices do Cantareira. O Cantareira chegou a atender 9 milhões de pessoas só na região metropolitana de São Paulo, mas atualmente abastece 7,4 milhões após a crise hídrica que atingiu o estado em 2014 e 2015. Os sistemas Guarapiranga e o Alto Tietê absorveram parte dos clientes para aliviar a sobrecarga do Cantareira durante o período de estiagem. […]

  • SP registra a manhã mais fria do ano neste sábado, diz Inmet
    on 21 de abril de 2018 at 15:01

    Temperaturas podem subir neste domingo. essoas se protegem do frio na Avenida Paulista na manhã deste sábado (21) BRUNO ROCHA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Pela terceira vez na mesma semana, a cidade de São Paulo resgistrou a menor temperatura mínima do ano: 13,8°C. As outras medidas foram de 14°C na quarta (18) e quinta-feira (19), segundo informaçõeçs do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No mês de abril de 2017, a menor temperatura mínima registrou 13,4°C no dia 29. De acordo com o instituto, passa pela capital uma alta pressão e uma massa de ar frio e seco. "Com a diminuição do conteúdo de umidade do ar, que atua como inibidor do resfriamento noturno, a madrugada de hoje teve queda mais acentuada nas temperaturas", explica o Inmet. Neste domingo (22), as temperaturas podem registrar alta discreta, em função de aumento de nebulosidade e umidade atmosférica. […]

  • Por que os lagartos têm um 'terceiro olho'
    on 20 de abril de 2018 at 21:37

    Biólogos ainda não sabem exatamente qual é a função da estrutura no topo da cabeça, mas se acredita que tenha a ver com a orientação espacial dos animais. Fóssil analisado por Smith pertence ao único animal conhecido com mandíbula e quatro olhos Instituto Senckenberg/Divulgação Muita gente não sabe, mas é comum que peixes, anfíbios (como os sapos) e répteis tenham um "terceiro olho". Da próxima vez que você avistar uma iguana, por exemplo, preste atenção na parte de cima da cabeça do animal: no meio desta, você verá um círculo de cor pálida, cuja falta de pigmentação serve exatamente para deixar passar a luz. Esta estrutura é o que os estudiosos dos répteis chamam de olho pineal, popularmente conhecido como "terceiro olho". "Ainda não sabemos exatamente para o quê serve este 'terceiro olho'", diz o especialista em paleoherpetologia (estudo de fósseis de répteis) Krister Smith, do Instituto Senckenberg, na Alemanha. O que está claro para os biólogos é que a estrutura está relacionada com a detecção da luz, ajudando os animais a se orientar no espaço e a regular seus ciclos diários (que dependem da passagem do dia para a noite). "Este 'terceiro olho' se desenvolve de forma muito parecida com os olhos que todos conhecemos", diz Smith. "E ele está diretamente conectado com o cérebro, por meio de um duto que termina numa estrutura esférica. E esta estrutura esférica está recoberta por camadas muito parecidas às de uma retina, com proteínas fotossensíveis", diz o cientista alemão. Em 2009, um grupo de biólogos italianos conduziu uma série de experimentos com lagartixas, nos quais os pequenos animais precisavam se orientar pela luz para ir de um ponto a outro. Em condições normais, os animais conseguiam fazer isto. Quando os cientistas bloquearam ou removeram o "terceiro olho", contudo, as lagartixas perdiam o rumo. Por isto, os biólogos deste experimento definiram o "terceiro olho" dos répteis como uma espécie de "bússola solar". Questão evolutiva Se a palavra "pineal" soa familiar, é porque nós humanos temos uma glândula com este nome, localizada, como nos répteis, no alto da cabeça. A nossa glândula, porém, não evoluiu como um olho, e sim como um órgão que nos ajuda a regular os ciclos de sono. O olho pineal era mais comum há alguns milhões de anos atrás. "Peixes, anfíbios, mamíferos (como os humanos)... todos têm ancestrais que tiveram um 'terceiro olho'", diz Smith. Hoje, nenhum mamífero o tem mais, mas a estrutura continua presente em animais como rãs, serpentes e alguns peixes. Outros, como tartarugas, pássaros e crocodilos já não o possuem. "Por alguma razão desconhecida, este 'terceiro olho' foi se perdendo ao longo do processo evolutivo", diz Smith. O quarto olho Para a maioria das pessoas, a existência do "terceiro olho" é surpreendente. Não é o caso de Smith, que estuda o tema há anos. Mas até o cientista alemão ficou surpreso com seu achado mais recente, que veio a público num artigo científico publicado no começo de abril: o fóssil de um lagarto que tinha quatro olhos - e não apenas três. Até agora, o único animal vertebrado conhecido com quatro olhos era a lampreia, um tipo de peixe de corpo alongado e sem mandíbula. O fóssil analisado por Smith está em um museu da Universidade de Yale, nos EUA, e tem cerca de 49 milhões de anos de idade. O fóssil pertence a uma espécie já extinta, que fazia parte do grupo do chamado lagarto monitor. Além do "terceiro olho", o fóssil tem uma cavidade para o quarto olho, formado pelos órgãos pineais e parapineais. "É muito sedutora a ideia de que os órgãos pineais e parapineais se desenvolveram como uma dupla, como os nossos olhos", diz Smith. "Mas ainda há muito debate na academia científica sobre isto", informa ele. Por enquanto, o achado de Smith gera mais perguntas que respostas. Mas as evidências que existem até agora mostram que o terceiro e o quarto olho deste lagarto se desenvolveram de forma distinta daqueles de outros animais. "Qualquer afirmação sobre a função deste quarto olho, por enquanto, será meramente especulativa", diz ele. "Em todo caso, é possível que ele estivesse relacionado com a orientação espacial do animal", sugere Smith. […]

  • Fotógrafo flagra cobra passando sobre arma de atirador de elite
    on 19 de abril de 2018 at 18:03

    Cena aconteceu durante treinamento militar no Alabama, nos EUA. Atirador não se moveu. Cobra passa por arma de atirado de elite durante treinamento Sgt. William Frye/ Alabama National Guard Um fotógrafo captou o exato momento em que uma cobra passou sobre uma arma de um atirador de elite em treinamento nos EUA. Camuflado, o atirador permaneceu imóvel enquanto o animal seguia seu caminho. O registro foi feito por William Frye, sargento da Guarda Nacional do Alabama durante um treinamento da infantaria na base aérea de Eglin no dia 7 abril. O soldado William Snyder era quem segurava o rifle no momento da foto. "Nossos atiradores são treinados para ficarem perfetamente parados por horas na mesma posição e ficar invisíveis aos nossos inimigos e aé animais selvagens", dizia um post no Facebook feito pela Guarda. A cobra é uma serpente da espécie corredora-azul. Ela não é venenosa, mas pode picar quando ameaçada. […]

  • Documentário ‘Frágil Equilíbrio’ chega ao Brasil: imagens reais que ilustram as reflexões de Pepe Mujica
    on 19 de abril de 2018 at 13:51

    As cenas são fortes. Não dá para ficar impune, às vezes é difícil até se lembrar de respirar enquanto se assiste ao "Frágil Equilíbrio", documentário dirigido por Guillermo Garcia López que está chegando agora ao Brasil pela internet. Assisti nesta quarta-feira (18) pela manhã, numa apresentação para a imprensa seguida de entrevista coletiva com os produtores Pablo Godoy-Estel e Marina García López no Instituto Cervantes, em Botafogo.   A história do documentário começa quando o diretor tem a ideia de acompanhar com imagens as reflexões lúcidas do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica. Como se sabe, Mujica não poupa críticas, embasadas e com conteúdo, ao sistema econômico que nos rege os dias atuais, ao "Deus Mercado", à civilização como está posta. E não deixa pedra sobre pedra aoreagir contra os governantes que só administram seus países com intenção de se perpetuar no poder.   “Com uma disputa inútil pelo poder, não solucionamos os problemas da humanidade”, diz Mujica.   O documentário foi filmado durante três anos em três continentes diferentes: no Uruguai, Japão, Espanha, Marrocos, México, Hong Kong, Estados Unidos, Qatar, Reino Unido e Chile. Não há ficção, é mesmo um choque de realidade que nos chega, por exemplo, através da rotina de dois executivos japoneses em Tóquio, cidade com maior PIB do mundo, um dos maiores centros financeiros de alcance global.Em conversa informal, que Marina Garcia López garantenão ter sido roteirizada, os dois passam a vida a limpo e um deles percebe o quão inútil têm sido seus esforços para conseguir sair do círculo vicioso de insatisfação em que se encontra:   “Comprei um carro para rodar pelas estradas e ir muito longe, mas ainda não rodei, em dois anos, nem dez mil quilômetros. Comprei uma casa, está organizada, mas não tenho tempo de ficar nela”, diz ele.   O homem, visivelmente cansado, conta que dorme duas ou três horas por noite apenas, já que precisa cumprir carga extra no trabalho, rotina que não é incomum no mundo ocidental. Nos fins de semana ele pega uma cerveja e se põe diante do computador para resolver outros problemas que surgem e que são de sua responsabilidade no local onde trabalha. A câmera o acompanha na “hora de lazer” e o homem se põe a jogar numa dessas máquinas histéricas, um jogo igualmente tenso, como ele.   “Um amigo meu se matou dia desses. E eu às vezes penso nisso também”, comenta com o colega executivo.   As cenas mais fortes do documentário foram filmadas na África. Homens e mulheres de uma comunidade subsaariana no Monte Gurugú, perto da fronteira entre o continente africano e a cidade espanhola Melilha, enfrentam com braveza os muros altos construídos para evitar que eles entrem na Europa. Seu passaporte, conta um deles, é o tênis, que recebe pregos para ajudar a escalar o muro. Há pessoas sendo espancadas pelos guardas, humanos que são pagos para “proteger” os ricos dos pobres. Um morre, outro perde o olho. Uma mãe tenta, desesperadamente, fazer subir uma criança para que ela alcance o “lado da prosperidade”.   Quando conseguem chegar à Europa, os africanos comemoram com danças e urras. A câmera acompanha tudo, foi um empréstimo de amigos à produção do “Falso Equilíbrio”. Para os africanos, é uma vitória. Sabemos todos que essa alegria vai durar até o momento em que se vejam confinados num campo qualquer, dormindo em barracas, comendo pouco, sem higiene e sem direito de ir e vir. Nem de longe alcançarão as falsas promessas do sistema econômico que prioriza aqueles cujos méritos correspondem aos anseios do mercado.   Em conversa com a câmera, ainda no Monte Gurugú, antes de tentar a passagem pelo muro que pode lhe tirar a vida, um dos africanos mostra total conhecimento do absurdo que é seus conterrâneos estarem numa situação falimentar,  num continente tão rico e que tanto fez pela vizinha Europa. Ao mesmo tempo, o homem quer abandonar sua terra e, legitimamente, se rende ao capital, afirmando que precisa estar “do outro lado do muro” para se sentir incluído o que, em seu caso, significa ter o que comer três vezes por dia, ao menos. É o que prometeu aos familiares quando saiu de casa, não pretende voltar sem ter cumprido.   “A Europa vai acabar mulata. É uma questão de tempo”, diz Mujica.   A câmera mostra o grupo de africanos em volta de uma lata que está no fogo a fritar cebolas. Preparam-se para comê-las com algum outro alimento que não se identifica. São dois homens e um deles dá um conselho útil ao amigo: “Coma devagar. Isso é para durar”.   A cena seguinte deixa o espectador próximo à rotina alimentar de um executivo japonês, o mundo dos ricos. Solitário, ele compra um mero sanduíche, degustado numa praça sem muito entusiasmo. O mundo regido pelo mercado, que segundo Mujica, despreza a liberdade individual, também costuma tirar das pessoas o ânimo para viver. Não à toa, o executivo conta que seu amigo acabara de cometer suicídio. Fala isso enquanto fecha os olhos tentando buscar em si a coragem para mudar de vida.   “Talvez eu faça isso amanhã”, diz, sem uma gota de vontade, e mostrando quão pobre de alternativas ele pode estar naquele instante.   A desigualdade, marca do sistema econômico atual, está estampada em cada quadro do documentário que pretende, segundo Pablo Godoy-Estel, fazer uma reflexão sobre “o caminho que a humanidade está tomando em seus hábitos, usos e formas de se relacionar com o mundo”.     Mujica demorou para aceitar a ideia de costurar pensamentos sobre imagens, proposta por Guillermo Garcia López. Quando decidiu, pôs-se a conversar durante uma hora e meia com a câmera. Reflete sobre ideias pré-concebidas e desconstrói algumas verdades, como a que dá aos índios a alcunha de “atrasados”, o que considera extremamente discutível face aos poucos resultados positivos que a nossa civilização vem alcançando para melhorar a vida dos miseráveis. Ao mesmo tempo, percebe mudanças de atitude que vai pontuando, aqui e ali, em pensamentos que não podem ser contestados, já que são embasados em realidades indiscutíveis:   “A revanche dos pobres está na fertilidade de seus ventres”.   “O santo poder da propriedade está colado em cima dos valores da vida”.   “Em quase todas as constituições está o direito de moradia. Mas estamos longe de cumpri-lo”.   O mundo ocidental, dos países ricos, é visitado pelas câmeras de “Frágil Equilíbrio” para comprovar que ali também, em terras férteis, a pobreza chegou. Ali, a escravidão é imposta pelas leis do mercado, os negócios quase têm mais valor do que a vida.A democracia é posta em xeque.   “Nossa democracia é mentirosa. Se nos prendemos ao sentido mais antigo, do grego, é ‘governo do povo’. Qual o povo que governa?”, pergunta ele.   Vale a pena assistir ao documentário e aceitar o convite para a reflexão. […]

  • Vídeo mostra possível acúmulo de lava no vulcão Kilauea, no Havaí
    on 19 de abril de 2018 at 10:59

    Atividade pode significar risco para a região, segundo cientistas. Imagens mostram atividade no vulcão Kilauea, no Havaí Um vídeo publicado pelo Centro de Pesquisas Geológicas dos EUA (USGS), agência governamental que monitora vulcões, mostra o que os pesquisadores chamaram de um "movimento inflacionário pronunciado" no cone do vulcão Kilauea, no estado americano do Havaí. O vídeo mostra o que seria um crescimento do solo da cratera do vulcão em vários metros, movimento que tem sido observado desde meados de março, levando os cientistas a crer que o magma está se acumulando sob o cone. É possível que a nova atividade signifique ameaça para as regiões abaixo, segundo os pesquisadores. Segundo a rede NBC, circunstâncias similares em 2014 e 2016 levaram a novas aberturas e fluxo de lava. […]

  • Documentário ‘Falso Equilíbrio’ chega ao Brasil: imagens reais ilustrando as reflexões de Pepe Mujica
    on 19 de abril de 2018 at 06:30

    As cenas são fortes. Não dá para ficar impune, às vezes é difícil até se lembrar de respirar enquanto se assiste ao “Frágil Equilíbrio”, documentário dirigido por Guillermo Garcia López que está chegando agora ao Brasil pela internet. Assisti hoje pela manhã, numa apresentação para a imprensa seguida de entrevista coletiva com os produtores Pablo Godoy-Estel e Marina García López no Instituto Cervantes, em Botafogo. A história do documentário começa quando o diretor tem a ideia de acompanhar com imagens as reflexões lúcidas do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica. Como se sabe, Mujica não poupa críticas, embasadas e com conteúdo, ao sistema econômico que nos rege os dias atuais, ao “Deus Mercado”, à civilização como está posta. E não deixa pedra sobre pedra ao reagir contra os governantes que só administram seus países com intenção de se perpetuar no poder. “Com uma disputa inútil pelo poder, não solucionamos os problemas da humanidade”, diz Mujica. O documentário foi filmado durante três anos em três continentes diferentes: no Uruguai, Japão, Espanha, Marrocos, México, Hong Kong, Estados Unidos, Qatar, Reino Unido e Chile. Não há ficção, é mesmo um choque de realidade que nos chega, por exemplo, através da rotina de dois executivos japoneses em Tóquio, cidade com maior PIB do mundo, um dos maiores centros financeiros de alcance global. Em conversa informal, que Marina Garcia López garante não ter sido roteirizada, os dois passam a vida a limpo e um deles percebe o quão inútil têm sido seus esforços para conseguir sair do círculo vicioso de insatisfação em que se encontra: “Comprei um carro para rodar pelas estradas e ir muito longe, mas ainda não rodei, em dois anos, nem dez mil quilômetros. Comprei uma casa, está organizada, mas não tenho tempo de ficar nela”, diz ele. O homem, visivelmente cansado, conta que dorme duas ou três horas por noite apenas, já que precisa cumprir carga extra no trabalho, rotina que não é incomum no mundo ocidental. Nos fins de semana ele pega uma cerveja e se põe diante do computador para resolver outros problemas que surgem e que são de sua responsabilidade no local onde trabalha. A câmera o acompanha na “hora de lazer” e o homem se põe a jogar numa dessas máquinas histéricas, um jogo igualmente tenso, como ele. “Um amigo meu se matou dia desses. E eu às vezes penso nisso também”, comenta com o colega executivo. As cenas mais fortes do documentário foram filmadas na África. Homens e mulheres de uma comunidade subsaariana no Monte Gurugú, perto da fronteira entre o continente africano e a cidade espanhola Melilha, enfrentam com braveza os muros altos construídos para evitar que eles entrem na Europa. Seu passaporte, conta um deles, é o tênis, que recebe pregos para ajudar a escalar o muro. Há pessoas sendo espancadas pelos guardas, humanos que são pagos para “proteger” os ricos dos pobres. Um morre, outro perde o olho. Uma mãe tenta, desesperadamente, fazer subir uma criança para que ela alcance o “lado da prosperidade”. Quando conseguem chegar à Europa, os africanos comemoram com danças e urras. A câmera acompanha tudo, foi um empréstimo de amigos à produção do “Falso Equilíbrio”. Para os africanos, é uma vitória. Sabemos todos que essa alegria vai durar até o momento em que se vejam confinados num campo qualquer, dormindo em barracas, comendo pouco, sem higiene e sem direito de ir e vir. Nem de longe alcançarão as falsas promessas do sistema econômico que prioriza aqueles cujos méritos correspondem aos anseios do mercado. Em conversa com a câmera, ainda no Monte Gurugú, antes de tentar a passagem pelo muro que pode lhe tirar a vida, um dos africanos mostra total conhecimento do absurdo que é seus conterrâneos estarem numa situação falimentar, num continente tão rico e que tanto fez pela vizinha Europa. Ao mesmo tempo, o homem quer abandonar sua terra e, legitimamente, se rende ao capital, afirmando que precisa estar “do outro lado do muro” para se sentir incluído o que, em seu caso, significa ter o que comer três vezes por dia, ao menos. É o que prometeu aos familiares quando saiu de casa, não pretende voltar sem ter cumprido. “A Europa vai acabar mulata. É uma questão de tempo”, diz Mujica. A câmera mostra o grupo de africanos em volta de uma lata que está no fogo a fritar cebolas. Preparam-se para comê-las com algum outro alimento que não se identifica. São dois homens e um deles dá um conselho útil ao amigo: “Coma devagar. Isso é para durar”. A cena seguinte deixa o espectador próximo à rotina alimentar de um executivo japonês, o mundo dos ricos. Solitário, ele compra um mero sanduíche, degustado numa praça sem muito entusiasmo. O mundo regido pelo mercado, que segundo Mujica, despreza a liberdade individual, também costuma tirar das pessoas o ânimo para viver. Não à toa, o executivo conta que seu amigo acabara de cometer suicídio. Fala isso enquanto fecha os olhos tentando buscar em si a coragem para mudar de vida. “Talvez eu faça isso amanhã”, diz, sem uma gota de vontade, e mostrando quão pobre de alternativas ele pode estar naquele instante. A desigualdade, marca do sistema econômico atual, está estampada em cada quadro do documentário que pretende, segundo Pablo Godoy-Estel, fazer uma reflexão sobre “o caminho que a humanidade está tomando em seus hábitos, usos e formas de se relacionar com o mundo”. Mujica demorou para aceitar a ideia de costurar pensamentos sobre imagens, proposta por Guillermo Garcia López. Quando decidiu, pôs-se a conversar durante uma hora e meia com a câmera. Reflete sobre ideias pré-concebidas e desconstrói algumas verdades, como a que dá aos índios a alcunha de “atrasados”, o que considera extremamente discutível face aos poucos resultados positivos que a nossa civilização vem alcançando para melhorar a vida dos miseráveis. Ao mesmo tempo, percebe mudanças de atitude que vai pontuando, aqui e ali, em pensamentos que não podem ser contestados, já que são embasados em realidades indiscutíveis: “A revanche dos pobres está na fertilidade de seus ventres”. “O santo poder da propriedade está colado em cima dos valores da vida”. “Em quase todas as constituições está o direito de moradia. Mas estamos longe de cumpri-lo”. O mundo ocidental, dos países ricos, é visitado pelas câmeras de “Frágil Equilíbrio” para comprovar que ali também, em terras férteis, a pobreza chegou. Ali, a escravidão é imposta pelas leis do mercado, os negócios quase têm mais valor do que a vida. A democracia é posta em xeque. “Nossa democracia é mentirosa. Se nos prendemos ao sentido mais antigo, do grego, é ‘governo do povo’. Qual o povo que governa?”, pergunta ele. Vale a pena assistir ao documentário e aceitar o convite para a reflexão. […]

  • Estudo aponta alta contaminação de peixes por mercúrio em todas as bacias hidrográficas do AP
    on 18 de abril de 2018 at 11:13

    Pesquisadores do Iepa atuaram em rios com possíveis impactos de atividades garimpeira. Concentração do metal em espécies chega a 20 vezes do recomendado para consumo humano. Espécie coletada pelos pesquisadores durante as atividades Renata Ferreira/Iepé/Divulgação Uma expedição iniciada em 2015 e retomada em 2017 por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas do Amapá (Iepa) levantou informações alarmantes sobre a contaminação das principais bacias hidrográficas do estado, principalmente pela exploração garimpeira, muitas vezes ilegal. O estudo detectou em todos os rios espécies de peixes com teor de mercúrio muito acima da recomendada para consumo. As taxas chegaram a 10, 20 vezes, a concentação do metal considerada normal pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de de 0,5 micrograma de mercúrio por grama de tecido muscular. Os rios mais afetados foram o Araguari, na área que fica dentro da Floresta Nacional do Amapá (Flona), além do Jari, Oiapoque, Amapá Grande e Cassiporé. Espécies têm amostras coletadas para análise da presença do metal Renata Ferreira/Iepé/Divulgação A pesquisa inicialmente atuou nas regiões próximas das áreas de garimpo e depois expandiu a coleta de amostras para outras áreas do estado. O alto teor de mercúrio nos peixes pode causar danos à saúde do ser humano que consumir essas espécies. Entre os principais problemas comuns estão mal estar e doenças gastrointestinais. Dependendo do teor pode causar até a morte. "O mercúrio é um metal que existe na natureza e não sabemos qual é o nível natural de presença dele. Em cada ambiente ele vai acontecer numa determinada concentração e nesse estudo que nós fizemos eram em áreas que tinham atividade garimpeira", explicou a doutora em zoologia do Iepa, Cecile Gama, uma das integrantes das expedições. Estudo identificou maior presença de mercúrio em peixes carnívoros Cecile Gama/Arquivo Pessoal A etapa concluída do estudo recolheu nas bacias principalmente peixes carnívoros, que naturalmente concentram no corpo a maior parte do mercúrio absorvido da água. Quatro espécies foram monitoradas de forma frequente pelo Iepa: piranha-preta, mandubé, pirapucu e trairão. "Eles são muito encontrados e muito consumidos pelos ribeirinhos e vendidos em feiras. Temos grupos de risco, como crianças em formação, as mulheres grávidas ou que podem engravidar e gerar crianças com má formação e isso depende do nível de contaminação por mercúrio" completou Cecile, reforçando que atualmente as expedições também coletaram sedimentos para análise. Pesquisadores atuaram nos principais rios do estado Cecile Gama/Arquivo Pessoal Além do Iepa, atuam nas expedições membros da Organização Não-Governamental WWF Brasil, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé). Um dos objetivos do estudo é auxiliar na regularização dos garimpos existentes no Amapá e alertar para o alto uso do mercúrio. "Todas as bacias hidrográficas apresentam peixes com alto nível, até preocupante, do metal. Estudamos as principais bacias e principalmente em áreas de conservação e isso torna mais preocupante ainda, porque esses peixes em áreas de conservação deveriam estar intactos ou não manipulados", completou Cecile Gama. As expedições já passaram pelo rio Cassiporé, na altura da comunidade Vila Velha, em Calçoene; rio Amapá Grande, em Amapá; região dos lagos, em Tartarugalzinho; rios Oiapoque e Uaçá, em Oiapoque; além do rio Araguari na área da Flona, nas cidades Pedra Branca e Serra do Navio. Tem alguma notícia para compartilhar? Envie para o Tô Na Rede! […]

  • Mãe gorila emociona funcionários de zoológico ao beijar filhote recém-nascido
    on 18 de abril de 2018 at 10:56

    Cena aconteceu nos Estados Unidos e foi filmada pelos tratadores dos animais. Mamãe gorila beija filhote recém-nascido, em zoológico dos EUA BBC Uma mamãe gorila foi filmada dando beijos em seu filhote recém-nascido. Clique aqui e veja o vídeo. A cena aconteceu em um zoológico nos Estados Unidos. A mãe, Calaya, e o filhote passam bem. O bebê gorila, que veio ao mundo no fim de semana, foi batizado de Moke, que quer dizer "júnior" ou "pequeno" em lingala, idioma falado na África Central. A espécie, chamada gorila-ocidental-das-terras-baixas, está ameaçada de extinção. […]

  • Uso de urso em abertura de jogo na Rússia é condenado por ambientalistas
    on 17 de abril de 2018 at 17:32

    Se pudesse, aquele pobre urso usado pelos russos para entregar a bola ao árbitro antes do confronto entre Angusht e Mashuk, dois times de terceira divisão, na cidade de Piatygorsk, estaria reagindo à altura de sua capacidade. Mas não podia. Amordaçado numa focinheira, treinado sabe-se lá com quais métodos, ele fez direitinho o papel de bobo da corte. Só que, como sabemos muito bem aqueles que estudamos o tema, somos sensíveis às raças e nos interessamos pela preservação da biodiversidade, os bobos é que estavam aplaudindo.   Sim, eu sei. As opiniões são divididas. Tem quem argumente, dizendo que é hipocrisia criticar o show dos russos se os humanos montam em cavalos, confinam cachorros e comem bois. Mas tem também que perceba no teatro do urso russo uma ótima oportunidade para se debater a maneira estúpida com que os humanos tratam os animais em geral. Estou entre esses.   "Além de ser desumano e totalmente fora de alcance, usar um urso como servo cativo para entregar uma bola é absolutamente perigoso", disse Elisa Allen, diretora da organização mundial People for the Ethical Treatment of Animals (Peta) ao site da BBC.   O urso é um animal símbolo da Rússia, o que talvez tenha motivado o uso do bicho na abertura de um jogo. Segundo algumas informações ainda não confirmadas, a ideia é levar Tim, o nome do urso, para a abertura da Copa do Mundo que vai acontecer naquele país a partir do dia 14 de junho. Mas é justamente pelo fato de ser um animal símbolo do país que o uso dele como um troféu vivo é desumano e sem sentido, acrescenta Elisa Allen:   “O urso é o símbolo da Rússia, por isso esperamos que o povo do país mostre alguma compaixão e orgulho nacional e pare de abusar deles”, disse ela.   Estar acorrentado, amordaçado e forçado a realizar atitudes que não tem o hábito de realizar pode causar estresse a qualquer animal, segundo lembrou Brian de Cal, diretor de outra ONG, a Four Paws UK. A declaração dele me fez lembrar o triste caso da onça Juma, que em 2016 se tornou mascote do Centro de Instrução de Guerra na Selva, levada para a cerimônia de tocha das Olimpíadas. Depois do evento, que a deixou estressada, a onça reagiu como reage um animal selvagem: avançou sobre um veterinário. Doparam-na e mataram-na. Um ser vivo morto para deleite e gáudio dos humanos, como muitas outras infinitas vezes já aconteceu.   Yuval Noah Harari, pesquisador que nos brindou com uma obra extensa sobre a história da humanidade – “Sapiens” (Ed. L&PM) – alerta: é um crime bárbaro a maneira como os humanos lidam com os animais, julgando que estes são seres inferiores. Não são. Cientistas já fizeram pesquisas e descobriram que vacas, galinhas, porcos, e até ursos têm sensações, percepções, podem sentir dor, podem sentir medo, podem sentir amor.Com esta informação, fico pensando: o que Tim pensou naqueles momentos em que foi apresentado como um pobre tolo a fazer gestos que não são seus, a tocar uma bola que, para ele, nada representa?   Logo depois de a cena ganhar o mundo via internet, começaram a surgir os primeiros comentários dos ativistas ambientais, condenando o uso do animal. Muitos lembraram que as pessoas que estavam em volta de Tim correram um sério risco, já que se trata, como todos nós sabemos, de um bicho selvagem e feroz. A menos que, como não é incomum no país, segundo a Peta, eles tenham arrancado as garras e os dentes do animal.   “Espancamentos, choques elétricos e privação de comida são métodos usados pelos tratadores russos para fazer com que os ursos realizem truques depreciativos e estúpidos", disse Mimi Bekcechi, chefe de campanhas da Peta Austrália para o site da SBS News.   De qualquer maneira, a cena é bizarra e não poderia ter sido mais infeliz. A pergunta é: será que ninguém se preocupou, por um só momento que fosse, com o sofrimento que seria causado ao animal? Teriam imaginado, um segundo ao menos, que a repercussão poderia ser negativa? Que as pessoas não iam achar engraçadinho um bicho daquele tamanho se submetendo a tamanha imbecilidade?   No livro “Animal Liberation”, escrito nos anos 70, o filósofo australiano Peter Singer escreve sobre consideração que os humanos deveriam ter com relação aos bichos. E respeito.Sim, os animais devem ter direitos, merecem viver sua vida longe de opressão, sofrimento e exploração porque têm um valor que desafia a visão da sociedade humana. São criaturas que têm vontade de viver, lutam pela sua preservação. E não merecem ser submetidos a tratamentos humilhantes. […]

  • Trem atropela e mata 4 elefantes na Índia
    on 17 de abril de 2018 at 12:01

    Acidente ocorreu no distrito de Jharsuguda. Quatro elefantes são mortos por trem em alta velocidade na Índia Quatro elefantes foram mortos atropelados por um trem em alta felicidade no distrito indiano de Jharsuguda nesta segunda-feira (16). Morreram um macho, duas fêmeas e um filhote. O impacto da colisão foi tão grave que as carcaças foram parar a pelo menos 10 metros dos trilhos. Responsáveis pela ferrovia correram ao local do incidente e removeram as carcaças com a ajuda de um guindaste. Os trens recomeçaram a circular depois de uma hora. […]

  • Gorila surpreende zoo ao ficar de ponta-cabeça para imitar tratadora
    on 17 de abril de 2018 at 11:29

    Os dois trabalham juntos há três anos em exercícios para melhorar o bem-estar mental e físico do animal; imagens fizeram sucesso nas redes sociais. Tipo de exercício ajuda a construir a confiança, disse o parque Busch Gardens/BBC Um gorila foi filmado de cabeça para baixo ao imitar sua tratadora, Rachel Hale. Os dois trabalham juntos há três anos em exercícios para melhorar o bem-estar mental e físico do animal. O primata tem 12 anos e recebe os cuidados no parque Busch Gardens, na Flórida, nos Estados Unidos. Ao postar as imagens no Facebook, o parque disse que esse tipo de exercício ajuda a construir "confiança e uma relação positiva com os animais" e, assim, dar a eles o "ambiente mais física e mentalmente estimulante possível". Veja no vídeo o momento em que o gorila consegue a façanha, para a felicidade da tratadora. O primata tem 12 anos e recebe os cuidados no parque Busch Gardens, na Flórida (EUA) Busch Gardens/BBC […]

  • Cientistas desenvolvem por acaso enzima devoradora de plástico
    on 16 de abril de 2018 at 23:20

    Mais de oito milhões de toneladas do material são descartadas nos oceanos por ano. Mais de 8 milhões de plásitcos são descartados todos os anos nos oceanos H. Hach/Pixabay Cientistas britânicos e americanos produziram acidentalmente uma enzima devoradora de plástico que poderia, eventualmente, ajudar a resolver o problema crescente da poluição gerada por este material, revelou um estudo publicado na segunda-feira (16), do qual participaram pesquisadores da Unicamp. Mais de oito milhões de toneladas de plásticos são descartadas nos oceanos do mundo todos os anos e há uma preocupação crescente com as consequências contaminantes deste produto derivado do petróleo para a saúde humana e o meio ambiente. Apesar dos esforços de reciclagem, a maior parte dos plásticos permanece por centenas de anos no meio ambiente, e por isso cientistas buscam melhores formas de eliminá-lo. Pesquisadores da Universidade de Portsmouth e do Laboratório de Energias Renováveis do Departamento de Energia dos Estados Unidos decidiram se concentrar em uma bactéria encontrada na natureza, descoberta no Japão há alguns anos. Cientistas japoneses acreditam que a bactéria tenha evoluído recentemente em um centro de reciclagem de rejeitos, uma vez que o plástico não existia até os anos 1940. Conhecida como Ideonella sakaiensis, ela parece se alimentar exclusivamente de um tipo de plástico conhecido como polietileno tereftalato (PET), usado amplamente em garrafas plásticas. Uma mutação útil O objetivo dos cientistas era compreender o funcionamento de uma destas enzimas - denominada PETase ao compreender sua estrutura. "Mas eles acabaram dando um passo à frente e desenvolveram acidentalmente uma enzima ainda mais eficiente em decompor plásticos PET", destacou o estudo, publicado no periódico científico americano Proceedings of the National Academy of Sciences. Usando um raio-X superpotente, eles conseguiram produzir um modelo tridimensional em altíssima resolução da enzima. Empregando a modelagem de computador, cientistas da Unicamp e da Universidade da Flórida descobriram que a PETase era similar a outra enzima, a cutinase, encontrada em fungos e bactérias. Uma parte da PETase, no entanto, era um pouco diferente e cientistas supuseram que esta era a parte que permitia a degradação do plástico. Eles, então, submeteram à mutação o local ativo da PETase para fazê-la se parecer mais com a cutinase e descobriram de forma inesperada que a enzima mutante era mais eficiente do que a PETase natural em decompor o PET. Plásticos ficam por centenas de anos no ambiente sem desintegrar Andrew Martin/Pixabay Os pesquisadores afirmam estar trabalhando agora em melhorias desta enzima, na esperança de eventualmente permitir seu uso industrial na decomposição de plásticos. "A sorte frequentemente desempenha um papel significativo na pesquisa científica de base, e nossa descoberta não é uma exceção", afirmou um dos autores do estudo, John McGeehan, professor da escola de Ciências Biológicas de Portsmouth. "Embora o aperfeiçoamento seja modesto, esta descoberta inesperada sugere que há espaço para mais melhorias destas enzimas, aproximando-nos de uma solução de reciclagem para a crescente montanha de plásticos descartados", acrescentou. […]

  • Pesquisadores encontram corais em área da Amazônia que pode ser liberada para exploração de petróleo
    on 16 de abril de 2018 at 13:05

    Recém-descobertos pela ciência na costa norte do Brasil, corais ocupam área subaquática equivalente ao estado do Rio de Janeiro. Licença para exploração de petróleo na região pode sair a qualquer momento. Corais da Amazônia foram localizados em uma área que pode, a qualquer momento, ser liberada para a exploração de petróleo. Greenpeace Escondidos no fundo do Oceano Atlântico, numa das regiões de correnteza mais fortes do mundo, corais da Amazônia foram localizados em uma área que pode, a qualquer momento, ser liberada para a exploração de petróleo. A descoberta foi feita por pesquisadores brasileiros a bordo do navio Esperanza, cedido pelo Greenpeace para a missão científica. Pesquisadores buscam evidências numa faixa da costa norte do Brasil, próxima ao Amapá e ainda sob influência das águas que o rio Amazonas despeja no mar. É exatamente ali que a empresa francesa Total aguarda licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para extrair petróleo. "Pela primeira vez, obtivemos imagens da área com um robô. Encontramos recifes na porção mais rasa dos blocos de onde se quer extrair petróleo", afirma Ronaldo Francini-Filho, pesquisador da Universidade Federal da Paraíba (UFPA). "Tem área de petróleo aqui que está embaixo das áreas de recife. Isso a gente não pode deixar de considerar." Inicialmente, estimou-se que os corais da Amazônia ocupassem uma área de 9,5 mil quilômetros quadrados, mas o cálculo mais recente indica que seu tamanho seja mais de cinco vezes maior. "O recife tem em torno de 56 mil quilômetros quadrados. Portanto, é o maior recife do Brasil e um dos maiores do mundo", disse Fabiano Thompson, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também a bordo do navio. Os recifes cobrem, portanto, uma área submersa maior que o estado do Rio de Janeiro, habitada por mais de 40 espécies de corais, 60 de esponjas – metade provavelmente ainda desconhecida –, 70 espécies de peixes, lagostas, estrelas-do-mar. A região também é refúgio de peixes que já desapareceram da costa brasileira, como o mero. Os detalhes dessa descoberta serão publicados num artigo científico nas próximas semanas. A expedição a bordo do Esperanza, iniciada em 2 de abril, entrava no sexto dia quando o novo alvo foi identificado. Enquanto um robô especialmente trazido para a missão científica –equipado com três câmeras e um sistema de coleta de água e material – atingia profundidade, as imagens eram exibidas em duas telas instaladas na popa do navio. Depois de uma detalhada análise e longos debates, os pesquisadores confirmaram: os corais da Amazônia cobrem também exatamente o local considerado nova fronteira petrolífera, na Bacia da Foz do Amazonas. A faixa de recifes está localizada entre 70 e 220 metros de profundidade na costa ao longo dos estados de Maranhão, Pará e Amapá. Até então, os livros diziam que corais não cresciam perto da foz de grandes rios, onde a água doce chega ao mar carregada de lama, é mais escura e impede a entrada a luz – fonte usada pelos corais para produzir alimento. Um mundo improvável e desconhecido A jornada dos pesquisadores brasileiros em busca do improvável recife de corais começou em 2011. Mais tarde, missões científicas fizeram a coleta de dados no local. Os resultados surpreenderam o mundo num artigo publicado em 2016. "Exatamente porque o acesso é tão difícil e as condições oceanográficas aqui são tão duras é que a gente sabe pouco sobre esse lugar", comenta Francini-Filho sobre o impacto da descoberta. As primeiras imagens dos corais da Amazônia foram registradas em 2017, numa viagem de submarino realizada com apoio do Greenpeace. "O pouco do conhecimento que a gente tem dessa região já indica que realmente é uma área extremamente rica, sensível à exploração de petróleo", complementa o pesquisador, estimando que se conheçam apenas 5% da vida que o recife abriga. Com o anúncio que surpreendeu a ciência, diante da iminência da chegada de plataformas para retirada de petróleo nessa parte do Atlântico, a conservação dos corais da Amazônia se transformou numa campanha mundial do Greenpeace. Corais sobre o petróleo A atual expedição, que deve se estender até maio, exigiu mais de um ano de planejamento, obteve autorização do governo brasileiro, e custou 700 mil euros – montante que veio dos doadores que mantêm o Greenpeace. "É urgente a campanha, é urgente essa pesquisa cientifica que nós fazemos aqui pra provar que é mesmo um novo bioma, único no mundo, pouquíssimo conhecido pela ciência", argumenta Thiago Almeida, representante da Campanha Defenda os Corais da Amazônia. Um vazamento de petróleo traria danos irreparáveis, argumenta Almeida. "Além disso, esse petróleo chega mais perto da costa e dos rios brasileiros na Amazônia, região com um dos maiores mangues do planeta. Estamos falando de uma ameaça a diversas populações de pescadores, extrativistas, ribeirinhos e povos indígenas." Thompson vê grande potencial nas pesquisas. "Esse recife é considerado uma farmácia submarina. Ele pode se reverter em divisas para nosso país, se conseguirmos desenvolver a biotecnologia marinha a partir da biodiversidade que ele abriga, e gerar moléculas bioativas para novos medicamentos para tratar doenças como câncer, viroses, doenças infecciosas", explica o pesquisador da UFRJ, citando iniciativas já em andamento em países na Europa, Estados Unidos e Japão. Últimos passos antes da exploração O processo de licenciamento para exploração de petróleo no local pela francesa Total e a britânica BP estão em suas etapas finais. O Ibama informou que o processo conduzido pela Total está em estágio mais próximo de decisão. Os blocos para exploração foram adquiridos em 2013, num leilão da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Estima-se que a região da Bacia da Foz do Amazonas armazene até 14 bilhões de barris de petróleo. Questionada pela DW Brasil, a Total não respondeu se sabia da existência dos corais sobre a região que pretende explorar e se manifestou por meio de nota. "A Total respondeu, em janeiro, ao último parecer técnico do Ibama em relação ao Estudo de Impacto Ambiental da atividade de perfuração de poços que a empresa prevê realizar nos blocos que opera na Bacia da Foz do Amazonas. A empresa no momento aguarda um posicionamento do órgão, no âmbito do processo de licenciamento ambiental que está em curso." Os pesquisadores esperam que a ciência seja levada em conta na decisão. "Com base no conhecimento que temos até agora, a exploração de petróleo aqui será realmente uma tragédia, caso ela ocorra. Porque a gente conhece muito pouco disso que estamos chamando de megabioma: uma região da Floresta Amazônica conectada com o segundo maior rio do planeta e um dos maiores recifes do mundo", opina Francini-Filho. […]

  • Mais de 170 países assinam acordo  para reduzir em 50% até 2050 emissões de CO2 do transporte marítimo
    on 13 de abril de 2018 at 18:46

    É a primeira vez que a indústria do transporte marítimo fixa objetivos contra mudanças climáticas. Arábia Saudita e Estados Unidos se opuseram ao texto. Navio cargueiro no porto de Tóquio REUTERS/Kim Kyung-Hoon/Arquivo A Organização Marítima Internacional (OMI) anunciou nesta sexta-feira em Londres a assinatura de um acordo destinado a reduzir "em ao menos 50%" as emissões de CO2 do transporte marítimo até 2050 em relação aos níveis de 2008. A OMI tem 173 Estados-membros. É a primeira vez que a indústria do transporte marítimo fixa objetivos com números em termos de luta contra as mudanças climáticas. O setor não estava diretamente afetado pelo Acordo de Paris, assinado em dezembro de 2015 durante a COP21. O objetivo é que na década de 2030, os navios recém-construídos operem com combustíveis renováveis e até lá os navios, responsáveios por mais de 80% do comércio global, fiquem livres de combustíveis fósseis. Kitack Lim, Secretário Geral da organização, disse que a adoção da estratégia foi mais uma demonstração bem sucedida do espírito de cooperação da OMI e permitirá que futuros acordos climáticos da organização tenham uma base sólida. "Encorajo vocês a continuar seu trabalho através da recém-adotada estratégia, que foi pensada como uma plataforma para ações futuras. Estou confiante em contar com sua habilidade de continuar os esforços e desenvolver ações futuras que vão em breve contribuir para reduzir as emissões de GHG dos navios", disse Lim. A estratégia inicial representa um guia para os Estados-Membros, definindo a visão futura para o transporte marítimo internacional, os níveis de ambição para reduzir as emissões de gases e os princípios orientadores. Inclui medidas adicionais a curto, médio e longo prazo com possíveis cronogramas e seus impactos nos Estados. A estratégia também identifica barreiras e medidas de apoio, incluindo capacitação, cooperação técnica e pesquisa e desenvolvimento. Apenas dois países se opuseram ao texto: Arábia Saudita e Estados Unidos. Em 2023, a estratégia inicial será revisada pela organização e a estratégia final adotada. O papel do Brasil O Brasil é membro do conselho da OMI e assinou o acordo, mas foi um dos países que expressou preocupação com a meta de redução absoluta de 50% de emissões até 2050 em relação a 2008. Segundo nota divulgada pelo Itamaraty, a estratégia não leva em consideração os custos e o impacto deles em algumas economias: "Ela pode levar a aumentos no custo do frete marítimo, com impactos negativos desproporcionais sobre países em desenvolvimento e geograficamente distantes dos seus mercados, impactos pouco estudados. Também não há informações suficientes sobre os custos de novas tecnologias necessárias para cumprir com essa meta. Por sugestão do Brasil e outros países em desenvolvimento, a Estratégia Inicial incluiu elementos que auxiliarão a IMO a responder a tais questões". […]

  • Cidadãos de Porto Rico criam soluções para enfrentar os riscos da mudança climática
    on 13 de abril de 2018 at 14:42

    Quer queiram quer não os céticos do clima,a última década foi marcada pelo reconhecimento da relação proporcional entre as emissões cumulativas de carbono e a mudança global de temperatura. E esta foi uma das percepções mais importantes da ciência do clima neste período. Exatamente por isso os líderes mundiais têm se reunido anualmente para debates que envolvem uma complexidade grande sobre o caminho a seguir para tentar deter o aquecimento do planeta que tem causado tantos problemas aos humanos e que, se não se começar a fazer algo para mudar isso, muitos transtornos mais vão trazer.   Segundo um estudo publicado na revista “Science Advances” em fevereiro deste ano, moradores de até 60% da América do Norte, Europa, Ásia Oriental e partes do sul da América do Sul provavelmente vão sofrer com um número três vezes maior de eventos extremos (secas, furacões, enchentes). Os pesquisadores concluíram que as promessas feitas pelos países que assinaram e ratificaram o Acordo de Paris na COP-21 (2015) não são suficientes para manter as temperaturas globais dentro do limite de 2ºC previsto pelo tratado.   Se não houver alguma mudança – e rápida – nos hábitos de produção e de consumo, apenas com as promessas feitas pelos líderes o planeta vai aquecer 3ºC até o fim do século.   “Registros de calor provavelmente estarão entre os mais sensíveis às futuras mudanças climáticas. As temperaturas noturnas recorde já aumentaram em 90% nas áreas estudadas, e esses registros podem aumentar em pelo menos cinco vezes em metade da Europa e um quarto do leste da Ásia. Eventos úmidos extremos e períodos mais frios também deverão aumentar em todo o mundo, e eventos extremos secos verão um aumento em certas regiões, principalmente nas latitudes médias”, informa reportagem sobre a pesquisa publicada na “Scientific American” .   “O Acordo de Paris das Nações Unidas cria uma necessidade de comparar as consequências das emissões cumulativas para compromissos nacionais prometidos e as metas ambiciosas de 1,5 a 2°C para o aquecimento global. Descobrimos que os seres humanos já aumentaram a probabilidade de eventos extremos quentes, úmidos e secos, historicamente sem precedentes, incluindo mais de 50 a 90% da América do Norte, Europa e Ásia Oriental”.   Sendo assim, já que não se pode evitar os desastres e já que fomos capazes de conseguir criar uma atmosfera no mundo que vai, aos poucos, inviabilizar a vida humana na Terra, é preciso acordar agora, dizem os cientistas. E mudar muita coisa nesse mundo. São mudanças que exigem atitudes mais pé no chão, dispensando as retóricas inúteis. Já não há mais tempo para discursos que nãoresultam em ações, mas parece que pouca gente percebeu a urgência do momento que se vive.   Nesse sentido, uma extensa e muito bem apurada reportagem feita por Naomi Klein, jornalista e ativista canadense, em Porto Rico para o site “The Intercept” tem um valor semelhante a qualquer estudo científico e pode ajudar a repensar o modelo de desenvolvimento insustentável. Como sabemos, no ano passado Porto Rico foi varrido pela tempestade Maria com ventos de mais de 250 km/h, ameaçando a vida dos 3,4 milhões de habitantes, poucos dias depois de outro furacão, o Irma, ter passado por lá causando também sérios transtornos.   Maria rompeu quase todo o sistema de eletricidade de Porto Rico, segundo a reportagem, e ainda está muito difícil viver por lá. Ocorre que a ilha obtém 98% de sua eletricidade dos combustíveis fósseis importados, já que não tem oferta interna. O petróleo é transportado para as usinas por caminhões e oleodutos e a eletricidade gerada aí é transmitida por enormes distâncias através de fios acima do solo e um cabo submarino que conecta a ilha de Vieques à ilha principal. É tudo muito caro, o que resulta em preços de eletricidade que são quase o dobro do que nos Estados Unidos.   “O Porto de San Juan, que recebe grande parte do combustível importado, entrou em crise, com cerca de dez mil contêineres cheios de suprimentos empilhados nas docas, esperando para serem entregues. Muitos motoristas de caminhão não conseguiram chegar ao porto, seja por causa de estradas obstruídas, ou porque estavam lutando para tirar suas próprias famílias do perigo. Com o diesel em falta na ilha, muita gente não conseguia encontrar o combustível para dirigir. As filas nos postos de gasolina se estendiam. E a montanha de suprimentos presa no porto ficou ainda maior. Enquanto isso, o cabo que ligava Vieques estava tão danificado que, ainda hoje, precisa de reparos.  Literalmente nada no sistema funcionou”, descreveu Klein na reportagem.   Esse amplo colapso fez com que os ambientalistas porto-riquenhos passassem a defender energicamente uma mudança rápida para a energia renovável.   “Num futuro que certamente incluirá mais choques climáticos, obter energia de fontes que não exigem redes de transporte espalhadas é apenas senso comum. E Porto Rico, embora pobre em combustíveis fósseis, está encharcada de sol, açoitada pelo vento e cercada por ondas”, diz Klein.   Mas é preciso pensar num negócio pequeno, como sugeria o economista alemão E. F. Schumacher, que escreveu “O negócio é ser pequeno” nos anos 70. Porque em algumas fazendas eólicas porto-riquenhas, a força dos ventos destruiu as enormes pás da turbina, assim como alguns painéis solares mal protegidos acabaram levantando voo.   “Em vez de depender de algumas grandes fazendas solares e eólicas, com energia transportada por longas e vulneráveis linhas de transmissão, sistemas menores baseados na comunidade gerariam energia onde ela fosse consumida. Se a grade maior sofrer danos, essas comunidades podem simplesmente se desconectar dela e continuar a tirar suas micro-redes”, ensina a jornalista.   Naomi Klein concluiu, depois de ter conversado bastante com porto-riquenhos de diversas partes do país, que a força dos ventos de Maria e Irma os fez pensar em soluções alternativas para viver num espaço tão dramaticamente impactado pelas mudanças do clima.   “Em Adjuntas, era energia solar. Em outros lugares, eram pequenas fazendas orgânicas que usavam métodos agrícolas tradicionais que eram mais capazes de resistir às enchentes e ao vento. E em todos os casos, os relacionamentos profundos com a comunidade, bem como os fortes laços com a diáspora porto-riquenha, resultaram em ajuda humanitária quando o governo fracassou e fracassou novamente”.   A reportagem prossegue e aponta os problemas econômicos da ilha, as dificuldades que o país tem para se livrar da fantasia de que podem ser ajudados por um governo que não tem projetos para o bem comum. A Casa Pueblo, visitada por ela, uma organização que se dedica a estudar e pôr em ação alternativas saudáveis, é um exemplo de como o povo tem se mostrado ativo, depois do furacão passar, no sentido de buscar soluções por si mesmo.   “Com quase nenhum recurso, as comunidades montaram enormes cozinhas comunitárias, levantaram grandes somas de dinheiro, coordenaram e distribuíram suprimentos, limparam as ruas e reconstruíram escolas. Em algumas comunidades, eles até conseguiram reconectar a eletricidade com a ajuda de trabalhadores  aposentados”, descreve ela.   Não deveria ser assim. Cidadãos que pagam impostos devem exigir direitos. Mas, quando a vontade dos políticos é nenhuma, não tem outro jeito senão botar a mão na massa para trazer à tona assuntos verdadeiramente urgentes sobre a vivência no planeta.  &nbs […]

  • Filhote de raposa 'invade' casa pela portinhola de cachorro nos EUA
    on 13 de abril de 2018 at 10:24

    Caso ocorreu em Massachusetts. Um filhote de raposa usou a portinhola de cachorro para "invadir" a casa de uma família no estado americano de Massachusetts, segundo a polícia local. O incidente ocorreu em New Bedford. Manny Maciel, do controle local de animais, foi chamado ao local e levou raposinha para um centro de vida selvagem em Barnstable. O filhote, de apenas 5 semanas, vai ser cuidado no local até poder ser liberado na natureza. Filhote de raposa 'invade' casa pela portinhola de cachorro nos EUA City of New Bedford Police Department (Official)/Facebook […]

  • Tartaruga 'punk' que respira pelos órgãos reprodutores corre risco de extinção
    on 12 de abril de 2018 at 18:26

    Tartaruga Mary River entrou para lista de répteis ameaçados. Compilação é organizada pela Sociedade Zoológica de Londres. Uma foto divulgada pela Sociedade Zoológica de Londres, mostra a tartaruga australiana Mary River (Elusor macrurus), nativa de Queensland, na Austrália. C Chris Van Wyk/ZSL/AFP A tartaruga Mary River, da Austrália, entrou para a lista de répteis ameaçados de extinção organizada pela Sociedade Zoológica de Londres. O animal tem um visual que remete a um corte moicano de cabelo e consegue ficar embaixo d'água por até 3 dias respirando através de seus órgãos reprodutores. "Estes animais têm órgãos especializados em sua cloaca que processam oxigênio da água em volta", explicou o cientista Rikki Gumbs da Universidade Imperial de Londres, que ajudou a compilar a lista de répteis ameaçados. Nativa da região de Queensland, onde vive apenas no rio Mary- de onde vem seu nome- a tartaruga não tem pelos. Seu "cabelo" arrepiado é na verdade alga: "Ela passa tanto tempo submersa que alguns indivíduos acabam cobertos de algas e podem acabar com uns 'penteados' verdes impressionantes", disse Gumbs. Animal de estimação Segundo o departamento de Meio Ambiente da Austrália, a queda no número de animais se deu por causa da popularidade da tartaruga como animal de estimação nos anos 70 e 80. O animal só foi reconhecido como uma espécie distinta em 1994. "A tartaruga Mary River leva um tempo excepcional para atingir a maturidade sexual, com indíviduos que não acasalam antes dos 25 anos", diz nota da Sociedade Zoológica de Londres. A destruição do seu habitat natural, com a construção de barragens, e a venda dos ovos para o mercado de animais de estimação tiveram impacto na preservação da espécie. Lista de répteis "Os répteis costumam ser preteridos quando o assunto é conservação de espécies se comparados com aves e mamíferos. Assim como tigres, rinocerontes e elefantes, é vital que façamos o máximo para salvar estes animais únicos. Muitos dos animais nesta lista são os únicos sobreviventes de linhagens mais antigas", disse Gumbs. A lista EDGE of Existence tem 100 répteis e mostra suas respectivas condições de conservação. Criada em 2007, a lista já publicou anfíbios, aves, corais e mamíferos. Agora, foca em répteis. Cada espécie ganha uma classificação que analisa seu risco de extinção baseado em o quão isolada está e quão única é a espécie. Atualmente, a tartaruga Mary River ocupa o número 30 do ranking. […]

  • Tamanduá sobe no topo de poste e 'dá trabalho' para os bombeiros em MT; veja o vídeo
    on 12 de abril de 2018 at 15:19

    Os bombeiros usaram uma escada e um cambão para retirar o animal. Tamanduá foi parar no alto de um poste de energia em Sorriso. Tamanduá-mirim subiu no topo de um poste de energia e deu trabalho para ser resgatado pelos bombeiros em Sorriso Lucas Torres/Portal Sorriso Um tamanduá-mirim foi resgatado na manhã desta quinta-feira (12) em Sorriso, a 420 km de Cuiabá. O animal subiu no topo de um poste de energia e deu trabalho para ser resgatado pelos bombeiros militares. Os bombeiros usaram uma escada e um cambão e retiraram o tamanduá do poste Lucas Torres/Portal Sorriso Os moradores chamaram os bombeiros depois que viram que o animal estava no alto do poste, no final da Avenida dos Imigrantes. Os bombeiros usaram uma escada e um cambão (equipamento próprio para resgatar animais) e retiraram o tamanduá do poste. Tamanduá é resgatado ao subir em poste em MT; veja o vídeo Um militar usou o equipamento para descer o tamanduá enquanto outro militar o segurou usando a própria farda dos bombeiros (veja o vídeo). Tamanduá-mirim subiu no topo de um poste de energia Lucas Torres/Portal Sorriso Depois do resgate, o animal foi solto em uma área de mata. Tamanduá-mirim O tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) pesa até 7 quilos e tem pelagem de coloração amarela com manchas pretas. Os olhos são pequenos, a cabeça alongada e o focinho bem desenvolvido. As quatro fortes garras lhe permitem cavar buracos e, com a língua comprida e pegajosa, capturar o alimento, geralmente formigas, cupins e larvas. Solitário, convive em pares apenas na época de acasalamento. O período de gestação dura de 130 a 190 dias, quando nasce apenas um filhote. Endêmico da América Latina, este mamífero procura abrigo em ocos de árvores e buracos abandonados no chão. No Brasil, ocorre em todos os biomas, do Cerrado à Caatinga. […]

  • Senado aprova maior parcela para municípios nos valores de compensação da utilização de recursos hídricos
    on 11 de abril de 2018 at 22:03

    Parte dos municípios na distribuição dos recursos passará de 45% para 65%. Texto já havia sido aprovado na Câmara; projeto segue para sanção do presidente Michel Temer. O Senado aprovou nesta quarta-feira (11), por 43 votos a 1, um projeto que aumenta a parcela de municípios no produto da chamada Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH). Essa compensação é composta com dinheiro pago por usinas hidrelétricas que exploram a água para gerar energia em determinados municípios. Dessa forma, municípios, estados e a União, afetados por esse exploração, recebem essas quantias. Como o projeto já havia sido aprovado pela Câmara, a proposta segue agora para a sanção do presidente Michel Temer. O projeto aprovado define os seguintes percentuais para distribuição da CFURH: 65% para municípios; 25% para estados; 10% para a união. Atualmente a distribuição é feita da seguinte maneira: 45% para municípios; 45% para estados; 10% para a União. A alteração é um pedido de prefeitos, que foram pessoalmente aos gabinetes dos senadores cobrar pela aprovação do projeto. Eles alegam que os municípios são os maiores afetados pela exploração dos recursos hídricos e, por isso, merecem uma fatia maior do CFURH. “São os municípios os entes federados que mais padecem dos impactos sociais, ambientais e econômicos da inundação de áreas para o estabelecimento de reservatórios de geração de energia elétrica”, afirmou o relator da proposta, senador Dalirio Beber (PSDB-SC). “Já os estados dispõem de mecanismos alternativos de geração de renda e arrecadação, que fazem com que esses entes não sejam tão impactados pela formação desses reservatórios”, completou o parlamentar. Segundo o gabinete do senador, em 2016, o valor da CFURH foi de cerca 2,4 bilhões. […]

  • Chuvas atingem estados do Norte e Nordeste, com inundações e interdições
    on 11 de abril de 2018 at 18:30

    Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Tocantins, Pará e Piauí tiveram precipitações acima da média. Tempo deve ficar mais estável a partir do final de semana. Encontro dos rios Parnaíba e Poti, em Teresina. Órgaos nacionais alertam para rápida elevação do nível dos dois. Reprodução/TV Clube Os estados do Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Tocantins, Pará e Piauí foram atingidos nesta quarta-feira (11) por chuvas fortes. A previsão, de acordo com o Climatempo, é que tempo fique mais estável a partir do final de semana. Ceará Em Fortaleza, uma névoa deixou o céu encoberto e acinzentado durante a manhã – fenômeno raro para a cidade. Das 7h desta terça-feira (10) às 7 horas de quarta, choveu em 84 municípios cearenses, segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). A maior precipitação ocorreu na cidade de Barroquinha, Litoral Norte do Estado, com 122,2 milímetros. Em seguida aparecem as cidades de Santa Quitéria (112,5 milímetros), Granja (105,0 milímetros), Ibiapina (98,0 milímetros) e Ipueiras (90,2 milímetros). Além disso, 11 açudes no estado estão com 100% da capacidade. Em Messejana a névoa encobriu a lagoa. Cintia Xerez/Arquivo Pessoal Maranhão Em dez dias, choveu quase a metade do previsto para mês inteiro no estado, segundo o Núcleo de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão (Uema). A média histórica de chuvas em abril é de 476 milímetros – número que deve ser ultrapassado. Em algumas cidades, rios transbordaram, barragens se romperam e estradas foram interditadas. Em Tuntum, localizada na região central do Maranhão, o riacho que leva o mesmo nome da cidade alagou alguns bairros – Ana Isabel, Vila Mata, Tuntum de Cima e Residencial Maria Helena, entre os mais prejudicados. Algumas famílias perderam as casas com a entrada da água. Um trecho de uma rodovia federal foi destruído. O km 330 da BR-135, próximo a Presidente Dutra, um desmoronamento da via comprometeu o trânsito. Chuva forte provoca estragos em pelo menos 15 cidades do Maranhão Pernambuco A chuva causou transtornos em diversas áreas do Grande Recife, com alagamento de ruas. Durante seis horas na madrugada desta quarta, foram acumulados 50 mm de chuva, segundo a Prefeitura. Desde sexta-feira (6), o índice pluviométrico registrado na capital atingiu quase todo o volume de precipitação esperado para abril. O aculmulado nesse período chegou a 322 milímetros. A média histórica do mês é de 326 milímetros. Avenida Cosme Viana, no bairro de Afogados, no Recife, foi tomada pela água nesta quarta-feira (11) Marlon Costa/Pernambuco Press Em Olinda, a situação é similar. No bairro dos Bultrins, a rua José Higino foi tomada pela água, o que impossibilitou a saída de moradores de casas e prédios. Na avenida México, no bairro de Rio Doce, a água acumulada também complicou a situação de quem reside na região. Paraíba Pelo menos oito açudes estão sangrando na Paraíba, após o nível aumentar com a chegada das chuvas. O açude Bom Jesus, que fica no município de Carrapateira, ultrapassou a sua capacidade total de águas, chegando a atingir 107,89%. A capacidade total do açude Bom Jesus é de 343,8 mil metros cúbicos, mas chegou, nesta semana, a 370,9 mil metros cúbicos. Açude Taperoá sangra desde a última segunda-feira (9) Reprodução/TV Paraíba Quase na mesma situação também estava o açude São José I, em São José de Piranhas, que saiu de 1% para 103% da capacidade máxima de água. Foram mais de 100 mil metros cúbicos de água transbordando na região. Veja a situação dos outros açudes do estado. Piauí Há risco de inundação em nove cidades do estado. Em quatro delas, Piracuruca, Esperantina, Barras e Batalha, o risco é alto. Nas outras, Buriti dos Lopes e Luzilândia, moderado. Em Teresina, Floriano e Prata do Piauí, a situação também é de risco. 300 famílias deixam as casas por ameaça de rompimento de barragem no Piaui Já a Barragem do Bezerro corre risco de rompimento na cidade de José de Freitas. Devido à situação, o estado emitiu estado de alerta para oito cidades. Elas são: José de Freitas, Luzilândia, Joca Marques, Madeiro, Esperantina, Cabeceiras, Barras e Batalha. Pelo menos 320 famílias foram retiradas de casa por precaução. Abertura de canal na Barragem do Bezerro ameaça cidades no Piauí Magno Bonfim/TV Clube Tocantins Mais de 3,4 mil indígenas da etnia Krahô estão ilhados entre Goiatins e Itacajá, na região norte do estado. Ao todo, 23 aldeias foram afetadas. Segundo os indígenas, quem precisa ir para as aldeias não consegue passar e quem está no local não sai. A forte chuva registrada na região tem provocado enchentes e atoleiros nas estradas. A cabeça de uma ponte de concreto desmoronou. A água também encobriu pontes que estão com estruturas comprometidas, segundo os indígenas. O major da Defesa Civil, Diógenes Madeira, informou que uma equipe está preparada para ir até a região, caso haja a necessidade. Afirmou ainda que o órgão é responsável por fazer uma análise da situação de risco para os indígenas e do risco ambiental. Pará Caçamba é levada pela água ao cair na cratera no km 156 da BR-155. PRF Com as chuvas fortes, a caçamba de um bitrem caiu numa cratera que se formou no km 156 da rodovia BR-155 no sudeste do estado. O veículo foi levado pela água. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) disse que um buraco na rodovia não suportou o volume de água e se rompeu. A rodovia registrou quatro pontos de interdição devido a alagamentos. […]

  • Tartaruga foge e é encontrada 9 meses depois a 200 metros de casa
    on 11 de abril de 2018 at 17:38

    Animal foi descoberto por uma passeadora de cães; dona quer agora comprar gaiola para evitar novas fugas. Tartaruga Pippa tem 12 anos e teria escapado pelo jardim da frente BBC Após nove meses desaparecida, uma tartaruga de estimação reencontrou sua dona. (Assista ao vídeo) Pippa, uma tartaruga-mediterrânea de 12 anos, fugiu de casa em junho do ano passado, possivelmente pelo jardim da frente. Sua dona, Laura Tissington, já tinha perdido as esperanças de encontrá-la. "Estávamos certos de que nunca a veríamos novamente. Pensamos: acabou, ela foi embora", diz Tissington. "Procuramos pelos jardins, pelos jardins dos vizinhos, os vizinhos também tentaram procurá-la", acrescenta. Até que, nove meses depois, Pippa foi descoberta por uma passeadora de cães. A tartaruga estava a 200 metros de sua casa. Dona procurou pela tartaruga nos jardins dos vizinhos e vizinhos também a procuraram BBC "Ouvi um sussurro perto do meu pé. Olhei para baixo esperando ver um coelho ou um esquilo. E era uma tartaruga”, conta Jessica Taylor. "Uma amiga me mandou mensagem dizendo: 'Alguém achou uma tartaruga. A sua ainda está deparecida'", relembra Tissington. "Meu coração disparou. Mas pensei comigo mesma que não era bom criar muita expectativa". Pippa foi descoberta a cerca de 200 metros de casa BBC "Liguei para os veterinários e ela disse: “Temos 99% de certeza de que é a sua tartaruga. Foi um grande choque", acrescenta. "Fiquei muito feliz e, na verdade, chocada de que ela estava desaparecida desde junho do ano passado e sobreviveu todo esse tempo", diz Taylor. Segundo Taylor, Pippa estava com machucados leves nas patas, mas estava bem de saúde e até teria ganhado peso na floresta. Agora, Tissington pensa em comprar uma gaiola para evitar que Pippa fuja novamente. […]

  • Panótia, o desconhecido antigo supercontinente da Terra
    on 11 de abril de 2018 at 17:18

    Geólogos dizem ter encontrado evidências de supercontinente descrito pela primeira vez em 1997 e que existiu há 600 milhões de anos. Autor de teoria que encontrou grande aceitação entre geólogos diz que aglutinação de continentes e sua posterior separação é um movimento cíclico que ocorre a cada meio milhão de anos Getty Images Antes de Pangeia, houve outros supercontinentes, que, segundo uma teoria surgida nos anos 80 e hoje amplamente aceita entre geólogos, se sucederam em ciclos de 400 a 500 milhões de anos. Dois desses supercontinentes teriam sido os de Rondínia, que existiu há 1,1 bilhão de anos, e o de Columbia, formado e separado antes, há entre 1,8 e 1,5 bilhão de anos. Mas um estudo recente publicado por um dos autores da teoria formulada nos anos 80 defende que entre Rondínia e Columbia existiu um supercontinente "intermediário", batizado de Panótia, descrito pela primeira vez em 1997. A teoria do ciclo supercontinental foi proposta por Damian Nance e Tom Worsley, respeitados geólogos da Universidade de Ohio (Estados Unidos). Eles sugeriram que em vários momentos da história da Terra os continentes se juntaram para formar um corpo que depois se separava, em um processo cíclico. Segundo os acadêmicos, esse ciclo teve uma profunda influência no curso da história do planeta e da evolução de seus oceanos, atmosfera e biosfera. Além disso, é visto agora como a influência dominante sobre a circulação do manto terrestre, afetando profundamente o comportamento do campo magnético da Terra. Com base no estudo de rochas e fósseis, geólogos tentam rastrear mudanças ocorridas no planeta Getty Images Agora, em um estudo publicado na revista da Sociedade de Geologia em Londres, Nance e o colega Brendan Murphy, da Universidade de St. Francis Xavier, no Canadá, defendem a existência do supercontinente Panótia, há 600 milhões de anos. A possibilidade de esse supercontinente ter existido havia sido mencionada em outros estudos anteriores, mas nunca foi bem aceita por causa de incongruências nas estimativas de seu surgimento e sua separação. Mas Nance e Murphy dizem que o reconhecimento da existência de grandes massas terrestres passadas não pode depender unicamente de modelos de reconstrução continental baseada nos formatos dos continentes atuais e deveria explorar os vários fenômenos que acompanham sua formação e sua ruptura - como a criação montanhas na colisão entre continentes e de fendas e fissuras quando massas continentais se separam. Gretas e rachaduras são sinais da separação do continente, segundo geólogos Getty Images Além disso, a formação de supercontinentes fomenta extinções à medida que as condições na superfície e habitats são destruídos - enquanto que a separação fomenta migrações, à medida que novos habitats são formados. O estudo diz que os supercontinentes também afetam o nível do mar, a química do oceano e o clima de maneiras previsíveis e deixam uma série de sinais isotópicos que podem ser identificados em rochas. "Quando se examina o registro geológico na busca por evidências desses fenômenos, o argumento a favor de Panótia é inconfundível", dizem Nance e Murphy. Nance e Murphy dizem que no intervalo de tempo atribuído à criação e ruptura de Panótia houve algumas das mais profundas mudanças na história do planeta, como a aparição generalizada de montanhas, seguida de rupturas continentais - e que estas afetaram os oceanos, o clima e a biosfera. Segundo eles argumentam no estudo, são fortes evidências de que Panótia existia e "ignorá-los seria negligenciar algumas das mudanças mais profundas da história da Terra". […]

  • Cientistas revelam níveis tóxicos de arsênico em poços da bacia do Amazonas
    on 10 de abril de 2018 at 18:02

    Amostras obtidas em 250 pontos da região também revelou índices perigosos de manganês e alumínio. Presença dos elementos se deve a causas naturais, e não à poluição industrial. Sistema Aquífero Grande Amazônia é extensão do aquífero Alter do Chão. Cristino Martins/Agência Pará Os poços cavados na bacia do Amazonas para evitar que as pessoas bebam água dos rios contaminados contêm limite que supera em até 70 vezes o índice recomendado de arsênico, informaram pesquisadores. As amostras obtidas em 250 lugares do Amazonas na primeira grande análise realizada nos poços da região também revelaram níveis perigosos de manganês e de alumínio, declararam os cientistas em uma entrevista coletiva em Viena. "Devido aos rios contaminados, muitas comunidades rurais aproveitam a água subterrânea", disse a cientista e coordenadora do estudo, Caroline de Meyer, do Instituto Federal Suíça de Ciência e Tecnologia Aquáticas. "Em algumas áreas da bacia do Amazonas, a água subterrânea contém estes elementos em concentrações potencialmente prejudiciais para a saúde humana", completou. "A contaminação não deveria ser subestimada", frisou. Os níveis de manganês detectados eram até 15 vezes superiores aos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e os de alumínio, até três vezes acima do limite. A presença dos elementos se deve a causas naturais, e não à poluição industrial. A exposição crônica ao arsênico está ligada ao câncer de fígado, rim e bexiga, assim como a doenças cardiovasculares. Também é associada a abortos espontâneos, pouco peso ao nascer e problemas de desenvolvimento cognitivo em crianças. Em Bangladesh, onde este problema é conhecido há várias décadas, pesquisadores calculam que provoca quase 40 mil mortes prematuras ao ano. O manganês em doses tóxicas pode provocar danos neurológicos permanentes, enquanto os efeitos de uma exposição contínua ao alumínio são menos conhecidos. As comunidades rurais da bacia do Amazonas dependem tradicionalmente dos rios e da chuva para suprir suas necessidades de água. Mas o aumento da poluição provocada pela mineração, a exploração florestal e as atividades industriais provocou a criação de poços. Acaso químico "Retiramos amostras de poços que têm mais de 20 anos e outros recentes de apenas algumas semanas", disse Meyer na reunião anual da União Europeia de Geociências. Realizado em conjunto com pesquisadores peruanos e brasileiros, o trabalho de campo mediu as concentrações químicas, sem examinar os impactos para a saúde. "Não podemos afirmar quantas pessoas estão afetadas", declarou Meyer. São necessários muito mais dados para identificar os locais onde os níveis de toxicidade são especialmente elevados, e as áreas, altamente dependentes dos poços, completou. As consequências de ingerir arsênico podem demorar anos para se tornarem visíveis, inclusive décadas. E, na região, o nível de conscientização sobre este problema é muito reduzido. Por uma pura questão de acaso químico, o nível de intoxicação talvez tenha sido mitigado pelo fato de, geralmente, a água contaminada com arsênico também conter ferro, o que torna o líquido avermelhado. Neste caso, as pessoas tendem a deixar a água repousar para que as partículas – incluindo as de arsênico – baixem até o fundo. As descobertas anunciadas em Viena são preliminares e serão apresentadas formalmente em uma publicação científica durante o ano, segundo Caroline de Meyer. A bacia do Amazonas, drenada pelo rio Amazonas e por seus afluentes, tem 7.500.000 quilômetros quadrados e atravessa oito países. […]

  • ICMBio aprova plano de conservação de 41 espécies ameaçadas no Cerrado e Pantanal 
    on 10 de abril de 2018 at 14:30

    Plano tem cinco anos para restaurar hábitats de espécies em risco de extinção e promover ações que diminuam a caça.   Sapujus Cay, macaco prego, está dentre as espécies ameaçadas que são alvo do plano de proteção Igor Peifer/ICMBio O Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade, o ICMBio, aprovou plano de conservação de 41 espécies no Cerrado e no Pantanal. O instituto é vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e o plano foi publicado no Diário Oficial da União nesta terça-feira (10). Dentre as espécies, estão peixes, anfíbios répteis e primatas ameaçados de extinção, como o macaco preto. O plano tem por objetivo influenciar políticas públicas, em diferentes esferas do governo, visando incorporar medidas de proteção. Pimelodus stewarti, espécie de peixe presente no rio Tocantins Lucinda et al Um outro ponto previsto pelo plano é a integração das espécies ameaçadas ao seu hábitat em um prazo de cinco anos. A medida também prevê a diminuição da caça das espécies no mesmo período. A redução da degradação do hábitat e a restauração da fauna também estão dentre os objetivos previstos. A ação também prevê a produção de relatórios informativos periódicos que possam ajudar na preservação das espécies. […]

  • O uso abusivo dos agrotóxicos e o mal que eles fazem à saúde humana
    on 9 de abril de 2018 at 21:51

    O avião percorre numa velocidade média os campos de plantações. O ronco do motor destoa do silêncio. De vez em quando, vê-se uma nuvem de fumaça sendo aspergida sobre o solo e alguém, que está por trás da câmera, comenta algo. O cenário fica em Mato Grosso e quem filma a viagem do avião é um representante da Opan (Operação Amazônia Nativa) entidade que defende os direitos dos povos indígenas. A denúncia é que o limite de 250 metros de distância obrigatório por lei para aspergir agrotóxico foi violado pelo piloto flagrado nas imagens. Índios reclamaram de doenças respiratórias por causa das substâncias.   O Brasil comemora o fato de ter a segunda maior frota de aviação agrícola do mundo. No ano passado, eram registradas 2.115 aeronaves, 2.108 delas aviões. Brasil tem a 2ª maior frota de aviação agrícola do mundo. Com 464 aeronaves, Mato Grosso é o estado com a maior frota do país. Rio Grande do Sul (427) e São Paulo (312) vêm na sequência. A maior frota do mundo pertence aos Estados Unidos (3.600 aeronaves), seguida do México,que ocupa o terceiro lugar no ranking.   Aviões agrícolas foram feitos para distribuir sementes e aplicar defensivos agrícolas, inseticidas, nas lavouras. Também chamados de agrotóxicos. O Brasil consome 20% de todo agrotóxico comercializado mundialmente. E este consumo tem aumentado significativamente nos últimos anos.   Apesar de serem motivo de comemoração, o aumento do número de aviões agrícolas e do consumo de agrotóxicosnão são notícias boas para quem consome os alimentos. Há um uso abusivo dessas substâncias, o que pode causar doenças graves nos humanos.   Depois de estudar cerca de três anos exaustivamente o tema dos agrotóxicos, a professora de Geografia Agráriada USP Larissa Mies Bombardi escreveu uma tese, chamada “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, em que enfatiza essas questões. Sobretudo fica bem claro, depois da leitura do livro (é possível ler aqui, em PDF), que o marco regulatório da União Europeia é bem mais restritivo com relação aos agrotóxicos do que as proibições impostas, aqui no Brasil, aos que produzem essas substâncias.   "A União Europeia implantou em 2011 um marco regulatório mais restritivo para os agrotóxicos, fazendo com que uma série de ingredientes ativos esteja em fase de banimento na região do bloco econômico. 30% de todos os agrotóxicos utilizados no Brasil são proibidos na União Europeia. E entre os dez ingredientes ativos mais vendidos no Brasil dois são proibidos na união europeia", escreve ela.   “Atrazina é um inseticida que foi proibido na União Europeia em 2014e que, no Brasil, segue autorizadopara os cultivos de abacaxi, cana-de-açúcar, milho, milheto, pinus, seringueira, sisal e sorgo. Mato Grosso do Sul lidera o uso seguido por São Paulo e Mato Grosso. No Brasil estão autorizados, para o cultivo do café, 121 diferentes agrotóxicos. Trinta deles são proibidos na União Europeia há 15 anos”, escreve ela.   Um aspecto da diferença de quantidade de agrotóxicos usados no Brasil e na União Europeia é evidente, em números absolutos. A outra parte é invisível: diz respeito à quantidade de resíduos de agrotóxicos permitida nos alimentos e na água. Isso atinge não só a população rural, como os índios que estão denunciando na reportagem através da organização que os defende, como a população do mundo todo que consome tais produtos.   “Há um fenômeno, quando se pratica a pulverização aérea, denominado “deriva” que se refere à quantidade de agrotóxicos que não atinge o chamado “cultivo-alvo” e que se dispersa no amviente. Fatores que influenciam a deriva, segundo a Associação Nacional de Defesa Vegetal: vento, temperatura do ar, umidade relativa do ar, distância do alvo, velocidade de aplicação e tamanho das gotas”, escreve a professora em sua tese.   Os agrotóxicos foram desenvolvidos na Primeira Guerra Mundial e usados como arma química na Segunda Guerra Mundial. Quando acabou a guerra, eles começaram a ser usados também para defender os agricultores das pragas que podiam acabar com seu sustento e, mais do que isso, arruinar plantações que poderiam alimentar as pessoas. Até hoje há quem os defenda dessa maneira, ou seja, como ferramentas indispensáveis para permitir que os 7 bilhões de humanos possam se alimentar.   As denúncias feitas por organizações e pesquisadores que estudam o tema levam a outro caminho e apontam para os riscos do uso dessas substâncias. Vandana Shiva, cientista, pesquisadora, filósofa, criadora do Banco de Sementes em seu país, a Índia, conta que passou a pesquisar sobre os malefícios do uso de agrotóxicos para a saúde humana quando, há mais de trinta anos, foi testemunha de um acidente ocorrido numa fábrica de inseticidas e que matou mais de 35 mil indianos.   “Os agrotóxicos foram criados na Guerra para matar pessoas”, diz ela.   A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) fez também um documento apontando problemas com o uso abusivo de agrotóxicos. Chamado “Impactos dos Agrotóxicos na Saúde”, o dossiê não deixa nem margem para dúvidas. Segundo os cientistas, “os agrotóxicos fazem mal à saúde das pessoas e ao meio ambiente”. Alguns dados coletados no estudo corroboram a afirmação:   “Entre 2007 e 2014 o Ministério da Saúde recebeu 34.147 notificações de intoxicação por agrotóxico”   “Entre 2000 e 2012 o Brasil teve um aumento de 288% do uso de agrotóxicos”   “Relatório da Anvisa de 2013 constatou que 64% dos alimentos estão contaminados por agrotóxicos”.   Diante disso, o faturamento da indústria de agrotóxicos no Brasil em 2014, que foi de US$ 12 bilhões, deixa extremamente claro que estamos diante de um dos muitos casos em que o desenvolvimentismo se volta contra a saúde e o bem-estar das pessoas.   É preciso achar um equilíbrio. Ou, que cada um de nós passe a fazer mais contato com os alimentos que consumimos. Talvez não seja tão fácil num primeiro momento, mas a informação é bastante para se começar um movimento neste sentido. […]

  • Homem mata 10 lobos e posa ao lado de carcaças no Alasca
    on 9 de abril de 2018 at 20:55

    Uma entidade americana pede que estado americano reveja legislação na região do Parque Nacional Denali para proteção dos animais e redução da caça. Animais foram mortos por caçador com rifle semiautomático AR15 em Denali, no Alasca Public Employees for Environmental Reponsability (PEER) As fotos de um homem com um rifle semiautomático AR15 ao lado de dez carcaças de lobos gerou novos pedidos para que a legislação de caça no estado do Alasca seja revista. De acordo com a entidade Empregados Públicos pela Responsabilidade Ambiental (PEER, sigla em inglês) as mortes excessivas podem desestabilizar a população desses animais. As imagens foram divulgadas na última terça-feira (3). Na primeira fotografia, em um passeio no Parque Nacional Denali, um homem mostra o momento em que abateu os dez lobos na neve. Depois, já em um galpão, mostra as carcaças dos animais presas ao teto e enfileiradas. A PEER disse que uma determinação de emergência do Departamento de Pesca e Caça do Alasca (DFG) interrompeu a temporada de abates em parte das terras do estado, incluindo Denali. "A caça de lobos nesta área restrita nesta temporada é maior do que a média dos últimos cinco anos e há potencial para que mais abates ocorram antes do final da temporada de caça", disse o departamento. Mesmo assim, o DFG informou que "não há preocupações com relação à conservação dos lobos" na região de Denali, mas admite que não tem um levantamento do número desses animais mortos neste ano. Em resposta às recentes mortes de lobos em Denali, moradores do Alasca estão enviando um novo pedido ao governador para que haja um bloqueio permanente da caça de alguns animais na região - ursos, linces e glutões também. "O programa de controle de predadores do Alasca está claramente fora de controle", afirmou o diretor-executivo da PEER, Jeff Ruch. Foto: G1 Homem matou 10 lobos e depois mostrou carcaças em fotos Public Employees for Environmental Responsability […]