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  • UnB dá prazo até 23h59 desta quinta para alunos desocuparem a reitoria
    on 26 de abril de 2018 at 21:50

    Notificação extrajudicial foi entregue aos estudantes e registrada em cartório. Ocupação completou duas semanas nesta quinta. Trecho da notificação extrajudicial entregue pela UnB aos ocupantes da reitoria UnB/Reprodução A Universidade de Brasília (UnB) estabeleceu prazo máximo até as 23h59 desta quinta-feira (26) para que os estudantes desfaçam a ocupação no prédio da reitoria, iniciada há 14 dias. O documento foi protocolado em cartório. A notificação extrajudicial não informa o que será feito em caso de descumprimento da ordem. O G1 aguarda retorno do gabinete da reitora Márcia Abrahão sobre o tema, e tenta contato com representantes da ocupação. O documento foi protocolado em cartório, e é assinado pela reitora Márcia Abrahão. A versão digital divulgada pela própria UnB exibe os carimbos do 1º Ofício de Títulos e Documentos de Brasília (veja acima). Segundo a universidade, a notificação "tem o objetivo de ser uma prova incontestável de que o movimento tomou o conhecimento da demanda pela desocupação imediata do prédio". Na prática, o documento tenta respaldar o eventual acionamento da polícia para desinterditar o edifício. O que diz o documento? Na notificação, a reitoria da UnB afirma que, desde o início da ocupação no último dia 12, tem "envidado todos os esforços para promover um diálogo transparente com os integrantes do movimento". "Nesse período, foram emitidos comunicados, realizadas mesas públicas e reuniões de negociação com o movimento de ocupação, nas quais a Administração não se furtou a demonstrar quais são os limites de sua atuação, seja em razão da ausência de competência para deliberar sobre as sucessivas reivindicações do movimento, seja por absoluta falta de meios", diz a UnB. Documento protocolado pela UnB dá prazo máximo até as 23h59 para desocupação da reitoria UnB/Divulgação O documento afirma que as negociações devem ocorrer "pelas vias democráticas e institucionais, assegurada a continuidade do serviço público". Na notificação, a UnB também repete os danos que, segundo a reitoria, podem ser gerados pela falta de acesso aos computadores. A lista, divulgada na última segunda (23), inclui atraso nos pagamentos de salários e bolsas, no atendimento de demandas judiciais e no pagamento de tarifas alfandegárias à Receita Federal – ligadas à importação de produtos e equipamentos importados. UnB aponta risco a pagamentos e pede fim de ocupação da reitoria; alunos negam Na segunda, a UnB também descartou o acordo de "não penalização" assinado anteriormente, e informou que os estudantes da ocupação poderiam responder a processos administrativos. No dia 16, a reitora Márcia Abrahão tinha firmado compromisso de não punir alunos ou servidores por participarem do movimento. Protesto e confusão No fim da manhã, um protesto de estudantes da UnB em frente ao Ministério da Educação terminou em corre-corre, tiros de balas de borracha e bombas de gás, após um conflito com a Polícia Militar. Quatro alunos foram detidos, levados à 5ª Delegacia de Polícia e liberados. Polícia Militar e estudantes da UnB entram em confronto na Esplanada; vídeo Manifestantes da Universidade de Brasília enfileirados na via de acesso ao Ministério da Educação, em frente à cavalaria da Polícia Militar Luiza Garonce/G1 Entre os objetos apreendidos pela PM, estavam um canivete, uma faca pequena de cozinha, duas tesouras, casacos, sprays, uma garrafa de vinagre, leite de magnésia, lenços e um soro fisiológico. A Polícia Civil não permitiu que os estudantes e os itens fossem fotografados pelo G1. A reportagem testemunhou o momento em que os estudantes estavam enfileirados, com máscaras e placas de madeira, na via de acesso ao ministério, a cerca de 20 metros de distância da tropa de choque da PM. Os alunos cantavam em coro que os policiais estavam "do lado errado" quando um militar lançou uma bomba na calçada. Histórico É a segunda vez neste mês que os alunos da UnB e a PM se desentendem na Esplanada dos Ministérios. No dia 10, três alunos foram detidos – um por desacato, um por dano ao prédio e outro por pichação. Manifestantes foram agredidos, policiais militares usaram spray de pimenta, uma vidraça do MEC foi estilhaçada e as seis faixas do Eixo Monumental, sentido Rodoviária, foram fechadas. A reitoria da UnB está ocupada desde o último dia 12 por cerca de 500 alunos que protestam contra a crise financeira que a universidade enfrenta. O grupo afirmou que a queda no orçamento foi causada, entre outras razões, pela PEC 55, que limita os gastos federais à inflação do ano anterior. Leia mais notícias sobre a região no G1 DF. […]

  • Com projeto para idosos, equipe de Americana vence mundial de robótica nos EUA: 'Experiência incrível', diz estudante
    on 26 de abril de 2018 at 13:49

    Alunos desenvolveram pulseira e aplicativo que monitora temperatura corporal e quantidade de água que idoso deve ingerir; equipe retorna nesta quinta-feira (26) ao Brasil. Equipe de alunos do Sesi de Americana (SP) desenvolveu projeto de pulseira e app que monitora quantidade de água que idosos devem ingerir. Vinícius Hirose/Sesi-SP/Divulgação Garantir que idosos em asilos bebam a quantidade necessária de água. Esse é o objetivo do projeto da equipe de alunos do Sesi de Americana (SP), campeã da First Lego League World Festival, campeonato mundial de robótica realizado em Houston, nos Estados Unidos, no último fim de semana. O tema da competição foi "Hidrodinâmica". A equipe volta ao Brasil nesta quinta-feira (26). "Foram dias intensos de treino lá na nossa cidade [Americana]. A gente chegou a treinar dez horas por dia, inclusive de finais de semana. E foi muito bom ser reconhecida por tudo isso, saber que tudo valeu a pena. A gente abriu mão de muitas coisas para isso", conta a aluna Bianca Araújo Marcelo, de 17 anos. Os alunos desenvolveram uma pulseira que funciona em conjunto com um aplicativo para monitorar a quantidade de água ingerida por idosos em asilos. Ao todo, 108 equipes de 43 países participaram da competição. Os estudantes que apresentaram projetos têm entre 9 e 18 anos. "Foi uma experiência incrível pra todos nós e foi muito gratificante. O torneio foi incrível", completa a estudante. Equipe de Red Rabbit, do Sesi de Americana (SP), retornou ao Brasil nesta quinta-feira (26). Vinícius Hirose/Sesi-SP/Divulgação Segundo o professor Denis Rodrigo Santana, analista de suporte em informática e técnico do time, foi a primeira vez que uma equipe brasileira venceu esse campeonato, trazendo um troféu e reconhecimento para casa. "A hora que saiu o resultado final foi inacreditável, principalmente porque é a 1ª vez que o Brasil ganha essa competição. É um resultado inédito. Foi muita emoção mesmo", conta o Santana. O professor também disse que essa foi a segunda vez que a "Red Rabbit", nome dado ao grupo do Sesi de Americana, participou da competição. "É um reconhecimento impressionante. Nesse torneio, só participam os times que foram melhores classificados nos torneios nacionais", explica o professor Mário Eugênio, coordenador geral do Programa de Robótica do Sesi-SP. Outra equipe, do Sesi de Jundiaí (SP), também foi para o pódio do campeonato. Chamada de Jedi's, o time é composto inteiramente por alunas e levou o título de vice-campeã da competição, junto com outra equipe norte-americana. De acordo com professor Eugênio, o projeto das meninas tinha como tema aproveitamento de água na agricultura. Pulseira e app: como funcionam A pulseira faz o monitoramento da temperatura corporal do usuário. Isso porque, quanto mais alta a temperatura da pessoa, maior seu nível de desidratação. Dessa forma, sempre que a temperatura do corpo do idoso se elevar, a pulseira "avisa" o software, que emite um alerta para o programa dizendo que o usuário precisa se hidratar. Além do aviso, o aplicativo define a quantidade de água que o idoso deve tomar durante o dia e recomenda os intervalos de tempo para isso. O software, que funciona tanto em computador quanto em celular, monitora a quantidade de água ingerida e registra a temperatura corporal. "O programa vai indicar para o próprio idoso, ou para um cuidador, que essa pessoa está desidratando e precisa ingerir água", explica o professor Mário Eugênio. Segundo informações do projeto, esse tipo de monitoramento é necessário porque os idosos têm uma percepção limitada da falta de água em seu corpo. Isso leva a outro problema: a desidratação, que é uma das principais causas de internação de pessoas de idade avançada. Equipe de alunos do Sesi de Americana (SP) vence campeonato mundial de robótica nos EUA. Vinícius Hirose/Sesi-SP/Divulgação Experiência e reconhecimento A equipe de Americana é composta por dez integrantes: oito alunos, um técnico e uma mentora. O G1 conversou com três integrantes e um ponto foi consenso entre eles: depois de muito trabalho duro, a conquista e o reconhecimento fazem tudo valer a pena. "Foi muita correria e muitos treinos. Foram várias horas e vários dias treinando. Tudo para chegar nesse resultado. No final tudo deu certo, ainda bem. Nosso trabalho foi reconhecido e a gente fica muito feliz", conta Matheus Jorge Rosa, de 15 anos. Veja a composição da equipe, abaixo: Edvania Guimarães de Carvalho - diretora do Sesi de Americana e mentora Denis Rodrigo Santana - analista de suporte em informática e técnico Bianca Araújo Marcelo Ana Yukari Tsutsumi Rafaela Chiareli Cardozo Greta Isabella de Freitas Tiosso Luísa Beatriz Bozelli Matheus Jorge Rosa Luigi Fagundes Kuhnrich Thomas Belisário Reis Andrade de Moraes O campeonato A First Lego League integra o World Festival, considerada a Copa do Mundo da robótica. A cada ano, a edição traz um tema geral para que as equipes desenvolvam projetos de robótica e pesquisa. O tema deste ano foi água e o próximo já foi definido: espaço sideral. "Eles puxam esses temas que é para a molecada realmente 'sair da caixinha' ", comenta o professor Eugênio. A First é uma ONG norte-americana criada no MIT (Massachusetts Institute of Technology). Ainda de acordo com o professor Eugênio, o torneio de robótica visa prestar serviço para a sociedade e proporcionar oportunidades de pesquisa para os alunos. * Sob a supervisão de Patrícia Teixeira Veja mais notícias da região no G1 Campinas […]

  • Estudantes liberam prédio principal da UnB, mas reitoria continua ocupada
    on 26 de abril de 2018 at 13:35

    Movimento completa duas semanas nesta quinta (26). Universidade enfrenta crise financeira. Instituto Central de Ciências (ICC) da Universidade de Brasília (UnB) liberado por alunos nesta quinta-feira (26) Luiza Garonce/G1 Duas semanas após o início da ocupação da reitoria da Universidade de Brasília (UnB), o prédio continua interditado por estudantes nesta quinta-feira (26). O acesso aos corredores e às salas do Instituto Central de Ciências – principal edifício da instituição –, no entanto, foi liberado por volta das 10h da quinta. Um representante do grupo Ocupa UnB disse ao G1 que o movimento "ainda tem força para fazer frente" às medidas anunciadas pela universidade para conter despesas. O estudante não quis se identificar. Alunos da UnB fazem ato no Instituto Central de Ciências (ICC) Entre os pedidos dos alunos, está a revogação da demissão de funcionários terceirizados, que estariam ocorrendo mesmo com a promessa de revisão dos contratos. Os trabalhadores da UnB entraram em greve na terça-feira (24). Ao G1, a UnB informou que os contratos de prestação de serviço estão sob revisão para fins de ajuste: "Algumas empresas, entretanto, se adiantaram e distribuíram o aviso prévio aos funcionários". Segundo a instituição, "há uma mesa de negociações estabelecida, com a participação de entidades de representação, na qual alternativas para os ajustes estão sendo tecnicamente analisadas". Palavras de ordem Os estudantes organizaram um ato às 10h no ICC Sul. Eles gritavam palavras de ordem, pediam "greve geral na educação para barrar a precarização" e chamavam o grupo para se deslocar até o Ministério da Educação, onde está previsto um novo protesto nesta quinta. Em apoio aos terceirizados, os alunos cantaram "a nossa luta unificou, é estudante e trabalhador". A UnB informou, por meio de nota, que a "administração tem privilegiado o diálogo com o movimento de ocupação e aguarda a saída imediata do prédio da Reitoria, sob pena de prejuízos a diversos processos administrativos". “Danos ao erário ou ao patrimônio passarão por apuração e responsabilização.” Momento em que entrada do ICC, na Universidade de Brasília, foi liberada Luiza Garonce/G1 Duas semanas de ocupação A reitoria da UnB foi ocupada, no último dia 12, por cerca de 500 alunos que protestavam contra a crise financeira que a universidade enfrenta. O grupo afirmou que a queda no orçamento foi causada, entre outras razões, pela PEC 55, que limita os gastos federais à inflação do ano anterior. A universidade alegou que, dos R$ 168 milhões arrecadados com aluguel de imóveis próprios, entre outras receitas, apenas R$ 110 milhões podem ser utilizados. O restante do dinheiro iria diretamente para os cofres da União. Por isso, foram tomadas medidas de austeridade como aumento dos preços do Restaurante Universitário e demissão de estagiários. UnB adia demissão de 1,1 mil estagiários por 30 dias Já o Ministério da Educação afirmou que o orçamento da UnB subiu de R$ 1,66 bilhão em 2017 para R$ 1,73 bilhão em 2018, e que a administração da universidade deveria otimizar os recursos recebidos. O MEC foi convidado a participar de uma reunião com a comunidade acadêmica na última quinta-feira, mas não compareceu. Leia mais notícias sobre a região no G1 DF. […]

  • Professores do Centro Universitário Metodista IPA paralisam as atividades após atraso salarial em Porto Alegre
    on 26 de abril de 2018 at 12:40

    Mais de 5,5 mil estudantes estão matriculados nas três unidades do centro universitário. G1 tenta contato com a assessoria da instituição. Professores aprovaram a paralisação em assembleia. Segundo sindicato, salários de março não foram pagos Divulgação/Sinpro RS Os professores do Centro Universitário Metodista IPA paralisaram as atividades docentes após assembleia, em razão do não pagamento dos salários de março, de acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS). Os atrasos salariais vêm acontecendo deste o semestre passado, segundo os professores, que também alegam insegurança quando às perspectivas da instituição. O G1 tenta contato com o IPA, através de sua assessoria imprensa. Na assembleia, os professores aprovaram uma Carta Aberta à Comunidade Acadêmica do IPA (leia na íntegra abaixo). O sindicato não sabe informar quantos professores trabalham no centro universitário. São mais de 5,5 mil alunos matriculados nas três unidades da institução em Porto Alegre. “A decisão tomada pela ampla maioria dos docentes expressa o descontentamento não só com o atraso de salário mas com o padrão de gestão que vem sendo implementado pela Rede Metodista”, explica Marcos Fuhr, diretor do Sinpro/RS. Durante o dia, alunos do Centro Metodista realizaram manifestação na instituição em apoio aos professores. Uma reunião está marcada para esta quinta-feira (26), entre professores, sindicatos e gestores da universidade. E no dia 2 de maio, haverá uma nova assembleia entre os docentes. Carta aberta dos professores do IPA à comunidade acadêmica Diante da grave situação que temos enfrentado nos últimos meses, restou dirigir-nos a nossa comunidade acadêmica com o objetivo de esclarecer as motivações do movimento em defesa de nossa profissão, do próprio IPA e dos processos formativos de nossos estudantes. Movimento ora materializado por nossa decisão de paralisar as atividades docentes até a regularização das pendências salariais. Cumpre esclarecer que desde 2017 temos enfrentado graves problemas administrativos, que podem ser resumidos na pauta que segue: - atraso salarial sistemático; - descumprimento reiterado das promessas públicas de regularização salarial; - ausência de diálogo claro com os docentes acerca da situação financeira institucional e das políticas adotadas para enfrentamento da crise; - progressivo agravamento das condições de trabalho, manifesto por meio dos serviços institucionais precarizados; - perda da autonomia e excessiva centralização das políticas de gestão e dos processos em “São Paulo”; - falta de material e insumos para execução de aulas práticas; - solicitações de alteração de PPCs de cursos com prazos exíguos, fazendo com que os professores pertencentes ao NDE juntamente com os coordenadores de curso tivessem que cumprir esses prazos trabalhando sob duras pressões; - mudança de currículos feita à revelia dos professores dos cursos, atendendo exclusivamente as orientações de uma consultoria que não está mais na instituição; - mudança da oferta dos cursos em disciplinas para seriado, sem estudo algum ou planejamento anterior, o que prejudicou o bom andamento dos cursos. Compreendemos e nos solidarizamos com o momento econômico crítico que muitas Instituições de Ensino Superior vêm enfrentando, e é exatamente por isso que queremos nos aliar na busca de estratégias para o enfrentamento dos desafios que se apresentam. Para tanto, pleiteamos um diálogo franco e aberto com os gestores da Rede Metodista de Educação, com o objetivo de compreendermos as políticas institucionais e os rumos da gestão, engajando-nos no processo. Reiteramos nosso compromisso ético com a Educação, confiantes no respeito institucional a nossa condição de trabalhadores e educadores que somos. Antes de tudo, estamos engajados na luta pela qualidade da formação oferecida aos nossos estudantes! Nossa luta como trabalhadores não se restringe à LEGÍTIMA REIVINDICAÇÃO pelo pagamento dos salários atrasados que nos são devidos, mas se estende à retomada de uma gestão transparente, em coerência com os princípios humanistas cristãos que orientam a missão institucional da Rede Metodista! […]

  • Sala calmante: a aposta de uma escola em área violenta dos EUA para aliviar tensão dos alunos
    on 26 de abril de 2018 at 12:11

    Espaço com pufes, iPods e mesa de pintura visa dar aos estudantes 'respiros' de 10 a 30 minutos e ensiná-los a lidar com suas emoções. Diretor Brian Johnson com alunas na sala calmante; objetivo é que espaço dê um 'respiro' aos estudantes, para que eles voltem à aula mais concentrados Cidade da Filadélfia Quando Embaba, 12 anos, precisar "esfriar a cabeça" durante o período de aulas, terá um espaço para onde ir dentro da escola em que estuda, na cidade de Filadélfia (EUA). "Às vezes meus colegas gritam e ficam muito irritantes. Por que eles precisam falar tão alto?", diz ela à BBC Brasil. "Então pedi ao professor para ir à sala calmante para desenhar, ler um pouco. Eu me senti melhor. Me ajudou a ver meus colegas sob uma nova perspectiva." A sala calmante (em inglês, calming room) onde Embaba pode se refugiar é um espaço recém-inaugurado pela Tilden Middle School, que abriga alunos de 10 a 15 anos no sudoeste da Filadélfia. Ali há sofás e pufes para leitura, uma mesa com livros e papéis de desenho e pintura, iPods carregados apenas de músicas tranquilas e um círculo de conversa. O novo espaço vai permitir "breves descansos" para aliviar momentos de tensão dos alunos e ajudá-los a enfrentar traumas, a recuperar a concentração e a simplesmente refletir sobre suas emoções cotidianas, explica à BBC Brasil Brian Johnson, diretor da escola. "Temos estudantes impactados pela violência, mas também pelo divórcio dos pais e pelas circunstâncias da vida. E precisamos ensiná-los a processar o que estão sentindo." A Tilden fica em uma área com níveis proporcionalmente altos de violência e abriga alunos de baixa renda. Johnson conta que, no dia anterior à conversa com a BBC Brasil, um menino e seu pai haviam sido baleados a poucas quadras dali. Uma semana antes, uma garota de 16 anos havia sido vítima de violência semelhante ali perto. "Sem dúvida isso impacta os alunos. Eles moram aqui, e o que acontece aqui é parte da vida deles. Não é uma desculpa para não ir bem (na escola), mas é algo que precisa ser levado em conta na educação", opina o diretor. A preocupação em ajudar os alunos a lidar com essas questões - e as consequentes dificuldades de concentração e piora no desempenho acadêmico - foi o embrião da sala calmante. 'A pintura e o desenho, por exemplo, permitem que a mente volte a se concentrar. E o espaço de leitura tem almofadas felpudas, cujas texturas trazem conforto, como (sentimos) ao acariciar um cachorrinho' Cidade da Filadélfia Propósito O projeto foi financiado pela empresa parceira Cigna, que participou da elaboração do conceito da sala calmante com a ajuda de psicólogos, médicos especializados e dos próprios alunos e professores - esses últimos também poderão se refugiar ali de vez em quando. "Projetamos atividades específicas para o cérebro adolescente, que ajudassem os alunos a focar a mente", explica Peggy Banaszek, responsável pelo projeto na Cigna. "Os médicos nos disseram que a pintura e o desenho, por exemplo, permitem que a mente volte a se concentrar. E o espaço de leitura tem almofadas felpudas, cujas texturas trazem conforto, como (sentimos) ao acariciar um cachorrinho." Por isso, dizem Johnson e Banaszek, o projeto pode ser replicado em qualquer lugar do mundo - inclusive escolas em áreas de violência no Brasil -, mas só terá efeitos positivos se for projetado com propósitos claros em mente. "Quem for planejar algo semelhante deve pensar em o que quer obter. Não se trata apenas de uma sala calma, mas de uma estratégia para ensinar os alunos a lidarem com suas emoções e aprenderem sobre si mesmos e, assim, obterem uma melhora acadêmica e crescimento pessoal", explica o diretor. A escola Tilden já conta com terapeutas e especialistas em gerenciamento de raiva, e a ideia, diz Johnson, é que esses profissionais ajudem os alunos a identificar momentos de estresse em que seja bom dar uma "escapada" à sala calmante. Durante o horário do almoço, o espaço terá também aulas de ioga. Como a sala foi inaugurada em abril, a escola ainda está organizando as regras de uso do novo espaço. Johnson espera ter um professor disponível a monitorar a sala na maior parte do tempo. E destaca que a sala calmante não vai ser uma forma de os alunos fugirem das aulas, mas sim de estarem mais aptos a acompanhá-las. "Ali, eles poderão fazer intervalos de 10 a 30 minutos, para se acalmar, recuperar o fôlego e a concentração. Mas nossa expectativa é de que, depois disso, eles voltem para a sala de aula, mais produtivos, mais respeitosos. Não haverá restrições (ao uso), mas é um lugar aonde ir uma, e não cinco vezes ao dia." Para o menino Robel, de 10 anos, "é um bom espaço para relaxar". Ele já foi três vezes ao local, para ler. "Quando há muito barulho ou uma briga na escola, eu posso ir para lá. Ajuda a limpar a minha mente." […]

  • Enem foi usado por mais de 1,2 mil brasileiros para estudar em Portugal
    on 25 de abril de 2018 at 19:06

    A Universidade do Porto, parceira desde março de 2016, tem 316 estudantes brasileiros que foram selecionados a partir das notas do Exame Nacional do Ensino Médio. Brasilera Ana Spinelli registra a frente da Universidade de Coimbra, em Portugal, onde estuda direito. Arquivo pessoal As notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foram utilizadas por mais de 1200 brasileiros para ingressar em instituições de educação superior (IES) portuguesas, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). De acordo com o instituto, é o primeiro levantamento do tipo. Com data de abril de 2018, a pesquisa considerou 23 das 29 instituições portuguesas com as quais há acordos de cooperação firmados. Ainda segundo o Inep, seis instituições ainda não consolidaram os dados de seleção com nota do Enem. A Universidade do Porto tem 316 estudantes brasileiros. Ela é parceira desde março de 2016. Na sequência, a Universidade do Algarve tem 308 estudantes, sendo parceira desde setembro de 2014. Histórico O primeiro acordo foi firmado em 2014. Atualmente, nove instituições portuguesas estão pleiteando assinatura de acordo interinstitucional. Cinco estão em andamento e serão oficializadas em breve, ampliando de 29 para 34 o número de parceiras. São elas: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Universidade Lusíada, Universidade Lusíada – Norte, Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida e Instituto Leonardo da Vinci. […]

  • Advogado enfrenta câncer, decide mudar de carreira e é aprovado em medicina: ‘experiência incrível’
    on 25 de abril de 2018 at 09:00

    Zeus dos Santos enfrentava sessões de quimioterapia quando decidiu mudar de profissão e estudou durante o tratamento. Ele está no segundo ano da nova graduação, na Unicamp. Advogado com câncer decide estudar para medicina durante o tratamento e é aprovado Quando descobriu que estava com um câncer em estágio avançado no sistema linfático, em agosto de 2015, Zeus dos Santos, então com 25 anos, imaginou que enfrentaria uma batalha difícil. O que ele não sabia é que o tratamento contra a doença faria com que ele mudasse não só seu modo de encarar a vida, mas também sua profissão. Então recém-formado em direito pela Universidade de São Paulo (USP), Zeus decidiu que seria médico. “Quero poder ajudar os outros como eles fizeram comigo. Apesar de eu ter sofrido durante o câncer, foi uma experiência incrível. Me curou do mal de ser arrogante, de achar que sou dono de tudo”, contou ele ao G1. Após o diagnóstico, Zeus foi internado no Hospital São Paulo, na capital paulista, e passou por 12 sessões de quimioterapia. “Tive amigos fantásticos, que me ajudaram a não colocar o câncer como sentença de morte. Houve dificuldade em encontrar remédios e eles entraram com ação na Justiça. Foi tudo pesado, terrível. Se o inferno existe, está ali”, relembra. A atitude dos médicos e enfermeiros, segundo ele, foi fundamental para conseguir enfrentar esse seu inferno. O hematologista Otavio Baiocchi acompanhou o tratamento de Zeus. Luiza Tenente/G1 “O tratamento dá uma sensação de fraqueza, de inchaço, de enjoo. Percebi como os enfermeiros eram fundamentais para os pacientes. E vi que só conseguia seguir em frente porque tinha médicos como o doutor Otavio Baiocchi (hematologista e professor da Unifesp), empolgados com o que fazem. Se você está lidando com uma pessoa fragilizada, precisa saber dar força para ela. E eles conseguiam”, diz Zeus. (veja acima vídeo do reencontro de Zeus com o médico) Ele havia acabado de prestar a segunda fase do Exame da Ordem, que permite ao bacharel em direito se tornar advogado. Mas, durante o tratamento, não eram mais os tribunais que o interessavam. Ele queria entrar na faculdade de medicina e mudar de profissão. Em dezembro daquele ano, 2015, prestou a Fuvest, vestibular da USP, e não foi aprovado. Dois meses depois, ainda fazendo quimioterapia, se matriculou em um cursinho em São Paulo. Nas aulas, usava uma máscara hospitalar para evitar contrair alguma doença na aglomeração de alunos da sala de aula. “Enfrentei preconceito. Precisei perder aulas por causa do tratamento. Ninguém entendia o que eu estava fazendo. Pedi para a coordenação me colocar numa sala separada durante os simulados, porque eu estava imunossuprimido (com imunidade baixa), não podia pegar nem uma gripe”, conta. Zeus já havia se formado em direito, mas decidiu cursar medicina. Arquivo pessoal Semana do Enem: sequência de surpresas negativas Até o vestibular, a rotina de Zeus se dividia entre cursinho e hospital, livros e remédios. Na semana do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que seleciona alunos para o ensino superior, ele enfrentou uma sequência de eventos difíceis: a namorada terminou o relacionamento de 4 anos, sua avó morreu na véspera da prova, e ele ainda viu seu pai, ex-dependente químico que já havia sido preso, ser levado para a delegacia sob suspeita de um homicídio. “Saí da delegacia e fui direto para a prova. Meu pai insistiu que eu deveria tentar fazer o exame. Fiquei no banheiro do local de prova por uma hora e meia, chorando. Sabia que, com tudo aquilo, meu desempenho não seria suficiente para ser aprovado em medicina”, conta. Meses depois, vieram as surpresas, desta vez positivas: ele havia sido selecionado para a Universidade Federal de Alfenas, em Minas Gerais, e tinha passado para a segunda fase da Unicamp. Em janeiro, prestou a última prova para tentar uma vaga na universidade de Campinas (SP). “Nunca achei que passaria na faculdade. Até que uma amiga viu meu nome na 4ª lista de aprovados da Unicamp. Não acreditava. Até hoje não consigo entender. Não tenho religião, mas não sei se foi questão de fé. Estudei razoavelmente, mas de uma forma diferente, no meio do tratamento. E sem a pressão que os adolescentes têm quando prestam vestibular”, conta. Atualmente, Zeus está no segundo ano de medicina da Unicamp. A doença está em remissão – ou seja, zerada. Mas só é possível falar em cura após 10 anos. Rotina e família Mesmo estudando em Campinas, a 98 km da capital, o jovem mora em São Paulo com a mãe, professora de escola pública. O curso de medicina é integral, e Zeus trabalha de madrugada com serviços na área do direito para conseguir pagar as despesas da universidade. “Minha mãe se sente culpada por não poder me bancar. Mas ela é uma guerreira”, conta. Zeus comemora aniversário ao lado de sua mãe. Arquivo pessoal Inspiração Zeus ainda não sabe qual especialidade seguirá na medicina, mas inspirações não faltam para ele, que se lembra com carinho do médico e das enfermeiras que o acompanharam durante o tratamento. “Eles não deixaram que eu perdesse meus sonhos. Eu sonhei em um dia estar curado, em fazer direito e agora em ser médico. E vou continuar sonhando para ter esperança e coragem de estar vivo”, diz. […]

  • Robô desenvolvido por alunos da UFU é o único representante brasileiro em competição mundial no Canadá
    on 24 de abril de 2018 at 20:30

    Sakura, como foi nomeada, é de Uberlândia e está entre as nove melhores do mundo. Robocup 2018 é uma competição robótica considerada a Copa do Mundo para robôs. Robô Sakura será único representando brasileiro na Robocup 2018 Rogério Sales Gonçalves/Arquivo Pessoal Um robô construído pela Equipe de Desenvolvimento em Robótica Móvel da Faculdade de Engenharia Mecânica (Edrom), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), representará o Brasil na competição mundial de robótica. Sakura, como foi nomeada, está entre as nove melhores do mundo. O G1 conversou com o professor e tutor do projeto, Rogério Sales Gonçalves, que contou como Sakura foi desenvolvida e quais são as expectativas para a competição. “É importante dizer que antes de Canadá, Sakura já venceu grandes batalhas para estar entre as nove melhores do mundo". O professor destacou ainda que Sakura é o único robô brasileiro a participar da Robocup 2018, competição robótica considerada a Copa do Mundo para robôs que acontecerá entre os dias 16 e 22 de junho, em Montreal, no Canadá. De Uberlândia, quatro alunos irão para o país competir com a Sakura, que é um robô humanoide e está na fase de ajustes finais. Ela competirá na categoria Humanoid League Teen Size e o torneio coloca robôs autônomos construídos para jogar partidas de futebol. “Nós temos as melhores expectativas possíveis para esta competição, de chegar à final e até mesmo ganhar a competição. Estamos ensinado Sakura a andar, fazendo a implementação dos movimentos para ela jogar. Ela é um robô autônomo, com inteligência artificial, e deve ter movimentos similares aos dos humanos”. Quando o professor se refere a robô autônomo, quer dizer que ele define os próprios movimentos, sem a necessidade de controle remoto para controlá-lo na partida. Rogério também explicou sobre a escolha do nome do robô que representará o Brasil. “Na equipe temos mais mulheres que homens, então é uma brincadeira nossa, que todo robô que criarmos será uma menina, e com a Sakura não foi diferente”. O robô está sendo desenvolvido por cerca de 13 alunos e orientado pelo professor há cerca de um ano. Rogério afirmou ainda que a pretensão da equipe é ter um time de robôs humanoides até 2050. Custo Robô foi apresentado para a Prefeitura na última semana Prefeitura de Uberlândia/Divulgação A construção de um robô humanoide pode chegar até R$ 100 mil, como é o caso de Sakura por se tratar de um material importado com custo alto. O projeto é custeado por recursos da universidade e na última semana a Prefeitura de Uberlândia passou a apoiar o projeto como estímulo às iniciativas de inovação e tecnologia na cidade. Também conta com o auxílio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e de patrocínio de empresas de tecnologia. Robocup A Robocup 2018 Montreal, organizada pela Robocup Federation, é uma iniciativa científica e tem como objetivo promover avanços na arte da inteligência robótica. Quando foi fundada, em 1997, a missão original era criar um time de robôs capaz de ganhar uma partida de futebol contra o time de humanos campeões da Copa do Mundo de 2050. Hoje, a federação continua mantendo esse sonho, porém reconhece que é necessário que as tecnologias em inteligência artificial demandem muita dedicação, pesquisa e trabalho. Na competição desse ano, participarão 35 países, envolvendo aproximadamente 4000 humanos e 5000 robôs no evento. […]

  • Encceja Nacional 2018 já passou de um milhão de inscritos; prazo termina nesta sexta
    on 24 de abril de 2018 at 16:38

    Às 10h desta terça-feira, o sistema registrava 1.021.233 candidatos inscritos; as provas serão aplicadas em 5 de agosto. Inscrição do Encceja 2018 é feita no site do Inep até a próxima sexta-feira Reprodução A edição de 2018 do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja Nacional) já passou a marca de um milhão de inscritos. Segundo balanço parcial divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), até as 10h desta terça-feira (24) o sistema registrava 1.021.233 candidatos inscritos. As inscrições terminam às 23h59 desta sexta (27) pelo endereço http://enccejanacional.inep.gov.br/encceja, e as provas estão marcadas para 5 de agosto. A partir da próxima segunda (30) e até 4 de maio os candidatos inscritos poderão solicitar o atendimento por nome social. O Encceja é indicado para quem não concluiu os estudos no tempo regular poder tirar o certificado de conclusão do ensino fundamental ou do ensino médio. Quem pode fazer o Encceja? Quem tiver pelo menos 15 anos completos na data do exame (5 de agosto) pode se inscrever para o Encceja do ensino fundamental. Já quem quer o certificado do ensino médio na idade regular precisa ter pelo menos 18 anos completos. As inscrições são gratuitas e, dependendo da nota dos candidatos em cada uma das provas objetivas e da redação, será possível tirar o certificado de conclusão ou uma declaração parcial de proficiência em uma ou mais provas. Confira o passo-a-passo do processo de inscrições do Encceja produzido pelo Inep. Calendário do Encceja 2018 O Encceja Nacional terá provas em 5 de agosto e o Encceja Exterior, em 16 de setembro. As edições direcionadas a adultos submetidos a penas privativas de liberdade e adolescentes sob medidas socioeducativas que incluam privação de liberdade (PPL) serão realizadas em setembro. Enquanto o Encceja Exterior PPL terá as provas aplicadas entre 17 e 21, o Encceja Nacional PPL será realizado em 18 e 19. […]

  • Servidores da UnB entram em greve; reitoria continua ocupada por alunos
    on 24 de abril de 2018 at 16:21

    Concursados e terceirizados pedem que universidade evite demissões. Estudantes e professores também vão votar paralisação. Técnicos-administrativos da UnB ocupando a entrada da reitoria da UnB em 2016 Vanessa Galassi/Sintfub Os servidores públicos e os funcionários terceirizados da Universidade de Brasília (UnB) entraram em greve por tempo indeterminado após decisão tomada em assembleia nesta terça-feira (24). O motivo é a ameaça de demissões de terceirizados devido à grave crise financeira alegada pela reitoria da instituição. Segundo o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), Maurício Sabino, "todos os serviços da universidade devem ser paralisados", tais como portaria, limpeza e emissão de documentos pela área administrativa. Ele afirmou que cada categoria vai manter as atividades com o mínimo de funcionários determinado por lei – a quantidade de servidores ainda será definida pelo comando de greve. Alunos e professores da UnB vão se reunir para definir a adesão à paralisação. Enquanto isso, a ocupação da reitoria, que começou em 12 de abril, ainda não tem data para ser encerrada. Em nota enviada ao G1, a reitoria da universidade disse que "ainda não foi comunicada oficialmente sobre a decisão das categorias". "A UnB respeita a atuação das entidades representativas, que têm autonomia para definir suas estratégias de mobilização", prosseguiu. Reitoria da UnB fechada por estudantes durante ocupação TV Globo/Reprodução Previsão de manifestações Sabino disse que a universidade aceitou a proposta do Sintfub de tentar remodelar os contratos de terceirização – assim, a UnB evitaria demissões. Para isso, a reitoria faria reuniões ténicas com as empresas e os terceirizados para avaliar os documentos. Uma dessas reuniões está marcada para a tarde desta terça (24). A próxima assembleia dos trabalhadores foi agendada para a quinta (26). Para o coordenador do Sintfub, essas dispensas podem paralisar as atividades da universidade. Segundo ele, a previsão é de que a baixa seja de 49% na área da limpeza. “A ameaça de demissão é ampla, cobre todo os serviços terceirizados nas áreas de portaria, vigilância, limpeza. Isso leva a crer que a universidade vai ficar muito afetada, vai sofrer impacto no funcionamento”, disse. Além disso, a universidade agendou para 30 de maio desligamento de todos os estagiários remunerados do quadro funcional – o prazo foi adiado em um mês em relação à promessa inicial. Eles trabalham em atividades administrativas, na Biblioteca Central e na UnB TV, entre outros setores. Com a medida, mais de 1.100 estagiários devem ser liberados. Estudantes, servidores e gestores da UnB durante mesa pública sobre orçamento Marília Marques/G1 Crise na UnB No último dia 12, a reitoria da UnB foi ocupada por cerca de 500 alunos que protestavam contra a crise financeira que a universidade enfrenta. O grupo afirmou que a queda no orçamento foi causada, entre outras razões, pela PEC 55, que limita os gastos federais à inflação do ano anterior. A universidade alegou que, dos R$ 168 milhões arrecadados com aluguel de imóveis próprios, entre outras receitas, apenas R$ 110 milhões podem ser utilizados. O restante do dinheiro iria diretamente para os cofres da União. Por isso, foram tomadas medidas de austeridade como aumento dos preços do Restaurante Universitário e demissão de estagiários. Aula em anfiteatro da Universidade de Brasília (UnB) Isa Lima/UnB Agência Já o Ministério da Educação afirmou que o orçamento da UnB subiu de R$ 1,66 bilhão em 2017 para R$ 1,73 bilhão em 2018, e que a administração da universidade deveria otimizar os recursos recebidos. O MEC foi convidado a participar de uma reunião com a comunidade acadêmica na última quinta-feira, mas não compareceu. Leia mais notícias sobre a região no G1 DF. […]

  • Taxa de atendimento em creches no Sul e Sudeste é o triplo da registrada na Região Norte
    on 24 de abril de 2018 at 09:01

    Estudo divulgado nesta terça-feira (24) pela Fundação Abrinq mostra dados sobre a situação das crianças e adolescentes no Brasil nas áreas de educação, saúde e acesso a direitos básicos. Criança colore desenho em creche Reprodução A oferta de vagas em creches para crianças de zero a três anos segue desigual no país, segundo mostram dados da edição de 2018 do Cenário da Infância e da Adolescência no Brasil. A publicação foi divulgada pela Fundação Abrinq nesta terça-feira (24). Os dados integram o site Observatório da Criança e do Adolescente, mantido pela fundação. As mães que moram na Região Norte do país são as mais prejudicadas pela falta de acesso à creche: em 2016, só 10% das crianças nessa faixa etária estão matriculadas em creches, de acordo com um cruzamento de dados mais recentes do Ministério da Educação sobre as matrículas e das estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já nas regiões Sudeste e Sul, essa taxa de atendimento é três vezes mais alta, de 36,4% e 36,3%, respectivamente. Compare no gráfico abaixo: No total, o Brasil tinha 65.249 creches em 2016, segundo dados do MEC apresentados no estudo da Fundação Abrinq. Dessas, 38.162 são públicas e 48.482, ou 74,3% do total, estão localizadas nas regiões Nordeste e Sudeste. Infra-estrutura A desigualdade regional na educação infantil também afeta a infra-estrutura das creches. Segundo os números do estudo, em 2016, 1.442 creches não tinham acesso a esgoto, sendo que 1.404 delas (97,4%) ficam no Nordeste e no Norte. Em 1.907 não havia abastecimento de água e, em 491, o local não tinha energia elétrica. Também nos dois casos a falta de infra-estrutura acontecia majoritariamente nas regiões Nordeste e Norte, que respondem por 98,8% das creches sem água e 99,2% das creches sem luz. Metas do Brasil e da ONU O acompanhamento da construção de creches e da expansão de vagas para a educação infantil é feita pela sociedade civil organizada, por órgãos de controle dos governos federal, estaduais e municipais e pela Organização das Nações Unidas (ONU), que desenvolveu a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, com metas para a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades e dos impactos das mudanças climáticas, além de promover a paz e segurança. Um dos 17 objetivos da agenda é "assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos". Já no Brasil, os governos precisam cumprir metas mais específicas, determinadas no Plano Nacional de Educação (PNE) aprovado em 2014. A meta nacional é que, até 2024, 50% das crianças de zero a três anos estejam matriculadas na creche. Apesar de o país estar expandindo o número de matrículas ano a ano, ele ainda está longe da meta, e o crescimento esbarra em obstáculos como a redução de investimentos tanto para a construção como para a manutenção de creches. Levantamento feito pelo G1 com dados do Siop, o sistema do orçamento público federal, mostram que, entre 2016 e 2017, a verba do Brasil Carinhoso, o programa do governo federal para ajudar os municípios a manter crianças pobres de 0 a 48 meses em creches, caiu 90%, de R$ 642 para R$ 6,5 milhões. Creche no bairro Novo Horizonte, em Macapá: construção terminou em 2016, mas até março os governos locais não tinham previsão de quando ela começaria a funcionar Rita Torrinha/G1 Um dos resultados é o atraso na inauguração de creches que já estão prontas, mas precisam de outros gastos, como o pagamento de funcionários. Duas creches na região de Macapá que ficaram prontas em 2016, por exemplo, ainda não têm data para começarem a funcionar. Pobreza, saúde e trabalho infantil O estudo da Fundação Abrinq também mostra que, de todos os bebês que nasceram no Brasil em 2016, 17,5% são filhos de mães adolescentes, com até 19 anos, e quase um terço de todas as mulheres que deram à luz naquele ano não tiveram acesso a consultas de pré-natal. O acesso inadequado ao pré-natal chegou a atingir 40% das mães que vivem no Nordeste. No total do país, a taxa de mortalidade infantil foi de 12,7%. O Brasil tem 17,3 milhões de crianças e adolescentes com idades entre zero e 14 anos, diz a Abrinq, e 40,2% delas estavam em situação domiciliar de pobreza em 2016. Um total de 5,8 milhões deles vivem em famílias com renda per capita menos que um quarto do salário-mínimo e 4 milhões de crianças e adolescentes moram em favelas. A taxa de trabalho infantil no Brasil ficou em 6,4% naquele ano, de acordo com os dados, e 18,6% dos alunos no ensino fundamental estavam matriculados em séries não condizentes com sua idade – essa taxa sobe para 28%, considerando as matrículas no ensino médio. Compare no gráfico abaixo: […]

  • Resultado do pedido de isenção de taxa do Enem é divulgado; 33 mil solicitaram no AP
    on 23 de abril de 2018 at 22:39

    Candidatos oriundos do último ano do ensino médio e em situação de vulnerabilidade social poderiam solicitar abatimento da taxa de R$ 82. Inscrições para o exame iniciam em 7 de maio. No Amapá, 33.348 pessoas solicitaram não pagar a taxa de R$ 82 Rita Torrinha/G1 Foi disponibilizado nesta segunda-feira (23) o resultado dos pedidos de isenção da taxa de participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2018). No Amapá, 33.348 pessoas solicitaram não pagar a taxa de R$ 82. Para verificar se houve a concessão, é necessário acessar a Página do Participante e logar no sistema do Enem com CPF e senha. Esse é o primeiro ano em que os candidatos com direito à isenção precisam garantir o benefício antes do período de inscrições. Entre os que podiam solicitar, estavam alunos que cursam em 2018 a última série do ensino médio e aqueles que estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Independente do período para isenção, os candidatos com solicitação aprovada terão que fazer a inscrição do exame entre os dias 7 e 18 de maio, informou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Quem solicitou a isenção, mas não conseguiu, tem até domingo (29) para apresentar recurso, anexar novos documentos (veja quais são) e provar que precisa. Os recursos serão divulgados em 5 de maio. Calendário do Enem 2018 Veja as próximas datas da realização do exame: 23 a 29 de abril: intervalo para apresentar novos documentos, caso o pedido de isenção seja negado 7 a 18 de maio: inscrições do Enem (para todos os candidatos, isentos ou não) 4 e 11 de novembro: provas do Enem 2018 Página do Participante onde candidato terá informações sobre a isenção Reprodução/Rede Amazônica Tem alguma notícia para compartilhar? Envie para o Tô Na Rede! […]

  • Enem 2018: resultado do pedido de isenção da taxa de inscrição é divulgado
    on 23 de abril de 2018 at 13:11

    Mesmo os contemplados precisam se inscrever para o exame entre os dias 7 e 18 de maio. Enem 2018: resultado do pedido de isenção da taxa foi divulgado Reprodução/ MEC O resultado dos pedidos de isenção da taxa da edição deste ano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2018) foi divulgado na manhã desta segunda-feira (23). Para verificar se teve a solicitação deferida ou não, o candidato precisa acessar a Página do Participante e logar no sistema do Enem com CPF e senha. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 87% das 3.818.663 solicitações foram aprovadas, garantindo a 3.318.149 pessoas o direito de não pagar inscrição. Esse número pode subir após o período de recursos, também aberto na manhã desta segunda-feira. As 500.513 pessoas que tiveram a solicitação de isenção ou a justificativa de ausência reprovadas terão direito a entrar com recursos entre até as 23h59 (horário de Brasília) deste domingo (29). O resultado do recurso será divulgado em 5 de maio. Veja quais os documentos aceitos para os recursos da solicitação de isenção. Todos os interessados em fazer o Enem, com solicitações aprovadas ou não, deverão fazer a inscrição entre 7 e 18 de maio. A taxa custará R$ 82. Esse é o primeiro ano em que os candidatos com direito à isenção precisam garantir o benefício antes do período de inscrições. Recurso de justificativa de ausência O Inep divulgou também nesta segunda o resultado da justificativa de ausência para aqueles tiveram a isenção no ano passado, não compareceram aos dois dias de prova e pleiteavam nova isenção. Das 208.588 pessoas que acessaram o sistema para justificar ausência no Enem 2017, apenas 8.486 apresentaram alguma documentação, segundo o Inep. As demais 200.102 pessoas afirmaram não ter documentos comprobatórios. Das 8.486 justificativas com documentos, 4.141 foram reprovadas. Somando aqueles que não apresentaram documentos e aqueles que tiveram os documentos reprovados, 204.243 pessoas terão uma segunda chance de apresentar os comprovantes durante o período de recursos. Os documentos são os mesmos exigidos no prazo regular (veja quais são). O resultado do recurso será divulgado em 5 de maio. Quem tem direito à isenção? Estão isentos aqueles que: estão cursando a última série do Ensino Médio, em 2018, em escola da rede pública declarada ao Censo Escolar; fizeram todo o ensino médio em escola da rede pública ou como bolsistas integrais na rede privada, e têm renda, por pessoa, igual ou menor que um salário mínimo e meio (R$ 1.431); estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica por serem integrantes de família de baixa renda e que possuam Número de Identificação Social (NIS), único e válido, e renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo (R$ 477) ou renda familiar mensal de até três salários mínimos (R$ 2.862); fizeram o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2017 e atingiram nota mínima para certificação. Calendário do Enem 2018 Veja as próximas datas da realização do exame: 23 a 29 de abril: intervalo para apresentar novos documentos, caso o pedido de isenção seja negado 7 a 18 de maio: inscrições do Enem (para todos os candidatos, isentos ou não) 4 e 11 de novembro: provas do Enem 2018 […]

  • Kroton fecha compra da Somos Educação por R$ 4,6 bilhões
    on 23 de abril de 2018 at 12:41

    Somos é dona do Anglo, Ática, Saraiva e Scipione, e se diz maior grupo de educação básica do país. Com aquisição, Kroton faz sua 2ª compra no segmento de educação básica. A Kroton Educacional, líder no setor de educação superior privada no Brasil, fechou a compra do controle da Somos Educação, da Tarpon Gestora de Recursos, por R$ 4,6 bilhões, em sua segunda aquisição no segmento de educação básica em menos de um mês. A Somos Educação, antiga "Abril Educação", se anuncia como "o maior grupo de educação básica do Brasil" com escolas próprias, cursos pré-vestibulares e idiomas, além de sistemas de ensino e livros. É dona das editoras Ática, Scipione e Saraiva, do Anglo, da escola de inglês Red Ballon, entre outros negócios. Colégio Anglo em Itapetininga; rede é da Somos Educação e se juntará à Abril Educação Caio Gomes Silveira/G1 A compra foi realizada por meio da holding Saber, subsidiária de educação básica da Kroton, enquanto a parte vendedora inclui fundos de investimentos geridos pela Tarpon, que detém atualmente 73,35% das ações da Somos. A aquisição da Somos representa um avanço da Kroton no setor de educação básica após veto do Cade à tentativa de fusão com a Estácio, vice líder no mercado de ensino superior, em operação avaliada em R$ 5,5 bilhões. Com isso, a Kroton passou a mirar outros empresas e segmentos. Mesmo após a compra da líder no setor, o presidente da Kroton, Rodrigo Galindo, disse que a companhia vai continuar a comprar escolas menores e locais. Segundo ele, há ao menos duas aquisições para anunciar ainda este ano. Kroton mantém plano de comprar escolas menores Somos e Saber devem unir negócios Kroton compra Somos Educação_V4 Infográfico: Karina Almeida/G1 A união dos negócios da Saber e da Somos reunirá uma companhia com 3.451 escolas próprias e parceiras, segundo as empresas. Veja alguns números da nova empresa formada por Saber e Somos, segundo comunicado da Saber: 37 mil alunos em escolas próprias; 1,2 milhão de alunos em escolas particulares parceiras; 33 milhões de alunos de escolas públicas por meio do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático); 25 mil alunos em cursos de idiomas; 95 mil profissionais no ensino privado e 1,7 milhão de professores da rede pública usuários de produtos e serviços da Saber. Avanço do Kroton na educação básica Os atuais negócios de educação básica da Kroton englobam os sistemas de ensino Rede Pitágoras, Rede Educação e Valores (RCE) e Rede Cristã de Educação, o Colégio Pitágoras de Belo Horizonte e a operação de escolas sob a modalidade de contratos. No dia 10, a companhia anunciou a compra do Centro Educacional Leonardo Da Vinci, em Vitória (ES), por valor não divulgado, como parte dos planos de entrada no segmento. Na apresentação da operação divulgada nesta segunda, a Kroton destaca que o mercado de educação básica no Brasil é 83% maior que o de ensino superior. A Kroton avalia que o mercado da educação básica movimenta R$ 101 bilhões (R$ 96 bilhões em mensalidades e R$ 5 bilhões em livros didáticos). Segundo a companhia, após a conclusão da aquisição da Somos, a educação básica representará cerca de 28% da receita da Kroton. Candidatos começam a entrar para 1º dia de prova do Enem na universidade Anhanguera-Uniderp em Campo Grande Gabriela Pavão/G1 MS A Kroton, dona das faculdades Anhanguera e Unopar e do colégio Pitágoras, fechou o ano de 2017 com 876,1 mil alunos matriculados em seus cursos de Ensino Superior - 383 mil em cursos presenciais e 493 em cursos de ensino à distância. A companhia fechou 2017 com lucro líquido de R$ 2,23 bilhões. Em valor de mercado, a Kroton estava avaliada no fechamento do pregão da última sexta-feira em R$ 22,14 bilhões, segundo a Economatica. Detalhes financeiros A Somos informou que, do total, R$ 4,166 bilhões serão pagos à vista na data de fechamento do negócio. O restante será mantido em conta vinculada para garantir pagamento de determinadas obrigações de indenização assumidas pelos vendedores. O valor representa um prêmio de 66% em relação ao preço de fechamento das ações da Somos na sexta-feira (20), de R$ 14,30. Segundo dados da Economatica, a Somos estava avaliada na B3 em R$ 3,71 bilhões, segundo cotação de fechamento da última sexta-feira (20). Em até 30 dias após a aprovação da compra pelo Cade, a Kroton precisará fazer uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) aos acionistas minoritários da Somos, com as mesmas condições ofereciadas aos fundos detidos pela Tarpon. Após essa operação, o valor do negócio deve chegar a R$ 6,2 bilhões, segundo Rodrigo Galindo, presidente da Kroton. A transação deve ser financiada com empréstimo direto e também emissão de debêntures, de acordo com a empresa. "A Kroton tem R$ 1,7 bilhão de caixa líquido e boa capacidade de alavancagem. O acesso ao crédito será fácil", disse Galindo. Ele emendou que o endividamento líquido da empresa deve ficar em duas vezes o potencial de geração de caixa (Ebitda) após a conclusão do negócio. Após a conclusão da operação, a Kroton informou que avaliará o fechamento de capital da Saber e "eventual reorganização societária na Somos". As empresas estimam sinergias e ganhos de eficiência de cerca de R$ 300 milhões a serem capturadas em até 4 anos. Em comunicado separado, a Tarpon disse que a operação envolve 192.275.458 ações da Somos Educação, ao preço individual de R$ 23,75. Por volta das 11h05, as ações da Kroton subiam 3,63% na B3, enquanto que as da Somos (que não fazem parte do Ibovespa) disparavam 47,9%. Negócio precisa do aval do Cade Segundo o presidente-executivo da Kroton, a negociação com os controladores da Somos começou somente na sexta-feira (20). A operação está sujeita a determinadas condições, inclusive a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). * Com Reuters […]

  • Mulher barrada em escola por não ter braços desafia obstáculos e se torna professora
    on 23 de abril de 2018 at 11:57

    Tailandesa Patcharamon Sawana usa os pés para escrever no quadro negro e ensinar os alunos. A professora tailandesa Patcharamon Sawana escreve com os pés Reprodução BBC A cada começo de ano, os novos alunos da professora tailandesa Patcharamon Sawana costumam se surpreender em sala de aula. VEJA O VÍDEO Ela não tem braços e escreve no quadro negro com os dedos do pé. Mas não é só isso que impressiona. Patcharamon só começou a cursar a escola quando tinha 20 anos. Durante sua infância, nenhum colégio de sua província queria aceitá-la. Ela só pôde estudar após uma lei permitir o acesso de pessoas com deficiência a escolas comuns. "Ainda me lembro do meu primeiro dia de trabalho. Meus alunos ficaram espantados em me ver usando meu pé para escrever no quadro negro", diz. Ambiciosa, Patcharamon não parou de estudar - ela acabou de se formar em Direito. "Hoje, estou fazendo um exame de habilitação que me permitirá trabalhar na profissão", diz ela. "Quero poder pagar minhas contas sendo advogada para sustentar minha família e ensinar os outros", acrescenta. Os estudos permitiram expandir os horizontes de Patcharamon. "Não queria que os outros ditassem o que eu poderia ou não poderia fazer porque sou deficiente", diz. "Quero romper com a norma social que os outros criaram para quem tem algum tipo de deficiência", conclui. A professora tailandesa Patcharamon Sawana Reprodução BBC […]

  • Candidatos do Enem 2018 que fizeram pedido de isenção da taxa poderão checar resultado a partir das 10h, diz Inep
    on 23 de abril de 2018 at 08:00

    Segundo o Inep, 3,8 milhões de candidatos pediram a isenção da taxa de inscrição de R$ 82; quem tiver o pedido negado terá até o dia 29 para apresentar novos documentos e garantir o benefício. Enem 2018: tela 1 do pedido de isenção Reprodução/ Inep O resultado dos pedidos de isenção da taxa da edição deste ano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2018) será divulgado às 10h desta segunda-feira (23). A informação foi confirmada na tarde desta sexta-feira (20) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Esse é o primeiro ano em que os candidatos com direito à isenção precisam garantir o benefício antes do período de inscrições. Segundo o Inep, 3.818.663 enviaram o pedido de isenção da taxa de inscrição, que é de R$ 82, dentro do prazo, entre 2 e 15 de abril. Os candidatos que tiverem o pedido negado terão entre esta segunda e o próximo domingo (29) para apresentar novos documentos e garantir o direito. As inscrições do Enem para todos os candidatos, inclusive quem pediu isenção, e independentemente de ter o pedido aceito ou não, precisarão fazer a inscrição no Enem 2018 entre os dias 7 e 18 de maio. Quem tem direito à isenção? Estão isentos aqueles que: estão cursando a última série do Ensino Médio, em 2018, em escola da rede pública declarada ao Censo Escolar; fizeram todo o ensino médio em escola da rede pública ou como bolsistas integrais na rede privada, e têm renda, por pessoa, igual ou menor que um salário mínimo e meio (R$ 1.431); estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica por serem integrantes de família de baixa renda e que possuam Número de Identificação Social (NIS), único e válido, e renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo (R$ 477) ou renda familiar mensal de até três salários mínimos (R$ 2.862); fizeram o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2017 e atingiram nota mínima para certificação. Calendário do Enem 2018 Veja as próximas datas da realização do exame: 23 de abril: resultados dos pedidos de isenção 23 a 29 de abril: intervalo para apresentar novos documentos, caso o pedido de isenção seja negado 7 a 18 de maio: inscrições do Enem (para todos os candidatos, isentos ou não) 4 e 11 de novembro: provas do Enem 2018 […]

  • Reino Unido faz campanha para proteger crianças do uso de redes sociais
    on 22 de abril de 2018 at 11:55

    Ministro da saúde publicou carta em jornal dirigida a Facebook, Twitter, Instagram e Snapchat, dizendo que eles fazem 'vista grossa' quando ao impacto que provocam. O ministro da Saúde do Reino Unido, Jeremy Hunt, em imagem de 27 de junho de 2017 Stefan Wermuth/Arquivo/Reuters O Reino Unido procura proteger os menores do uso de redes sociais e, para isso, o ministro de Saúde britânico, Jeremy Hunt, afirmou neste domingo (22) que o governo não hesitará em endurecer as leis se essas plataformas não não for feito algo a respeito. O ministro publicou uma carta no jornal britânico "The Sunday Times" dirigida a Facebook, Twitter, Instagram e Snapchat, na qual os acusou de "fazer vista grossa" quanto ao impacto que o uso tem sobre as crianças. Hunt deu um prazo de um mês para que informem sobre as medidas tomarão para proteger os menores ou, caso contrário, antecipou que o ministro de Cultura, Meios de Comunicação e Esportes, Matthew Hancock, está considerando endurecer a legislação. "Me preocupa que suas empresas pareçam satisfeitas com uma situação na qual milhares de usuários descumprem seus próprios termos e condições quanto à idade mínima de acesso", escreveu o responsável da pasta de Saúde. "Temo que estejam fazendo vista grossa com toda uma geração de crianças que estão expostos aos daninhos efeitos secundários emocionais das redes sociais de forma prematura", acrescentou. Algo que qualificou de "moralmente incorreto" e "profundamente injusto para os pais" que têm de enfrentar a desagradável "escolha" de permitir que as crianças utilizem "plataformas às quais são muitos jovens para acessar" ou "excluí-las da interação social que frequentemente estão tendo a maioria de seus companheiros". Atualmente, a idade mínima para acessar o Facebook, Instagram, Twitter e Snapchat é de 13 anos, ainda que esta última conta com uma versão para menores de 13. "Estou preocupado com os meus filhos, de 3, 6 e 7 anos, porque a excessiva dependência das redes sociais está sendo normalizada", lamentou o político, que pediu que as autoridades revisem o impacto destas tecnologias na saúde mental dos jovens. A presidente do Real Colégio de Psiquiatras do Reino Unido, Wendy Burn, concordou com o ministro ao considerar que "o autoregulamento" das redes sociais neste terreno "fracassou". Por sua vez, o diretor de políticas do Facebook, Karim Palant, manifestou que seu grupo dá "as boas-vindas ao compromisso do ministro de Saúde" e assegurou que "compartilha sua ambição de criar um ambiente seguro e de apoio para os jovens 'on-line'". Na semana que vem, o ministro de Cultura, Meios de Comunicação e Esportes se reunirá com 17 representantes das redes sociais mais populares entre os menores de 18 anos, entre elas, Facebook, Google, Instagram, Snapchat, YouTube, Twitter, AskFM, Tumblr e Pinterest, para abordar este assunto. "Se não pudermos confiar em suas políticas, deveremos tomar a ação e não duvidaremos em endurecer a lei", afirmou Hancock. Este debate ocorre após o escândalo que envolveu o Facebook, ao ser revelada a filtragem de dados de milhões de usuários da rede social. […]

  • Vestibulares de meio de ano em SP têm inscrições abertas; veja calendário
    on 22 de abril de 2018 at 10:00

    Além das universidades privadas, Fatec oferece vagas para mais de 70 cursos.  Começam as inscrições para os vestibulares de inverno em Sâo Paulo. Divulgação/Fatec Os candidatos que vão fazer vestibular para o segundo semestre nas universidades paulistas devem ficar atentos porque a temporada de inscrições já começou. Além das faculdades particulares, como Mackenzie e ESPM, também estão abertas as inscrições para as Fatecs, que vai oferecer vagas para 74 cursos. Confira o calendário: ESPM Inscrições: até 25 de maio Taxa: R$ 120 Prova: 27 de maio Cursos: administração, ciências sociais e do consumo, design, jornalismo, publicidade e propaganda, relações internacionais e desenvolvimento de sistemas e tecnologias. Mais informações Mackenzie Inscrições: até 25 de maio Taxa: R$ 100 Prova: 06 de junho Cursos: administração, arquitetura e urbanismo, ciências biológicas, ciências contábeis, ciências da computação, ciências econômicas, design, direito, engenharia civil, engenharia de materiais, engenharia de produção, engenharia elétrica, engenharia mecânica, farmácia, fisioterapia, jornalismo, letras, nutrição, pedagogia, psicologia, publicidade e propaganda, química, sistemas de informação, tecnologia em análise e desenvolvimento de sistemas, tecnologia em gastronomia, tecnologia em jogos digitais, teologia. Mais informações FAAP Inscrições: até 08 de junho Taxa: R$ 170 Prova: 10 de junho Cursos: engenharia civil, engenharia de produção, administração, economia, relações internacionais, rádio e TV, cinema, animação, relações públicas, publicidade e propaganda, jornalismo, artes visuais, design gráfico, produção cultural, moda, arquitetura, direito. Mais informações Belas Artes Inscrições: até 4 de junho Taxa: R$ 70 (até 7/05) e R$ 100 (de 8/05 a 4/06) Prova: 9 de junho Cursos: arquitetura e urbanismo, artes cênicas, artes visuais, desenho de animação, design de games, design de interiores, design de moda, design de produtos, design gráfico, fotografia, jornalismo, mídias sociais digitais, produção fonográfica, publicidade e propagando, rádio e TV, relações internacionais, relações públicas. Mais informações FGV Inscrições: até 5 de maio Taxa: R$ 150 Prova: 20 de maio Cursos: administração de empresas e administração pública Mais informações Senac Inscrições: até 10 de junho Taxa: R$ 50 Prova: 24 de junho Cursos: administração de empresas, análise e desenvolvimento de sistemas, arquitetura e urbanismo, audiovisual, ciências contábeis, design de animação, design gráfico, educação física, estética e cosmética, fotografia, gastronomia, gestão comercial, gestão da tecnologia da informação, gestão de recursos humanos, gestão financeira, hotelaria, jogos digitais, logística, marketing, produção multimídia, publicidade e propaganda, radiologia, redes de computadores, sistemas de informação. Mais informações Fatec Inscrições: até 8 de junho Taxa: R$ 64,80 Prova: 01 de junho Cursos e mais informações […]

  • Professor usa fake news para ensinar ciência na escola
    on 21 de abril de 2018 at 12:57

    Em Ourinhos (SP), projeto com coleta de notícias falsas levanta debate sobre como buscar fontes confiáveis para checar fatos antes de compartilhá-los. Alunos de Ourinhos (SP) estão levantando notícias de cunho duvidoso para serem analisadas com base em métodos científicos Arquivo pessoal/ Estêvão Zilioli Alvo de debate ao redor do mundo por seu possível impacto na democracia, as fake news - notícias inventadas geralmente com o objetivo de viralizar na internet e influenciar consumidores e eleitores - têm sido usadas em uma escola particular do interior paulista para ensinar pensamento crítico e pesquisa científica. A iniciativa é do professor de ciências Estêvão Zilioli, de Ourinhos (a 360 km de São Paulo), que desenvolveu um curso semanal voluntário no contraturno para alunos do ensino médio. Os próprios estudantes buscam as notícias de cunho duvidoso para análise em sala de aula. A ideia é que eles próprios se perguntem: essa notícia tem fontes e dados confiáveis? Merece ser acreditada - e compartilhada? "Eles trazem as notícias das quais ficam desconfiados. Começamos com notícias de ciências e saúde, mas os alunos se interessaram também por notícias de entretenimento e política, por estarmos em um ano eleitoral", conta Zilioli à BBC Brasil. "O método de checagem é o mesmo para todas: buscar informações de fontes confiáveis. Estou falando de método científico, de busca de informações seguras que possam ser demonstradas, até para eles entenderem que não é simples provar as coisas." A aula se centra em discutir as notícias e em encontrar formas de checar as informações online - buscando as fontes originais dos fatos ou pesquisando em artigos acadêmicos, periódicos científicos, IBGE e sites de tribunais eleitorais, por exemplo. Entre as notícias já analisadas, estão: Uma de que frutas ingeridas em jejum curam câncer, que os alunos perceberam que não tinha fontes seguras para garantir a afirmação do título; A de uma mãe que teria aplicado botox na filha pequena (os jovens foram atrás das imagens da mãe, que é participante de um reality show nos EUA, e estão tentando tirar suas próprias conclusões pelos vídeos); Uma do cientista Stephen Hawking, morto em março, falando sobre vida extraterrestre (os alunos descobriram que a notícia em si não era falsa, mas tinha um título exagerado); Uma de que o juiz Sergio Moro seria orador em cerimônia de universidade americana, a qual, apesar de ter algumas informações verdadeiras, trazia declarações falsamente atribuídas a um pesquisador da instituição; Uma sobre terraplanismo, difícil de ser analisada justamente por colocar em xeque premissas científicas. Alunos vão compilar notícias em um site - 'Hoax Busters', ou 'Caça-boatos' - com um termômetro indicando o grau de veracidade Arquivo pessoal/ Estêvão Zilioli As nuances das notícias têm sido úteis para os alunos entenderem a categorizá-las, diz Zilioli. "Vimos que há notícias falsas, mas também as que são baseadas em fatos verdadeiros, porém com títulos exagerados ou sensacionalistas", explica o professor, notando uma mudança no comportamento dos estudantes. "Eles já estão mais treinados a ver o que é falso ou não do que recebem do grupo da família (no WhatsApp) e pensam duas vezes antes de acreditar. Antes, se uma matéria era compartilhada muitas vezes, eles achavam que necessariamente era real. Agora, estão percebendo que esse critério numérico não vale. E mesmo que eles percebam logo de cara que a notícia é fake, têm de confirmar isso com a metodologia." A ideia fez o professor ser selecionado para o projeto Inovadores, do Google, que o ajudou a idealizar um site - batizado pelos alunos de Ourinhos de HoaxBusters, ou Caça-boatos -, que terá uma espécie de "termômetro" para identificar o quanto cada notícia analisada tem de veracidade. As aulas vêm ajudando a estudante Giovana Domiciano Sanches, 16, a identificar notícias falsas que circulam nos grupos virtuais nas e redes sociais. "Algumas são notícias velhas - quando vamos checar as datas e horários, vemos que tem gente que posta links de 2013, por exemplo", conta Giovana à BBC Brasil. "Pensando em como o mundo avançou, com os meios de comunicação e a eleição do (presidente americano Donald) Trump, é importante para a gente saber como verificar as informações e compartilhar só depois de ver o conteúdo na íntegra, não só pelas chamadas." […]

  • Série de reportagens do RJTV mostra o impacto da crise nas escolas estaduais do Rio
    on 20 de abril de 2018 at 23:58

    Três reportagens mostraram problemas como abandono estrutural e falta de professores. O RJTV publicou essa semana uma série de três reportagens sobre os impactos da crise que o Rio de Janeiro passa sobre as escolas estaduais. Confira, abaixo, os três capítulos: Problemas na rede estadual deixam alunos sem escola no Rio Problemas na rede estadual deixam alunos sem escola no Rio Cerca de 200 escolas tiveram fechamentos de turnos e turmas entre 2016 e 2017. Só no ensino médio, 110 mil matrículas foram extintas em dez anos. No mesmo período, a rede estadual perdeu 384 escolas. Pelo menos 30 estão completamente abandonadas Mais da metade das escolas estaduais do Rio precisa de reforma estrutural Mais da metade das escolas estaduais do Rio precisa de reforma estrtutural Alunos estudam em locais sem limpeza, sem segurança e sem conforto. Na última década, 98% dos investimentos em Educação foram cortados no Estado. Apenas 4% dos investimentos previstos em 2017 foram realmente feitos. Falta professor de pelo menos uma matéria em 800 escolas da rede estadual do RJ Falta professor de pelo menos uma matéria em 800 escolas da rede estadual do RJ Número representa 64% do total de escolas, segundo levantamento do Ministério Público. O RJ2 mostra a rotina dos estudantes sem aula e o que eles sonham para o futuro […]

  • Polícia francesa esvazia universidade de Paris ocupada por estudantes
    on 20 de abril de 2018 at 19:22

    Dezenas de estudantes ocupavam a universidade parisiense de Tolbiac, um local emblemático da mobilização contra uma reforma do ensino defendida pelo presidente Emmanuel Macron. Polícia francesa realiza desocupação de universidade A polícia francesa retirou nesta sexta-feira (20) dezenas de estudantes que ocupavam a universidade parisiense de Tolbiac, um local emblemático da mobilização contra uma reforma do ensino defendida pelo presidente Emmanuel Macron. Os policiais entraram no prédio de 22 andares ao sul de Paris às 5H00. O local estava ocupado por dezenas de estudantes desde 26 de março. Alguns estudantes saíram de modo voluntário, enquanto outros atiraram garrafas e vários objetos contra os policiais. Uma pessoa foi presa por desacato. A intervenção das forças de segurança havia sido solicitada pelo reitor da universidade, Georges Haddad, que estava preocupado com a situação depois que foram encontrados coquetéis molotov no centro de ensino. A polícia informou que a operação ocorreu "sem incidentes". O reitor afirmou que as três semanas de ocupação provocaram prejuízos de centenas de milhares de euros, que custarão muito caro à universidade e ao contribuinte. Estudantes franceses começaram a ocupar universidades e março para protestar contra a reforma educacional de Macron, que quer conceder às universidades públicas o poder de estabelecer critérios de admissão. Para os estudantes, essa reforma é um primeiro passo para um sistema de seleção até agora tabu no país da "educação gratuita para todos". […]

  • MPF pede na Justiça que UFG suspenda imediatamente curso que trata o impeachment de Dilma como 'golpe'
    on 20 de abril de 2018 at 16:00

    Procuradores alegam que atividade é feita sob um único ponto de vista. Universidade criou curso após ministro da Educação pedir suspensão de disciplina semelhante, na UnB. Curso de extensão na UFG trata impeachment de Dilma Rousseff como 'golpe' UFG/Reprodução O Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) entrou com uma ação civil pública, na quinta-feira (19), pedindo que a Universidade Federal de Goiás (UFG) suspenda o curso de extensão que trata o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) como “Golpe de 2016”. O MPF alega que a atividade é feita sob um ponto de vista “monocular”, sem “contemplar a amplitude da reflexão e do debate necessários”. A assessoria de comunicação da UFG informou, por meio de nota, que "ainda não foi notificada sobre a ação civil pública acerca da disciplina". Ainda conforme o texto, a universidade afirma que "assim que for notificada e tomar conhecimento do teor do processo, prestará todos os esclarecimentos necessários". No documento do MPF, consta que o reitor Edward Madureira Brasil e a vice-reitora, Sandramara Martins Chaves, informaram aos procuradores que o curso se tratava de uma “resposta” da universidade ao fato do ministro da Educação, Mendonça Filho, ter pedido a suspensão da disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, ministrada pela Universidade de Brasília (UnB). “O curso não foi criado com a finalidade de, verdadeiramente, refletir a respeito da conjuntura sócio-política atual, mas como uma resposta política das universidades contra aquilo que entendem ser uma violação à autonomia universitária cometida pelo Ministro de Estado da Educação” “Releva notar que não se tem notícia no País de nenhum curso similar discutindo, por exemplo, 'O golpe de 1992 e o impeachment do Presidente Fernando Collor'", diz o texto da ação. A ação civil pública foi protocolada na quinta-feira, na 3ª Vara da Justiça Federal em Goiás pelos procuradores da República Mariane de Mello Oliveira e Rafael Perissé Rodrigues Barbosa. O pedido foi feito em tutela de urgência e, além da suspensão imediata do, pediu que a UFG inclua e represente por “diversas correntes de pensamento”, caso realize cursos ou eventos futuros sobre o impeachment de Dilma Rousseff. “Tal proposta, no atual contexto em que se encontra o país, está a demonstrar a articulação de forças político-ideológicas no seio da UFG com a finalidade precípua de participar e influir diretamente nas atividades políticas que se desenrolarão neste ano eleitoral, o que também vem ocasionando o repúdio de expressiva parcela da sociedade brasileira”, defendem os procuradores. Conforme o documento, caso a UFG deixe de suspender o curso, deverá pagar multa diária de R$ 5 mil, ou R$ 10 mil, caso promova outros cursos ou eventos aos moldes do evento em questão. O Ministério da Educação (MEC) informou ao G1 que não comenta sobre ações de outros orgãos. Dilma Rousseff sofreu impeachment em 2016, e foi substituída pelo vice, Michel Temer BBC Brasil Investigação O MPF começou a apurar se o curso tinha caráter de propaganda político-partidária ao Partido dos Trabalhadores (PT), em março deste ano. O procedimento questionou o caráter acadêmico da disciplina, bem como se ela contrariava princípios legais, morais e da administração pública. A presidente do PT em Goiás, Kátia Maria dos Santos, disse, à época, que o partido “não tem nenhum envolvimento na organização do curso” e que não foi consultado em momento algum para a elaboração da disciplina. No posicionamento, a presidente do disse ainda que não vê o debate como defesa partidária. “Não acho que é defender partido ou bandeiras partidárias. A UFG está cumprindo com o seu papel de levantar o contraditório. Até onde entendi, é um curso aberto, onde pessoas que concordam ou discordam que seja um golpe podem participar, levando sua contribuição e formulando juntos o saber”, afirmou. Ministério Público Federal de Goiás Reprodução/TV Anhanguera 'Golpe' O ciclo de debates foi criado após o Ministério da Educação (MEC) se manifestar contra uma matéria ofertada pela Universidade de Brasília (UnB), que chamava o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff de “golpe”. O curso de extensão que trata o impeachment de Dilma Rousseff como “golpe”, na UFG, começou no último dia 16 de março, na Faculdade de Educação, que fica no Setor Universitário, em Goiânia. Os encontros são voltados tanto para estudantes da instituição, como também são abertos à comunidade. Entre os temas estão a relação do “Golpe de 2016” com o “financiamento e autonomia universitária“, “os movimentos de direita”, “as ameaças ao futuro da escola pública”, “a mídia” e “as reformas neoliberais”. O impeachment de Dilma Rousseff foi aprovado pelo Senado Federal no dia 31 de agosto de 2016, por 61 votos favoráveis e 20 contrários. A ex-presidente foi condenada sob a acusação de ter cometido crimes de responsabilidade fiscal – as chamadas "pedaladas fiscais" no Plano Safra e os decretos que geraram gastos sem autorização do Congresso Nacional. Em entrevista ao G1, o professor Adão José Peixoto, responsável pelo curso na UFG, disse que o fato do MEC ter questionado o conteúdo oferecido em uma instituição de ensino superior foi algo “antidemocrático”, e que levantou a discussão sobre o assunto em outras universidades. Na ocasião, o MEC informou, por meio de nota, que o curso é feito "sem base científica" e faz "possível proselitismo político e ideológico do PT e do lulismo". Disse ainda que, ao pedir investigação do MPF, o ministro cumpriu "o papel constitucional de solicitar apuração do bom uso de recursos públicos". Segundo o professor, o curso vai fazer uma relação da forma como a presidente foi retirada do poder, com medidas que têm sido propostas pelo governo de Michel Temer. Para Adão Peixoto, o curso é uma forma de manifestar a liberdade de pensamento que permeia o universo acadêmico. Segundo ele, o fato de um ciclo de debates feito pela UFG tratar o impeachment como golpe não tira o direito de, caso haja interesse de algum professor ou estudante, outra modalidade de disciplina ou curso poder expor o contrário. Além do curso de extensão ofertado na Faculdade de Educação, em Goiânia, uma disciplina de núcleo livre, que é como são chamadas matérias que podem ser cursadas por estudantes da universidade que estejam qualquer curso, também vai tratar o impeachment de Dilma Rousseff como “golpe”. Campus Samambaia da Universidade Federal de Goiás em Goiânia Divulgação/UFG Veja outras notícias da região no G1 Goiás. […]

  • Unicamp 2019: Prazo para pedido de isenção em taxa do vestibular começa nesta sexta-feira; veja critérios
    on 20 de abril de 2018 at 11:37

    Universidade concederá pelo menos 6,7 mil benefícios em três modalidades. Solicitação deve ser feita em página de comissão e calendário das provas será definido até o fim de abril. Prova da primeira fase do vestibular da Unicamp de 2018, em Campinas Priscilla Geremias/G1 A Unicamp recebe a partir desta sexta-feira (20) os pedidos de isenção na taxa de inscrição do vestibular 2019 - o valor será divulgado junto com o edital em julho-. Eles devem ser feitos pela página da comissão organizadora (Comvest), até 21 de maio, e a universidade também exige envio de documentos previstos em edital. Ao todo, três modalidades serão contempladas para concessão do benefício: Candidatos provenientes de famílias de baixa renda (até um salário mínimo e meio bruto mensal por morador do domicílio); Funcionários da Unicamp/Funcamp; Candidatos aos cursos de licenciatura em período noturno (ciências biológicas, física, letras, licenciatura integrada química/física, matemática e pedagogia). Entre os pré-requisitos estabelecidos pela Unicamp estão: Ter cursado o ensino médio integralmente em instituições da rede pública (1 e 2); Ser residente e domiciliado no estado de São Paulo e já ter concluído/concluir em 2018 o ensino médio. De acordo com a Comvest, serão oferecidas 6,6 mil isenções na primeira modalidade; 100 na segunda e número ilimitado na terceira. A lista de contemplados será divulgada em 23 de julho. Na edição 2018, a universidade concedeu 8,6 mil benefícios, alta de 15,6% no comparativo com estatísticas do ano anterior. Com isso, ela registrou recorde no total de inscritos e crescimento de 38% na quantidade de matriculados com renda familiar de até dois salários. Contemplados Quem for beneficiado, segundo a Unicamp, receberá um comunicado a partir de 23 de julho, exclusivamente via correio eletrônico. A universidade ressalta que a isenção não representa inscrição automática no vestibular 2019 - a ser feita posteriormente com uso de um código. A instituição destacou que o calendário com as datas de inscrição e provas do vestibular será definido até o fim de abril. Dúvidas podem ser esclarecidas na página da Comvest. Inclusão social A Unicamp registrou diminuição de estudantes da rede pública aprovados no vestibular 2018 e ficou abaixo da meta de receber 50% dos ingressantes nesta classificação, segundo a Comvest. Por outro lado, houve recorde de matriculados autodeclarados pretos, pardos e indígenas. Para alcançar este objetivo - por curso e turno - e buscar índice de 37,5% de autodeclarados pretos, pardos e indígenas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Unicamp implementará, a partir desta edição, cotas étnico-raciais e outras mudanças, como a criação de um vestibular indígena e vagas extras para destaques em olimpíadas. Confira detalhes. De acordo com site da Unicamp, atualmente há 34,6 mil alunos matriculados nos cursos de graduação e pós oferecidos nos campi de Campinas (SP), Limeira (SP) e Piracicaba (SP). Veja mais notícias da região no G1 Campinas. […]

  • Ataques a tiros em escolas nos EUA explodiram em 20 anos, aponta estudo
    on 20 de abril de 2018 at 00:55

    Nos últimos 18 anos, mais pessoas foram mortas nesse tipo de ocorrência do que em todo o século 20. Neste século, 77% dos ataques foram conduzidos por adolescentes com idades entre 11 e 18 anos. Equipe atende vítima de atirador em escola de Parkland, na Flórida, em 14 de fevereiro John McCall/South Florida Sun-Sentinel via AP) Ataques a tiros em escolas americanas estão se alastrando rapidamente, matando mais pessoas nos últimos 18 anos que em todo o século 20, apontou uma pesquisa da Revista de Estudos da Criança e da Família. O estudo analisou ataques a tiros em massa - eventos nos quais pelo menos um atirador matou ou feriu intencionalmente pelo menos quatro outras pessoas - e as taxas de mortalidade em escolas americanas para crianças e adolescentes de 5 a 18 anos desde 1940. Foram desconsiderados tiroteios envolvendo gangues, ou ataques em universidades. "Os Estados Unidos não tinham ataques que se encaixassem em nosso critério até 1940, quando o diretor júnior de uma escola de Ensino Médio matou o superintendente, o diretor, o gerente de negócios do distrito e dois professores, antes de tentar se matar, porque achava que seria demitido ao fim do ano letivo", afirma o estudo. Os pesquisadores não encontraram ataques a tiros nos anos 50 e 60, seguidos de "um crescimento estável iniciado com um ataque a tiros em 1979 orquestrado por uma adolescente de 16 anos com deficiências mentais, que começou o ataque em uma escola primária, matando dois adultos e ferindo oito estudantes e um adulto ", explica. Desde então, os anos 90 foram um pico, quando 36 pessoas foram mortas em 13 ataques com armas de fogo, aponta. Entre 2000 e 2018, pesquisadores somaram 66 mortes em 22 ataques a tiros em massa em escolas. O volume é mais alto que os 55 mortos em 22 ataques nas seis décadas de 1940 a 1999. "Em menos de 18 anos, já vimos mais mortes relacionadas a ataques a tiros em escolas que em todo o século 20", disse o autor principal, Antonis Katsiyannis, da Clemson University. "Uma tendência alarmante é que a ampla maioria dos atiradores do século 21 eram adolescentes. Isso sugere que hoje é mais fácil para eles terem acesso a armas e que eles sofrem mais frequentemente de deficiências mentais ou capacidades limitadas de resolução de conflitos". Sessenta porcento dos ataques a tiros em escolas nos Estados Unidos no século 20 foram conduzidos por adolescentes com idades entre 11 e 18 anos. No século atual, foram 77%. O estudo alertou que o número de mortes e de tiroteios não oferecem uma ligação clara para "mais problemas de adolescentes, ou armas de alta potência, como causalidade", mas disse que "as tendências devem ser observadas". A violência com armas de fogo no país é uma "epidemia, que deve ser resolvida", conclui o estudo. A pesquisa pede maior pesquisa de antecedentes, proibição de armas de assalto e maior apoio para tratamentos psiquiátricos. […]

  • Ocupação da UnB: em audiência sem MEC, alunos decidem permanecer na reitoria
    on 19 de abril de 2018 at 19:52

    Ministério não enviou ninguém para discutir orçamento em mesa aberta. Prédio administrativo está ocupado há uma semana. Estudantes, servidores e gestores da UnB durante mesa pública sobre orçamento Marília Marques/G1 Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) decidiram, nesta quinta-feira (19), manter a ocupação iniciada há uma semana no prédio da reitoria. Desde o dia 12, funcionários e gestores estão impedidos de acessar as salas. O grupo de alunos pede acesso ao orçamento e revogação do plano de demissões motivado pela crise. A decisão foi tomada após uma mesa pública entre a reitoria e estudantes da UnB, na Faculdade de Direito, no início da tarde. Convidado para o debate sobre orçamento, o Ministério da Educação não enviou representante. A ausência gerou revolta entre os quase 300 alunos e servidores presentes no auditório. Na mesa, a comissão eleitoral – que representa os estudantes ocupados – afirmou que a “única saída é a greve geral." “Enquanto o MEC não nos responder, e as reivindicações não forem aceitas, continuaremos [a ocupação], isso é inegociável”, afirmou o estudante responsável pela comissão de articulação do movimento “Ocupa UnB”, que preferiu não se identicar. Ele diz ter “medo de represálias". A perspectiva é de que a ocupação seja mantida, pelo menos, até a próxima terça-feira (24), quando uma nova assembleia está marcada. Reitoria da UnB fechada por estudantes durante ocupação TV Globo/Reprodução O que diz a UnB Na mesa, a reitora Márcia Abrahão lembrou o aniversário de 56 anos de criação da Universidade de Brasília, comemorado no próximo sábado (21). Sobre o congelamento do orçamento federal que seria enviado à UnB, a professora citou o fato de a assistência estudantil estar “praticamente congelada” na instituição. A consequência, segundo ela, é o "aumento da vulnerabilidade socioeconômica". Durante o discurso, mesmo pressionada pelo coro dos estudantes, Márcia não comentou a demissão em massa dos servidores. Entenda por que a UnB não pode gastar todo o dinheiro que arrecada MEC ausente O G1 questionou ao MEC os motivos da ausência à mesa pública. O horário e o local do evento foram definidos em uma reunião fechada entre o ministério e a reitoria, na última segunda, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Em nota, o ministério afirmou que “tem mantido diálogo aberto e direto com os estudantes e com toda a sociedade” sobre a situação da UnB. O texto não informa por que nenhum gestor da pasta foi enviado à audiência. “O ministério tem contribuído com as negociações, disponibilizando as informações orçamentárias e tratando o assunto com total transparência.” Ocupação mantida Nesta segunda, cerca de 150 estudantes ainda ocupavam as dependências da reitoria. Desde a última quinta, a reitora Márcia Abrahão, os decanos e as equipes que trabalham no prédio não têm acesso às salas. Até o fim de semana, segundo os próprios gestores, nenhum pagamento ou contrato tinha sido prejudicado. Os alunos protestam contra a crise financeira que a universidade enfrenta. O grupo afirma que a queda no orçamento foi causada pela PEC 55, que limita os gastos federais à inflação do ano anterior. Após ocupação, reitora da UnB assina acordo de 'não penalização' A universidade alega que dos R$ 168 milhões arrecadados com aluguel de imóveis próprios, entre outras receitas, apenas R$ 110 milhões podem ser utilizados. O restante do dinheiro iria diretamente para os cofres da União. Por isso, medidas de austeridade como aumento dos preços do Restaurante Universitário e demissão de estagiários e terceirizados seriam tomadas. Já o Ministério da Educação afirmou que o orçamento da UnB subiu de R$ 1,66 bilhão em 2017 para R$ 1,73 bilhão em 2018, e que a administração da universidade deveria otimizar os recursos recebidos. Veja mais notícias sobre a região no G1 DF. […]

  • Por que 19 de abril virou dia do índio
    on 19 de abril de 2018 at 18:33

    A data foi oficializada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, após muita insistência do descendente indígena Marechal Rondon e três anos depois da instituição do dia comemorativo em um congresso realizado no México. Dados do Censo Demográfico de 1991 a 2010 sobre a população indígena e não indígena IBGE O dia 19 de abril é conhecido no Brasil todo como o "dia do índio", e essa data não foi escolhida à toa. Sua origem remete a um protesto dos povos indígenas do continente americano ainda na década de 1940, quando um congresso organizado no México se propôs a debater medidas para proteger os índios no território. O Congresso Indigenista Intramericano, realizado em Patzcuaro, aconteceu entre os dias 14 e 24 de abril de 1940. Em princípio, os representantes indígenas haviam se negado a participar do evento, achando que não teriam voz ou vez nas reuniões - que seriam comandadas por líderes políticos dos países participantes. Os índios, então, fizeram um boicote nos primeiros dias, mas, justamente no dia 19 de abril, decidiram aparecer no congresso para tomar parte nas discussões. Foi por conta disso que a data escolhida para celebrar o dia do índio acabou sendo essa. Eram 55 delegações oficiais no México. Das Américas, somente Paraguai, Haiti e Canadá ficaram de fora. Entre os índios, eram 47 representates dos povos de todo o continente - no caso do Brasil, o delegado enviado foi Edgar Roquette-Pinto, que não era índio, mas foi antropólogo, etnólogo e estudioso de povos indígenas da Serra do Norte, na Amazônia. Com o fim do Congresso, foram definidas algumas medidas genéricas a serem tomadas em favor da defesa dos povos indígenas. Entre elas, estavam o "respeito à igualdade de direitos e oportunidades para todos os grupos da população da América", "respeito por valores positivos de sua identidade histórica e cultural a fim de melhorar situação econômica", "adoção do indigenismo como política de Estado", e, por último, estabelecer "o Dia do Aborígene Americano em 19 de abril". Não foram todos os países que adotaram a data como dia de celebração da cultura indígena - e no Brasil ele também levou tempo a ser oficializado, já que o país não aderiu às deliberações do congresso. Somente em 1943 foi instituído decreto-lei instituído pelo presidente Getúlio Vargas, que finalmente estabeleceu a data comemorativa. O responsável por convencê-lo foi o general Marechal Rondon - que tinha origem indígena por seus bisavós e chegou a criar, em 1910, o Serviço de Proteção ao Índio - que depois viria a se tornar a atual Funai (Fundação Nacional do Índio). "O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere o art. 180 da Constituição, e tendo em vista que o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, reunido no México, em 1940, propôs aos países da América a adoção da data de 19 de abril para o 'Dia do Índio', decreta: Art. 1º - considerado - 'Dia do Índio' - a data de 19 de abril. Art. 2º- Revogam-se as disposições em contrário", dizia o decreto. Além do Brasil, Costa Rica e Argentina também adotaram a data. Do Congresso, saiu também a criação do Instituto Indigenista Intramericano, que se tornou um órgão vinculado à OEA (Organização dos Estados Americanos) em 1953. Depois dele, aconteceram mais 11 edições, sendo a última em 1999, na Cidade do México. Situação dos índios no Brasil Segundo o censo demográfico mais recente do IBGE, de 2010, existem 817,9 mil indígenas no Brasil de 305 etnias que falam 274 línguas diferentes. O número representar somente 10% do total de índios que existiam aqui em 1500, na época do descobrimento - segundo estimativa dos historiadores, o Brasil tinha milhões de habitantes (índios) à época. Ainda assim, houve um crescimento da população indígena nos últimos anos, segundo os dados oficiais. O censo de 2000 revelou crescimento expressivo do número de índios no país, passando de 294 mil para 734 mil em nove anos - segundo o instituto, esse aumento poderia ser explicado não só como efeito demográfico, mas também pelo aumento do número de pessoas que se reconheceram como parte da população indígena (principalmente dos que vivem em áreas urbanas). Se, por um lado, a população vem aumentando, por outro a demarcação de terras indígenas tem estagnado. Em julho de 2017, o presidente Michel Temer assinou um parecer polêmico sobre a o tema. Segundo o documento, os índios teriam direito às terras "desde que a área pretendida estivesse ocupada pelos indígenas na data da promulgação da Constituição Federal", o que correspondia a outubro de 1988. Isso impediria que representantes indígenas reivindicassem terras que não estavam ocupadas por eles naquela época, 30 anos atrás. Ainda no ano passado, houve outra grande polêmica com os indígenas quando Temer colocou na presidência da Funai o dentista e pastor evangélico Antônio Costa, pouco identificado com a luta pelos direitos dos índios. Ele acabou exonerado poucos meses depois por contrariar indicações do então Ministro Osmar Serraglio, representante da bancada ruralista na Câmara. Atualmente, segundo a Funai, existem 462 terras indígenas regularizadas, que representam cerca de 12,2% do território nacional. Elas estão espalhadas por todo o país, mas com concentração maior na Amazônia. […]

  • 'Minha professora é diferente, e ela é maravilhosa': a trajetória da educadora com Down alvo de preconceito de desembargadora
    on 19 de abril de 2018 at 13:33

    Marília Castro Neves, magistrada que havia questionado no Facebook o que Débora Seabra teria a ensinar, divulgou pedido de desculpas; texto, porém, chegou apenas por acaso à professora; conheça sua história. Débora Seabra atua como auxiliar de desenvolvimento infantil há 13 anos em uma escola privada de Natal: 'Porque as crianças nos dão alegria' Rodolfo Seabra/Complexo EDH "Estou escrevendo para agradecer a carta que você me mandou e lhe dizer que suas palavras me fizeram refletir muito. Bem mais do que as centenas de ataques que recebi nas últimas semanas. Desculpe a demora na resposta, mas eu precisava desse tempo." A professora Débora Seabra de Moura, de 36 anos, se preparava para mais um dia de aulas nesta quarta-feira em Natal (RN) quando se deparou com essas palavras, encaminhadas a ela por um amigo da família. A autora da mensagem era a desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. E o pedido de desculpas poderia ser um desfecho redentor para o caso de preconceito do qual a professora, considerada a primeira com síndrome de Down no Brasil, foi vítima. Mas Débora foi pega de surpresa: a carta não foi enviada a ela, mas divulgada pela magistrada à imprensa horas antes que o conteúdo chegasse, por acaso, em suas mãos. 'O que será que essa professora ensina a quem?' As vidas da professora e da desembargadora se cruzaram há cerca de três anos, quando Marília Castro Neves postou em um grupo de magistrados no Facebook um comentário em que dizia ter ouvido no rádio que o Brasil é "o primeiro país a ter uma professora portadora de síndrome de Down". Na mensagem, ela declarou: "(…) Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?". O teor da publicação só viria a público em março deste ano, depois que a juíza fez comentários ofensivos e com informações falsas contra a vereadora Marielle Franco (PSOL), então recém-assassinada a tiros na região central do Rio de Janeiro. "Me senti machucada", contou Débora à BBC Brasil. "Doeu o preconceito de dizerem que sou incapaz de dar aula." Desembargadora Marília Castro Neves, que questionou a capacidade da professora, responde a cinco processos no CNJ por postagens na internet Reprodução/Facebook O caso foi parar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após denúncia feita pela Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down. Se somou a outros quatro ajuizados contra a desembargadora por causa de suas polêmicas postagens nas redes sociais. Todos tramitam em segredo de Justiça – o órgão diz não poder dar esclarecimentos sobre o andamento dos processos. Em tese, o prazo de defesa de Neves no CNJ terminaria nesta quarta-feira – mesmo dia em que ela postou no Facebook o pedido de desculpas à Débora e "à memória de Marielle". O texto foi publicado em seu perfil nas redes sociais, onde postagens mais recentes, inclusive essa, são fechadas e, portanto, visíveis somente a amigos. Acabou noticiado pela colunista Mônica Bergamo, do jornal "Folha de S. Paulo", mas não foi e nem será enviado diretamente a Débora ou à família, segundo confirmou à BBC Brasil um assessor do gabinete da desembargadora. "A divulgação que existe é esta." Procurada pela reportagem, a magistrada não quis dar entrevista. A família de Débora também preferiu não fazer comentários sobre a carta. 'Tenho o que ensinar' Marília Castro Neves escreveu 386 palavras. Em meio a elas, diz que "tem sofrido muito" desde que foi "atropelada" pela divulgação de comentários que fez em grupos privados, alguns dos quais "há tanto tempo" que ela já "nem lembrava deles". Diante da "repercussão imensa", ela diz que decidiu se recolher, chorou e pensou muito. E acrescenta: "E de tudo que li e ouvi ao meu próprio respeito, foi de você, de quem em um primeiro momento duvidei da capacidade de ensinar, que me veio a maior lição: a de que precisamos ser mais tolerantes e duvidar de pré-conceitos". "Perdão, Débora, por ter julgado, há três anos atrás, (...) que uma professora portadora de síndrome de Down seria incapaz de ensinar. Você me provou o contrário." Débora havia publicado no Facebook, ainda em março, uma carta-resposta ao questionamento da desembargadora. Pegou lápis, uma folha de caderno e o "choque" que sentiu, como contou à BBC Brasil. E então escreveu o que chamou de "Recado para a juíza Marília". No texto, detalha suas atividades em sala de aula e afirma "ensinar muitas coisas" às crianças. Quando viu a mensagem da desembargadora no Facebook, Débora escreveu uma carta-resposta a mão e postou 'para combater o preconceito' Reprodução/Facebook "A principal é que sejam educadas, tenham respeito pelas outras, aceitem as diferenças de cada uma e ajudem a quem precisa mais." Quando terminou, "sentiu um alívio". "Pensei que tinha de responder logo. Tenho o que ensinar às crianças e a todo mundo." 'Insegurança desnecessária' Débora cursou magistério e, logo depois de formada, foi chamada para ser auxiliar de desenvolvimento infantil na escola onde havia estudado – uma das mais tradicionais na rede privada em Natal (RN). Treze anos atrás, quando pôs os pés em uma sala de aula pela primeira vez na nova função, o sentimento entre pais e professores era de "insegurança", admite a diretora geral da instituição, Lucila Ramalho. "É que foi de fato quebrar uma barreira. Nunca havíamos tido uma auxiliar com necessidades especiais", diz. "Mas foi uma insegurança desnecessária e que foi se dissipando. A síndrome de Down não atrapalha a prática dela. E ela conquista muito a criança." Sandra Nicolussi, de 52 anos, a primeira professora a quem Débora auxiliou, ficou "receosa", mas "se surpreendeu". "Ela precisava de tempo para aprender, mas foi se apropriando da rotina e mostrou que dava conta." Débora atua hoje em uma turma do 4º nível, com cerca de 20 alunos na faixa dos cinco anos de idade. Faz dupla com outra auxiliar encarregada, assim como ela, de dar assistência às atividades definidas em plano de aula e coordenadas por uma pedagoga. Débora com os pais e o irmão, Frederico, na formatura do magistério: 'Eu ajudo a educar e a incluir todo mundo', diz Arquivo pessoal Nessa função, é uma das mãos que ajudam a abrir os livros e a conduzir as crianças ao parque e ao banheiro, assim como os olhos que leem e a boca que conta histórias, "de preferência sobre animais e contos de fadas". "Eu ajudo a educar e a incluir todo mundo", descreve ela. "Ensino que eles não podem brigar, que precisam dividir brinquedos, materiais de aula e aceitar todas as crianças como elas são." Débora diz que "se apaixonou por crianças". "Porque elas trazem alegria para a gente." Ela encontrou reciprocidade no caminho. Cinco anos atrás, a professora Laísa Palhano Torres, de 47 anos, ouviu a filha, Rebeca, dizer surpresa: "Sabe, mamãe, tem uma professora diferente na minha sala. E ela é maravilhosa." A menina tinha seis anos. "E acabou vendo o belo, por meio de diferenças. Viu que não é preciso ter um susto diante de um cadeirante, de um autista, ou da professora com síndrome de Down. Que é parte da vida", diz a mãe. Na sala de aula, Débora vira a "tia Débora" – Ana Júlia, uma das alunas de sua turma neste ano, capricha na entonação para contar sobre ela à mãe, a servidora federal Juliana Vieira Costa de Aguiar, de 34 anos. Lançamento de livro de fábulas infantis no Rio, em 2013: além de contar histórias a crianças, ela também criou as suas Frederico Seabra de Moura Livro de fábulas Da experiência de contar histórias aos alunos, Débora passou também a escrevê-las. Em 2010, trabalhou às escondidas em seu quarto, criando histórias e personagens. E no Natal daquele ano, entregou um manuscrito, depois transformado em livro, como presente aos pais. "São pequenas fábulas em que a preocupação central é sempre a compreensão, a empatia e a convivência cordial e afetuosa com os diferentes", descreveu o escritor João Ubaldo Ribeiro no prefácio. Nas histórias que concebeu, uma menina, Sandra – uma homenagem à primeira professora que auxiliou – vive em uma fazenda onde ajuda a resolver conflitos entre os animais e a disseminar a mensagem de "sim à inclusão" e "não ao preconceito". Por meio de seus ensinamentos, um cachorro e um papagaio aprendem a conviver com as diferenças e se tornam amigos, um coelhinho preto se dá conta de que não precisa ter pelos brancos para conquistar espaço e uma galinha surda, então isolada, aprende a se comunicar. E por aí vai. "É um pouco da história dela", diz a mãe de Débora, a advogada e procuradora aposentada Margarida Seabra de Moura. Na fábula, um passarinho perdido é encontrado ferido. Ele voa então mais devagar e os outros questionam se não ficaria mais seguro se permanecesse na gaiola, sempre. Sandra, a menina da fazenda, discorda. "Já pensaram se eu proibisse vocês de voarem para onde quisessem?", pergunta. "Tentem conviver com ele, aceitando o seu jeito de voar mais devagar. Ele voa com uma asa só, mas consegue ir para onde vocês vão e chegar lá como vocês chegam." Débora e o cartunista, quadrinista, jornalista e escritor Henfil, amigo da família, no início dos anos 80: 'Você vai fazer coisas inimagináveis', disse a ela Arquivo pessoal Trinta e seis anos atrás, pouco tempo após a professora e escritora nascer em Natal, ela estava em São Paulo com a família quando o cartunista mineiro e amigo dos pais dela, Henfil, vaticinou: "Débora, você é tão forte quanto eu e vai fazer coisas inimagináveis". Poucos meses antes, o pai dela, o psiquiatra José Robério Seabra de Moura, acompanhava o parto da filha quando viu o pediatra levar o bebê rapidamente para uma sala ao lado. Foi quando a família soube da síndrome de Down – uma alteração genética sobre a qual, no pouco que se falava, parecia conter prognósticos assustadores. Todos ficaram, afirma, "em choque", mas a "aceitação" veio. "E já que o coração é sempre o órgão eleito para essas coisas, de repente ela estava ocupando o lugar dela, dentro da gente", diz Robério. Dentro deles e no mundo. Débora foi à escola – sempre em instituições regulares –, cresceu estampando páginas de jornal ou falando em programas de TV locais e nacionais sobre inclusão, mas não parou por aí. Em participação na 3ª Conferência do Dia Internacional da Síndrome de Down, na ONU, Débora (de vermelho), disse que 'a inclusão começa na família' Arquivo pessoal Ela fez palestras em seminários e em outros eventos dentro e fora do Brasil – em Portugal, na Argentina e na 3ª Conferência do Dia Internacional da Síndrome de Down, na sede das Nações Unidas em Nova York, nos Estados Unidos, onde ressaltou que "a inclusão começa na família, começa em casa", mas também passa pelos amigos e pelo trabalho. Também recebeu, em 2015, o Prêmio Darcy Ribeiro, concedido pela Câmara dos Deputados a pessoas de destaque na área da educação. O irmão dela, o advogado Frederico Seabra, um ano e meio mais velho, a define como a "antifrágil". "Eu acho que Débora é o contrário de frágil. Ela sente o preconceito quando acontece, mas cresce. Consegue dar respostas fortes em cada situação e sair bem disso." Ele estava na sala de espera de uma clínica onde faria exames quando chegou uma mensagem da mãe pelo WhatsApp: "Você viu o que Débora fez?" Era uma foto da carta que a professora escreveu em resposta à desembargadora. A família então perguntou a ela se queria mesmo publicar. Ela quis. E assim fez. "Ela sabe se defender. É advogada de si mesmo", diz Frederico. Quando Débora, a expectativa de vida de quem tinha síndrome de Down era de até 20 anos de idade, diz o geneticista e pediatra Zan Mustacchi, especialista na área há 40 ano. "Agora gira em torno de 60 a 70 anos", explica. Essa não foi a única mudança ocorrida com o tempo. "As pessoas com síndrome de Down eram marginalizadas com mais frequência no passado, mas era o medo que as pessoas tinham do desconhecido, havia menos divulgação na mídia sobre o assunto e menos oportunidades sociais e de acesso à saúde", diz. "Ainda existem estereótipos, mas isso está mudando." Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 300 mil pessoas no Brasil têm a síndrome, também conhecida como Trissomia 21, em referência ao cromossomo 21, presente nesses indivíduos. Aa síndrome é uma alteração genética que afeta 1 em cada 800 recém-nascidos e é resultado de uma falha na divisão celular do óvulo ou do espermatozoide antes da concepção da criança. Com isso, em vez de ter 46 cromossomos – como a maior parte da população –, ela nasce com 47. O pai de Débora brinca que um dos cromossomos dela é o que a torna resistente e persistente para ir atrás do que quer e defender suas bandeiras. "Eu não desisto dos meus sonhos", ela diz. Dos planos também não. E os que tem em mente, revela, são "casar e continuar sendo professora até se aposentar". "Mas a aposentadoria ainda está longe." […]

  • Único da turma, indígena cursa direito na Bahia para tentar ajudar comunidade: 'Necessidade da luta pelo meu povo'
    on 19 de abril de 2018 at 13:27

    Jovem conversou com o G1 nesta quinta-feira (19), Dia do Índio. Reportagem fez levantamento sobre alunos autodeclarados indígenas em universidades públicas. Estudante da Ufba saiu de aldeia da Costa do Descombrimento para estudar em Salvador Arquivo Pessoal/ Kâhu Pataxó O estudante de direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Kâhu Pataxó, de 27 anos, saiu da aldeia Coroa Vermelha, na cidade de Santa Cruz Cabrália, na região da Costa do Descobrimento, no extremo sul da Bahia, para estudar em Salvador e tentar ajudar seu povo na luta por direitos. Ele conversou com o G1 nesta quinta-feira (19), Dia do Índio. Ele conta que é o único indígena da turma que faz parte na graduação de direito. Já no curso, são cerca de sete alunos indígenas no total. Estudantes indígenas são os que menos contam com apoio público para pagar a universidade A universidade reserva duas vagas em cada curso, em todas as seleções, para estudantes oriundos de quilombos ou de aldeias indígenas, além da reserva de 50% para alunos egressos de escolas públicas, da Lei Federal de Cotas (Nº 12.711). “Estou fazendo direito pela necessidade da luta pelo meu povo. A maioria dos estudantes indígenas têm um propósito coletivo. É uma estratégia dos povos para que a gente tenha o conhecimento não indígena e colaborar o quanto pode” Para ele, a reivindicação primordial é a demarcação de territórios, além dos direitos por saúde e educação. Para sair da aldeia, a decisão também não foi só dele. Kâhu conversou com lideranças indígenas e com a família, que o apoiaram a tomar a decisão de sair da aldeia para a capital baiana. “A gente já nasce na comunidade sabendo que tem compromisso com o coletivo. Então fica fácil para a gente saber que tem que passar por dificuldades para seguir” Kâhu é aluno de direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Arquivo Pessoal/ Kâhu Pataxó A trajetória de Kâhu começa na cidade de Prado, onde nasceu na aldeia de Águas Belas. A família dele decidiu mudar para aldeia de Coroa Vermelha porque a região era mais próxima de escolas. Ele foi o primeiro da família, entre os pais e irmãs, que saiu da comunidade para estudar em uma universidade. Para o estudante, a adaptação de viver em Salvador, longe da comunidade onde cresceu, também foi complicada. “Nos primeiros seis meses, eu fiquei muito abalado. Tive que retornar um período para comunidade e depois voltar para Salvador", relata. "É muito complicado para a gente ficar afastado da nossa comunidade por muito tempo” Ele conta que também teve que lidar com o preconceito por parte dos colegas, que tinham uma ideia limitada sobre os indígenas. “Uma parte achava curioso, mas com uma visão preconceituosa, como se a gente fosse um povo antigo. Como se, depois que a gente usa roupa não indígena, a gente deixasse de ser indígena”, afirma. Ele se mudou para a capital baiana junto com a esposa, que também entrou na universidade, e deixou os filhos em Santa Cruz Cabrália para crescerem dentro da comunidade. “Meus filhos moram na aldeia, porque se eles fossem para a cidade, perderiam a vivência com a comunidade e acabariam perdendo a identidade” Indígenas nas universidades O G1 fez um levantamento sobre a presença de indígenas nas universidades públicas baianas, depois da Lei Federal de Cotas (Nº 12.711), que vigora há cinco anos no país. Quando sancionada, a Lei Federal de Cotas definiu que, em um período de quatro anos, até agosto de 2016, metade das matrículas nas universidades e institutos federais deveriam atender a critérios de cotas raciais e sociais, inclusive indígenas. Os demais 50% das vagas permaneceriam para ampla concorrência. Confira abaixo os detalhes: Uneb reserva 5% as vagas para indígenas oriundos de escolas públicas Henrique Mendes / G1 Bahia Uneb De gestão estadual, a Universidade Estadual da Bahia (Uneb) não deve obedecer a Lei das Cotas. No entanto, desde 2007, reserva 5% de sobrevagas aos candidatos indígenas, oriundos de escolas públicas, em processos seletivos de graduação e pós-graduação. A instituição divulgou dados sobre a presença de indígenas nas universidades dos últimos três anos. Em 2014, a universidade tinha 269 alunos indígenas, do total de 21.511discentes. Em 2015, 234 indígenas, do total de 21.899. Em 2016, eram 216 estudantes indígenas, do total de 21.224. Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) oferece duas vagas extras para indígenas e quilomobolas Divulgação/Uefs Uefs Também em 2007, aconteceu o primeiro processo seletivo com base na política de cotas e reservas de vagas na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). São reservadas 50% das vagas em todos os cursos para estudantes oriundos de escola pública. Dentre estas, são 80% para negros, 20% para não-negros, além de duas vagas extras por curso destinadas a indígenas e quilombolas. Os alunos precisam ter estudado em escolas públicas, morar em aldeia, declarar-se indígena e, por último, ter uma declaração da comunidade reconhecendo o candidato enquanto membro da aldeia. Campus da UFRB em Santo Antônio de Jesus, recôncavo baiano Fábio Santos/ Voz da Bahia UFRB A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) oferta vagas para indígenas por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Na reserva de 50% de vagas para alunos de escola pública, 76,53% são para autodeclarados pretos, pardos ou indígenas. Há também na UFRB o processo seletivo especial para quilombolas e indígenas e aldeados, que ocorre semestralmente, com a oferta de até duas vagas por curso. Todos os estudantes indígenas da UFRB estão vinculados ao Programa de Bolsa Permanência do MEC. Antes da Lei das Cotas, a universidade tinha cinco alunos indígenas matriculados. Destes, apenas dois concluíram o curso e os outros três canceram a matrícula na instituição. A partir de 2013, quando passou a vigorar a legislação, 54 indígenas ingressaram na universidade. Destes, estão 36 estão ativos. Outros 15 tiveram a matrícula cancelada, 2 já se formaram e um consta apenas como cadastrado. Atualmente, são 12.345 alunos no total, entre indígenas e não indígenas, com matrícula ativa na UFRB. Campus da Universidade Federal do Oeste em Barreiras, na Bahia Divulgação/ UFOB Ufob A Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob) implementa a política de cotas para indígenas também por meio do Sisu, mas não tem nenhum estudante autodeclarado indígena atualmente. Univasf A Universidade do Vale do São Francisco (Univasf) informou que, de 2013 a 2017, após a Lei de Cotas, ingressaram 35 alunos que se autodeclararam indígenas na instituição. A instituição não tem os dados de alunos antes de a legislação entrar em vigor. Até a publicação desta reportagem, a Universidade Federal da Bahia (Ufba), Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) não responderam aos questionamentos do G1 a respeito de alunos indígenas e aplicação da lei de cotas nas instituições. *Colaborou com a reportagem o estagiário Ivis Barboza. […]

  • UFRB tem autorização do MEC para abertura de oito novos cursos de graduação; confira
    on 19 de abril de 2018 at 10:57

    Decisão foi publicada no Diário Oficial da União no início do mês de abril. UFRB terá oito novos cursos de gradução na instituição Reprodução/TV Subaé O Ministério da Educação (MEC) autorizou a abertura de vagas de oito novos cursos de graduação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). A decisão foi publicada no último dia 2 de abril, no Diário Oficial da União, e as publicações estão disponíveis nas Portaria nº 226 e 227 do MEC. O Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade (CETENS) terá quatro novos cursos de graduação: Engenharia de Materiais (Bacharelado - 60 vagas), Engenharia de Produção (Bacharelado - 50 vagas), Alimentos (Tecnológico - 30 vagas), e Engenharia de Energias (Bacharelado - 60 vagas). O Centro de Tecnologia Aplicada à Produção de Cultura (CECULT) teve três cursos autorizados: Licenciatura em Música (30 vagas), Interdisciplinar em Artes (Licenciatura – 40 vagas), e Interdisciplinar em Ciências Ambientais (Bacharelado - 50 vagas). O Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) teve o curso de Licenciatura em Artes Visuais (25 vagas) autorizado. A UFRB adota o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) como forma de ingresso. O processo seletivo do Sisu é realizado duas vezes ao ano, sempre no início do semestre através das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os interessados devem ficar atentos ao cronograma do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) . […]

  • Estudantes indígenas são os que menos contam com apoio público para pagar a universidade
    on 19 de abril de 2018 at 08:00

    No Dia do Índio, 19 de abril, levantamento do G1 mostra que 63% dos indígenas não conseguiram vaga gratuita ou não foram selecionados pelo Fies ou pelo Prouni para custear faculdade privada. Os estudantes indígenas formam o grupo com menor percentual de atendimento nas três principais políticas públicas de acesso ao ensino superior. Segundo os dados mais recentes do Censo da Educação Superior, 63% dos indígenas que estavam matriculados em 2016 não conseguiram vaga na rede pública, não foram selecionados para contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e nem para obter bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni) para custear faculdade privada. Os dados que mostram a participação dos indígenas no ensino superior integram o detalhamento do mais recente Censo disponível, organizado pelo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O perfil dos universitários segundo suas autodeclarações de cor/raça foi analisado pelo G1 a partir de um levantamento de dados feito pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional). Dos mais de 49 mil índios no ensino superior, 12.348 estão na rede pública (25%) e 36.678 estão nas universidades privadas (75%). Esses números incluem os cursos presenciais e a distância. A divisão com maioria na rede privada está dentro da média geral dos universitários brasileiros: em 2016, o país tinha 8,048 milhões de universitários e 6,05 milhões estavam na rede privada (75,3%). Se o levantamento considerar exclusivamente o total de universitários na rede privada que não contam com nenhum tipo de financiamento e nem bolsa do Prouni, o percentual de indígenas que banca sua própria mensalidade chega a 71%. O índice é praticamente idêntico ao dos autodeclarados negros (70,5%). Essas realidades são vistas com histórias como a de Ingrid e Fetxawewe, dois indígenas moradores de Brasília. Leia mais abaixo. Vestibulares e localização Os processos seletivos, as políticas de permanência e a localização dos campus são pontos apontados por especialistas como impeditivos para mais matrículas das diferentes etnias indígenas na rede pública. “A maior presença em universidades particulares pode ter a ver com o fato de elas serem realmente mais acessíveis. Não tem o funil de alguns vestibulares, e muitas vezes elas estão em localidades mais próximas das terras indígenas.” - Antonella Tassinari, pesquisadora e antropóloga Ao mesmo tempo, a pesquisadora e antropóloga aponta que as políticas implantadas com reservas de vagas ajudaram a diminuir a distância entre os estudantes indígenas e as universidades públicas. As políticas de permanência precisam, no entanto, de uma análise permanente. "Ficar na universidade é uma grande batalha dos estudantes indígenas. (...) Os primeiros meses são sempre uma batalha de como eles vão se manter." - Antonella Tassinari, antropóloga Em algumas universidades, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a questão do processo seletivo é levada em conta. Uma prova específica é aplicada para os estudantes indígenas que pretendem concorrer às vagas extras criadas – além do número separado pela lei de cotas, outras 10 vagas são destinadas no total. O processo seletivo, segundo pesquisadores, apresenta questões que na maior parte das vezes estão ligadas a um cotidiano que não reflete a cultura indígena. "Até 2008 não tínhamos o registro de indígenas cursando uma graduação na universidade. Nenhum estudante na UFRGS em 80 anos de universidade. Só isso já é um avanço. Hoje, a gente tem em torno de 75 indígenas cursando as graduações”, afirma Michele Doebber, pesquisadora da universidade gaúcha que analisa a política de recepção dos indígenas. "Só o impacto dessa presença no cotidiano já traz questionamentos. As mulheres que levam para aula os filhos, essa presença que de alguma forma provoca na sala de aula o ponto de vista indígena." - Michele Doebber Na universidade privada Filho de uma mãe Guajajara, povo do Maranhão, e de um pai Fulni-ô, de Pernambuco, o estudante de direito Fetxawewe Tapuya escolheu pagar uma universidade privada. Por ser calouro, no primeiro semestre do curso, recebe 25% de desconto na mensalidade de R$ 1,2 mil. Depois, o valor passará a ser integral. Fetxawewe Tapuya é estudante de direito em uma universidade particular de Brasília Fetxawewe Tapuya/Divulgação Fetxawewe mora em Brasília e conta que preferia estudar na Universidade de Brasília (UnB). Chegou a prestar vestibular com o interesse na reserva de vagas, mas ficou em 5º lugar. Eram duas vagas. No lugar de tentar outra universidade menos concorrida, em outro estado, ele achou que valeria a pena ficar junto com a mãe na capital federal. Eles moram no Santuário dos Pajés, região a parte noroeste de Brasília com frequente disputa por território. Para ele, ficar é importante. Além disso, ele conta que naturalmente é mais fácil estudar na cidade onde se vive. Para um indígena, mais ainda. "O indígena calouro sofre muito. Eu, como já moro em Brasília, sofro menos. Mas quem é de fora passa por uma avalanche de preconceito." - Fetxawewe Tapuya "Os preconceitos mais frequentes são os mais descarados. Eles perguntam: 'Se você é realmente é indígena, o que você está fazendo na universidade?' E tem povos que ainda tem mais problemas com a fala, porque aprenderam o português mais tarde e junto com outra língua", completou. Na universidade pública Ingrid Rodrigues, de 21 anos, estuda direito na Universidade de Brasília (UnB) Marília Marques/G1 O outro lado, dos que arriscam mudar de cidade e ir atrás de uma universidade pública, também existe. Ingrid Rodrigues, de 21 anos, do povo Paumari localizado perto do Rio Ituxi, no Amazonas, comemorou quando conseguiu ingressar no curso de direito da Universidade de Brasília (UnB) – mesmo que, com a pouca grana, não saiba até quando deve ficar na cidade. Ela conta que foi a primeira Paumari a ingressar no curso, sendo que existem 1,8 mil da mesma etnia. Começou as mudanças cedo, aos 5 anos, quando precisou sair da aldeia e ir para a cidade mais perto – ela e os pais foram para o município de Lábrea. Segundo Ingrid, a família precisou mudar para conseguir estudar em uma escola melhor. "Eu aprendi português desde criança, sempre com a minha língua junto. Eu falo arauá, mas tem coisas que eu já esqueci por causa da mudança", disse. Para chegar a Brasília, o Coletivo Purus fez uma “vaquinha” para pagar a passagem nas redes sociais. Ainda sem resposta sobre a residência universitária, ela vive o primeiro mês na casa de outra indígena que faz pós-graduação. A grana que conseguiu, vale para mais um mês. Até lá, ela tenta uma bolsa permanência da universidade e todas as opções disponíveis do governo. Ela come no restaurante universitário e precisa de uma vaga na residência. Saiba mais sobre a história da Ingrid. Roberta Jaworski / Editoria de Art […]

  • Encceja Nacional já tem mais de meio milhão de inscritos
    on 18 de abril de 2018 at 20:04

    Inscrições foram abertas na segunda e vão até o dia 27 de abril; prova acontecerá em 5 de agosto. Inscrição do Encceja 2018 pode ser feita pela internet até o dia 27 Reprodução A edição de 2018 do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja Nacional) recebeu 542 mil inscrições em 48 horas, segundo balanço parcial divulgado na tarde desta quarta-feira (18) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). As inscrições foram abertas na segunda (16) e poderão ser realizadas até as 23h59 de 27 de abril. As provas estão marcadas para 5 de agosto. O Sistema de Inscrição pode ser acessado pelo endereço http://enccejanacional.inep.gov.br/encceja. Entre 30 de abril e 4 de maio serão recebidas as solicitações para Atendimento por Nome Social. O Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) é indicado para quem não concluiu os estudos no tempo regular. Até 2016, o Enem podia ser usado para obter o diploma do ensino médio ou fundamental. Foram 991.268 inscritos no último ano em que o Enem serviu para esse propósito. Em 2017, 1,5 milhão de pessoas no Brasil e no exterior se inscreveram no Encceja. Datas das demais edições O Encceja Nacional terá provas em 5 de agosto e o Encceja Exterior, em 16 de setembro. As edições direcionadas a adultos submetidos a penas privativas de liberdade e adolescentes sob medidas socioeducativas que incluam privação de liberdade (PPL) serão realizadas em setembro. Enquanto o Encceja Exterior PPL terá as provas aplicadas entre 17 e 21, o Encceja Nacional PPL será realizado em 18 e 19. […]

  • Professores apostam em projetos especiais para evitar evasão de alunos em Curitiba
    on 18 de abril de 2018 at 15:30

    Em uma das escolas, estudantes cantam hino nacional antes das aulas. Índice de evasão na cidade é maior do que o do Paraná, segundo o IBGE. Escolas de Curitiba desenvolvem projetos para conter evasão escolar Professores de Curitiba têm investido em projetos especiais para incentivar alunos a frequentar a escola. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que é alto o número de crianças e de adolescentes, entre seis e 14 anos, fora das salas de aula em Curitiba: 2,4%. O índice é maior em comparação aos do Paraná e do Brasil, que são de 1,7% e de 2,1%, respectivamente. Ações de incentivo Todos os dias, as aulas em uma das escolas do bairro Cajuru começam só depois que os alunos cantam o hino nacional. Reprodução/RPC Todos os dias, as aulas em uma das escolas do bairro Cajuru começam só depois que os alunos cantam o hino nacional. O aprendizado, além da formação cívica, leva em conta atividades pedagógicas que nada mais são do que grandes brincadeiras. Também tem aula de educação no trânsito - desde os oito ou nove anos de idade, a criançada já aprende a respeitar as regras pra viver em sociedade. "É legal porque a gente pode aprender a andar no trânsito", diz o estudante Carlos Fernandes, de sete anos. "Eu me divirto", diz a aluna Valeska Cabral, de 7 anos. Tanta diversão não poderia ter um resultado mais prático do que fazer com que os alunos tivessem vontade de vir pra escola. Foi o que percebeu a funcionária pública Marinilza Guadagnin com a filha. "Na outra escola que ela estava, não tinha. Era um sacrifício para tirar da cama. Agora, ela vem com entusiasmo", lembra. As atividades ajudaram no desenvolvimento do filho da servidora pública Rosicleide Moraes, que é mais quieto. "Ele passou a interagir mais com as crianças: tem aula de música, futebol de rua, plantação na hora... Várias atividades que ele interage mais", conta. Quando inaugurada, há 10 anos, a escola registrava uma média de 60 alunos com problemas de frequência. Mas, nos últimos anos, conseguiu reduzir e muito esse número. "Com a evasão escolar, nós vimos que a ficha de ausência mensal diminuiu com as ações", conta a diretora Karina Contin. Uma outra escola na Vila Guaíra também tinha um dos maiores índices de evasão em Curitiba. Com a dedicação de todos professores, diretores e funcionários, o colégio conseguiu reverter isso ao longo dos anos. Tudo começa na sala de aula. Se o aluno tem três ou mais faltas, a escola quer saber o motivo. O professor entrega pra direção um bilhetinho avisando a ausência e uma representante da rede de proteção que trabalha na escola chega, inclusive, a ir até a casa do aluno, dependendo do caso. "Nós vemos o porquê dele não estar vindo. Se os pais não mandarem, a gente vai atrás, eles já sabem disso", afirma a representante da Rede de Proteção, Cláudia Mayer. Veja mais notícias do estado no G1 Paraná. […]

  • Olimpíada Nacional em História do Brasil recebe inscrições até o dia 24
    on 18 de abril de 2018 at 08:00

    Projeto é realizado pela Unicamp e tem como público-alvo os professores de história e alunos do ensino fundamental II e médio. Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) recebe inscrições até 24 de abril Divulgação Professores e estudantes de escolas públicas e particulares de todo o Brasil podem se inscrever até a próxima terça-feira (24) na edição de 2018 Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). O projeto é realizado pelo Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e já está em sua décima edição. As inscrições podem ser feitas pela internet, no site oficial da ONHB. A inscrição por equipe de escola pública tem uma taxa de R$ 45; para as escolas particulares, a taxa é de R$ 90 por equipe. Cristina Meneguello, coordenadora da olimpíada, explica que "foi pensada para incentivar o desenvolvimento da análise crítica e discussões sobre os mais variados assuntos", e que os estudantes recebem "informações, textos, imagens e mapas para serem analisados e pesquisados para a elaboração das respostas". Sete fases de competição Neste ano, a ONHB terá sete fases na competição: as seis primeiras acontecem pela internet, e a sétima, considerada a grande final da olimpíada, acontece de forma presencial na Unicamp, em Campinas (SP), no mês de agosto. No ano passado, a ONHB afirma que um total de 48 mil alunos de todos os estados brasileiros participaram da olimpíada, e 307 grupos, com um total de 1.200 competidores, foram até a final. O Ceará ficou em 1º lugar no ranking de medalhas. De acordo com as regras, pelo menos 200 equipes são classificadas para a final. Calendário da ONHB 2018 Inscrições: até 24 de abril Seis fases iniciais (online): 7 de maio a 16 de junho Final presencial na Unicamp: 18 e 19 de agosto […]

  • UnB lança edital do vestibular de junho; inscrições abrem quarta-feira
    on 17 de abril de 2018 at 20:02

    São 2.105 vagas para 98 cursos de graduação. Prazo para inscrições vai até 29 de abril, taxa custa R$ 150.  O primeiro vestibular com o sistema de cotas para negros foi realizado em junho de 2004. A UnB foi a primeira instituição do pais a adotar o sistema. Dos 4.385 cotistas inscritos no plano, 4.173 têm suas inscrições homologadas. UnB Agência Será aberto nesta quarta-feira (18) o período de incrições para o vestibular de ingresso na Universidade de Brasília (UnB) a partir do segundo semestre de 2018. Ao todo, serão oferecidas 2.105 vagas para 98 cursos de graduação nos campi Darcy Ribeiro (Plano Piloto), Ceilândia, Gama e Planaltina. As inscrições vão até 29 de abril. Para participar do vestibular, os candidatos devem acessar o portal do Cespe e ler o edital de ingresso. As mais de 2,1 mil vagas serão oferecidas pelo sistema de concorrência universal (992) e de cotas para negros (112) e estudantes de escolas públicas (1.071) – dentro dessa, há reserva para pessoas com deficiência. Na solicitação de inscrição, é necessário optar pelo sistema de concorrência, pela língua estrangeira e selecionar uma pré-opção de campus, curso e turno. Também é preciso enviar uma fotografia individual de frente e num fundo branco. Candidatos realizam as provas do segundo dia do 2º Vestibular da Universidade de Brasília (UnB) de 2012 Reprodução/TV Globo As provas serão realizadas em Brasília (DF), Brazlândia (DF), Ceilândia (DF), Gama (DF), Planaltina (DF), Sobradinho (DF), Taguatinga (DF), Formosa (GO), Goiânia (GO), Valparaíso (GO) e Uberlândia (MG). Taxa O valor da tarifa de inscrição para o vestibular da UnB é de R$ 150,00 e deve ser pago até, no máximo, 18 de maio. Estudantes treineiros, ou seja, que não concluíram o ensino médio e fazem a prova como exercício, pagam o mesmo valor. Estudantes aprovados comemoram resultado no vestibular da UnB Marília Marques/G1 Para obter isenção do pagamento, é necessário comprovar renda familiar per capita igual ou inferior a um salário mínimo (R$ 954) e ter feito ensino médio na rede pública ou como bolsista integral de instituição privada. Estão isentos, ainda, candidatos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). O prazo para solicitar a isenção é o mesmo das inscrições para todas as possibilidades – 29 de abril. Cronograma Inscrições: 18 de abril, a partir de 10h, a 29 de abril, até 18h; Divulgação dos locais de prova: 30 de maio; Provas: 2 (Linguagens, Ciências Humanas e redação) e 3 de junho (Ciências exatas e biológicas), de 13h às 18h (no máximo); Gabarito oficial: 22 e 23 de junho; Resultado da primeira chamada: 10 de julho. Veja mais notícias da região no G1 DF. […]

  • Educadores infantis da rede municipal de ensino de Araucária entram em greve
    on 17 de abril de 2018 at 14:31

    Cerca de 80% dos CMEIs interromperam as atividades nesta terça-feira (17); prefeitura diz que não é possível atender às reivindicações neste momento. Educadores infantis da rede municipal de ensino de Araucária entram em greve Educadores dos Centros de Educação Infantil (CMEIs) de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, entraram em greve nesta terça-feira (17). Cerca de 80% dos CMEIs interromperam as atividades nesta manhã, de acordo com o sindicato da categoria. Eles pedem, entre outras reivindicações, a equiparação da categoria de educador com a de professor e reclamam que a negociação com a prefeitura está difícil. De acordo com o sindicato, muitas vezes, esses profissionais desempenham a função de professores, mas acabam não tendo os mesmos direitos. Eles dizem que faltam, por exemplo, momentos para planejar as atividades com as crianças - as chamadas horas-atividade. Os educadores querem também que o calendário letivo dos CMEIs seja igual ao das escolas municipais. Eles dizem que faltam, por exemplo, momentos para planejar as atividades com as crianças - as chamadas horas-atividade Luiza Vaz/RPC Em entrevista à RPC, nesta manhã, o secretário de Governo de Araucária, Genildo Carvalho, disse que, neste momento, não é possível atender às reivindicações dos servidores. De acordo com o secretário, a prefeitura vem negociando com os servidores há mais de um ano, porém, segundo ele, é necessária a criação de uma comissão para avaliar esses pedidos e saber a legalidade e a viabilidade das reivindicações. Genildo acrescentou, ainda, que vai tentar negociar o fim da greve. Se isso não acontecer, os dias parados devem ser descontados dos salários dos servidores. Cerca de 80% dos CMEIs interromperam as atividades nesta manhã, de acordo com o sindicato da categoria Luiza Vaz/RPC Veja mais notícias do estado no G1 Paraná. […]

  • Vestibular da Uerj abre inscrições para prova da primeira fase
    on 17 de abril de 2018 at 14:26

    Primeiro exame de qualificação está marcado para o segundo domingo de junho. Fachada da Uerj, no câmpus do Maracanã Reprodução/G1 Estão abertas as inscrições para o 1º Exame de Qualificação do Vestibular da Uerj. O candidato tem até o dia 30 para se cadastrar nesta fase, que conta pontos para a etapa final. Haverá ainda uma segunda prova de qualificação, caso o estudante queira melhorar sua nota. Instruções para inscrição Taxa no valor de R$ 60 deve ser paga até o dia 2/5 em qualquer agência bancária O cartão de confirmação, que informará o local de realização do exame, estará disponível no portal do vestibular a partir do dia 22/5 A prova está marcada para o dia 10/6, um domingo. Como é o Exame de Qualificação Não haverá escolha do curso nesta fase Será realizado por meio de prova de múltipla escolha O candidato ganhará de 5 a 20 pontos de acordo com seu desempenho Para esta prova, será cobrada a leitura do "Livro de Sonetos", de Vinicius de Moraes. […]

  • UFSCar realiza atividades para mostrar a realidade dos estudantes indígenas
    on 16 de abril de 2018 at 22:09

    Até o dia 25 de abril serão feitas apresentações de trabalhos acadêmicos e culturais, discussões e palestras e mostras sobre a realidade do índio na universidade.  Lennon Corezomaé será o primeiro indígena a cursar mestrado na UFSCar Lidiane Volpi/UFSCar Uma das poucas universidades do país com vestibular indígena, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) irá realizar a partir desta segunda-feira (16), a 4ª Semana dos Estudantes Indígenas. Dia 19 de abril é comemorado o 'Dia do Índio' no Brasil. A UFSCar conta com 223 estudantes indígenas de 42 etnias. O evento é organizado desde 2015 pelo Centro de Culturas Indígenas (CCI) da universidade e procura promover o intercâmbio cultural e a difusão de alguns valores da cultura dos povos indígenas do Brasil para a comunidade acadêmica e a população de São Carlos. O tema desta edição, que vai até dia 25, é “Acadêmicos indígenas: propondo o diálogo entre Ciência e conhecimento tradicional”. Grupo de professores e veteranos da UFSCar recebe calouros indígenas Fabiana Assis/G1 As atividades começam nesta segunda-feira (16), com um curso de formação para professores do Ensino Fundamental I da rede pública de São Carlos. A abertura oficial acontece na terça-feira (17). Na quarta-feira a programação começa com a apresentação de trabalhos de conclusão de curso desenvolvidos por estudantes indígenas. Na quinta-feira, no “Dia do Índio”, haverá roda de conversa sobre a data como dia de luta pelas causas indígenas, atividades de pintura corporal e Toré (ritual indígena). Além disso, serão apresentadas as experiências de estudantes indígenas e negros que participaram de intercâmbios em universidades de outros países. Na sexta, o destaque será a presença da cacique Kambeba Eronilde Fermin, formada no curso de Pedagogia Intercultural Indígena na Universidade Estadual do Amazonas (UEA). As atividades seguem até o dia 25 de abril e acontecem no campus da UFSCar. Confira a programação completa: Terça-feira (17) 19h - Abertura oficial - Teatro Bento Prado Júnior Quarta-feira (18) 10h às 17h30 - Apresentação de trabalhos e experiência de alunos indígenas nos Programas de Educação Tutorial (PETs) - Biblioteca Comunitária da UFSCar Quinta-feira (19) 9h - Roda de conversa: O “Dia do Índio” como o dia de luta pelas causas indígenas - Biblioteca Comunitária, 11h às 12h30 - Pintura corporal - em frente à Biblioteca Comunitária 12h30 às 13h - Toré (ritual indígena) - Saída da Biblioteca Comunitária rumo ao Restaurante Universitário 14h30 às 17h30 - Apresentação das experiências de estudantes indígenas e negros que participaram de intercâmbios em universidades de outros países por meio do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias do Nascimento, vinculado ao Ministério da Educação (MEC). Toré da etnia Pankararu. Ricardo Moura/ Divulgação Secult-PE Sexta-feira (20) 9h às 12h30 - Roda de conversa com a Cacique Kambeba Eronilde Fermin, Teatro Bento Prado Júnior 14h30 às 17h30 - Roda de conversa: ‘O histórico do movimento indígena e a organização das associações indígenas’. Teatro Bento Prado Júnior Sábado e domingo (21 e 22) - Torneio Pajé - Quadras da UFSCar Segunda feira (23) 9h às 12h30 - Roda de conversa sobre ‘A importância dos acadêmicos e profissionais graduados indígenas nas suas comunidades’ - Teatro Bento Prado Júnior. 15h às 17h - Oficina de artesanato com estudante do povo Pataxó da Bahia - Auditório 1 da BCO. Terça-feira (24) 14h30 às 17h30 - Roda de conversa’ Mulheres Indígenas na Produção de Conhecimento’ - Auditório 1 da BCO. Quarta-feira (25) 19h - Exibição de filme sobre a temática indígena e debate com representantes do CCI - Teatro Florestan Fernandes. Documentário Imagem do filme 'Martírio' Divulgação / Página oficial do filme no Facebook Além dessa programação, o ‘Cinemas em Rede’ apresenta o documentário “Martírio”, do diretor Vincent Carelli. O longa levanta o debate sobre genocídio e um conflito de forças desproporcionais contra o povo indígena Guarani Kaiowá. A exibição do filme será na quinta (19), às 18h, no CineUFSCar. Após a exibição haverá um debate em rede com o diretor do filme, Vincent Carelli, a coordenadora e curadora da Vitrine Filmes, Talita Arruda, o antropólogo e pesquisador sobre os Guaranis, Spensy Kmitta Pimentel, o estudante de direito e liderança Pataxó, Genilson Taquari, e o líder Guaraní, Marcelo Wera Djekupe. A entrada é gratuita. Veja mais notícias da região no G1 São Carlos e Araraquara. […]

  • Enem 2018 vê número de candidatos isentos cair após aplicação de nova regra
    on 16 de abril de 2018 at 19:40

    Neste ano, quem teve direito à isenção precisou solicitá-la antes de se inscrever; após fim do prazo, número de pedidos foi de 3,8 milhões, o que representa no mínimo 19% a menos que o total de 2017; Inep vai divulgar quem terá ou não o direito à isenção no dia 23. Enem 2018: tela 1 do pedido de isenção Reprodução/ Inep A edição 2018 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) recebeu 3,8 milhões de pedidos de isenção da taxa de inscrição. O prazo terminou às 23h59 deste domingo (15). Segundo balanço divulgadou na tarde desta segunda-feira (16) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 3.818.663 enviaram o pedido dentro do prazo. Como o resultado de quem efetivamente vai poder se inscrever sem pagar a taxa de R$ 82 sai na próxima segunda (23), é possível que o número total de isentos neste ano seja menor. Menos isentos em 2018 No Enem 2017, segundo dados do próprio Inep, 4.731.592 estudantes se inscreveram no exame com direito à isenção. Eles representaram 70% do total de inscritos confirmados, mas cerca de 40% deles faltou a pelo menos um dos dois dias de prova. Nesse ano, o número de candidatos isentos já é pelo menos 19% menor que na edição anterior – o universo possível é de 3,8 milhões, mas, para garantir o direito, os estudantes terão que confirmar os dados. Concluintes na rede pública Além dos candidatos que têm direito à isenção garantido por lei, o Enem 2018 vai ter meio milhão de estudantes que cursam o terceiro ano do ensino médio em escola pública a menos com a isenção. Isso porque, até o ano passado, esse grupo tinha a isenção automática garantida no ato da inscrição, quando informaram o código da escola e o ano da matrícula. Neste ano, porém, o Inep exigiu que eles também solicitassem a isenção antecipadamente, uma etapa que não existia em 2017. Segundo o balanço do Inep divulgado nesta segunda, 971.924 candidatos na situação de concluintes do ensino médio em escola pública serão isentos. No ano passado, esse número foi de 1.486.448. A queda é de 34,6%. Ausentes em 2017 podem perder isenção em 2018 O Inep informou ainda que 208.588 candidatos com direito à isenção por lei que tenham sido isentos em 2017, mas faltaram ao Enem, pediram a isenção neste ano. Porém, também segundo as novas regras do governo federal, eles só poderão fazer o Enem neste ano sem pagar a taxa se comprovassem que a ausência no ano passado foi justificada. "Entretanto, apenas 8.486 apresentaram a documentação exigida e 200.102 declararam não possuir documentos que justificassem a ausência no exame", antecipou a autarquia. Corte de gastos A decisão de processar os pedidos de isenção antes das inscrições do Enem foi implementada neste ano, segundo o Inep, para "evitar desperdícios de recursos públicos". O órgão diz que, nas últimas cinco edições do Enem, acumulou um prejuízo de R$ 962 milhões e que a maior parte dos faltantes nas provas são candidatos que não pagaram a taxa. Quem tem direito à isenção? Estão isentos aqueles que: estão cursando a última série do Ensino Médio, em 2018, em escola da rede pública declarada ao Censo Escolar; fizeram todo o ensino médio em escola da rede pública ou como bolsistas integrais na rede privada, e têm renda, por pessoa, igual ou menor que um salário mínimo e meio (R$ 1.431); estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica por serem integrantes de família de baixa renda e que possuam Número de Identificação Social (NIS), único e válido, e renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo (R$ 477) ou renda familiar mensal de até três salários mínimos (R$ 2.862); fizeram o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2017 e atingiram nota mínima para certificação. Calendário do Enem 2018 Veja as próximas datas da realização do exame: 23 de abril: resultados dos pedidos de isenção 23 a 29 de abril: intervalo para apresentar novos documentos, caso o pedido de isenção seja negado 7 a 18 de maio: inscrições do Enem (para todos os candidatos, isentos ou não) 4 e 11 de novembro: provas do Enem 2018 […]

  • ‘Fui professor por 17 anos sem saber ler’
    on 16 de abril de 2018 at 18:59

    O americano John Corcoran conseguiu se formar na universidade e entrar na docência guardando um segredo que o atormentava. Até que, aos 48 anos, ele decidiu enfrentá-lo. Queria que pessoas como eu soubessem que há esperança, há solução. Não somos burros, podemos aprender a ler, e nunca é tarde demais BBC John Corcoran teve uma infância comum no Estado americano do Novo México, nas décadas de 1940 e 50. Frequentou a escola e a universidade e se tornou professor quando se formou - mas fez tudo isso guardando um segredo improvável: ele não conseguia ler uma frase sequer. Em depoimento à BBC, ele relata o sofrimento de ter tido que recorrer a estratégias frequentes para esconder seu analfabetismo, até decidir revelar a verdade ao mundo, aos 48 anos: "Quando eu era criança, escutava dos meus pais que eu era um vencedor. E, nos meus primeiros seis anos, eu acreditei nisso. Demorei a aprender a falar, mas frequentava a escola cheio de expectativas de aprender a ler como minhas irmãs - e tudo correu bem nos primeiros anos, porque o que mais se exigia das crianças era fazer fila, sentar, ficar caladas e ir ao banheiro no horário determinado. Até que, na segunda série, a gente precisava aprende a ler. Mas para mim (o livro didático) era como um jornal em mandarim - não entendia o que estava naquelas linhas. E, aos seis, sete e oito anos de idade, eu não sabia como explicar esse problema. Lembro-me de rezar à noite pedindo: 'por favor, Deus, faça com que eu saiba ler amanhã ao acordar'. Às vezes eu abria um livro para ver se havia ocorrido um milagre. Mas isso não acontecia. Na escola, eu fui colocado na fileira dos 'burros', com um monte de outras crianças com dificuldades para aprender a ler. Não sabia como tinha ido parar ali, como sair dali e nem que perguntas eu precisava fazer. O professor não chamava a nossa fileira de 'crianças burras' - não havia esse tipo de crueldade -, mas os colegas falavam assim. E quando você senta na fileira dos burros, você começa a achar que é burro mesmo. Na quinta série, eu praticamente havia desistido de aprender a ler, conta John Arquivo pessoal Nas reuniões escolares, meu professor só disse aos meus pais, 'ele é inteligente, ele vai entender'. E me passaram para a terceira série. 'Ele é inteligente, ele vai entender'. E me passaram para a quarta série. 'Ele é inteligente, ele vai entender'. E me passaram para a quinta série. Mas a verdade é que eu não estava entendendo. Na quinta série, eu praticamente havia desistido de aprender a ler. Eu me levantava de manhã, me vestia e ia para a escola como se estivesse indo para a guerra. Eu odiava a sala de aula. Era um ambiente hostil e eu precisava encontrar formas de sobreviver. Quando cheguei à sétima série, passava a maior parte dos dias na sala do diretor. Eu era briguento, desafiador, palhaço, perturbador; até ser expulso da escola. Mas esse comportamento não refletia como eu me sentia por dentro - não era quem eu queria ser. Eu queria ser alguém diferente, queria ser bem-sucedido, um bom aluno. Mas simplesmente não conseguia. Na oitava série, cansei de envergonhar a mim mesmo e à minha família. Decidi que ia me comportar. E, no ensino médio, se você se comporta, você consegue avançar dentro do sistema. Então decidi ser um queridinho do professor e fazer todo o possível para passar o sistema. Queria ser atleta - eu tinha habilidades atléticas e matemáticas, tanto que conseguia contar dinheiro e fazer tabuada antes mesmo de ir pra escola. Eu também tinha habilidades sociais. Andava com os garotos universitários e namorava a menina com as notas mais altas da escola. Fui 'rei da festa de formatura' e conseguia que meus colegas - geralmente meninas - fizessem a lição de casa para mim. Conseguia escrever meu nome e lembrava algumas palavras, mas era incapaz de escrever uma frase. No ensino médio, eu lia como se estivesse na segunda série. E nunca disse isso para ninguém. Durante as provas, eu colava ou passava a folha para alguém responder as perguntas para mim. Mas, quando passei para a universidade com uma bolsa de atleta, a história mudou. Pensei: 'Meu Deus, isso é demais para mim, como vou fazer?' Entrei para uma fraternidade que tinha cópias de provas antigas. Era uma das formas que eu usava para colar. Tentei acompanhar as aulas ao lado de um colega, para me ajudar. E tentei também estratégias mais criativas e desesperadas para passar de ano. Em uma prova, o professor escreveu quatro perguntas na lousa para copiarmos. Eu estava sentado no fundo da sala, perto da janela. Com muito sacrifício, eu escrevi as quatro perguntas. Mas não sabia o que elas queriam dizer. Havia combinado com um amigo de ficar do lado de fora da janela. Ele era provavelmente o aluno mais esperto que eu conhecia, e havia acertado de apresentar ele para a menina de quem ele gostava. Então, ele respondeu as perguntas para mim. Em outra ocasião, eu invadi a sala do professor três noites seguidas, à meia-noite, como um ladrão, para procurar pela prova. Eu sabia que havia cruzado uma linha - não era mais apenas um estudante que colava, eu era um criminoso. E mesmo assim não consegui encontrar a prova. Deduzi que ela estaria dentro de um gaveteiro trancado à chave, então chamei três amigos para irem comigo à sala do professor à 1h da manhã. Carregamos o gaveteiro, colocamos dentro de um carro e o levamos embora. Consegui que um chaveiro abrisse para mim e peguei uma cópia da prova, e um amigo inteligente me deu as respostas. Devolvemos o gaveteiro e, às 5h da manhã daquele dia, eu acordei pensando: 'Missão impossível cumprida!'. Me sentia muito bem por ser tão esperto. Mas simplesmente deitei na minha cama e comecei a chorar como um bebê. Por que eu não pedi ajuda? Porque não acreditava que ninguém poderia me ensinar a ler. Era um segredo que eu guardava. Meus pais e professores diziam que pessoas com diploma universitário conseguem empregos melhores e vidas melhores, então acreditei nisso. Minha motivação era apenas conseguir o diploma. Talvez algum dia, por osmose, por orações ou por milagre eu aprendesse a ler. Assim eu me formei, e havia uma escassez de professores. Recebi uma oferta de emprego. É a coisa mais ilógica de se pensar: eu havia escapado da jaula do leão e voltava para atiçar o leão outra vez. Por que virei professor? Olhando para trás, parece uma loucura. Mas eu havia cursado a escola e a universidade sem ser desmascarado, então ser professor parecia um bom esconderijo. Ninguém suspeita que um professor não sabia ler. Ensinei coisas diversas. Fui técnico de atletismo. Ensinei estudos sociais. Ensinei digitação - conseguia digitar 65 palavras por minuto, sem saber o que estava digitando. Nunca escrevi nada na lousa, e não havia palavras escritas nas minhas salas de aula. Havia muitos filmes e discussões. Mas eu lembro do medo que sentia. Eu sequer conseguia fazer a chamada. Tinha que pedir aos estudantes para pronunciar seus nomes, para que eu pudesse sabê-los. E identificava dois ou três estudantes para me ajudar nas aulas. Eles não suspeitavam de nada - ninguém suspeita do professor. Um dos meus maiores pavores eram as reuniões semanais de professores. Às vezes o diretor pedia que alguém escrevesse as ideias na lousa. Eu tinha um plano: se ele me pedisse, eu ia fingir um desmaio e torcer para que eles chamassem o socorro. Eu fazia de tudo para não ser flagrado, e não fui. Às vezes eu me sentia um bom professor, porque eu trabalhava duro e realmente me importava com o que fazia. Mas eu não era um bom professor. Eu estava errado. Meu lugar não era na sala de aula, eu estava invadindo um terreno que não era meu. Algumas vezes isso me deixava fisicamente doente, mas eu estava dentro de uma armadilha e não podia contar para ninguém. Me casei durante meu período como professor. O casamento é um sacramento, um compromisso de ser verdadeiro com alguém. Foi a primeira vez que pensei: 'Vou confiar nessa pessoa, vou contar para ela'. Eu treinei na frente do espelho: 'Cathy, eu não sei ler. Cathy, eu não sei ler'. Uma noite, enquanto estávamos sentados no sofá, eu finalmente disse: 'Cathy, eu não sei ler'. Mas ela não entendeu direito. Ela achou que eu estava dizendo que não lia muito. O amor é cego e surdo. E assim casamos, tivemos um filho e só anos depois ela foi entender. Eu estava lendo para a nossa filha de três anos. Líamos para ela com frequência, mas não era realmente uma leitura - eu inventava histórias a partir das que conhecia, como Cachinhos Dourados ou Os Três Ursos. Só que havia um livro novo, Rumpelstiltskin, e a minha filha me disse: 'Você não está lendo igual à mamãe'. A minha mulher me ouviu tentando ler um livro infantil e a ficha caiu. Ela se deu conta de que eu sempre pedia para ela escrever coisas para mim, e finalmente ela entendeu quão grave era o meu problema. Mas nada foi dito, não houve nenhum confronto, ela simplesmente continuou me ajudando. Não aliviou em nada, porque por dentro eu me sentia burro, me sentia uma farsa. Eu era um enganador. Ensinava meus alunos a buscar a verdade, e era o maior mentiroso da sala. O alívio só veio quando eu finalmente aprendi a ler. Fui professor entre 1961 e 1978. Oito anos depois de deixar meu emprego, algo finalmente mudou. Tinha quase 48 anos quando vi Barbara Bush, então primeira-dama dos EUA, falando sobre analfabetismo adulto na TV. Era a causa que ela combatia. Eu nunca havia escutado ninguém falando de analfabetismo adulto antes, achava que era a única pessoa do mundo naquela situação. Eu estava em um momento de desespero. Queria contar para alguém e queria pedir ajudar. Um dia, estava na fila do mercado e ouvi duas mulheres conversando sobre um homem que estava aprendendo a ler na biblioteca. Elas falavam com muita alegria, e eu não conseguia acreditar. Fui até a biblioteca, perguntei pela diretora do programa de alfabetização, me sentei com ela e contei que não sabia ler. Foi a segunda pessoa a quem contei isso na minha vida adulta. Ganhei uma tutora voluntária de 65 anos. Ela não era uma professora, apenas alguém que amava ler e não queria que ninguém passasse pela vida sem saber fazer o mesmo. Ela logo tentou fazer com que eu escrevesse, porque eu tinha todos esses pensamentos na cabeça e nunca havia escrito uma frase com eles. A primeira coisa que escrevi foi um poema com meus sentimentos. O bom da poesia é que você não precisa escrever em frases completas. Ela conseguiu me ensinar a leitura até o nível da sexta série - era como se eu tivesse morrido e ido ao paraíso. Mas levei sete anos para me sentir alfabetizado. Eu chorava, chorava, chorava depois de começar a ler - foi um processo repleto de dor e frustração -, mas isso preencheu um buraco enorme na minha alma. Adultos que não sabem ler tiveram sua infância suspensa, emocionalmente, psicologicamente, academicamente, espiritualmente. Somos pessoas que não cresceram. Minha tutora me encorajou a contar minha história para motivar outros e promover a alfabetização, mas eu disse: 'De jeito nenhum. Morei nesta comunidade por 17 anos, meus filhos, meus pais e minha mulher moram aqui. Não é uma história que eu queira contar'. Até que eu decidi contar. Era um segredo vergonhoso, então foi uma decisão difícil de tomar, mas, quando a tomei, decidi contar minha história para todo o país, para quem quisesse ouvir. Depois de guardar meu segredo por décadas, eu decidi expulsá-lo de mim. Contei minha história (nos programas de TV) da Oprah, do Larry King. Era incômodo para as pessoas escutarem a história de um professor que não sabia ler. Teve gente que disse que eu havia inventado a história toda. Mas eu queria que pessoas como eu soubessem que há esperança, há solução. Não somos 'burros', podemos aprender a ler, e nunca é tarde demais. Infelizmente, continuamos a empurrar crianças e adolescentes pelo sistema escolar sem ensiná-las habilidades básicas de leitura e escrita. Mas podemos romper esse ciclo de fracasso se, em vez de culpar os professores, nos assegurarmos de que eles sejam devidamente treinados. Por 48 anos, eu vivi no escuro. Mas finalmente eu enterrei o fantasma do meu passado." Depoimento concedido a Sarah McDermott, da BBC. […]

  • Com faculdades públicas e sem vestibular, Argentina atrai cada vez mais universitários brasileiros
    on 16 de abril de 2018 at 18:46

    Instituições veem aumento da presença de estudantes do Brasil desde a crise econômica, em um movimento que já causa incômodo em alguns setores acadêmicos argentinos. A possibilidade de estudar gratuitamente no exterior sem ter que prestar vestibulares tem atraído número crescente de universitários brasileiros para as universidades argentinas - a ponto de causar incômodo em alguns setores acadêmicos do país vizinho. Nos últimos anos, a presença de estudantes brasileiros de diferentes regiões passou a ser cada vez mais frequente em cidades como Buenos Aires, La Plata e Rosario, onde estão algumas das principais universidades públicas da Argentina. Há alunos brasileiros também em universidades menos conhecidas, como a do balneário de Mar del Plata, a 400 km de Buenos Aires. O curso de Medicina é o mais procurado pelos brasileiros, segundo assessores das instituições de ensino argentinas. O sistema universitário argentino exige dos brasileiros apenas o diploma do ensino médio, reconhecido nos ministérios da Educação do Brasil e da Argentina, e um documento de identidade (o DNI, emitido pelas autoridades migratórias). O desempenho do aluno no ensino médio não é avaliado. No caso do DNI, o processo foi simplificado nos últimos anos, mas o agendamento para o início da emissão do documento pode demorar alguns meses. Sem vestibular Diferentemente das universidades brasileiras, as universidades públicas argentinas não têm limites de vagas para vários cursos, incluindo os de Medicina, de acordo com a assessoria de imprensa das instituições acadêmicas. Essa facilidade de ingresso tem sido um chamariz para estudantes brasileiros. Outro fator de peso, segundo acadêmicos ouvidos pela BBC Brasil, é a crise econômica brasileira. "Nos perguntamos aqui por que tantos alunos brasileiros vieram nos últimos dois ou três anos e entendemos que o período coincide com a crise no Brasil", disse um assessor acadêmico, pedindo para não ser identificado. "Sem dúvida, o que vem ocorrendo nos últimos tempos chama a atenção", disse outro. A Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de La Plata (UNLP), a uma hora e meia de Buenos Aires, registrava em 2015 apenas 11 alunos brasileiros. Esse número saltou para 311 em 2017 e, neste ano, há 566 universitários brasileiros matriculados. A reitoria da Faculdade de Medicina da UNLP diz que, nesse caso específico, o aumento é explicado pelo recente fim da exigência da prova de admissão, colocando em prática uma lei nacional de 2015. "As provas (de admissão) deixaram de ser exigência para todas as universidades desde o retorno da democracia, nos anos 1980. Mas, por serem autônomas, algumas delas ainda aplicavam provas", explica o reitor da Universidade Nacional de Rosário (UNR), Hector Floriani, à BBC Brasil. Ali, dos cerca de 4 mil alunos de Medicina, 1,5 mil são brasileiros. A UNR, assim como a Universidade de Buenos Aires (UBA), já não exigia há anos o exame de admissão, nem mesmo para o curso de Medicina. Para facilitar a vida dos que chegam de fora, algumas universidades ainda oferecem cursos grátis de espanhol, antes de as aulas na faculdade começarem. A brasileira Raquel Moraes, 25 anos, estudou Engenharia durante cinco anos na Universidade de Brasília e decidiu passar para Medicina. Ela está no primeiro ano da Universidade de La Plata e conta que optou por Buenos Aires justamente pela gratuidade e facilidade de ingresso. "Tem muitos brasileiros estudando aqui", agrega. Críticas No entanto, o acesso ilimitado e gratuito - que é igual para argentinos e estrangeiros - começa a despertar críticas em alguns setores acadêmicos. Ainda de forma incipiente, há quem defenda que o acesso continue irrestrito, mas apenas para os estrangeiros que cursaram os ensinos fundamental e médio na Argentina e que provavelmente continuarão vivendo no país. "A Argentina tem mais de 20% de pobres. Não é mais um país rico. Como podemos sustentar a educação da classe média brasileira?", questiona um assessor acadêmico. O reitor Floriani, da UNR, admite que a crescente presença brasileira tem causado preocupação. "É interessante contar com alunos estrangeiros, porque a troca é enriquecedora. Mas depende da quantidade de alunos. Mil e quinhentos (brasileiros) é um número elevado. Além disso, não existe um sistema de reciprocidade. Não imagino que uma universidade federal brasileira receba 1,5 mil alunos argentinos", diz ele, destacando ainda que 80% do sistema universitário argentino é financiado por dinheiro público. Segundo o reitor, algumas famílias brasileiras têm achado mais vantajoso economicamente enviar o filho para uma universidade argentina, mesmo pagando passagem e estadia, do que mantê-lo em uma universidade particular brasileira. Isso apesar de o custo de vida não estar baixo na Argentina, onde a inflação deve chegar a 20% neste ano. Procurados pela BBC Brasil, o Ministério da Educação da Argentina e o Consulado do Brasil no país vizinho informaram não ter dados atualizados sobre estudantes brasileiros nas universidades públicas. Em São Paulo, o ex-ministro brasileiro da Educação Renato Janine Ribeiro concorda que a gratuidade do ensino e a não existência do vestibular são os motivos que atraem os estudantes brasileiros para as universidades argentinas. "É muito difícil entrar para uma universidade pública (no Brasil), principalmente em Medicina, e as particulares são caras", destaca. Mesmo no ensino particular há grande discrepância de valores. O preço da mensalidade de Medicina na faculdade Barceló, em Buenos Aires, onde a presença de brasileiros é a maior entre estudantes estrangeiros, é de 7,5 mil pesos (cerca de R$ 1.250). Já a mensalidade de uma faculdade particular no Brasil pode variar entre R$ 3,5 mil e mais de R$ 7 mil. "Temos estudantes brasileiros de vários lugares do Brasil, como Rio de Janeiro, Mato Grosso e Fortaleza", diz o Departamento de Relações Institucionais e Admissão da Barceló. Janine afirma ainda que a tradição do ensino argentino também contribui para atrair brasileiros, lembrando que ainda é "muito baixo" (20%) o percentual de brasileiros entre 18 e 24 anos matriculados no ensino superior. Fácil entrar, difícil sair? O especialista argentino Alieto Guadagni, membro da Academia Argentina de Educação, é um dos que tem levantado hipóteses para a maior presença de alunos brasileiros nas universidades argentinas. "Será que esses alunos não passaram no Enem no Brasil e buscam as universidades argentinas como alternativa?", questiona. Ao mesmo tempo, Guadagni afirma ainda que, embora seja mais fácil ser admitido, "é mais difícil concluir a faculdade na Argentina". Ele cita dados oficiais de 2015 que apontam que, a cada 10 mil habitantes na Argentina, 29 estudantes concluíram a universidade (não há dados específicos sobre estudantes brasileiros) naquele ano. Sob os mesmos critérios, no Brasil foram 56 estudantes. "Ou o ensino aqui é mais exigente ou os alunos estão menos preparados quando entram na universidade e por isso têm dificuldade de chegar ao final da faculdade", analisa Guadagni. Como regra própria, a Universidade de Buenos Aires, a maior da Argentina, ministra o Ciclo Básico Comum (CBC), que é o primeiro ano de estudo na instituição e vale para estudantes de todas as áreas, incluindo Medicina. O curso pode ser ministrado até à distância. O CBC é cursado durante um ano e oferece cursos específicos paralelos, como compreensão de texto e matemática, para aqueles que apresentam dificuldades para acompanhar o ritmo das matérias. O objetivo, informou a UBA, é "nivelar" a educação dos alunos para facilitar o ensino e aprendizagem "igualitários" nas aulas. 'Meus pais não poderiam pagar' A brasileira Rafaela Laiz, 20 anos, começou a cursar à distância o CBC neste ano e pretende se mudar de Lajinha (MG) para a Argentina em 2019, para cursar Medicina na UBA. "Quero ser cardiologista, mas a faculdade aqui no Brasil é muito cara, em torno de R$ 5 mil. Meus pais não poderiam pagar. Por isso, me inscrevi no CBC da UBA, e no ano que vem vou para Buenos Aires", conta. "Já soube que a prova para revalidar meu diploma argentino aqui no Brasil é bem difícil, mas mesmo assim vale a pena." O Revalida é o exame anual realizado no Brasil para que brasileiros ou estrangeiros que cursaram Medicina no exterior possam exercer a carreira de médico no país. O exame, aplicado pelo INEP (ligado ao Ministério da Educação), é considerado exigente. Em 2016, o índice de reprovação chegou a quase 60%. A UBA, escolhida por Rafaela Laiz, tem 300 mil alunos (40 mil em Medicina) - sendo 4% deles estrangeiros, liderados por brasileiros, que começaram a chegar em maior número a partir de 2016. Os últimos dados disponíveis apontam que mais de 60% dos brasileiros que estudam na UBA escolhem a carreira de Medicina. O subsecretário de Assuntos Internacionais de UBA, Patrício Conejero, diz à BBC Brasil que o destaque da instituição nos rankings universitários internacionais acaba atraindo estrangeiros. "O acesso à universidade é igual para argentinos e estrangeiros. A presença de estudantes estrangeiros contribui para melhorar nossa performance internacional", opina. […]