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G1 > Ciência e Saúde Últimas notícias sobre Ciência e Saúde, com todas as novidades do mundo científico, avanços da medicina e informações para a manutenção de uma vida saudável.

  • Nasa lança satélites para estudar alterações da água na Terra
    on 22 de maio de 2018 at 00:24

    Agência espacial quer oferecer novos conhecimentos sobre o aquecimento global e a elevação do nível do mar. Satélite GRACE-FO foi montado pela Airbus Defence and Space, na Alemanha Airbus DS GmbH/A. Ruttloff Um par de satélites idênticos, do tamanho de dois carros esportivos, serão lançados com a missão de rastrear alterações na água e no gelo terrestres, oferecendo novo conhecimento sobre o aquecimento global e a elevação do nível do mar, informou a Nasa nesta segunda-feira (21). Água subterrânea, oceanos, lagos, rios e mantos de gelo serão monitorados pelo Seguimento do Experimento Climático e Recuperação da Gravidade (GRACE-FO, na sigla em inglês), uma missão conjunta entre a agência espacial americana (Nasa) e o Centro Alemão de Pesquisas em Geociências (GFZ). O lançamento dos satélites está previsto para as 12h47 desta terça-feira (16h47 de Brasília), da base Vandenberg da Força Aérea americana, na Califórnia. O foguete Falcon 9, da SpaceX, irá colocar os satélites em órbita, a 500 km da Terra. A dupla de satélites voará a 220 km de distância um do outro. A Nasa investiu US$ 430 milhões (R$ 1,58 bilhão) na missão e a Alemanha, cerca de US$ 91 milhões (R$ 335 milhões). O novo par de satélites vai retomar as análises do ponto em que a primeira missão GRACE parou, em 2017, após 15 anos de serviço. A primeira missão GRACE deu aos cientistas uma coleção valiosa de dados sobre a retração permanente da massa de gelo na Antártica e na Groenlândia, e gerou informação utilizada em milhares de artigos científicos, informou a Nasa. "A água é crucial para todos os aspectos da vida na Terra – a saúde, a agricultura e a manutenção do nosso estilo de vida", explicou Michael Watkins, chefe científico da missão GRACE-FO e diretor do Laboratório de Propulsão a Jato de Pasadena, Califórnia. "Não se pode gerenciá-la bem até que se possa medi-la. A GRACE-FO fornece um meio único de mensurá a água em muitas de suas fases, permitindo-nos gerenciar os recursos hídricos de forma mais eficaz", concluiu. […]

  • Paris vai expor um dos 'T-Rex' mais conservados do mundo
    on 21 de maio de 2018 at 21:54

    Peça é vista como uma raridade aos olhos de paleontólogos. Museu vai expor um dos três esqueletos de Tiranossauro mais bem conservados do mundo. Divulgação A chegada do segundo esqueleto de Tiranossauro mais bem conservado do mundo em Paris está prevista para esta quarta-feira (22). Pertencente a um museu holandês, a peça ficará exposta no Museu de História Natural da capital francesa de 6 de junho à 2 de setembro. Ele é visto como uma raridade aos olhos de paleontólogos. O gigantesco esqueleto, um dos três “T-Rex” (Tiranossauro Rex) mais bem preservados do mundo deve chegar à capital francesa na madrugada de quarta-feira, segundo informou o jornal francês Le Parisien. Um quebra-cabeça de 250 peças Apelidado de “Trix”, o tiranossauro chegará a bordo de dois caminhões personalizados para o evento. Já em solo francês, uma equipe especial terá que encaixar os 250 ossos e 54 dentes. Na sexta-feira (26), a cabeça medindo 1,50 metros será a última a ser colocada, sempre com a boca bem aberta para assustar ou impressionar os futuros visitantes. Parisienses e turistas terão todo o verão europeu para descobrir essa exposição inteiramente focada no terrível predador. Uma trintona A chegada desse esqueleto à cidade luz é um evento por si só. Este dinossauro de 8 toneladas, que viveu há mais de 67 milhões de anos, é uma raridade. 75% de seus ossos apresentam um excelente estado de conservação. Foi em 2013 que uma equipe de científicos do museu de Leiden exumou “Trix” das terras americanas de Montana, ao norte dos Estados Unidos. “É uma fêmea, que tinha 30 anos e podemos ver que sua vida foi movimentada: ela tem uma marca de mordida na mandíbula inferior”, explicou ao jornal Le Parisien o paleontólogo Ronan Allain.     A vinda de Trix a Paris só foi possível porque o museu Leiden está passando por reformas. A exposição ficará em cartaz até o dia 2 de setembro. […]

  • Cogumelos tóxicos deixam 11 mortos e 800 doentes no Irã; veja como prevenir intoxicações
    on 21 de maio de 2018 at 21:03

    Temporada de chuvas pode ter aumentado disponibilidade de fungos venenosos no oeste do país; especialistas dizem que espécies selvagens só devem ser consumidas se houver 100% de certeza de sua segurança. Nunca se deve comer um cogumelo selvagem sem ter 100% de certeza de sua segurança, dizem especialistas Getty Images Mais de 800 pessoas foram envenenadas - e 11 delas morreram - nas últimas semanas após comerem cogumelos tóxicos em províncias no oeste do Irã, em novo alerta sobre os perigos de ingerir fungos selvagens sem ter certeza absoluta de sua segurança. A maioria dos episódios de envenenamento ocorreu na província de Kermanshah. Não está claro qual a espécie de cogumelo está por trás da crise de saúde. mas, segundo a agência iraniana Tasnim, não há tratamento disponível para as toxinas que vêm sendo identificadas nos pacientes. Como resultado, centenas de pessoas tiveram de ser hospitalizadas e duas tiveram de ser submetidas a transplantes de fígado. O Serviço Persa da BBC explica que é comum a venda de cogumelos selvagens nas ruas de cidades iranianas, e a decisão quanto a comê-los ou não se baseia nos conhecimentos populares. Um volume de chuvas acima do esperado para esta época do ano vem causando um crescimento exponencial dos cogumelos no Irã. O perigo é que os fungos tóxicos, muitas vezes, têm aparência muito semelhante à dos comestíveis. Agora, autoridades estão pedindo à população que não compre cogumelos avulsos, apenas os que tenham sido embalados e disponibilizados em supermercados de confiança. Cogumelo venenoso selvagem coletado no Reino Unido; muitos acabam sendo confundidos com espécies comestíveis BBC Precauções Cuidados na ingestão de cogumelos selvagens são essenciais em qualquer lugar do mundo, uma vez que alguns têm toxinas extremamente poderosas e fatais. Há outros que, mesmo sem causar a morte, provocam severas intoxicações alimentares. Os serviços de saúde pública britânicos advertem que nunca se deve ingerir cogumelos coletados em ambientes selvagens antes de eles serem analisados por pessoas extremamente familiarizadas com eles, porque nem sempre é fácil diferenciar espécies comestíveis das venenosas. Alguns, inclusive, crescem perto uns dos outros. O micologista (especialista em fungos) britânico Ray Tantram afirma que "só com 100% de certeza na identificação" é que um cogumelo selvagem pode ser consumido. Na dúvida, é bom nem tocar no cogumelo ou deixá-lo próximo de outros alimentos, uma vez que eles podem acabar se contaminando. E muitas das toxinas não são eliminadas no cozimento, então, o cogumelo duvidoso deve sempre ser descartado. "Até a metade de um cogumelo (venenoso) pode matar, então, não é uma brincadeira", disse à BBC o chef Mark Lloyd, especializado no assunto. Ele recomenda que pessoas interessadas no assunto comprem diversos guias de micologia e façam cursos especializados para aprender a comparar os cogumelos que encontrarem em suas buscas com as espécies que podem ser ingeridas - muitas vezes, as diferenças entre cogumelos venenosos e os comestíveis estão em pequenos detalhes. "Pegue somente os cogumelos obviamente comestíveis, os que forem inconfundíveis", disse ele. "Se você não está seguro, mantenha distância." […]

  • Brasil tem 14% de vegetarianos e 81% de adeptos à dieta com carne, diz pesquisa Ibope
    on 21 de maio de 2018 at 18:03

    Dados foram obtidos a partir de questionário e indicam declaração dada por entrevistado. Em relação à saúde, 49% disseram que acham que não se cuidam como deveriam.  55% dos brasileiros disseram que consumiriam mais produtos vegetarianos se eles tivessem indicados na embalagem Divulgação Os adeptos da alimentação vegetariana, aqueles que excluem a carne do cardápio, somam 30 milhões (14% da população brasileira), diz pesquisa do Ibope encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira. Já os que se declaram como não vegetarianos chegam a 81%. O levantamento foi feito entre os dias 12 e 16 de abril de 2018 em 102 municípios brasileiros. Nas regiões metropolitanas, houve um crescimento no índice de vegetarianos. Pesquisa feita pelo Ibope em 2012 só nessas áreas apontava para 8% de adeptos da dieta. Hoje, esse índice é de 16% (um pouco maior que a média nacional). Para chegar ao dado da pesquisa de 2018, o Ibope fez a seguinte pergunta aos entrevistados: "o quanto você concorda ou discorda: sou vegetariano". O índice de 14% de vegetarianos foi obtido somando-se a porcentagem de quem disse que concorda totalmente (8%) e parcialmente (6%) com a frase. A mesma metodologia foi adotada dentre os que não se consideram vegetarianos. A pesquisa também mostrou o interesse da população por mais produtos veganos (livres de qualquer ingrediente de produtos de origem animal). Mais da metade dos entrevistados (55%) disse que consumiria mais produtos se eles estivessem melhor indicados na embalagem. Nas capitais, o índice de interessado nesse tipo de alimentação sobe para 65%. Ainda, 60% dos entrevistados afirmaram que consumiriam mais produtos veganos caso eles tivessem o mesmo preço dos alimentos que estão acostumados a consumir. O Ibope entrevistou homens e mulheres a partir dos 16 anos. Foram feitas 2002 entrevistas em 142 municípios. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Saúde e confiança na medicina A pesquisa incluiu outras perguntas -- como se os brasileiros verificam a quantidade de calorias que comem. Uma das perguntas do questionário foi "O quanto você concorda ou discorda: 'Sempre considero as calorias dos alimentos que como". 60% disseram que consideram as calorias (35% concordou totalmente e 25% concordou parcialmente). Ainda, 49% dos entrevistados disseram que não se cuidam como deveriam. Veja o dado completo: A pesquisa também perguntou se os brasileiros confiam na medicina e na homeopatia: 75% sinalizaram confiança e 18% apontaram para desconfiança. […]

  • PANCs: conheça os benefícios e veja receitas
    on 21 de maio de 2018 at 13:30

    As maiores vantagens das PANCs são trazer uma maior diversidade de nutrientes para a nossa alimentação. Família cultiva PANCs na horta de casa Plantas alimentícias não convencionais (PANCs): você conhece? São quase dez mil plantas comestíveis que trazem muitos benefícios para a nossa saúde. Elas são ricas em diversos nutrientes, fontes de várias vitaminas que não conhecemos. Os agrônomos e pesquisadores Nuno Madeira, da Embrapa, e Gabriel Bitencourt, da Ceagesp, explicaram como diferenciar, seus benefícios e como elas podem ser usadas. As maiores vantagens das PANCs são trazer uma maior diversidade de nutrientes para a nossa alimentação. Como são naturais, podem ser mais fáceis de cultivar, mais frescas e livre de agrotóxicos. Feira livre em Juiz de Fora (MG) ensina as pessoas a usarem as PANCs Anote as receitas com as PANCs: Pão de queijo PANC 2 folhas de taioba grandes (+/- 100g cozida) 1 dente de alho ¼ de xícara de azeite Sal a gosto Mix de pimenta a gosto moída na hora Noz moscada a gosto ralada na hora Polvilho azedo 100g Queijo parmesão ralado 50g Higienize as folhas de taioba. Com uma faquinha, retire o talo central, para a massa não ficar muito fibrosa. Branqueie as taiobas (ferva até as folhas ficarem com um tom de verde vivo e logo em seguida dê um choque térmico com água gelada). Bata no liquidificador a taioba, noz moscada, azeite, mix de pimenta, alho ralado e sal. Em uma vasilha, misture o polvilho e o queijo. Acrescente a taioba batida. Incorpore bem até ficar uma massa homogênea. Se o ponto da massa estiver muito mole, acrescente polvilho até que não grude nas mãos e as bolinhas estejam fáceis de modelar. Faça as bolinhas e asse. (Rende mais ou menos 15 bolinhas). PANCs: pão de queijo Arroz com cúrcuma 2 xícaras de arroz Alho, sal e cúrcuma in natura ou em pó Refogue o arroz com alho e uma colher de cúrcuma ralada. Coloque água e deixe cozinhar. Se quiser que o arroz fique mais amarelinho coloque mais cúrcuma junto com a última água. PANCs: arroz com cúrcuma Feijão com caruru 2 xicaras de feijão (da sua preferência) Alho, sal e caruru Deixe o feijão de molho na véspera. Cozinhe o feijão com cominho e louro. Refogue com alho. Quando estiver com um caldo grosso finalize colocando uma mão cheia de folhas caruru cruas! Dadinho de banana verde 6 bananas verdes 1 colher de cacau em pó ½ xícara de farinha de aveia 1 colher de sopa de óleo de coco Nibs de cacau para confeitar Cozinhe as bananas por 10 minutos, na pressão. Amasse as bananas e bata, no liquidificador ou batedeira, juntamente com o cacau até que fique homogêneo. Em uma panela, coloque o óleo de coco e misture com a massa de bananas. Misture e coloque a farinha de aveia até dar o ponto. Deixe esfriar e depois enrole. Use nibs de cacau para confeitar. PANCs: dadinho de banana verde Frango com ora-pro-nóbis 1 frango médio inteiro 1 cebola média 3 dentes de alho Folhas e/ou pontas dos ramos de ora-pro-nóbis Óleo e sal a gosto Corte o frango em pedaços, tempere com sal e reserve. Frite a cebola no óleo até dourar. Coloque os pedaços de frango sobre a cebola e refogue até dourar. Acrescente água até cobrir o frango e deixe cozinhar por cerca de 40 minutos. Quando o frango estiver pronto, coloque as folhas de ora-pro-nóbis e deixe cozinhar de cinco a dez minutos. Suco de muricato 5 frutos médios de muricato 1 limão Açúcar e gelo a gosto Lave os frutos em água corrente. Em seguida, retire a fina casca que recobre o fruto. Corte ele pela metade e retire a parte interna, onde se encontram as sementes. Bata todos os ingredientes no liquidificador e sirva. Água de vinagreira (hibisco) 1 xícara (chá) de arroz 4 folhas de vinagreira 2 xícaras de água 1 cebola média Sal, alho, óleo e pimenta a gosto Bata a vinagreira no liquidificador com a água ou corte as folhas em pequenas tiras. Corte a cebola e refogue no óleo com o alho. Na sequência, coloque o arroz e refogue mais um pouco. Acrescente a vinagreira triturada e o sal. Misture, tampe a panela e deixe cozinhar por 25 minutos ou até que o arroz fique macio. Cajueiro pode ajudar no tratamento do refluxo Veja a íntegra do programa desta segunda (21) sobre PANCs Conheça algumas PANCs Augusto Carlos/TV Globo Conheça algumas PANCs Augusto Carlos/TV Globo Veja outras reportagens que foram exibidas nesta segunda: Conheça o médico Luiz Schirmer. Ele completou e comemorou os 80 anos saltando de paraquedas: Paraquedista de 80 anos comemora aniversário saltando a 10 mil pés de altura É cada vez mais comum ver atletas amadores se aproximando das marcas dos corredores de elite: Corredores amadores treinam para conseguir bons resultados […]

  • Brasil e OMS investigam risco de terapia anti-HIV em gestantes
    on 21 de maio de 2018 at 12:33

    OMS fez alerta de uma possível relação entre o antirretroviral dolutegravir e um defeito em tubo neural de fetos observado na África. Anvisa abriu investigação no Brasil.  Dolutegravir está sob investigação para uso em gestantes. Não há informações suficientes nesse momento, diz OMS Divulgação A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a Organização Mundial de Saúde investigam uma possível associação entre o uso do antirretroviral dolutegravir (medicamento usado para o controle do HIV) na gravidez e um defeito no tubo neural em fetos. O tubo neural é a estrutura que dará origem à medula espinhal e ao cérebro. A associação foi identificada em um estudo independente feito em Botswuana, na África. Normalmente, a má-formação nessa estrutura ocorre em 0,1% dos nascidos vivos; o que o estudo identificou foi um aumento para 0,9% da prevalência da anomalia. As entidades enfatizam, contudo, que até esse momento a relação é apenas uma observação -- sem nenhuma relação de causa e efeito. O que o estudo está tentando identificar nesse momento é o porquê do aumento nas anomalias ter sido identificado. A primeira suspeita recai sobre o medicamento pelo fato do crescimento ter sido identificado entre mulheres que utilizavam o antirretroviral. Outras causas precisam ser investigadas e não há uma explicação fisiológica nesse momento que relacione os fatos, explica a OMS. A pesquisa foi financiada pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). "Foram identificados mais três casos em vez de um só", explica Ésper Kallás, infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. "O impacto dessa informação [que ainda está sendo investigada] é que o dolutegravir hoje é o medicamento de primeira linha da OMS. Ele é a primeira opção para o tratamento ", continua. O estudo seguia 426 mulheres que tomavam o medicamento para evitar a transmissão do HIV ao feto do durante a gravidez. Quando foi observado o aumento, o estudo alertou a Organização Mundial de Saúde. O monitoramento deve continuar até fevereiro de 2019, segundo a entidade. "Os dados vão oferecer mais informação sobre a segurança do DTG [dolutegravir] para mulheres em idade fértil"., disse a nota da OMS. No Brasil, também foi aberta uma investigação e médicos consideram cautela nesse momento. "O alerta é importante, mas devemos aguardar para estabelecer uma relação de causa e efeito", diz Jamal Suleiman, infectologista do hospital Emílio Ribas, referência em tratamento do HIV em São Paulo. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitiu um alerta sobre o caso e diz que há uma investigação aberta no Brasil conduzida pela Gerência de Farmacovigilância da entidade. O infectologista Esper Kallás diz que não conhece dados sobre o uso em gestantes no Brasil. De qualquer modo, ele explica que o medicamento só é utilizado há um ano no país. Recomendações Diretrizes da OMS de 2016 alertaram que havia dados insuficientes para o uso do dolutegravir durante a gravidez e amamentação e recomendaram outros medicamentos para o controle da HIV: efavirenz em combinação com tenofovir, lamivudina ou emtricitabina. "A OMS está levando muito a sério essa potencial questão de segurança e está trabalhando de perto com todas as partes interessadas relevantes, incluindo os ministérios da saúde, os investigadores do estudo, o fabricante e as organizações parceiras para investigar essas descobertas preliminares", disse a entidade. A OMS recomenda que mulheres que estão utilizando o medicamento conversem com o médico. Não é recomendável a interrupção sem essa conversa, segundo nota de alerta. A entidade diz ainda que o efavirenz (outro antirretroviral) deve ser utilizado como primeira opção no caso de mulheres que vão começar a terapia. A nota da OMS também recomenda a adoção de suplementação com ácido fólico para evitar a ocorrência da má-formação. "Até que os dados sejam esclarecidos, a recomendação é de não usar o medicamento no primeiro trimestre da gestação", diz Kallás. […]

  • Cientistas desvendam por que a Torre de Pisa continua em pé após mais de 600 anos e 4 terremotos
    on 21 de maio de 2018 at 11:17

    O campanário construído a partir do século 12 permanece ereto, embora inclinado, enquanto outras construções mais modernas não resistiram a abalos sísmicos - um mistério que acaba de ser explicado por uma equipe de engenheiros. Com 58 metros de altura, a torre chega a ficar 5 metros fora do eixo no topo Getty Images Era um mistério que há anos intrigava engenheiros: como a Torre de Pisa consegue resistir a terremotos estando tão inclinada? Com 58 metros de altura, o campanário da catedral da cidade italiana de Pisa pende em um ângulo de cinco graus, o que faz com que fique até cinco metros fora do eixo no seu topo. A Toscana, onde fica a famosa torre, é uma região com muita atividade sísmica, assim como grande parte da Itália. Isso se deve à confluência entre as placas tectônicas africana e euroasiática sobre a qual o país está localizado. Desde o início de construção, que ocorreu entre 1173 e 1372, o monumento passou por pelo menos quatro grandes terremotos sem sofrer danos, mas, ao contrário de muitos outros edifícios modernos da área onde está, ela segue em pé. Uma equipe de 16 engenheiros da Universidade Roma Tre, na Itália, e da Universidade de Bristol, na Inglaterra, se propuseram a desvendar esse mistério, e conseguiram: a salvação da torre está no solo logo abaixo dela. A península onde fica a Itália está na confluência entre as placas africana e euroasiática Getty Images Solo macio Após estudar os dados sismológicos, geotécnicos e estruturais disponíveis, os pesquisadores apontam que a razão está em um fenômeno conhecido como "interação dinâmica entre solo e estrutura" (DSSI, na sigla em inglês). Trata-se de uma combinação entre a estrutura da torre e as carascterísticas do terreno em que ela foi erguida. Por um lado, o solo é macio e, por outro, a torre é alta e rígida. Isso faz com que a ressonância de movimentos sísmicos seja muito menor, reduzindo os efeitos dos tremores sobre o monumento. Isso foi, segundo um comunicado da Universidade de Bristol, a chave para sua sobrevivência. A Torre de Pisa detém um recorde mundial de efeitos DSSI, diz essa equipe de engenheiros. Ao contrário de construções modernas próximas, a torre não sofreu danos com terremotos Getty Images "Podemos dizer agora que, ironicamente, o mesmo solo que causou a inclinação da torre e a levou à beira do colapso também a ajudou a superar os episódios sísmicos", disse George Mylonakis, do departamento de Engenharia Civil da Universidade de Bristol. Os cientistas apresentarão os resultados deste estudo na 16ª Conferência Europeia de Engenharia de Terremotos, que será realizada em junho na Grécia. […]

  • Respirar ar poluído: o que há de novo? 
    on 21 de maio de 2018 at 10:40

    90% da população mundial está respirando ar impróprio, segundo a OMS. E isso tem implicações sérias para a saúde.  O tempo seco na cidade de São Paulo. Baixa umidade dificulta a dispersão dos poluentes, prejudicando a qualidade do ar Luiz Guarnieri/AE A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou recentemente um dado estarrecedor: 9 em cada 10 pessoas no mundo respiram ar poluído. Isso significa que nada mais nada menos que 90% da população mundial está respirando ar impróprio, cheio de partículas poluentes que progressivamente vão impregnando o organismo e minando a perspectiva de uma vida mais saudável. Como consequência, a OMS calcula que aproximadamente 7 milhões de pessoas morrem, por ano, em todo o mundo, em decorrência da poluição ambiental. Como isso é possível? Há tantas cidades, neste mundo, com esta magnitude de poluição? E as pessoas que vivem no campo ou longe de grandes cidades? Vamos entender. A poluição pode estar no ar exterior e/ou no ar interior das residências. Segundo a OMS, aproximadamente 3 bilhões de pessoas no mundo – e isso significa 40% da população mundial- nas regiões economicamente menos favorecidas do planeta, localizadas principalmente na Ásia e África subsaariana, utilizam fontes poluentes dentro da cozinha para a produção dos alimentos. A fumaça do cigarro é outra fonte importante de poluição no interior das casas. No ano de 2016 mais ou menos 3,8 milhões de mortes foram relacionadas a estas fontes interiores de poluição. Além da poluição interior, respiramos um ar contaminado pela emissão de poluentes proveniente dos carros, indústria, grandes queimadas e até mesmo da “poeira” em regiões próximas de grandes desertos. Os poluentes inalados – sejam do ar exterior ou interior- danificam as células do pulmão e as partículas menores podem atingir a circulação sanguínea. Com o passar do tempo e a recorrência da exposição, os riscos para doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral, doença obstrutiva pulmonar crônica e câncer de pulmão ficam evidentes e estas são, em geral, as causas das mortes relacionadas à poluição. Não é nenhuma novidade que respirar ar poluído faz mal para a saúde. O que há de novo são os números estarrecedores divulgados pela OMS. Imaginar que 90% da população mundial, nas primeiras décadas do século XXI, respira um ar de má qualidade, nos faz rever nossos conceitos sobre o real progresso e desenvolvimento da humanidade. Estamos no caminho certo? […]

  • A lei da física que controla discretamente sua vida - e pode ajudar a melhorá-la
    on 21 de maio de 2018 at 00:29

    Ela só tem 22 anos, mas esta lei da física potencialmente explicaria tudo que nos rodeia: o trânsito, os fluxos culturais, o funcionamento do nosso corpo e até mesmo nossos sucessos - ou fracassos - na vida. Por que um cacto tem a forma ideal para viver em um habitat sem água? Por que muitos rios formam curvas ao avançar rumo à sua foz? Há uma teoria da física que explica isso. Na verdade, não só isso, mas também o comportamento de qualquer coisa em movimento, seja inanimada ou animada. Trata-se de uma lei da física bem recente e ainda pouco conhecida pelo público em geral: chama-se Lei Constructal e foi formulada em 1996 por Adrian Bejan, professor de Engenharia Mecânica da Universidade Duke, nos Estados Unidos. Bejan quis torná-la o mais acessível possível para as massas em seu livro A Física da Vida: A evolução de tudo, publicado em 2016. Mas como ela pode explicar praticamente tudo? Tudo flui sob o mesmo princípio A essência da teoria é que todo processo em movimento, seja de um ser vivo, como uma planta, ou algo mais intangível ou inanimado, como uma rota migratória ou a comunicação entre computadores, avança rumo a uma maior eficácia. Esse avanço gera mudanças morfológicas e ajustes que respondem ao mesmo princípio de otimização, da evolução rumo a algo melhor. E isso, segundo escreveu Bejan em seu livro, se aplica a fluxos tão díspares como o "trânsito de uma cidade, o transporte de oxigênio dos pulmões e a fluidez dos pensamentos na arquitetura do cérebro". Bejan diz que toda a natureza é formada por sistemas de fluxo que mudam e evoluem com o tempo para fuir melhor Getty Images Bejan diz que toda a natureza é formada por sistemas de fluxo que mudam e evoluem com o tempo para se tornarem melhores. Assim, segundo a Lei Constructal, a tendência é sempre a uma fluidez mais fácil e, com o tempo, os fluxos se tornam maiores. E, quanto maiores o fluxos, mais inerentemente eficazes eles se tornam. Lei ou teoria? Na física, há muitas teorias, tantas quantas a mente puder imaginar, mas poucas leis. Uma lei deve explicar ou resumir um fenômeno universal, como as leis da dinâmica de Newton. Além disso, segundo o engenheiro, uma lei deveria ser "obedecida" por qualquer sistema imaginável: corpos, rios, máquinas. Por sua vez, as teorias são previsões sobre como algo deve se dar e estão baseadas em uma lei. Para Bejan, a Lei Constructal explica o funcionamento de qualquer sistema dinâmico e é o motor de campos tão distintos como a evolução, a engenharia e o design. O engenheiro se inspirou para concebê-la enquanto desenhava um sistema de refrigeração de computadores portáteis: ele se deu conta que as canalizações se ramificavam como se fossem árvores e, a partir daí, nasceu o conceito de sua lei. Agora, sua proposta está ganhando grande aceitação nos círculos científicos e, segundo disse Bejan em entrevistas, até o momento não foi refutada por publicações especializadas. A inação interromperia o fluxo e deteria o processo de otimização natural Getty Images Ele acaba de receber a prestigiosa medalha Benjamin Franklin, em parte por sua "teoria constructal, que prevê o design natural e sua evolução nos sistemas engenharia, científicos e sociais". Segundo o engenheiro, entender melhor essa lei pode nos ajudar a antecipar mudanças, por exemplo, em dinâmicas sociais, nos governos ou na economia. E como pode melhorar sua vida? Se uma dinâmica se torna mais eficaz quanto mais fluida e livre for, então, a moral para nossas vidas bem que poderia ser "não pare". Bejan, que nasceu e cresceu na Romênia sob um governo comunista, diz que sua Lei Constructal, se aplicada de maneira prática ao nosso dia a dia e ao nosso trabalho, sugere que quanto mais livres, flexíveis e dinâmicos nos tornamos, mais eficazes somos. Da mesma forma, a inação interromperia esse fluxo e deteria o processo de optimização natural. Segundo disse Bejan há alguns anos à revista Forbes, sua teoria tem incontáveis aplicações, "porque coloca o design biológico e a evolução dentro do campo da física, junto a tudo mais até agora existia sob o guarda-chuva da 'ciência dura': a economia, as dinâmicas sociais, os negócios e o governo". Uma das frases que ele mais gosta de repetir em conversas e entrevistas, também recorrente em seus livros, é que "a liberdade é boa para o design". Assim, a mensagem que ele passa é que devemos fluir mais e melhor para nos tornarmos melhores. […]

  • Síndrome do ninho vazio: o impacto da saída dos filhos de casa na vida dos pais
    on 20 de maio de 2018 at 18:00

    Vontade de chorar, depressão e solidão estão entre sintomas; conheça mães que aprenderam a lidar com sua nova realidade. Mulher sozinha em casa, em foto de arquivo; mães são as mais atingidas pela síndrome do ninho vazio Getty Images Apesar de sentir-se realizada ao ver a única filha casar e estruturar uma nova vida, Hebe desmoronou quando se viu sozinha em casa, em 2017. "Quando eu falava dela, sentia uma vontade incontrolável de chorar. A razão dizia que eu precisava construir novos laços, mas o sentimento era de não querer conversar com outras pessoas", conta Hebe, hoje com 52 anos e viúva há 13. Formada em Economia, ela trabalha como bancária há 29 anos em Jundiaí (SP). Apesar de gostar do trabalho, não conseguia lidar com a solidão e sentiu dificuldades para recriar a rotina, agora voltada para si e não mais para a filha Ana Carolina. "É difícil não ter mais uma pessoa para cuidar e conversar. Eu não fazia muita coisa sozinha, a maioria do meu tempo era para ela, com ela e por ela", diz Hebe. "Ela tinha atividades durante o dia, mas a gente sempre conversava quando ela chegava em casa, mesmo que fosse tarde da noite. Eu não ficava totalmente sozinha." Após a saída da filha, Hebe começou a apresentar sintomas depressivos: só saía de casa para trabalhar e visitar os pais, sentia dores intensas no corpo e vontade constante de chorar. Em abril de 2018, após 11 meses, Hebe decidiu buscar uma psicóloga e foi diagnosticada com a síndrome do ninho vazio (SNV), caracterizada pelo sofrimento dos pais após o esvaziamento da casa pela saída dos filhos. "Abri mão das minhas coisas pensando apenas nela. A gente se apega e acaba se esquecendo um pouco da gente", afirma. Apesar de não se arrepender da dedicação à filha, Hebe hoje reconhece a importância de buscar outras atividades de seu interesse e de construir si mesma em outros papéis além da maternidade. "Se eu já tivesse feito isso antes dela sair, talvez não sentisse tanto essa ausência. Não é largar os filhos, mas criar vida além deles." Francisca de Oliveira Pereira aproveitou o tempo sozinha para estudar e virar professora voluntária Natália Pereira Silva Se antes esperava convites para sair de casa, agora Hebe busca viver de outra maneira. "Chorava a ausência dela e pensava que alguém poderia me convidar para sair. Agora não fico mais lamentando e tento convidar as pessoas", conta. Hoje, Hebe acompanha Ana Carolina por telefone e nos almoços de fins de semana. Apesar de ainda sentir falta da filha, ela considera que o contato não se perde: apenas se transforma. "Os filhos precisam seguir o caminho deles e nós que temos que buscar o nosso, sem a presença deles tão constante." Dificuldades para diagnosticar Segundo a psicóloga Adriana Sartori, mestra no tema pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a síndrome do ninho vazio (SNV) começa como uma tristeza leve e pode evoluir até a depressão. "Só se pode falar em SNV quando esse sofrimento se estende por mais de seis meses e impossibilita os pais de continuarem sua rotina com o mesmo prazer que tinham antes dos filhos saírem", explica a psicóloga. Ela afirma que há poucos estudos sobre o tema no Brasil e que a síndrome é difícil de ser diagnosticada, pois costuma ocorrer simultaneamente a outros processos desafiadores - como a aposentadoria, o envelhecimento e o adoecimento dos próprios pais. Outro fator que dificulta o diagnóstico é a falta de um prognóstico adequado que investigue os fatores emocionais por trás dos sintomas físicos comumente apresentados por pacientes com a SNV, como cansaço e dores musculares extremas. "As políticas públicas de saúde no Brasil enxergam tudo separadamente. Sem verificar se há um ninho vazio, o tratamento para um quadro depressivo pode ser ineficiente e o paciente voltará", avalia Sartori. Em sua pesquisa de mestrado, a psicóloga conversou com muitos pais que acabaram buscando em casas de bingo um conforto para a solidão do ninho vazio e constatou que, quanto mais intensa a SNV, mais graves serão os sintomas de vício em jogo. Há casais que se fortalecem após a saída dos filhos de casa Getty Images "Se um pai ou uma mãe já tiver dificuldades prévias de controlar os impulsos, o esvaziamento da casa aumenta o risco de eles desenvolverem outros transtornos de impulsividade, como a cleptomania, a automutilação e o consumo intenso de comidas ou álcool", afirma a pesquisadora. Diferença entre gêneros Ainda que as mulheres tenham conseguido maior inserção no mercado de trabalho nas últimas décadas no Brasil e tenham outras responsabilidades além da criação dos filhos, a síndrome do ninho vazio ainda é mais frequente entre as mães. "Hoje, é comum encontrarmos pacientes homens falando do 'vazio' após a saída dos filhos. Mas as mulheres ainda são mais atingidas pela síndrome por passarem mais tempo do que eles na criação dos filhos e manutenção da casa", argumenta Sartori. Segundo dados do IBGE, em 2016 as mulheres dedicavam uma média de 18 horas semanais a cuidados de pessoas ou afazeres domésticos, 73% a mais do que os homens (10,5 horas). A psicóloga explica que a menopausa é outro fator que diferencia o impacto da SNV entre homens e mulheres. "Quando elas ocorrem simultaneamente, a síndrome intensifica sintomas negativos da menopausa, como ansiedade, cansaço, depressão e alterações na libido, memória e humor." Preparar a saída O sofrimento causado pela SNV não se relaciona somente à saudade e a solidão dos filhos, mas também à falta de preparação prévia dos pais para essa fase da vida. Sensação de vazio no lar dá nome à síndrome, mas é possível se preparar para evitá-la Getty Images "A prevenção é sempre o melhor remédio. As pessoas precisam começar a se preparar para essa fase e buscar outras vivências além dos filhos: sair com amigos, praticar atividades físicas, estudar, viajar. Falta de saúde social também faz adoecer", afirma Sartori. Ela diz que o esvaziamento da casa pode ter impactos diferentes sobre o casamento dos pais dependendo da maneira como eles construíram a relação. "Não é difícil haver divórcios nessa fase porque muitos não suportam a pressão de se ver frente a frente com o parceiro. Perderam a intimidade, não sabem o que o outro gosta e só se enxergam como pai e mãe. Tudo isso faz o casamento perder sentido." Ela aponta, porém, que há também casais que se fortalecem e usam o tempo antes dedicado ao filhos para buscar novas atividades juntos. Foi isso o que aconteceu com a aposentada Francisca de Oliveira Pereira, de 74 anos. "Quando ficamos só nós dois, os horários começaram a se alinhar e tínhamos mais tempo juntos, inclusive para namorar", lembra Francisca, viúva desde 2015. Antes disso, porém, a cada vez que um filho saía de casa para estudar ou trabalhar em outra cidade, ela se trancava no banheiro para chorar escondida. Quando o último filho saiu, Francisca decidiu voltar a estudar. Primeiro, concluiu o ensino médio e depois, aos 45 anos, cursou quatro anos de magistério. "Fui estudar para suprir a falta deles. Foi bom porque eu tinha uma ocupação e melhorei meu português", conta ela, que usou sua nova formação para passar dois anos como professora voluntária em um curso de alfabetização de jovens e adultos em sua cidade, Presidente Epitácio (SP). […]

  • O médico europeu que deu início à pesquisa com maconha há mais de 170 anos
    on 20 de maio de 2018 at 15:46

    Entre os efeitos 'fascinantes' da cannabis, O'Shaughnessy destacou a 'felicidade eufórica', 'a sensação de voar' e um 'apetite voraz'. Antes de seus estudos, nenhuma publicação médica ocidental havia descrito a substância. O irlandês passou oito anos trabalhando em um hospital de Calcutá; nesse período, estudou uma variedade de plantas locais, entre elas a cannabis BBC Na primeira metade do século 19, o médico irlandês William Brooke O'Shaughnessy viveu alguns anos na Índia e descobriu algo totalmente novo para o mundo ocidental: a maconha. A cannabis já era usada na região havia milhares de anos, como remédio ou substância recreativa. Mas, na literatura médica do Ocidente, não havia nenhuma informação sobre a planta. "Não consegui localizar referências sobre o uso dessa substância na Europa", escreveu o médico, em um estudo sobre a cannabis publicado em 1839 na revista científica Journal of the Asiatic Society of Bengal, com o título "Sobre as preparações da cannabis indiana, ou Gunjah" (o artigo original que pode ser consultado em inglês neste link). O estudo de O'Shaughnessy propunha registrar o potencial médico da cannabis pela perspectiva científica. Além disso, fazia observações sobre o uso social da substância. Segundo O'Shaughnessy, a droga era consumida por "todo tipo de pessoa". Entre seus efeitos "fascinantes", estavam "a felicidade eufórica", "a sensação de voar", um "apetite voraz" e "um intenso desejo afrodisíaco". Ilustração da planta de Cannabis Indica, publicada no artigo de O'Shaughnessy, de 1839 BBC Experimentos científicos com a maconha na Índia Nascido em 1809, O´Shaughnessy estudou medicina na Universidade Trinity, em Dublin, e depois em Edimburgo, Escócia. Ainda muito jovem, com 24 anos, aceitou uma proposta para trabalhar em Calcutá, na Índia, como assistente cirúrgico da então famosa Companhia das Índias Orientais, empresa britânica que controlava e governava grande parte das Índias. Foram oito anos em Calcutá. Nesse período, o médico irlandês experimentou uma variedade de plantas locais, como o ópio e a cannabis. A cannabis, especificamente, era muito conhecida pela sociedade local, mas não pela medicina. Então, o médico decidiu fazer uma pesquisa rigorosa, consultando tanto fontes bibliográficas como humanas. Além disso, fez experimentos com diferentes animais, como ratos, coelhos, gatos, cachorros, cavalos, macacos e até aves e peixes, descrevendo o efeito da droga em cada um deles. Em um desses experimentos, o médico deu dez gramas da substância para um cachorro de porte médio. Meia hora depois, o animal "ficou estúpido e sonolento" e "sua cara ficou com aspecto de total e absoluta embriaguez". "Estes sintomas duraram de uma a duas horas e depois foram desaparecendo gradualmente. Seis horas depois, o animal estava ativo e perfeitamente bem", assinalou. Depois de confirmar que o uso de cannabis era seguro, O'Shaughnessy passou a experimentar a substância em humanos, tanto adultos como crianças. Além disso, passou a usar a cannabis em tratamentos de seus pacientes do hospital - doentes de cólera, reumatismo, raiva, tétano e pessoas com convulsões. Vendedor de cannabis na Índia, em meados do século 19 BBC Vista externa do Colégio Médico de Calcutá, em 1878 BRITISH LIBRARY / BBC As conclusões do médico sobre a maconha O médico irlandês não conseguiu curar nenhuma doença com a cannabis. Mas concluiu que a substância poderia ajudar a tratar sintomas graves de muitas enfermidades. Podia, por exemplo, acalmar e aliviar a dor, bem como sufocar espasmos musculares típicos de tétano e raiva, reduzindo "os horrores da doença". Também observou que a cannabis poderia prevenir convulsões em um recém-nascido, com apenas 40 dias de vida. Sobre esse caso, o médico escreveu: "a profissão ganhou um remédio anticonvulsivo de grande valor". Em 1839, O'Shaughnessy defendeu publicamente o uso da cannabis na medicina, principalmente como analgésico, ao apresentar sua tese na Sociedade Médica e Física de Calcutá. O estudo causaria um furor na Inglaterra colonial - e depois por toda a Europa e Estados Unidos. E é considerado o marco da introdução da cannabis na medicina ocidental. A cannabis foi utilizada nos Estados Unidos como remédio, a partir de 1850 BBC Anúncio de jornal italiano, em 1881, propagandeia efeitos benéficos de cigarros com cannabis da Índia: detém ataques de asma, resfriados, perda de voz, dor facial, insônia e outros BBC Cannabis se tornou uma febre médica no Ocidente Quando O'Shaughnessy retornou para a Inglaterra, em 1841, levou consigo amostras de cannabis, tanto em planta como em resina. Apresentou a substância para a Sociedade Farmacêutica Real e para os Jardins Botânicos Reais de Kew, em Londres, e descreveu seus estudos com cannabis, afirmando que a substância era um remédio "milagroso" para algumas das piores doenças do século 19. A partir de então, muitos pesquisadores da Europa e dos Estados Unidos começaram a experimentar a cannabis em diferentes tratamentos médicos. Muitos também tentaram descobrir qual era o ingrediente ativo da cannabis - mas isso só ocorreria um século depois, em meados da década de 1960. Em meados do século 19, remédios a base de cannabis passaram a ser produzidos, alguns deles baseados nas receitas deixadas pelo médico irlandês. Os produtos foram se tornando populares, alcançando seu auge no final do século. Mas, na virada para o século 20, o uso desses remédios começou a cair. Um dos motivos foram as dificuldades para produzir resultados estáveis a partir de diferentes lotes de plantas, já que a potência da cannabis variava muito. Já nos anos 1930, o uso de remédios medicinais a base de cannabis começou a ser restringido. Em 1937, sua venda foi proibida nos Estados Unidos. Em 1942, a cannabis foi retirada da enciclopédia farmacêutica. E, a partir dos anos 1950, a posse de maconha passou a ser criminalizada e multada. Algo similar ocorreu em outros países. Hoje, o uso e aceitação da cannabis em tratamentos médicos segue sendo uma controvérsia. Uso medicinal da maconha é defendido em atos pró-legalização em São Paulo Káthia Mello / G1 Descobertas feitas há 150 anos são válidas até hoje Curiosamente, depois do êxito da sua tese sobre o potencial médico da maconha, O'Shaughnessy mudou de rumo e passou a se dedicar à engenharia elétrica. Voltou para a Índia, onde passou 15 anos trabalhando em uma linha de telégrafo. Por seus esforços no projeto, recebeu da Rainha Vitória o título de "Sir". Em 1860, retornou mais uma vez para Inglaterra. Em 1889, faleceu. Pouco se sabe sobre seus anos finais. Talvez o mais surpreendente da história de O'Shaughnessy seja que algumas de suas descobertas em 1839 sejam válidas até hoje: os principais usos médicos da cannabis continuam sendo como analgésico e anticonvulsivo. […]

  • Estudo diz encerrar polêmica do finasterida: medicamento não contribui para câncer grave de próstata
    on 20 de maio de 2018 at 13:39

    Pesquisa inicial anterior mostrou que droga usada contra calvície tinha efeito contraditório: ela diminuía a chance de forma comum de câncer de próstata, mas poderia aumentar risco de tipo letal. Em altas doses, finasterida é indicada para tratar aumento de câncer de próstata; em pequenas doses, droga trata calvície Charles Dharapak/AP Acompanhamento de longo prazo com homens que utilizaram a finasterida mostra que a droga não aumenta risco de forma letal de câncer de próstata. O achado é particularmente importante porque um estudo de 2003 mostrou que o medicamento poderia ter um efeito paradoxal: ele diminuía a chance do câncer de forma geral, mas aumentava risco de um tipo específico e letal. Pesquisa mais profunda apresentada no sábado (19), no entanto, diz que o resultado não procede. Os resultados foram divulgados em encontro anual da Associação Americana de Urologia. A finasterida é um medicamento comum usado para tratar os sintomas do aumento da próstata (em altas doses) e da calvície masculina (em baixas dosagens). O medicamento impede que a testosterona vire a diidrotestosterona, forma do hormônio que tem uma ação sobre a perda do cabelo de homens e sobre o crescimento da próstata. A polêmica com o medicamento, contudo, começou em 2003 com pesquisa publicada no "New England Journal of Medicine". A pesquisa com 18.882 homens mostrou que, ao mesmo tempo em que a finasterida poderia ter um resultado positivo significativo (reduzia o câncer de próstata em 25%), ela também aumentava em 68% a chance de tumores de alto grau e letalidade. O achado levou o FDA a incluir um alerta no rótulo do medicamento. O FDA (Food And Drug Administration) é um órgão americano similar à Anvisa nos Estados Unidos e é responsável pela regulação de medicamentos e pela garantia de boas práticas da indústria farmacêutica. O estudo era inicial e pesquisadores tomaram para si a tarefa de analisar se o resultado era consistente ao longo do tempo. A pesquisa apresentada em 2003 avaliou homens de 1993 a 1997; a equipe do estudo atual voltou a esse banco de dados e o comparou com um outro banco: o de óbitos nacionais americanos. Com a comparação entre esses dois bancos de dados, chegou-se às seguintes conclusões: Pesquisadores encontraram 42 mortes por câncer de próstata em homens que utilizaram o medicamento por um tempo médio de 18,4 anos; No entanto, cientistas também encontraram 56 óbitos também por câncer de próstata no grupo que usou placebo (pílula sem efeito, usada em pesquisa para tentar tirar a influência "psicológico" do tratamento sobre os resultados); Ambos os homens (os que utilizaram medicamento ou placebo) viveram a mesma quantidade de tempo. "Não encontramos risco aumentado de morte por câncer de próstata em homens que tomaram finasterida em comparação com homens que não utilizaram o medicamento", diz Ian Thompson, pesquisador que coordenou o estudo. Thompson é professor emérito da Universidade do Texas e coordena todas as pesquisas em urologia no SWOG, uma rede de oncologistas que recebe financiamento do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos para pesquisas. Ele explica que o câncer de próstata é o câncer mais diagnosticado em homens. Ele acredita ser o medicamento, inclusive, uma forma eficaz de prevenir o câncer. Thompson diz ainda que a pesquisa demonstrou que o medicamento aumentou a chance de detecção de câncer de próstata em triagens e biópsias -- inclusive os de maior grau. Contudo, a droga não está livre de outros efeitos colaterais, apontam pesquisadores. Ela pode levar à impotência em alguns casos, também há relatos de crescimento anormal das mamas e dor nos testículos. A maior parte dos efeitos desaparecem, segundo a bula, depois que a terapia é interrompida. […]

  • Parentesco com o morango e outras surpresas reveladas pelo mapeamento genético das rosas
    on 20 de maio de 2018 at 10:57

    Após oito anos de pesquisa, cientistas concluem versão nova e mais completa do genoma dessas flores. A história genética das rosas está cheia de surpresas Wilson Aiello/EPTV O sequenciamento do genoma humano - um dos feitos científicos mais importantes da história - foi concluído em 2003. Agora, os cientistas terminaram uma versão nova, revista e ampliada do "livro" genético de uma das espécies mais admiradas do mundo, as rosas. A conclusão do trabalho foi anunciada por cientistas em 30 de abril. A história genética das rosas está cheia de surpresas. Por exemplo: a flor é mais próxima dos morangos do que se achava anteriormente. No longo prazo, o sequenciamento genético pode levar à criação de rosas com novos aromas e cores, de acordo com o time de especialistas de vários países. O novo genoma das rosas levou oito anos para ser concluído. Agora, sabemos exatamente quais genes estão envolvidos na produção do aroma, da cor e da longevidade das rosas, diz o pesquisador Mohammed Bendahmane, da École Normale Supérieure (ENS) de Lyon, na França, que liderou o trabalho. "O que nós temos agora é um livro de história da rosa", disse ele à BBC. "Um livro que nos ajuda a entender a espécie, sua jornada ao longo da evolução e do processo de domesticação." O estudo envolveu uma equipe de mais 40 cientistas de França, Alemanha, China e Reino Unido e ajuda a entender a variação existente hoje em termos de cores e aromas. A informação genética auxiliará os agricultores a desenvolver novas variedades que vivam por mais tempo em vasos ou sejam mais resistentes a pragas. A pesquisa também lança luz sobre a família Rosaceae, que inclui frutas como maçãs, pêssegos e morangos. "A rosa e o morango na verdade são espécies muito próximas", diz Bendahmane. Guerra das rosas O cultivo de rosas em jardins começou há milhares de anos, provavelmente na China. Durante o período romano, rosas eram amplamente cultivadas no Oriente Médio, onde eram usadas como ornamento e para a produção de perfume. No século 15, a rosa se tornou o símbolo de uma guerra pelo trono inglês, na que ficou conhecida como "Guerra das Rosas" - a rosa branca era o símbolo da Casa de York, e a rosa vermelha representava a Casa de Lancaster. O resultado da pesquisa foi publicado no periódico científico Nature Genetics (em inglês). […]

  • Em busca de um significado para o envelhecimento
    on 20 de maio de 2018 at 09:00

    A longevidade depende não só de hábitos saudáveis, mas também da construção de um propósito Na terça-feira passada, foi lançado um novo portal voltado para a questão da longevidade: o Plenae, uma iniciativa do empresário Abílio Diniz, que, aos 81 anos, não esconde a importância que dá ao assunto. A plataforma pretende atuar em seis frente, os chamados pilares, compartilhando informações e ajudando a promover mudanças de hábitos que resultem num envelhecimento de qualidade. O primeiro pilar é o corpo e, para cuidar dele, simplesmente deveríamos seguir os conselhos de nossas mães: alimentação saudável, boas noites de sono e exercício. Aliás, como pontuou a nutricionista Jeanette Bronée, uma das palestrantes do evento de lançamento: “água, alimento e descanso são fundamentais, mas esquecemos dessas três coisas quando estamos ocupados”. O segundo pilar é o da mente, que engloba o autoconhecimento, uma relação sábia com o estresse – ou seja, como saber dar uma “pausa” nele – e a aprendizagem, que mantém o cérebro ativo. As relações correspondem ao terceiro pilar, que inclui afetividade (relacionamentos estáveis fazem bem à saúde), família e amigos e a vida em comunidade, evitando o isolamento. No quarto pilar está o espírito, que não significa seguir uma religião, e sim abrir espaço para a fé, meditação e contemplação. Contexto é a quinta frente e reúne educação, economia e renda e o ambiente no qual se vive. Por último, o propósito seria o pilar que amarra todos os outros – algo equivalente aos que os japoneses chamam de ikigai, palavra que pode ser traduzida como “uma razão para sair da cama de manhã” e que já foi tema deste blog. Uma das participações mais interessantes no lançamento do Plenae foi a de Ellen Langer, professora de psicologia na Universidade de Harvard. Segundo ela, estamos desatentos durante quase o tempo todo, ignorando o que chama de “poder das possibilidades”: ver as coisas de forma diferente e viver de uma forma mais plena. “Quando temos dúvidas, ou quando desconhecemos algo, prestamos atenção. No entanto, no dia a dia, acabamos confiando em antigas perspectivas do passado, em regras que não fazem mais sentido, e isso nos torna desatentos às possibilidades que temos à nossa volta. Reconhecer que a estabilidade é uma ilusão pode abrir portas para o crescimento e novas oportunidades”, afirmou. Ellen Langer, professora de psicologia da Universidade de Harvard Divulgação O que fica claro é que boa parte da construção de uma velhice saudável depende de nós, de decisões e costumes que deveríamos seguir desde cedo. É grande o desafio de buscar o equilíbrio entre tantas variáveis, mas talvez uma das tarefas mais difíceis seja alimentar um propósito, um significado para nossas vidas até o fim. O interessante é que isso não depende tanto das condições socioeconômicas: idosos de baixa renda e até com dificuldades de saúde podem estar muito mais bem “equipados” nesse pilar do que outros com trajetórias bem-sucedidas. Gosto muito de uma palestra que a atriz Jane Fonda, atualmente com 80 anos, deu em 2011. Na época, ela renomeou o que conhecemos como terceira idade como “terceiro ato da vida”. E no que consistiria? Uma oportunidade única, enfatizou: “estamos vivendo em média mais 34 anos que a geração de nossas bisavós, mas ainda nos deparamos com o velho paradigma de que a vida é um arco, onde depois do apogeu temos apenas o declínio da decrepitude. No entanto, esses últimos 30 anos de vida têm seu próprio significado, e todos deveríamos estar nos perguntando como usar esse tempo. Eu acredito que a metáfora apropriada é a de uma escada, que ilustre a ascensão para o topo do espírito humano, porque esse não tem limites, mesmo diante de condições adversas. Talvez a tarefa do terceiro ato seja dar acabamento a nós mesmos. Quando me aproximava dos meus 60 anos, senti enorme necessidade de revisitar minha trajetória. Descobri que muitas características e falhas que achava que eram minhas não eram, na verdade. Essa é a oportunidade de você se perdoar, perdoar os outros e se libertar”. […]

  • O sistema que promete te fazer aprender 'qualquer coisa' em 20 horas
    on 18 de maio de 2018 at 20:57

    Segundo Josh Kauffman, escritor e especialista em processos didáticos e produtividade, o período de escalada na aprendizagem de algo novo acontece nas primeiras horas de contato com ele. A curva de crescimento dispara nos primeiros momentos quando entramos em contato com uma nova matéria, segundo o diagrama de Hermann Ebbinghaus Sbtlneet /Pixabay/CC0 Creative Commons Russo, árabe, chinês? Violino, guitarra? Física quântica? Nosso cérebro está preparado para aprender qualquer coisa, por mais difícil que seja, e em geral conseguimos fazer isso de forma rápida. Mas isso acontece principalmente no nosso contato inicial com alguma coisa nova. Foi o que alguns pesquisadores identificaram: há um período de aprendizagem mais produtivo nas primeiras 20 horas de contato com a matéria. Isso tem a ver com a capacidade de resposta e interesse que o nosso cérebro demonstra diante de novos estímulos. O filósofo e psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus desenhou no final do século 19 o que chamou de "curva de aprendizagem". Ela se fundamenta em duas variáveis: um eixo vertical que representa a matéria ou o conhecimento a ser adquirido, e um horizontal, que representa as horas necessárias para o aprendizado. Desta forma, podemos calcular o tempo que precisamos para aprender algo. Em uma empresa, por exemplo, é comum avaliar a produtividade de um funcionário conforme o tempo que ele precisa para cumprir as tarefas determinadas, e também se determina o nível de dificuldade delas dependendo do tempo necessário para realizá-la. A aprendizagem de uma coisa nova costuma ser mais produtiva nas primeiras horas Pexels/Pixabay Com o diagrama, Ebbinghaus queria ilustrar que, em nosso contato com algo novo, a maioria dos conhecimentos são adquiridos logo no início. Depois de certo tempo, a aprendizagem diminui e entramos em um período de aperfeiçoamento, que é menos produtivo, porque demoramos mais para conseguir os objetivos. Isso tem a ver com um processo do cérebro chamado "habituação", que é a fase mais primitiva da aprendizagem. Diante de um estímulo novo, a resposta sensitiva e receptiva do cérebro é muito intensa. Na medida em que esse estímulo se repete, a resposta passa a ser menos potente. Por isso, aprender algo novo, por mais difícil que seja, é um processo que acelera rapidamente, já que começamos do zero. Depois, esse nível de aprendizagem diminui. A regra das 5 horas Esse período de escalada na aprendizagem acontece nas primeiras horas de contato com uma matéria nova, segundo Josh Kauffman, escritor e especialista em processos didáticos e produtividade. Um dos líderes da Revolução Americana, Benjamin Franklin, usava um método específico de horas para aprender coisas novas. Ele ficou conhecido como "a regra das cinco horas". A cada dia da semana, de segunda a sexta-feira, Franklin dedicava pelo menos uma hora a aprender algo novo que ainda não conhecesse. Depois de um tempo, quando sentia que já havia adquirido um bom nível de conhecimento, passava para outra matéria. Se aplicássemos a regra das cinco horas, a cada quatro semanas aprenderíamos algo novo com habilidade suficiente, garante Kauffman em seu livro "As primeiras 20 horas: como aprender qualquer coisa rapidamente". Esse sistema, com algumas variações, é usado hoje em dia por empresários de sucesso, como Elon Musk, Warren Buffet, Mark Zuckerberg e Oprah Winfrey. Eles próprios confirmaram isso recentemente em declarações sobre o sucesso de suas carreiras. A chave, portanto, parece residir em dois fatores: em nós mesmos e na nossa força de vontade para "encontrar tempo" de aprender algo "deliberadamente", como diria Franklin. […]

  • Cientistas aceleram células do coração com controle remoto em laboratório
    on 18 de maio de 2018 at 18:00

    Células cardíacas foram cultivadas em material que converte luz em eletricidade. Feito pode ajudar na criação de melhores marcapassos.  Cientistas controlam células do coração por controle remoto Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, conseguiram acelerar e desacelerar com um controle remoto células cardíacas cultivadas em laboratório (veja o vídeo). A pesquisa, publicada na "Science Advances" nesta sexta-feira (18) pode contribuir para que melhores marcapassos sejam feitos no futuro. Os marcapassos são dispositivos que regulam a frequência cardíaca: quando um paciente tem uma condição em que o coração pode desacelerar, o dispositivo aumenta a frequência e impede que o órgão bata abaixo do esperado. As células foram cultivadas em um material chamado grafeno -- que converte luz em eletricidade. Segundo os autores, a tecnologia também pode ser útil em testes de drogas terapêuticas: isso porque o grafeno é feito por "teias" de átomos de carbono, material que também é à base de todos os organismos vivos. Isso é particularmente importante porque a maior parte dos testes com drogas em laboratório hoje é feito em plástico e vidro, materiais que não conduzem eletricidade e não conseguem mimetizar as condições do organismo. Segundo os autores, muitos compostos benéficos podem ser perdidos porque seus efeitos não são facilmente aparentes na condição em que as células de teste são cultivadas - ou seja, em plástico, fora do contexto da doença. "Não há muitas muitas superfícies agindo como plástico ou vidro no corpo humano", diz Alex Savchenko, autor do estudo e pesquisador da Universidade da Califórnia, em nota. "Somos condutores. Nossos corações são extremamente bons em conduzir eletricidade. No cérebro, é a condutividade elétrica que me permite pensar e falar ao mesmo tempo", completa Savchenko. Pesquisadores também observaram que as células em laboratório crescem melhor no grafeno e se comportam mais como células do organismo quando estão na presença do material. Marcapasso é hoje um instrumento utilizado para controlar batidas do coração Zephyr/ZEP/Science Photo Library/Arquivo AFP Como foi feito o experimento Pesquisadores geraram células cardíacas a partir de células da pele doadas. Depois, cultivaram essas células em laboratório; mais especificamente, no grafeno. Como o material gera eletricidade por meio da luz, cientistas tiveram que encontrar a melhor maneira para fazer com que luz fosse controlada. "Ficamos surpresos com o grau de controle e flexibilidade que o grafeno permite", disse Savchenko. "Você quer que as células batam duas vezes mais rápido? Não tem problema - você apenas aumenta a intensidade da luz", continua. A equipe também ficou surpresa com a ausência de toxicidade da substância, o que também permitirá que o material seja utilizado em organismos vivos no futuro. "Normalmente, se você introduzir um novo material em biologia, você espera encontrar um número de células mortas no processo", disse Savchenko. "Mas nós não vimos nada disso". […]

  • Astronauta esquece cartão de memória de câmera durante caminhada para manutenção da ISS
    on 18 de maio de 2018 at 15:20

    Saída ao lado externo da estação foi realizada para mover dois aparelhos de refrigeração. Astronauta percebe que esqueceu cartão de memória da câmera durante caminhada espacial Um dos astronautas americanos que realizou uma saída ao espaço na quarta-feira (16) para verificar o funcionamento e mover dois aparelhos de refrigeração na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) esqueceu de colocar o cartão de memória da câmera GoPro para captar imagens da atividade. Trump quer privatizar Estação Espacial Internacional, mas enfrenta resistência do Congresso americano Durante o trabalho de manutenção, o astronauta (Drew Feustel ou Ricky Arnold) mantém comunicação com o centro de controle em Houston, e pergunta sobre o fato de ter apertado o botão para gravar e ter visto o aviso "no SD Card". "Isso significa que eu preciso disso (do cartão) para gravar? E se a câmera estiver gravando, é esperado que ela exiba uma luz vermelha?", perguntou o astronauta. Depois de algum tempo de silêncio, o interlocutor no centro de comando avisa que, se o cartão de memória estivesse na câmera, ela poderia gravar e exibiria a luz vermelha. Essas caminhadas espaciais são rotineiras. Esta é a de número 210 na história da ISS, que começou a funcionar em 1998. […]

  • O sítio arqueológico coberto por lava de vulcão há 1.400 anos e que segue intacto
    on 18 de maio de 2018 at 14:44

    Atingido pela lava de um vulcão, o sítio Joya de Cerén foi encontrado intacto; pesquisadores ainda procuram sinais de restos humanos. Joya de Cerén, en El Salvador, é um sítio arqueológico com características únicas Getty Images "É uma cápsula do tempo extraordinária". Assim define o arqueólogo Payson Sheets o sítio arquelógico Joya de Cerén, local descoberto por ele em El Salvador. O espaço é conhecido como Pompeia da América, mas Sheets prefere não se referir ao lugar dessa forma. "Seria me gabar demais", diz à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC. A comparação com a cidade italiana, cuja população de milhares de pessoas foi morta por uma erupção do monte Vesúvio no ano 79, ocorre porque a lava que destruiu Joya também preservou a arquitetura e os artefatos da época, que permanecem nas posições em que estavam no momento da tragédia. Os especialistas concordam que Joya de Cerén é um local singular e um dos sítios arqueológicos mais importante do mundo. Isso porque ele mostra restos muito bem preservados de uma aldeia pré-colonização na Mesoamérica. A importância do local é tanta que a Unesco declarou Joya de Cerén patrimônio da humanidade, em 1993. Una de las habitaciones encontradas en Joya de Cerén MINISTERIO DE CULTURA EL SALVADOR O que aconteceu? Joya de Cerén era uma aldeia habitada por uma comunidade maia. Por volta do ano 600, uma erupção do vulcão Ilopango destruiu o local. No entanto, segundo evidências encontradas por arqueólogos, a maior parte dos moradores teve tempo para fugir. "No caso de Joya de Cerén, as pessoas não tiveram tempo de levar suas coisas. Precisaram escapar da erupção do vulcão, que ficava a somente 600 metros de onde moravam", explica Sheets. O professor Sheets, que realizou numerosas escavações na região nos últimos 40 anos, diz que a população conseguiu escapar porque a erupção do vulcão ocorreu em fases. "Primeiro caiu uma massa fina de grãos sobre as plantações, como milho e mandioca e cobriu também o telhado das casas. A segunda fase foi mais violenta e explosiva, deslocando a água do rio. Depois, vieram outras fases que converteram o lugar em uma cápsula do tempo", diz. O professor Payson Sheets durante uma de suas escavações em Joya de Cerén PAYSON SHEETS Recriação digital de uma casa em Joya de Cerén PAYSON SHEETS Joya de Cerén, em El Salvador, nomeada patrimônio da humanidade pela Unesco em 1993 PAYSON SHEETS 'Com a boca aberta' Após as sucessivas e violentas erupções, Joya de Cerén foi totalmente sepultada. Os restos da aldeia permaneceram preservados por quase 1.400 anos. Em 1978, um pouco por curiosidade e também por sorte, o professor Sheets, que realizava uma pesquisa em El Salvador, deparou-se com uma estrutura coberta de cinzas em uma escavação que havia sido feita por uma construtora dois anos antes. "Assumi que se tratava de uma erupção recente, de uns 100 anos. Cavei um pouco mais, pensando que acharia algum diário ou estrutura de metal, mas só encontrei objetos antigos clássicos. Para mim não fazia sentido, porque eu estava a apenas cinco metros de profundidade. Era um enigma", diz o arqueólogo, em entrevista por telefone. "Peguei algumas amostras, fiz o teste de datação por radiocarbono (método que consegue determinar a idade de algum material) e os resultados mostraram que elas tinham 1.400 anos. Não me lembro quanto tempo fiquei de boca aberta", conta Sheets. "Me dei conta de que não havia nada no mundo moderno com uma preservação desse tipo", diz. Uma espiga de milho coberta de cinzas manteve sua forma PAYSON SHEETS Entre os utensílios maias há vasos e pedras para moer PAYSON SHEETS Acidente histórico A preservação é uma grande preocupação dos pesquisadores. "Não há muitas 'Pompeias' no mundo porque o grande problema que os arqueólogos enfrentam é a preservação", diz Robert Rosewig, professor do departamento de Antropologia da Universidade de Albania, em Nova York. Quando ocorrem erupções ou inundações é muito frequente que esses sítios desapareçam, sejam destruídos ou desmoronem. Por isso, uma área preservada como a de Joya de Cerén é quase um acidente histórico", explica Rosenwig. 'Comer as evidências' Foram encontradas centenas de sementes com 1.400 anos de idades PAYSON SHEETS "A comida que foi deixada em vasilhas permaneceu. Encontramos um vaso de cerâmica com centenas e centenas de sementes de abóbora. Depois de 1.400 anos, num clima tropical, as sementes não mudaram de tamanho, forma ou peso. Elas estavam apenas com um pouco de poeira ", conta Sheets. "Pensei em comer apenas uma semente para saber se o gosto havia mudado, mas depois decidi que não: os arqueólogos não devem comer suas evidências", diz, gargalhando. O que foi encontrado em Joya de Cerén? Em quase 40 anos de escavações, o professor encontrou 10 edificações ainda inteiras. Entre elas há casas, bodegas, uma cozinha e um prédio religioso e um edifício cívico onde se reuniam os líderes da comunidade para solucionar problemas locais. Há outra estrutura onde se guardavam e preparavam alimentos para cerimônias e festas, diz o site do parque arqueológico de Joya de Cerén. "Nas escavações foram encontradas sementes de feijão, urucum, milho e mandioca, além de um banho de sauna temazcal ou sauna seca, uma estrutura única em sua categoria, já que em toda a Mesoamérica não foram encontrados temazcal ainda em pé", afirma Johnny Ramos, administrador do parque arqueológico. Em Joya de Cerén foi encontrado um temazcal, também conhecido como saudas, onde os maias faziam rituais MINISTÉRIO DE CULTURA DE EL SALVADOR Além disso, também foram encontrados cerâmicas, tigelas, copos e jarros que usavam como celeiros, assim como pedras de moagem, entre outros elementos. Muitos deles estão expostos em museu no sítio de Joya de Cerén. "Cada vez que fazemos escavações, encontramos insetos muito bem conservados", diz Ramos, que assegura que as pesquisas continuam. Ele não descarta a possibilidade de restos humanos serem encontrados. Para o professor Sheets, Joya de Cerén "nos dá a oportunidade de descobrir como era a vida cotidiana" naquela época. "Conhecemos muito sobre a elite maia, suas pirâmides, seus hieróglifos… Joya de Cerén é uma janela que nos mostra a riqueza da vida de gente comum", diz Sheets. […]

  • OMS: Chance de ebola se espalhar para outros países na África é 'muito elevada', mas não há emergência global
    on 18 de maio de 2018 at 14:27

    Após confirmação de caso em área urbana no Congo, Organização Mundial da Saúde aumenta classificação de risco para países vizinhos; mas descarta transmissão global. Lote de vacina experimental contra o ebola chega ao Congo no dia 16 de maio de 2018; decisão de destinar imunizante veio da OMS Kenny Katombe/Reuters A República Democrática do Congo enfrenta um risco "muito elevado" para a transmissão do ebola, mas o risco global de transmissão é "baixo", informou nesta sexta-feira (18) a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda, a OMS descartou possibilidade de transmissão para outros continentes, mas diz que o vírus pode ultrapassar a fronteira do Congo para países vizinhos. A informação é da agência Reuters. O anúncio da entidade foi feito porque a doença foi confirmada em um paciente em área urbana no Congo (o caso foi registrado em Mbandaka, cidade de cerca de 1,5 milhão de habitantes do noroeste do país). A partir do caso, o risco de transmissão em países da região passou agora de "moderado" para "elevado". A OMS, entretanto, decidiu que o surto no Congo não determina uma emergência de saúde pública de preocupação internacional. Uma reunião havia sido convocada nesta sexta-feira (18) com esse objetivo. De acordo com a Reuters, há grande expectativa de que a situação no Congo possa ser controlada. A entidade também descarta qualquer restrição de viagens nesse momento. A emergência de saúde pública levanta um alerta internacional para que países passem a monitorar mais atentamente uma possível chegada do vírus -- esse alerta foi dado ao zika no Brasil. OMS vai se reunir para avaliar novo surto de ebola no Congo Todos os relatórios anteriores da doença partiram de áreas remotas, onde um surto de Ebola pode ser contido mais facilmente. "O caso confirmado em um grande centro urbano aumenta o risco de disseminação dentro da República Democrática do Congo e para países vizinhos", alertou a entidade, segundo a Reuters. Segundo Peter Salama, vice-diretor de Prontidão e Reação de Emergência da OMS, o fenômeno do ebola urbano é muito diferente do rural; e, por isso, a entidade deve ficar mais alerta. "Sabemos que as pessoas das áreas urbanas podem ter muito mais contatos, então isso significa que o ebola urbano pode resultar em um aumento exponencial de casos de uma maneira que o ebola rural tem dificuldade para fazer", disse. O cenário mais temido é um surto em Kinshasa, uma cidade superpovoada onde milhões vivem em favelas insalubres sem acesso a esgoto, informa a Reuters. Os casos fizeram com que a OMS enviasse lotes de vacina experimental contra o ebola para a região na tentativa de controlar o surto. A vacina, desenvolvida pela Merck em 2016, se mostrou segura e eficaz em testes com humanos, mas ainda é experimental por ainda não ter uma licença. Número de mortos chega a 25 O número de mortos pela epidemia de febre hemorrágica Ebola na República Democrática do Congo (RDC) chega a 25, de um total de 45 casos, dos quais 14 estão confirmados - aponta o último balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado nesta sexta-feira (18). A informação é da agência France Presse. […]

  • Trump quer privatizar Estação Espacial Internacional, mas enfrenta resistência do Congresso americano
    on 18 de maio de 2018 at 13:31

    Governo dos Estados Unidos anunciou em fevereiro que quer acabar com o financiamento público da estação a partir de 2025; especialistas consideram, contudo, que poucos arcariam com custos. Estação é uma base de pesquisa no espaço; ela recebe frequentemente astronautas para missões que podem durar meses Kirill Kudryavtsev/Pool/Reuters O polêmico projeto do presidente americano, Donald Trump, de privatizar a Estação Espacial Internacional (ISS) a partir de 2025 enfrenta a oposição de muitos membros do Congresso, incluindo alguns da maioria republicana. O governo dos Estados Unidos anunciou em fevereiro que quer acabar com o financiamento público da estação para redirecionar verbas para outros projetos de exploração espacial, principalmente o retorno à Lua e, eventualmente, a chegada à Marte. Mas este projeto é considerado simplista pelos especialistas e, ainda mais importante, pelos parlamentares que controlam esses fundos. "Não se pode fazer tudo, o dinheiro federal não é ilimitado", disse Lamar Smith, presidente republicano do Comitê de Ciências da Câmara de Representantes, em uma audiência na quarta-feira. Mas as contas não fecham. A economia que seria gerada pela eventual retirada dos Estados Unidos da estação internacional não seria "grande coisa". "Isso não nos permitirá voltar à Lua nem a nenhum outro lugar", afirmou. A Nasa gasta atualmente entre três e quatro bilhões de dólares por ano na ISS, incluindo o custo do transporte de provisões e de astronautas. Casa Branca planeja privatizar estação espacial internacional Se a estação fosse privatizada, os americanos continuariam pagando pelas missões de exploração e de pesquisa, e a economia não seria mais que de um bilhão por ano, disse a pesquisadora Bhavya Lal, do Instituto de Análises de Defesa, o que não chegaria nem perto do necessário para financiar uma missão a Marte. Segundo a especialista, "é pouco provável que uma estação espacial privada seja economicamente viável para 2025". O inspetor-geral da Nasa, Paul Martin, chegou oficialmente à conclusão de que é pouco provável que as empresas privadas assumam os custos de funcionamento da estação em 2024, estimados em 1,2 bilhão por ano. A causa da Estação Espacial une republicanos e democratas. O senador ultraconservador Ted Cruz - representante do Texas, onde fica a sede do mítico centro espacial Johnson da Nasa, em Houston - prometeu na quarta-feira que enquanto ele presidir o subcomitê do espaço, a ISS continuará recebendo financiamento. Ele e seus colegas querem prolongar a vida da estação até 2028, em vez da data limite atual de 2024, que por sua vez tinha substituído a data de 2020. A ISS funciona desde 1998. Resta saber como financiar ao mesmo tempo a estação e as missões de exploração à Lua e a Marte. A menos que haja um aumento substancial no orçamento da Nasa, atualmente de cerca de 20 bilhões ao ano, a pergunta continua em aberto. […]

  • EUA aprovam 1º tratamento exclusivo para prevenção da enxaqueca
    on 18 de maio de 2018 at 12:26

    Injeção será aplicada uma vez por mês; maioria das terapias hoje não são exclusivas para a condição. Médicos utilizam de antidepressivos a anticonvulsivantes.  Estados Unidos aprova novo remédio que promete prevenir a enxaqueca Os Estados Unidos aprovaram a primeira terapia de prevenção exclusiva para a enxaqueca. Trata-se de uma injeção mensal, que pode ser combinada com outros tratamentos existentes. O medicamento tem o nome comercial de Aimovig -- e é produzido pela Amgen, empresa americana com sede na Califórnia. O G1 entrou em contato com a empresa para saber sobre a eventual disponibilidade da injeção no Brasil. Atualmente, médicos utilizam medicamentos "emprestados" de outras doenças para tratar a enxaqueca: por isso, pacientes tomam anticonvulsivantes, medicamentos para a pressão e até antidepressivos na tentativa de diminuir as crises; que, nos casos crônicos, podem passar de 15 episódios por mês. De acordo com o FDA, a injeção pode ser administrada pelo próprio paciente -- sem a necessidade da presença em um serviço de sáude. Antes da aprovação, a eficácia da droga foi analisada em três ensaios clínicos, com resultados mais promissores para os que sofrem de enxaqueca crônica. Foram eles: Primeiro, cientistas selecionaram 955 participantes com enxaqueca episódica (menos que 15 dias de crises por mês) . Eles foram divididos em dois grupos: um que tomou a injeção e outro que tomou placebo. Após seis meses, pacientes tratados com a injeção apresentaram, em média, dois dias a menos de crise por mês. No segundo estudo, 577 pacientes receberam a injeção e placebo para enxaqueca episódica. Após três meses, os tratados tiveram menos um dia de enxaqueca por mês. O terceiro estudo avaliou 667 pacientes com enxaqueca crônica (com mais de 15 dias de crise por mês). Após três meses, pacientes tratados tiveram 2 meses e meio a menos de crises que os não-tratados. São muitas as tentativas para aliviar a dor provocada pela enxaqueca; poucas são exclusivas para a condição Rodolfo Tiengo/ G1 "Os resultados são uma média de todos os efeitos nos pacientes. Pode ser que uma pessoa tenha uma resposta completa e fique sem dor. Pode ser que para outras não funcione. Mas é uma estratégia nova, e isso é muito importante", diz o neurologista Mário Peres, que acompanha os ensaios clínicos com a molécula. O neurologista aponta que a injeção poderá ser combinada com outras existentes para tentar diminuir a frequência de crises -- segundo ele, como a enxaqueca é uma condição multifatorial, a terapia tem a vantagem de cobrir uma das possíveis causas que não estava sendo "atacada" por terapias existentes. "O interessante dessa injeção não é que ela é muito superior aos tratamentos existentes. É uma forma diferente de tratar, que não estava sendo coberta por outras terapias", diz o médico. A enxaqueca afeta 10% de todas as pessoas do mundo, informa o FDA (Food And Drug Administration), órgão similar à Anvisa nos Estados Unidos. A condição também é três vezes mais comum em mulheres que em homens. Circuito da dor na enxaqueca é complexo; terapia seria uma das alternativas University Psychiatric Clinics Basel Exclusiva: terapia tem por alvo uma molécula específica A terapia é a primeira de uma série de outras estratégias que tem por alvo a molécula "CGRP", algo como proteína relacionada ao gene da calcitocina. O neurologista Mário Peres explica que essa molécula está presente em todas as pessoas, mas fica aumentada em pacientes com enxaqueca. Estudo de revisão do "Physiological Review" publicado em 2014 menciona a função vasodilatadora da molécula. Ela aumenta o diâmetro de vasos sanguíneos, mecanismo que também está associado à enxaqueca. Esse alargamento do vaso sanguíneo, junto com outras substâncias químicas, deflagra o circuito de dor envolvido na enxaqueca. É também por esse motivo que hoje neurologistas utilizam tratamentos para o combate da pressão no tratamento da condição: o objetivo é dilatar os vasos para diminuir a dor. A diferença da injeção, entretanto, é que ela tem por alvo a diminuição dessa molécula e vem se somar ao corpo de ferramentas úteis para o tratamento, informa Mário Peres. […]

  • Vem aí o 'Martecóptero'
    on 18 de maio de 2018 at 09:00

    Nasa vai mandar pequeno helicóptero para pesquisar Marte NASA A NASA tem um belo histórico de ser a primeira em várias frentes tecnológicas. Para começar foi a primeira (e única por enquanto) agência a projetar uma nave que levasse seres humanos até a Lua e os trouxesse de volta. A primeira a mapear Vênus e Plutão e a primeira a mandar uma nave para fora do Sistema Solar, por exemplo. Depois de ser a primeira e de novo a única por enquanto a passear na superfície de um planeta com o jipinho Sojouner em Marte, a NASA planeja fazer o primeiro artefato humano a voar no planeta vermelho. E trata-se de um helicóptero! Mais do que aumentar a coleção de 'primeiros a fazer', a agência espacial norte-americana pretende testar novas tecnologias e novas estratégias de pesquisa em outros planetas. A ideia é embarcar um pequeno helicóptero junto com o próximo jipe marciano, o Mars 2020 que deverá ser lançado em julho de 2020. Depois de pegar carona na barriga do jipe, o brinquedinho vai ser cuidadosamente depositado no solo marciano e realizar uma bateria de testes para verificar sua integridade. Após se afastar, o jipe deve transmitir uma série de comandos que devem fazer o helicóptero entrar em operação. O primeiro voo da engenhoca deve ser vertical apenas, pairando a uma altura de 3 metros por 30 segundos. Depois disso ele pousa e um verdadeiro checkup de suas condições será feito. Mas qual a utilidade de se fazer voar um helicóptero em Marte? A ideia aqui é testar várias tecnologias e procedimentos para futuras missões. Por exemplo, fazer voar qualquer coisa em Marte é, por si só, um desafio. A atmosfera marciana é muito menos densa que a da Terra. Para se ter uma ideia, na superfície marciana a atmosfera é equivalente à atmosfera terrestre a uma altura de 30 mil metros! Essa altitude só é alcançada por balões estratosféricos ou foguetes, nenhum helicóptero ou avião consegue voar assim tão alto. A estratégia para vencer essa barreira é fazer o helicóptero o mais leve possível e fazer as pás girarem o mais rápido que conseguirem. Segundo Mimi Aung, a gerente do projeto, o helicóptero deverá pesar uns 2 kg e suas pás devem girar a 3 mil rotações por minuto, dez vezes mais que um helicóptero terrestre. Sem falar que tudo isso irá depender de painéis solares ultra eficientes para recarregar as baterias e manter os aquecedores internos funcionando para manter a eletrônica a salvo dos rigores da noite marciana. Outro desafio a ser vencido é a falta de comunicação ao vivo. A Marte está a vários minutos luz de distância, por volta de 15, o que significa que você não pode simplesmente comandar um veículo em Marte com um joystick sem correr o risco de perde-lo. Uma informação para avançar leva 15 minutos e a foto do buraco a ser contornado vai levar 15 minutos para chegar até a Terra. Some mais 15 para a ordem de parar e já deu meia hora que o sinal de perigo partiu de Marte. Desse jeito, a solução é fazer voos autônomos, com comandos enviados previamente da Terra e o helicóptero só precisa receber a instrução para começar. O que será testado é a capacidade do helicóptero em interpretar as informações recebidas e executar o melhor procedimento para o voo. Na verdade, os jipes marcianos já operam dessa maneira sobre o a superfície com um grande grau de independência e algoritmos inteligentes capazes de de encontrar um caminho menos acidentado e seguro. A rotina do pequeno helicóptero durante 30 dias, a duração prevista missão, é de realizar voos cada vez mais longos e distantes num total de 5 com duração máxima de 90 segundos, aumentando seu alcance até chegar a algumas centenas de metros de distância do ponto de partida. E qual o ganho para as próximas missões? A terceira dimensão! Futuros jipes poderão ter helicópteros como esses embarcados e ao chegar em alguma encosta, ou na borda de uma cratera, poderá lança-lo para explorar seu interior, ou ainda estudar terrenos mais altos, quando o jipe estiver em um vale por exemplo. Com a capacidade de voar de forma autônoma mais desenvolvida, helicópteros poderão ser lançados para recolher amostras de locais inacessíveis pelos jipes de modo a ampliar o raio de ação deles. A ideia de ter jipes andando e helicópteros voando em Marte é simplesmente fantástica! […]

  • Apenas 10% das terras protegidas estão totalmente livres da atividade humana, diz estudo
    on 17 de maio de 2018 at 18:01

    Levantamento publicado na 'Science' nesta quinta-feira (17) mediu atividade humana em terras sob proteção ambiental; um terço está sob forte ameaça. Algumas áreas protegidas têm atividade humana limitada, desde que convivam preservando a biodiversidade e o equilíbrio ecológico Ascom MPF/MS Um terço da terra protegida está sob intensa pressão humana por processos que incluem a construção de estradas, a agricultura e a urbanização, mostra estudo publicado na "Science" nesta quinta-feira (17). O levantamento fez uma avaliação do impacto da atividade humana em terras protegidas -- a última análise dessa escala, segundo autores, foi feita em 1992. De todas as terras sob proteção, 33% estão sob intensa atividade humana -- enquanto 42% estão livre de pressões mensuráveis. Apenas 10% dessas terras estão totalmente livres de atividade humana -- mas a maior parte da área está em terras remotas, como em regiões da Rússia e do Canadá. Mapa em estudo publicado na 'Science' mostra áreas sobre intensa atividade humana. Quanto mais alaranjada a cor, mais intensa a atividade é. No quadro B, está o Parque Nacional Podolskie Tovtry, na Ucrânia. Na C, estradas na Tanzânia; Na D, áreas de agricultura e prédios na Coréia do Sul Google Earth/Science De acordo com a União Internacional para a Conservação da Naureza, método adotado pela ONU e a Convenção sobre a Diversidade Biológica, uma área protegida deve manter a integridade ecológica e condições naturais; nesse sentido, espécies e seus hábitats devem se manter protegidos da ação humana para que processos ecológicos e evolutivos se mantenham. "Há uma clara relação entre atividade humana e o declínio da biodiversidade", escreveram os autores. Eles defendem, no entanto, que há cenários em que a atividade humana pode conviver com a biodiversidade -- como em algumas combinações menos extensivas de agricultura. Um outro ponto a se considerar é que a atividade humana não responde por toda a pressão que se coloca na natureza -- outros fatores, como a mudança climática também interferem no equilíbrio ecológico de áreas sob preservação. Outra pesquisa publicada na mesma edição da 'Science' desta quinta-feira (17) mostrou que até 2100, muitas espécies de plantas e vertebrados perderão seus habitats se o aquecimento global chegar a mais de 2º C -- o maior impacto será sentido para os insetos, que perderão 18% de suas faixas de ambiente naturais. […]

  • Chegada de ebola a área urbana em surto atual deixa República Democrática do Congo em alerta
    on 17 de maio de 2018 at 16:29

    Caso de infecção do vírus letal é registrado em Mbandaka, uma das maiores cidades do país, aumentando temores quanto a uma maior disseminação da doença.  República Democrática do Congo registra caso urbano de ebola O surto de ebola na República Democrática do Congo entrou numa nova fase, após um caso de infecção pelo vírus ter sido detectada pela primeira vem em Mbandaka, uma das principais cidades do país, afirmou o Ministério da Saúde congolês. A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou a infecção detectada em Wangata, uma das três zonas de saúde de Mbadanka, cidade de 1,2 milhão de habitantes no noroeste do país. Até o momento, as 23 mortes atribuídas ao mais recente surto do vírus no país haviam sido detectadas em localidades remotas, fazendo com que as autoridades tivessem mais chance de isolar as infecções. O primeiro caso ocorrido em uma zona urbana aumenta os temores de uma disseminação ainda maior do vírus. Agentes de saúde trabalham para o controle do ebola no Congo; novos casos preocupam OMS Media Coulibaly/Reuters A OMS, que enviou ao país nesta quarta-feira as primeiras vacinas experimentais contra o vírus, expressou preocupação com a chegada da doença a Mbadanka, que poderá dificultar a contenção do surto. A cidade está localizada às margens do rio Congo, uma das principais vias de transporte de carga e passageiros para a capital, Kinshasa. O país vizinho, a República do Congo, fica na outra margem. "Entramos em uma nova fase do surto de ebola, que afeta agora três zonas de saúde, incluindo uma zona urbana", disse o ministro congolês da Saúde, Oly Ilunga Kalenga, em nota. "Desde o anúncio do alerta em Mbandaka, nossos epidemiologistas trabalham no local para identificar as pessoas que estiveram em contato com casos suspeitos", disse o ministro, acrescentando que as autoridades intensificarão o rastreamento dessas pessoas em todas as rotas de transporte aéreo, fluvial e terrestre em torno da cidade. Esta é a nona ocorrência de ebola na República Democrática do Congo desde a primeira aparição conhecida do vírus, próximo ao rio Ebola, no norte do país, nos anos 1970. […]

  • Fazer exercícios não freia avanço da demência, indica pesquisa
    on 17 de maio de 2018 at 16:26

    Estudo submeteu mais de 300 pessoas com sintomas moderados de demência a programa de exercícios e não identificou melhora em capacidade cognitiva. Prática de exercícios físicos na terceira idade traz benefícios para a saúde Adriano Ferreira/EPTV Exercícios físicos para pessoas com sintomas de demência leve ou moderada "não funcionam", de acordo com estudo publicado na revista acadêmica British Medical Journal. Os cientistas queriam testar sugestões, feitas por estudos anteriores, de que exercícios poderiam prevenir o declínio de habilidades cognitivas, como no caso de pacientes com Alzheimer. Os pesquisadores disseram que não identificaram melhora nas habilidades de raciocínio ou no comportamento da doença ao analisar os casos de mais de 300 pessoas na casa dos 70 anos que fizeram exercícios aeróbicos e de força durante quatro meses. O lado positivo foi que o condicionamento físico dos que participaram da pesquisa melhorou. Mas foi constatado que, 12 meses depois, as habilidades cognitivas das pessoas que fizeram exercícios tiveram um declínio levemente maior do que pessoas que não fizeram. Novos testes devem ser feitos para explorar outras formas de exercícios, dizem os pesquisadores, da Universidade de Oxford. Mas, atualmente, a ideia de criar programas de atividades físicas para pacientes com demência, estudada pelo NHS, o sistema de saúde pública britânico, não parece ser um bom investimento, na avaliação dos pesquisadores. Bicicleta e levantamento de peso No estudo, 329 pacientes com demência fizeram exercícios em uma academia por 60 a 90 minutos duas vezes por semana, num período de quatro meses. Eles fizeram pelo menos 20 minutos de bicicleta e também ergueram pesos leves enquanto se erguiam de uma cadeira. Os pacientes que participaram do estudo também foram orientados a fazer exercício em casa por uma hora toda semana. Esse grupo que fez exercício foi avaliado e comparado com um grupo de 165 pessoas - também com demência - que receberam cuidados convencionais. Sallie Lamb, que comandou a pesquisa, disse que os resultados revelaram que apesar da nítida melhora na condição física, esses benefícios "não se traduzem em melhoras nas habilidades cognitivas, nas atividades da vida diária, comportamento ou na qualidade de vida relacionada à saúde", disse ela. Após 12 meses, testes de comprometimento cognitivo mostraram declínio nos dois grupos - mas um declínio levemente maior no grupo dos que fizeram exercícios. Martin Rossor, professor de neurologia clínica da University College London, diz que os resultados do estudo não surpreendem uma vez que a degeneração do cérebro começa muitos anos antes dos sintomas como, por exemplo, em casos de Alzheimer. "Portanto, a mensagem é que o exercício é bom, mas iniciar um regime de exercícios uma vez que a doença esteja bem estabelecida pode ter valor limitado", acrescenta. Sara Imarisio, que comanda o centro de pesquisas Alzheimer's Research UK, no Reino Unido, diz que outras formas de atividades físicas poderiam ter outros efeitos e que elas devem ser pesquisadas no futuro. Ela afirma ainda que são muitos os benefícios dos exercícios físicos, além de fazer bem à saúde. "Para muitas pessoas, o exercício pode ser uma fonte de prazer e proporcionar oportunidades valiosas para interação social", avalia. "Isso se aplica às pessoas que vivem com demência tanto quanto a qualquer outra pessoa", completa Imarisio. Por isso, apesar dos resultados do estudo, especialistas ainda recomendam exercícios físicos, vistos como uma das melhores maneiras de reduzir o risco de contrair demência em idosos saudáveis. E avaliam que mais pesquisas são necessárias para elaborar um programa de exercícios que seja realmente eficiente para melhorar as condições de saúde do cérebro em quem já tem algum tipo de demência. […]

  • Desde 2015, Brasil teve 351 mortes de fetos, bebês e crianças associadas ao vírus da zika 
    on 17 de maio de 2018 at 15:07

    País registrou 3596 casos confirmados e prováveis nesse período. Notificações caíram a partir de 2017, com 505 delas até abril de 2018.  Jessé, 10 meses, foi diagnosticado com microcefalia logo após o nascimento. A foto foi feita no Distrito Federal em 2017. Marília Marques/G1 Desde o início do registro das más-formações associadas ao vírus da zika no Brasil (novembro de 2015), o país teve 351 mortes provocadas por infecção pelo vírus, mostra último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde (que contabilizou dados até 14 de abril de 2018). No total, foram registrados 1015 mortes suspeitas; dessas, 308 foram confirmadas e 43 foram classificadas como prováveis. Ainda, 53 mortes foram inconclusivas, 181 óbitos permanecem em investigação, e 363 foram descartados. Em relação às notificações -- e não casos confirmados -- os estados que apresentaram maior número foram: Pernambuco (175), Bahia (103), Rio de Janeiro (88), Minas Gerais (71) e Ceará (69). Confira a divisão por região (não há mortes na Sul): Em relação ao número de casos, o país registrou 3596 casos de anomalias em fetos no período. Desses, 3149 foram confirmados por exames laboratoriais e 447 foram classificados como prováveis. Ao todo, foram notificados 15.874 casos no período; desses, 7140 foram descartados e 2795 permanecem em investigação. Como no início do surto, a maior parte das notificações ocorreu no Nordeste (59,8%); depois, a região Sudeste com (24,4%) e a Centro-Oeste (7,3%). ). Consistente com os estados que registraram mais mortes, os cinco estados com maior número de casos notificados foram Pernambuco (16,7%), Bahia (16,1%), São Paulo (9,3%), Paraíba (7,2%) e Rio de Janeiro (7,1%). O número de notificações de anomalias sofreu forte queda entre 2016 e 2017, conforme demonstra gráfico abaixo: Cuidados em saúde Segundo o boletim, de todos os casos confirmados, 72,8% estavam recebendo algum tipo de cuidado em saúde. Em relação ao protocolo do Ministério da Saúde, 24% estavam recebendo o tratamento completo (puericultora - orientações após o nascimento, estimulação precoce e atenção especializada). Dificuldades de locomoção e de vagas, além da complexidade do tratamento, podem justificar a ausência de todo o tratamento. […]

  • Hábitos alimentares influenciam no crescimento das crianças
    on 17 de maio de 2018 at 13:49

    O açúcar do achocolatado, por exemplo, pode atrapalhar o crescimento. A falta de nutrientes pode provocar o déficit de estatura. Veja a edição de quinta (17) do Bem Estar sobre crianças e crescimento Uma pesquisa com 1.700 crianças revelou que o açúcar do achocolatado pode atrapalhar o crescimento. Mas quando os pais devem se preocupar com o desenvolvimento e estatura dos filhos? O crescimento depende de vários fatores como idade, idade óssea, altura da família, idade de início da puberdade, estado de saúde física e mental. Entretanto, o crescimento é um marcador indireto de saúde da criança. Ou seja, toda criança considerada baixinha deve ser avaliada pelo endocrinologista especialista em crescimento. Os pais devem se preocupar se a criança é mais baixa que a maioria dos amiguinhos, principalmente antes do início da puberdade, como explicaram as convidadas do Bem Estar desta quinta-feira (17) – a pediatra e consultora Ana Escobar e a endocrinologista Elaine Costa. Doença celíaca pode comprometer o crescimento Como chegar ao diagnóstico? O primeiro passo é estudar a idade óssea da criança, junto com um estudo hormonal. Se estiver dentro dos parâmetros, está tudo bem. Se houver desaceleração do crescimento, isso pode indicar algum problema e deve-se procurar um especialista. Quando usar medicamentos? A criança precisa passar por um especialista, pois todos os medicamentos têm efeitos colaterais. Algumas coisas podem contribuir para a baixa estatura: Doença celíaca Hipotireoidismo Uso prolongado de corticoides Doenças crônicas O tratamento deve ser iniciado assim que constatado que a criança parou de crescer enquanto as outras do grupo continuam dentro da curva. Quanto mais cedo iniciar o tratamento, melhor. Hábitos alimentares influenciam na estatura das crianças Hábitos alimentares Os primeiros anos de vida são fundamentais para garantir a formação do hábito alimentar. Em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, um levantamento feito em creches mostrou que 6% das crianças estão com estatura mais baixa do que o ideal. O estudo foi feito com quase 1.800 crianças de até três anos. Alguns pontos podem contribuir para o atraso no crescimento: Presença de leite de vaca com achocolatado e adição de açúcar Consumo de verduras e hortaliças inferior ao recomendado Ingestão de carne acima do permitido Ausência de peixe Textura dos alimentos transformados em sopa, sem incentivar o hábito da mastigação Segundo os especialistas, os primeiros anos de vida são fundamentais para garantir a formação do hábito alimentar, principalmente em relação a redução do risco da obesidade e baixa estatura. Veja mais um episódio do Bem na fita: Bem na Fita: ser baixinho não é problema […]

  • Overdoses por medicamentos e drogas aumentam doação de órgãos nos EUA 
    on 17 de maio de 2018 at 12:55

    Mortos por overdose de opióides representam atualmente cerca de 14% dos doadores americanos, contra 1% antes da epidemia.  Medicamentos analgésicos fortes como o OxyContin (oxicodona) empurram mortes por overdoses nos EUA Reuters Novos dados publicados no "New England Journal of Medicine" confirmam o que as redes de doadores de órgãos já vinham observando há anos: que há cada vez mais casos de doações de órgãos de pessoas mortas pelo excesso no consumo de drogas. A informação é da agência France Presse. Os mortos por overdose representam atualmente cerca de 14% dos doadores americanos, contra 1% antes do começo da epidemia de drogas opioides, considerada atualmente uma emergência nacional pelo Congresso e pelo governo do presidente Donald Trump. Isso faz com que as overdoses se igualem aos acidentes de trânsito como fontes de doações de órgãos. Em 2000, os casos por overdose foram apenas 56; em 2016, foram mais de mil. Neste último ano, 1.356 doadores morreram em consequência de acidentes de trânsito. Em março, o CDC (Centro de Controle de Doenças dos EUA) informou que a epidemia aumentou 30% entre 2016 e 2017. "Esta rápida epidemia afeta tanto homens como mulheres, e pessoas de todas as idades. Não respeita fronteiras de estados ou condados e continua aumentando em todas as regiões dos Estados Unidos", disse Anne Schuchat, diretora do CDC. O aumento do número total de doadores de órgãos que é registrado há cinco anos se deve, consequentemente, principalmente às overdoses, e não a avanços científicos ou a uma melhor coordenação, apontam os pesquisadores. "O aumento é alimentado por uma crise", observa o médico do hospital de Boston Mandeep Mehra, coautor do estudo e docente na Universidade de Harvard. Se o fenômeno é observado no Canadá - principalmente na Colúmbia Britânica, onde a crise de opioides surgiu em 2016 -, na Europa, é quase inexistente: lá, menos de 1% dos doadores de órgãos morreram por overdoses. EUA enfrentam uma epidemia de drogas legais e ilegais à base de opioides Heroína, fentanil e oxicodona O fentanil, um poderoso analgésico sintético, e a heroína são os principais responsáveis por esta crise, assim como os analgésicos opioides com a oxicodona. O número de mortes por overdoses de opioides quintuplicou entre 1999 e 2016 nos Estados Unidos, chegando a 42.000, segundo as autoridades de saúde. Os médicos também analisaram a qualidade dos órgãos doados. O estudo confirmou que, um ano depois do transplante, não houve diferenças significativas de sobrevivência entre pacientes que receberam um coração ou pulmão de uma pessoa morta por overdose e aqueles que receberam esses órgãos de pessoas falecidas por outras causas. Outro estudo, publicado em abril, concluiu que em alguns casos a taxa de sobrevivência chega a ser maior entre os que recebem órgãos de pessoas que morreram por overdose. Estes em geral sofriam menos de diabetes ou de hipertensão que os demais doadores. "São até melhores doadores, porque infelizmente com frequência são mais jovens, estão relativamente em melhor estado de saúde e não sofrem de doenças vinculadas ao envelhecimento", disse à AFP David Klassen, diretor médico da rede que administra as doações de órgãos nos Estados Unidos. As drogas são absorvidas pelo corpo muito rapidamente após serem injetadas, explica o médico, de modo que não existe perigo de que as substâncias tóxicas sejam transmitidas durante a operação de transplante. Característica da população americana Diferente dos brasileiros, a população americana tem maior costume de consumir anestésicos e analgésicos por uma série de motivos: o país é mais rico, a população tem uma sobrevida maior em relação à doenças crônicas e reumáticas, o acesso é maior. O problema é que o hábito de consumir esses medicamentos levam as pessoas ao vício, o que pode explodir o número de overdoses e, consequentemente, das doações de órgãos -- como observado agora. […]

  • 'Picada' no dedo poderá determinar sexo do bebê, diz estudo 
    on 17 de maio de 2018 at 12:30

    Pesquisa brasileira publicada no 'Prenatal Diagnostics' mostra que sexo do feto pode ser observado no primeiro trimestre de gravidez com teste semelhante ao da diabetes.  Imagem ilustrativa mostra como o sexo do bebê poderá ser determinado; exame com pequena quantidade de sangue encontra cromossomo Y Peejhunt/Pixabay Uma pesquisa brasileira publicada no "Prenatal Diagnostics" mostra que um teste simples com sangue de vasos capilares – semelhante ao feito para monitorar a diabetes – pode identificar o sexo do bebê no primeiro trimestre de gravidez. Hoje, exames de sangue mais complexos podem ser feitos nesse período para identificação do sexo do feto. Geralmente, contudo, famílias só vão saber se o bebê é menino ou menina após os primeiros três meses, quando a observação pelo ultrassom é possível. O teste é feito por meio de uma pequena quantidade de sangue de vasos capilares coletada pelo dedo e identifica a presença do cromossomo Y (masculino); por exclusão, é possível saber se é menina pela ausência do cromossomo. Os testes com o exame foram feitos pelo pesquisador Gustavo Barcelos Barra, do laboratório Sabin em Brasília, que financiou a pesquisa. No total, 101 voluntárias participaram do estudo. O período médio de gestação foi de 8 a 20 semanas. Resumo do estudo Antes do exame, as participantes foram divididas em três grupos para determinar qual método de assepsia para o dedo seria o mais indicado para o teste: 27 usaram álcool, 39 aplicaram hipoclorito de sódio duas vezes e 35 borrifaram o composto apenas uma vez. Depois, foi retirada uma pequena quantidade de sangue do dedo de cada uma das participantes. Por fim, as células foram centrifugadas para a extração do DNA. Teste pode ser mais confortável Os resultados do teste foram comparados com outros dois métodos: a retirada de sangue venoso (por meio de veias) e a observação após o nascimento. Conclusão: o exame com picada no dedo foi capaz de acertar o sexo do bebê em 100% das vezes no grupo que usou hipoclorito de sódio. Já no grupo que usou álcool como assepsia para o dedo, foram identificados 5 falsos-positivos (identificaram que era menino, quando na verdade era menina). A partir dos resultados assim, pesquisadores estabeleceram que é possível encontrar o cromossomo Y no sangue capilar (com a picada do dedo, por exemplo). Como os resultados demonstraram, o melhor método para assepsia seria o hipoclorito de sódio. O estudo não aponta para quando o teste estaria disponível. Segundo autores, o exame seria menos invasivo e mais confortável para a mãe e requer menores quantidades de sangue. […]

  • Álcool e cigarro continuam sendo os piores vilões
    on 17 de maio de 2018 at 09:00

    Organização Mundial da Saúde mede número de anos de vida saudável que foram perdidos A mais recente pesquisa sobre álcool e fumo saiu há uma semana e não deixa dúvidas: entre as drogas que viciam, os dois são as maiores ameaças à saúde e ao bem-estar das pessoas. O estudo foi divulgado pela “Addiction”, uma publicação da Society for the Study of Addiction que existe desde 1884. Os pesquisadores reuniram a informação global disponível sobre a utilização de substâncias lícitas e ilícitas e sua associação a mortes e doenças. Em 2015, o uso abusivo do álcool alcançava 18.3% dos adultos (pelo menos um episódio de bebedeira pesada nos últimos 30 dias). Um em cada sete adultos fumava diariamente. Para as demais drogas, os percentuais eram bem mais baixos: 3.8% para maconha; 0.77% para anfetaminas; 0.37% para opioides; 0.35% para cocaína. Os Estados Unidos e o Canadá apresentaram as maiores taxas de dependência de maconha, cocaína e opiáceos, ao passo que Austrália e Nova Zelândia tinham índices mais altos de consumo de anfetaminas. Álcool e cigarro: entre as drogas que viciam, são as maiores ameaças à saúde e ao bem-estar das pessoas https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Wine_tasting#/media/File:D%C3%A9gustation_lamper.JPG Hoje é o Dia Mundial da Hipertensão, que atinge um em cada cinco adultos, e o uso de álcool e tabaco é fator de alto risco para o desenvolvimento da doença. A Organização Mundial da Saúde (OMS) utiliza uma métrica chamada Disability-adjusted Life Year (Daly) que pode ser explicada da seguinte forma: um Daly é o equivalente a um ano de vida saudável que foi perdido. A soma de todos os Dalys na população representa a distância entre o nível de saúde daquelas pessoas e uma situação ideal na qual elas viveriam até uma idade avançada, sem enfermidades ou incapacidades. De acordo com o estudo, álcool e fumo custaram à humanidade mais de 250 milhões de Dalys, enquanto as drogas ilícitas responderam por algumas dezenas de milhões. Em números absolutos, o problema é mais grave na Europa, mas as taxas de mortalidade são maiores em países de renda baixa ou média – onde nem sempre há dados confiáveis disponíveis. Resumo da ópera: estamos falando de impacto no sistema de saúde, queda de produtividade e até nas consequências trágicas de dirigir embriagado. Quando se pensa no curso de toda uma vida, o excesso de bebida altera a pressão sanguínea, afeta o músculo cardíaco e aumenta o risco de desenvolver diabetes. Também enfraquece o sistema de defesa e, consequentemente, a capacidade de combater infecções, sem falar nos danos causados ao cérebro. Sobre o cigarro, basta dizer que se trata da principal causa de morte evitável no mundo – é responsável por uma em cada dez mortes ocorridas no planeta. O Brasil tem prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões com o tabagismo. Desse total, R$ 39,4 bi são gastos com despesas médicas e R$ 17,5 bi com custos indiretos ligados à perda de produtividade, causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura. Em 2015, morreram no país 256.216 pessoas por causas relacionadas ao tabaco, 12,6% dos óbitos acima dos 35 anos. […]

  • Os segredos escondidos nas refeições de microondas
    on 17 de maio de 2018 at 00:08

    Muitas vezes as comidas prontas não valem a energia usada para esquentá-las - muito menos as calorias. Mas por quê? E o que diferencia as de boa qualidade? Quem nunca se sentiu enganado pelas fotos de embalagens das comidas para microondas? Frank Wittkowski/Pixabay A embalagem dizia apenas "lasanha de legumes". Mas, ao ver a foto, achei que o fabricante estava sendo modesto. E fiquei com água na boca só de imaginar as camadas finas de massa, regadas ao molho bechamel e cobertas com um toque saboroso de queijo derretido gratinado. Retirei cuidadosamente a bandeja da caixa de papelão, perfurei a cobertura de plástico filme e coloquei no microondas. Dois minutos depois, no entanto, a refeição que estava no meu prato era irreconhecível. O queijo estava liquefeito em uma camada de gordura, o bechamel tinha coalhado e a massa estava tão borrachuda quanto uma lula que cozinhou demais. Quem nunca passou por isso? Esquentar uma refeição de microondas difícil de comer? Elas podem ficar prontas em minutos, mas criar uma receita que dê certo é um processo trabalhoso, que requer uma quantidade surpreendente de ciência. Por um lado, prevê a adoção de técnicas requintadas criadas por restaurantes com estrelas no Guia Michelin. Por outro, o uso de aditivos alimentares. Para entender o motivo, fica mais fácil se você compreender a chamada "reação de Maillard". Descoberta pelo químico francês Louis-Camille Maillard em 1912, é a reação química mais praticada no planeta. E acontece em milhões de cozinhas diariamente, embora poucas pessoas tenham ouvido falar dela. Basicamente, algo delicioso acontece quando você mistura aminoácidos com certos tipos de açúcar e depois aquece. Novos compostos começam a se formar, deixando o alimento com o aspecto corado e mais saboroso. 'Magia' Esses produtos derivados da reação de Maillard são responsáveis pela doçura do café e do leite maltado, pelas notas de caramelo na cerveja, assim como pelo aroma irresistível do pão assado, da batata frita, da carne de churrasco e de marshmallows tostados. A maioria dos alimentos considerados uma tentação devem isto à reação. É uma das razões pela qual os temperos costumam ser refogados antes de serem usados, e por que não há comparação entre batatas fritas e cozidas. A atração por esses alimentos pode ser inata do ser humano, já que eles são um subproduto da culinária e nós somos as únicas espécies capazes de fazer isso (embora os chimpanzés, com alguns estímulos, estejam chegando perto, relataram cientistas em 2015). "É uma reação muito complicada", afirma Steve Elmore, químico da Universidade de Reading, no Reino Unido. Dependendo das proteínas e açúcares envolvidos, existem milhares de produtos derivados possíveis. Aminoácidos com altos níveis de nitrogênio tendem a gerar aromas mais agradáveis, enquanto as variedades mais concentradas, segundo Elmore, costumam resultar em enxofre e cheiro de cebola. O problema é que a reação não ocorre se a comida estiver muito úmida. "Se você bota uma batata crua no forno, ela tem cerca de 80% de umidade", diz Elmore. Quando entra em ponto de ebulição, a água começa a evaporar e sua superfície começa a secar. "Você precisa baixar a quantidade de água para cerca de 5% antes que a reação de Maillard aconteça. Assim, você terá todos os sabores agradáveis e a cor dourada". É por isso que as batatas assadas são geralmente douradas por fora e claras por dentro. Decepção Os microondas funcionam de forma diferente. Em vez de esquentar o ar ambiente, eles bombardeiam os alimentos com pequenas ondas de rádio de alta potência que aquecem as moléculas em seu interior à medida que vão passando. Isso significa que a superfície nunca fica quente ou seca o suficiente para que a reação de Maillard aconteça, levando à decepção. Também faz com que as refeições prontas acabem sendo um pouco sem graça. Um estudo mostrou que a carne feita no microondas tem apenas um terço do delicioso aroma químico daquela que é cozinhada da forma convencional. E outra pesquisa revelou que o pão assado no microondas é, francamente, desagradável. Fabricantes menos escrupulosos tentam mascarar a ausência do aspecto apetitoso enchendo seus produtos de sal, açúcar e glutamato monossódico, que dá sabor aos alimentos. Em 2015, uma investigação conjunta do jornal britânico The Telegraph e da ONG Action on Sugar descobriu que algumas refeições dos supermercados britânicos continham duas vezes mais açúcar do que uma lata de Coca-Cola, ou cerca de 13 colheres de chá (quatro a mais do que a quantidade diária recomendada para um homem adulto). Mudança de hábito Mas não precisa ser assim. À medida que cresce a demanda por refeições caseiras e com sabor fresco, os fabricantes passaram a adotar uma abordagem mais sofisticada, que começa com a escolha dos ingredientes certos. "A realidade é que nem tudo é adequado para se cozinhar no microondas", diz Benn Hodges, chefe de cozinha da Eat First, empresa especializada em refeições gourmet prontas. Ele já trabalhou em alguns dos melhores restaurantes do mundo, incluindo o premiado Roka, em Londres. Vejamos o caso do salmão. As estrias presentes nos filés são onde os músculos usados pelo peixe para nadar se juntam. Eles são unidos pelo colágeno, que derrete e se transforma em gelatina ao cozinhar. É por isso que sua carne fica em lascas. Ao mesmo tempo, as proteínas do músculo começam a desnaturar e coagular, o que explica por que ele se torna opaco. Como todos os bons cozinheiros sabem, um dos principais perigos do salmão é que ele se desmancha, e o encolhimento das fibras musculares extrai sua umidade, transformando o que seria um suculento jantar em um prato seco. A melhor maneira de evitar ambas as situações é deixá-lo o mais quente possível e cozinhá-lo rapidamente. E é aqui que entram as microondas. A maioria dos fornos de microondas opera em uma frequência de 2,45 GHz, que é mais facilmente absorvida por água, gordura e açúcar. Quanto mais moléculas dessas um alimento tiver, mais rapidamente ele vai cozinhar. É por isso que os filés de peixe com alto teor de água e gordura são ideais. Como bônus, a água não ferve no microondas até chegar a 105°C, então, o que você cozinhar vai reter mais umidade. E, por fim, vai preservar os pigmentos saudáveis que dão ao salmão a cor rosado-alaranjada e o aroma perfumado. "Dadas minhas experiências passadas, eu jamais teria sonhado em cozinhar peixe no micro-ondas, mas realmente funciona", diz Hodges. Técnica mista Um prato que ele estava particularmente interessado em recriar como refeição pronta era o salmão ao molho teriyaki do Roka, que é grelhado na brasa do carvão e servido no tradicional espetinho japonês - a robata. Para se certificar de que os filés sejam banhados em compostos Maillard, como na receita original, eles são grelhados primeiro em um forno a 300°C. "O salmão já está coberto com o molho e o forno cria um lindo esmalte, como se você estivesse fazendo isso em uma robata no restaurante", diz ele. Para evitar cozinhar em excesso - afinal, o peixe ainda precisa ser levado ao microondas - o filé dourado é retirado após um minuto e resfriado. "Trata-se realmente de parar o processo de cozimento rapidamente", conta Hodges. "Temos um dos melhores e maiores refrigeradores que você pode comprar. Ele leva, digamos, menos de cinco minutos para chegar a 100 graus negativos." Esses refrigeradores são extremamente populares na culinária profissional. Na verdade, são muitas vezes a única maneira de cumprir com as normas de segurança alimentar, uma vez que apresentam o benefício adicional de evitar que bactérias nocivas proliferem enquanto a comida está esfriando. Sabor deteriorado Isso nos leva ao próximo problema. A maioria das refeições feitas para microondas é pré-cozida, o que significa que corre os mesmos riscos inerentes às sobras. E o mais temido é o "gosto de requentado", um sabor rançoso que tende a se desenvolver na carne que foi cozida e depois refrigerada. Costumam dizer que o gosto lembra uma mistura de papelão e pelo de cachorro molhado, e ocorre como resultado da reação do oxigênio com as gorduras da carne. Nesse caso, a maioria dos fabricantes resolve o problema adicionando antioxidantes, que impedem que o oxigênio reaja com a gordura. Podem ser aditivos alimentares, como o hidroxitolueno butilado (E321), mas também ervas (o alecrim é particularmente eficaz), especiarias, vitaminas e até suco de limão. Ironicamente, os compostos de Maillard, que frequentemente estão ausentes em refeições prontas, também são poderosos antioxidantes. Outros fabricantes apenas se certificam de que sua comida seja consumida antes que isso aconteça. "Tem comida no mercado com validade de até dois meses e, na verdade, acho meio assustador. Por exemplo, encontramos uma empresa que fazia comida infantil refrigerada supostamente saudável e tinha um prazo de validade de três meses", diz Hodges. Tem ainda a questão da comida "murcha". O ar frio do micro-ondas faz com que o vapor condense rapidamente, se transformando em líquido. Isso impede não só que os alimentos desenvolvam uma superfície crocante, como também adiciona umidade a eles - evitando a formação de casca no pão e deixando a pizza mole. Mas a ciência também pode dar uma mãozinha, como na criação do material "susceptor", uma nova e inteligente tecnologia que permite fazer pães crocantes no microondas. Em geral, consiste em uma bandeja de papelão forrada com plástico, que, por sua vez, é revestida por uma fina película de metal. A sabedoria popular diria que o metal fica tão quente no microondas que certamente vai provocar uma enorme explosão e botar fogo na sua casa. Mas isso não é exatamente verdade. Na prática, depende do formato. As chapas planas costumam ficar apenas muito quentes, enquanto qualquer forma angular, como um pedaço de papel alumínio moldado para cobrir um prato, vai acabar pegando fogo. É que as cargas elétricas se acumulam mais em superfícies angulares, e isso significa que as embalagens "susceptoras" ficam quentes o suficiente para que uma crosta se forme, mas não tanto a ponto de queimar. Elas também esquentam o bastante para que a reação de Maillard torne seu jantar mais apetitoso. Mas talvez o pior defeito do microondas seja deixar aquele sabor de comida pronta. Isso se deve em parte à ausência daquele douradinho, claro, mas também ao fato de que o microondas contém ar frio. Os fornos convencionais secam a superfície dos alimentos, o que impede que os compostos aromáticos escapem à medida que evaporam. A crosta de, digamos, uma lasanha preparada no forno, forma uma barreira impenetrável, enquanto a mistura pastosa do molho bechamel com o queijo no microondas não é páreo para a fuga de sabores. Hodges ameniza essa imperfeição incorporando legumes em conserva às suas refeições. "Ajuda a acrescentar um toque real de acidez e sabor fresco, dando ao prato um paladar menos homogêneo", diz ele. Desde que foi inventado por acidente, em 1945, quando um engenheiro inadvertidamente derreteu seu lanche, o microondas revolucionou a forma como nos alimentamos. As lasanhas de supermercado talvez nunca tenham aquela cobertura crocante e dourada que desejamos, mas a ciência tem deixado esses pratos cada dia mais saborosos. E se não der certo, você terá sempre a opção de esquentar sua refeição pronta no forno convencional. […]

  • Astrônomos encontram oxigênio em galáxia a mais de 13 bilhões de anos-luz da Terra 
    on 16 de maio de 2018 at 17:00

    Achado foi registrado com o supertelescópio ALMA e publicado na revista 'Nature' desta quarta-feira (16). Trata-se do registro mais distante do gás no Universo.  Representação gráfica da galáxia MACS1149-JD1. Gás na galáxia é soprado pelo vento estelar ALMA (ESO/NAOJ/NRAO) Cientistas encontraram sinal de oxigênio em galáxia localizada a 13.28 bilhões de anos-luz de distância da Terra, demonstra estudo publicado nesta quarta-feira (16) na "Nature". O registro foi feito pelo supertelescópio ALMA (Atacama Large Milimeter Array) e é o ponto mais distante do Universo em que o gás foi registrado. O ano-luz é uma medida de distância utilizada em astronomia e indica o caminho percorrido pela luz no vácuo no período de um ano. Para se ter uma ideia da distância do ponto de oxigênio encontrado, o Sol está a 8 minutos-luz do nosso planeta. O feito foi alcançado por uma equipe internacional de astrônomos, coordenada por Takuya Hashimoto, pesquisador no Observatório Astronômico Nacional do Japão. A galáxia tem o nome de de MACS1149-JD1 e, para identificar o gás, os cientistas primeiro verificaram a presença de uma luz infravermelha emitida pelo oxigênio. "Eu fiquei tão animado que eu sonhei com o sinal de oxigênio e tive dificuldade de dormir à noite", diz Hashimoto, em nota. O cientista descreve que o sinal infravermelho percorreu 13,28 bilhões de anos-luz; e, por isso, trata-se do oxigênio mais antigo já detectado por qualquer telescópio. Para chegar a essa distância, os cientistas mediram o comprimento de onda do sinal infravermelho. Oxigênio e estrelas Segundo os cientistas, por um certo período após o Big Bang, não havia oxigênio no Universo. O oxigênio foi criado nas estrelas e liberado quando morreram. Por isso, a detecção de oxigênio em MACS1149-JD1 indica que gerações anteriores de estrelas expeliram o gás. A partir disso, os astrônomos também identificaram que as estrelas mais antigas da galáxia existiram há cerca de 250 milhões de anos. Não é a primeira vez que o ALMA registra o oxigênio mais distante. Em 2016, cientistas encontraram oxigênio em galáxia a 13.1 bilhões de anos-luz. "Com a descoberta, nós também encontramos a fase mais antiga de formação de estrelas de que se tem registro", disse Hashimoto, do Observatório Astronômico Nacional do Japão, em nota. […]

  • Estudo associa relógio biológico a transtornos de humor
    on 16 de maio de 2018 at 16:36

    Pesquisa revela que alterações no equilíbrio entre períodos de descanso e atividade podem provocar de depressão a transtorno bipolar. Trabalhar durante a noite ou viajar com frequência podem ser fatores de risco. Solidão, depressão, viagem Winner01/Pixabay Um estudo divulgado nesta terça-feira (15) pela publicação médica The Lancet Psychiatry revela que alterações no relógio biológico podem aumentar o risco de desenvolver problemas de humor, que variam de diferentes graus de solidão a depressão severa e transtorno bipolar. O maior estudo já realizado sobre o tema, envolvendo mais de 91 mil pessoas, também associa o chamado relógio biológico, ou ritmo circadiano, a um declínio das funções cognitivas, como memória e capacidade de concentração. Esse ritmo, que regula os ciclos diurnos e noturnos, influencia os padrões de sono, a liberação de hormônios e até a temperatura do corpo. Pesquisas anteriores também sugeriam que a disrupção desses três fatores poderia afetar a saúde mental. Esses estudos, porém, eram inconclusivos. A maioria dos dados eram reportados pelos próprios participantes, concentrados em grupos reduzidos, fazendo com que as informações fossem muitas vezes distorcidas. Uma equipe internacional liderada pela psicóloga Laura Lyall, da Universidade de Glasgow, analisou informações de 91.105 pessoas com idades entre 37 e 73 anos, retiradas do banco de dados biológicos UK Biobank do Reino Unido, um dos mais completos arquivos de saúde existentes. Os voluntários usavam aparelhos chamados acelerômetros, que medem os padrões dos períodos de descanso e atividade. Esses dados foram comparados com seus registros mentais, também retirados do UK Biobank. Indivíduos com antecedentes de alterações em seus ritmos naturais – os que trabalham durante a noite ou sofrem com frequência os efeitos de longas viagens – tendem a possuir riscos de transtornos de humor, sentimentos de tristeza e problemas cognitivos pela vida toda. Os resultados se confirmaram também quando levado em conta o impacto causado por fatores como idade avançada, estilo de vida não saudável, obesidade e traumas de infância. O estudo, porém, não é capaz de afirmar de modo conclusivo que as perturbações no relógio biológico são causas de danos mentais. No entanto, as conclusões "reforçam a ideia de que os distúrbios de humor estão associados às perturbações do ritmo circadiano", afirma Lyall. As medições dos ciclos de descanso e atividade podem ser uma ferramenta útil para identificar e tratar as pessoas com risco maior de sofrer depressão ou transtorno bipolar. No ano passado, o prêmio Nobel de Medicina foi dedicado a três cientistas americanos que realizaram avanços pioneiros na compreensão do funcionamento dos relógios biológicos. […]

  • Astrônomos descobrem buraco negro de crescimento mais rápido do Universo
    on 16 de maio de 2018 at 15:39

    Buraco negro absorve uma massa equivalente ao Sol a cada dois dias. foi detectado a 12 bilhões de anos luz de distância da Terra. Astrônomos descobrem buraco negro ultra luminoso ESA/Hubble & Nasa Um grupo de astrônomos da Austrália descobriu um buraco negro que absorve uma massa equivalente ao Sol a cada dois dias, de acordo com publicação da Universidade Nacional Australiana (ANU). De acordo com o estudo, diante daquilo que os astrônomos já conhecem da observação do Universo, este buraco negro é considerado o que "cresce mais rápido" entre todos os já estudados. O buraco negro chamado QSO SMSS J215728.21-360215.1 foi detectado a 12 bilhões de anos luz de distância da Terra pelos cientistas da ANU. Seu tamanho equivale a 20 bilhões de sóis e tem uma taxa de crescimento de cerca de 1% a cada um milhão de anos, indicou a ANU em comunicado. "Este buraco negro cresce tão rápido que brilha milhares de vezes mais que uma galáxia inteira devido aos gases que ele devora diariamente, causando muito atrito e calor." - Christian Wolf, da Escola de Astronomia e Astrofísica da ANU Esse buraco negro existia quando o Universo, que tem aproximadamente 13,8 bilhões de anos, tinha apenas 1,2 bilhões de anos. "Não sabemos como cresceu tanto e tão rápido na primeira fase do Universo", afirmou o cientista. Wolf indicou que a energia emitida pelo buraco negro, também conhecida como quasar, é composta de luz ultravioleta e raios-x. "Se este monstro estivesse no centro da Via Láctea, provavelmente faria com que a vida na Terra fosse impossível devido à grande quantidade de raios-x que ele emana", afirmou o astrônomo. "Os buracos negros gigantescos e de crescimento rápido também ajudam a limpar a névoa em torno deles por meio da ionização dos gases, o que torna o Universo mais transparente", acrescentou Wolf. O buraco negro foi detectado pelo telescópio SkyMapper do Observatório de Siding Spring da ANU, situado cerca de 480 quilômetros a noroeste de Sydney, com ajuda do satélite Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês). Os autores da descoberta consideram que esses buracos negros brilham e podem se transformar em modelos para observar e estudar a formação de elementos nas primeiras galáxias do Universo. […]

  • Ricos 'não deveriam usar o SUS', diz Drauzio Varella
    on 16 de maio de 2018 at 15:13

    Em entrevista à BBC Brasil, médico mais famoso do Brasil diz que país 'ousou dizer que saúde é um bem de todos e um dever de Estado'. Drauzio Varella escreveu três livros baseado em experiências atendendo detentos em penitenciárias brasileiras Elisa Kriezis/BBC Brasil O médico mais famoso do Brasil não tem papas na língua. (Assista ao vídeo) Aos 75 anos, o paulistano Drauzio Varella é dono de opiniões fortes – e polêmicas. Em entrevista à BBC Brasil no Reino Unido, onde participou de um ciclo de palestras organizado por estudantes brasileiros, ele defendeu que os ricos deixem de usar o Sistema Único de Saúde (SUS). "Um país com mais de 200 milhões de habitantes ousou dizer que saúde é um bem de todos e um dever de estado (...) Acho que, num país com a desigualdade do Brasil, temos uma parte da população com condições econômicas bastante favoráveis que não deveria usar o SUS. Deveria deixá-lo para quem não tem outra alternativa: ou se trata pelo SUS ou não se trata. Então, não tem sentido de eu estar ocupando o lugar do outro, tenho que me entender com a iniciativa privada", diz. Tampouco economizou palavras duras quanto à intervenção política no Ministério da Saúde. "Você sabe quantos ministros da saúde o Brasil teve de 2000 a 2018? 12. Nos últimos cinco anos, foram seis. A média de permanência no cargo foi de dez meses. Outro problema é que no Brasil temos milhares de cargos de confiança, trocamos os diretores de hospitais pelo país inteiro, trocamos os chefes de autarquias...a cada dez meses os processos são desestruturados. Isso ocorre em todas as esferas: federal, estadual e municipal. Como você consegue organizar uma empresa, qualquer uma, se a cada dez meses todos os diretores e gerentes são trocados?", questiona. Durante a conversa, Varella também falou sobre sua experiência nos presídios brasileiros, nos quais é voluntário há décadas. Também discorre sobre temas que costumam gerar polêmica, como a descriminalização das drogas, o aborto, a homossexualidade e o papel da fé no processo de cura. Drauzio Varella em entrevista para a BBC Brasil no Reino Unido Elisa Kriezis/BBC Brasil Veja abaixo os principais trechos da entrevista: BBC Brasil: Qual é o principal problema de saúde pública do Brasil? Drauzio Varella: São muitos os principais problemas. Temos um sistema único de saúde no Brasil que as pessoas conhecem mal e que, infelizmente, tem uma má fama. Mas o SUS continua sendo o maior sistema de saúde do mundo. Um país com mais de 200 milhões de habitantes ousou dizer que saúde é um bem de todos e um dever de estado. Lógico que temos a dificuldade de tornar o SUS realmente acessível à toda a população, mas também tivermos enormes avanços. Temos o maior programa de vacinações do mundo, temos o maior programa de transplante de órgãos gratuito do mundo todo, revolucionamos a epidemia de Aids, e há muitas outras ilhas de excelência. Por outro lado, há alguns gargalos que dificultam o acesso. O principal problema está na atenção básica. BBC Brasil: O sr. falou que o Brasil ousou criar um sistema de saúde que é universal. Na sua opinião, o SUS deveria deixar de ser universal? Qual seria a solução de curto prazo para o SUS? Drauzio Varella: O SUS foi um grande avanço. Não podemos perder isso. É uma conquista da sociedade brasileira. Temos que defender o SUS antes de tudo. Mas acho que, num país com a desigualdade do Brasil, temos uma parte da população com condições econômicas bastante favoráveis que não deveria usar o SUS. Deveria deixá-lo para quem não tem outra alternativa: ou se trata pelo SUS ou não se trata. Então, não tem sentido de eu estar ocupando o lugar do outro, tenho que me entender com a iniciativa privada. Já outras pessoas defendem o fim da saúde complementar no Brasil. Acho que isso é um radicalismo incoerente, porque é jogar em cima do SUS pessoas que já são muito privilegiadas. O que temos que fazer é aprimorar o SUS. Drauzio conversou com a BBC Brasil sobre vários temas polêmicos, como o aborto BBC Brasil A solução está dentro do SUS. Para isso, é preciso, em primeiro lugar, impedir a intervenção política. Você sabe quantos ministros da saúde o Brasil teve de 2000 a 2018? 12. Nos últimos cinco anos, foram seis. A média de permanência no cargo foi de dez meses. Outro problema é que no Brasil temos milhares de cargos de confiança, trocamos os diretores de hospitais pelo país inteiro, trocamos os chefes de autarquias...a cada dez meses os processos são desestruturados. Isso ocorre em todas as esferas: federal, estadual e municipal. Como você consegue organizar uma empresa, qualquer uma, se a cada dez meses todos os diretores e gerentes são trocados? O segundo ponto é como vamos gerenciar o SUS. Os recursos são limitados. Mas isso não é discussão do Brasil. São limitados na Inglaterra, nos Estados Unidos, que investem 18% do PIB, ou seja, mais de US$ 2 trilhões para a saúde. Poderíamos fazer mais com os recursos que nós temos. Não seria possível dar uma saúde maravilhosa e nem dar tudo para todos. Mas haveria a possibilidade de fazer mais se tivéssemos organização, já num nível municipal, estadual e até federal mais razoável. Um gerenciamento mais eficiente do que nós temos hoje. BBC Brasil: Se o Sr. fosse ministro da saúde, qual seria sua primeira medida? Drauzio Varella: Seria uma tragédia. Não entendo nada de administração pública. Mas eu acho que não existe uma única medida. Primeiro de tudo, é importante ressaltar a importância política do ministro da Saúde. O ministro da Saúde tem que ter liderança. Quem é o atual ministro da Saúde do Brasil? O ministério da Saúde é de um partido político que tem mais representantes na Lava Jato. O ex-ministro da Saúde (Ricardo Barros) saiu para concorrer à eleição. Seu substituto é o ex-presidente da Caixa Econômica Federal (Gilberto Occhi), que é do mesmo partido. Qual é a lógica? Qual é o projeto? Qual é a política pública de saúde que uma pessoa dessas pode trazer para o ministério? Não precisa ser um médico. Mas tem que ser uma pessoa que ouça os técnicos, que tenha ideias do que fazer para enfrentar esse enorme desafio. E o enfrentamento desse enorme desafio tem que começar lá em baixo. Tem que começar na Unidade Básica de Saúde. Porque aí que você resolve quase todos os problemas. Qual é a imagem do SUS? É o pronto-socorro. Um local cheio de macas no corredor, com pessoas sentadas no chão e um sujeito falando: 'estou aqui com o meu pai há quatro horas, ele está doente e ninguém o atende'. Essa é a imagem que a população faz do SUS. Mas se você for nessa fila, 80% ou mais das pessoas que estão ali não tinham que estar naquele lugar. Temos a cultura do pronto socorro no Brasil. Passou mal? Vai para o pronto socorro. Estou com dor de garganta? Vou para o pronto socorro. Você não devia ir para lá. Isso você resolve na Unidade Básica de Saúde, desde que essa unidade funcione, desde que você tenha recursos mínimos nesse lugar para tratar os casos mais simples e deixa para o pronto socorro aqueles que realmente precisam de uma intervenção de urgência. Começaria por aí. Para Varella, um Congresso dominado por homens não deve decidir uma questão feminina como o aborto BBC Brasil BBC Brasil: O sr. vem atuando em penitenciárias brasileiras há muito tempo. Essa dedicação gerou três livros, entre eles o best-seller Carandiru, que virou filme. Como o sr. vê a atual situação das penitenciárias brasileiras? Drauzio Varella: A sociedade brasileira, na qual eu me incluo, quer ver bandido na cadeia. Quando cheguei ao sistema penitenciário, em 1989, no antigo Carandiru, o Brasil tinha 90 mil prisioneiros, entre homens e mulheres. A população total de presos hoje no Brasil está na casa dos 720 mil. Encarceramos muito mais do que no passado. Sete vezes mais. Mas a população do país não aumentou sete vezes mais de 1989 para cá. E a segurança pública melhorou nas cidades brasileiras? É isso que ninguém reflete. Está na cara que isso é uma guerra perdida. Não é assim que vamos resolver o problema. Não é desse jeito. Encarcerar simplesmente não melhora a segurança nas cidades. A gente se esquece de que esses que estão sendo presos vão ser libertados em pouco tempo. Mas quando voltam, voltam mais preparados para o crime. Vão conviver com os mais velhos, que participam de facções criminosas. Vão sair da cadeia mais organizados, mais articulados, do que quando entraram. O encarceramento tem que ser repensado. Está certo prender por quatro anos uma menina que coloca droga na vagina e leva para o namorado? Quem aqui ganha com isso? BBC Brasil: Ainda esse existe por parte da sociedade essa mentalidade de que bandido bom é bandido morto... Drauzio Varella: Quem pensa assim pertence a uma de duas classes. Primeiro, a classe das pessoas que têm o que perder. Ou seja, "não quero ser assaltado, não quero que estuprem a minha filha, então mata esses caras, tira eles do caminho". É uma filosofia. Os outros são os que estão lá embaixo na rede social. Porque quando a gente fala em violência no país, a gente fala da violência contra a classe média e a classe mais rica. O Rio de Janeiro teve um episódio anos atrás de um médico que estava andando de bicicleta na Lagoa e morreu ao ser esfaqueado durante um assalto. Esse caso todo mundo cita até hoje. Mas nesse período, de lá para cá, quanta gente morreu nas favelas do Rio de Janeiro? Quantas pessoas? Quantos jovens? Quantos pais de família morreram nas favelas cariocas? Aqueles que estão ali naquele local são os que vivem a maior violência. A violência no Brasil é especialmente uma violência contra os pobres, é secundariamente uma violência contra os que estão numa situação financeira melhor. É muito fácil você dizer no Brasil que quem quer trabalhar trabalha e vive bem. Vou usar uma palavra muito na moda hoje: meritocracia. Meritocracia é bom para quem teve formação universitária, condições de vida muito razoáveis, bem privilegiadas. Aí vale a meritocracia. Agora, como comparar o nosso caso, em que tivemos todas as oportunidades, com os dos outros que nascem na favela? Qual é a chance de uma criança dessas competir com a gente? É zero. Não existe possibilidade. Aí você põe essas crianças num lugar violento. A violência urbana tem inúmeras causas. Três delas foram estudadas cientificamente. Em primeiro lugar, uma infância submetida à violência. Uma infância sem amor, sem carinho dos familiares. Segundo, a falta de estrutura familiar ou social que imponha determinados limites. Ou seja, ter adultos que dão o exemplo, que sirvam de modelo. E a terceira é a convivência com pares violentos. Então se você pegar essas três condições, você está falando da população de todas as periferias de todas as cidades brasileiras. Quando você analisa isso, você até acha que o país é pouco violento. BBC Brasil: Vamos falar agora de temas mais polêmicos. Descriminalização das drogas. Você é a favor ou contra? Drauzio Varella: Essa guerra às drogas nos levou ao quê? Ao pior do mundos. Estamos aqui em Londres. Eu não uso nada. Você também não. Mas se quisermos sair às ruas e achar cocaína, não vamos achar? Estamos falando de Londres. Imagina em São Paulo, no Rio de Janeiro...se a droga entra na cadeia, imagina na rua. BBC Brasil: O sr. é a favor da descriminalização para drogas pesadas, por exemplo? Drauzio Varella: Sou a favor da descriminalização sempre. O usuário não pode ser criminalizado. Isso é uma questão de saúde. Por que não pode ser descriminalizado? Porque ele não entra nessa querendo virar dependente. Todo mundo que usa uma droga, pensa no quê? Naquele prazer que está obtendo naquele momento. A maioria das pessoas que usa droga não se torna dependente. Tome o exemplo do álcool. De todas as pessoas que bebem, quantas são alcóolatras? A dependência está associada a fatores comportamentais, sociais e biológicos. E até genéticos. Por que tratar essa pessoa como bandido? Ela precisa de ajuda. Trata-se de um problema de saúde. Outra questão é a legalização das drogas. Vamos chegar fatalmente a esse ponto. Imagine que hoje nós proibíssemos todo mundo de fumar. O que ia acontecer? Tremendo tráfico. Por outro lado, não devemos legalizar todas as drogas do dia para a noite. Temos que começar com a maconha. Por quê? Porque é menos aditiva. Maconheiro é louco para dizer que maconha não vicia. É lógico que vicia. Mas ela é menos aditiva. Você não vê ninguém vendendo casa ou carro para comprar maconha. Você não vê ninguém morrendo de overdose de maconha. Agora, não é um processo simples. Como você faz? É o estado que vai vender? Quando vejo esses meninos fazendo passeata para legalizar a maconha, acho um raciocínio mágico, não é tão simples. Isso pressupõe uma política séria, muito bem coordenada, muito bem organizada para começar criar situações que estrangulem o tráfico economicamente. Porque é a única forma de combatê-lo com inteligência. BBC Brasil: Ainda sobre esse assunto, existe esse argumento de que justamente por ser proibido e ilegal, você tem menos pessoas usando, ou seja, se você descriminaliza, você acaba induzindo que mais pessoas possam experimentar. Esse argumento faz sentido? Drauzio Varella: Faz algum sentido. Acho que é mais ou menos inevitável. O consumo vai aumentar. Agora, tem que agir lá atrás. Não se pode liberar a maconha e quem quiser fuma. Você tem que explicar para as crianças quais são os problemas de fumar maconha. São muitos. Como essa armadilha pode levar à dependência. Como funciona o cérebro. Qual é a ação da droga no cérebro que faz com que ele te faça repetir mesmo sem o prazer que sentia antes. Você vê que todo maconheiro velho reclama da qualidade da maconha atual. Todos se queixam. Na verdade, a maconha hoje é muito mais forte hoje do que a do passado. É ele que já não sente mais o mesmo efeito. Temos que investir na educação. Não estamos fazendo isso com o cigarro? Você vê meninos e meninas chegando em casa e pedindo para os pais pararem de fumar. A única forma de combater as drogas é diminuir o número de usuários. Para isso, precisamos educá-los. BBC Brasil: Outro assunto muito polêmico é o aborto. O sr. é favor ou contra? Drauzio Varella: Sou contra, lógico. Mas mais contra do que eu são as mulheres que fazem aborto. Elas são contra. A gravidez provoca uma alteração hormonal imediata na mulher. Desde o instante em que o óvulo chegou no útero, o ambiente hormonal não é mais o mesmo. Pois a função biológica dessa mudança é preparar a mulher para aguentar a gravidez. Imagino que não seja fácil. Sendo assim, se a mulher grávida deseja interromper a gravidez, é porque ela tem um motivo muito forte para isso. E esse motivo muito forte vai fazer com que ela interrompa a gravidez, em qualquer circunstância. E quem são as que vão morrer? As pobres e as negras pobres, que vão fazer o aborto em condições inseguras. Porque as mulheres de classe média vão fazer com médicos, talvez não em condições ideais, mas razoáveis. O aborto no Brasil é, na verdade, livre, desde que você tenha dinheiro para pagar por ele. BBC Brasil: Há uma PEC – proposta de emenda à Constituição – parada hoje no Congresso que quer proibir o aborto em circunstâncias nas quais ele é legal, como feto anencefálo, quando há risco de morte para a mulher por causa da gravidez ou em casos de estupro. Como o sr. vê isso? Drauzio Varella: O Congresso Nacional é formado basicamente por homens. Gravidez é um processo feminino. Puramente feminino. O nosso papel como homens é irrelevante. Você faz um sexo ao acaso com uma mulher qualquer e essa mulher vai ter um filho. Você vai dizer que esse filho é seu? Sim, biologicamente é seu. Porque tem metade dos seus genes. Mas você nunca mais viu essa pessoa. Ela nunca mais te viu. Nem sabe quem você é. Mas ela tocou a gravidez até o fim. Levou a gravidez igualzinho à outra que é casada, no civil e no religioso, tudo certinho. O homem colabora com uma célula. A mulher pega essa célula dele e constrói uma criança em nove meses, que nasce com boca, nariz e dois olhos. Por isso que digo que é um processo puramente feminino. Você vai ser pai dessa criança? Vai. Depois dessa criança nascer, aí você pode ser um pai maravilhoso. Então, ficam esses homens que não têm ideia desse processo impondo regras. É uma forma de subjugar as mulheres. Drauzio Varella participou de um ciclo de palestras organizado por estudantes brasileios BBC Brasil BBC Brasil: Um vídeo do sr. sobre os LGBT viralizou recentemente. Ainda existe um preconceito muito forte no Brasil ainda contra essa minoria. Como é que o sr. vê esse preconceito? Drauzio Varella: Neste vídeo, eu digo 'que diferença faz para você se seu vizinho dorme com outro homem? Se a sua vizinha é apaixonada pela colega de escritório? Se faz diferença, procure um psiquiatra. Você não está legal'. Eu penso assim mesmo. O que você tem a ver coma vida dos outros? Duas pessoas se amam, são do mesmo sexo, qual é o problema? O que isso me atinge? Por que discutir esse comportamento como se isso fosse uma aberração? A homossexualidade existe em todos os mamíferos. É uma condição biológica. Você não chega a uma fase da vida e pergunta a si mesmo se quer ser gay ou heterossexual. A sexualidade é; ela se impõe. Você tem mulheres e homens que gostam do mesmo sexo e, entre esses dois extremos, você tem uma gama enorme de comportamentos sexuais. O que não podemos é querer impor a nossa condição para os outros porque eles são diferentes. BBC Brasil: Queria lhe fazer algumas perguntas pessoais. Qual é a sua maior frustração como médico? Drauzio Varella: Existem muitas frustrações. Primeiro com os erros que eu cometi no decorrer da profissão. Todos nós erramos, mas o erro em medicina pega de um jeito muito diferente. Eu felizmente não cometi erros graves, que colocassem a vida dos outros em risco. Mas às vezes tomei decisões que não foram as mais acertadas naquele momento. Nós médicos temos dificuldade de falar sobre essas coisas. Isso me dá um pouco de frustração. Outra coisa é você sentir essa disparidade no Brasil entre a medicina de qualidade oferecida para uma camada muito pequena da população e uma medicina de baixa qualidade oferecida para a grande massa de brasileiros. BBC Brasil: Qual conselho o sr. daria para um estudante de medicina que acabou de se formar? Drauzio Varella: Primeiro conselho é o seguinte: medicina é uma profissão para quem gosta de estudar. Se você não gosta de estudar, vai fazer outra coisa na vida. Se você dedicar para outra profissão o esforço que dedicamos para a medicina, os plantões, as horas de estudo, os fins de semana que a gente trabalha, se você estiver no mercado financeiro, você fica rico com esse tipo de dedicação. Então, medicina é para quem gosta de estudar, tem prazer de se dedicar à medicina. A segunda é que você não pode perder a perspectiva. Ou seja, tratar um nicho populacional sem se preocupar com o resto. Não sou contra o médico ter clínica particular, ganhar dinheiro. Eu mesmo tenho tudo isso. Mas algum trabalho você vai ter que fazer para ajudar quem está numa situação mais difícil e que jamais terá acesso à medicina de qualidade. Essa perspectiva não pode ser perdida. BBC Brasil: O sr. se diz ateu mas muita gente fala que o processo de cura foi ajudado pela religião. Isso é verdade ou é mentira? Drauzio Varella: Isso é uma bobagem. Imagina que você teve um tumor de estômago. Foi operado, fez quimioterapia e rezou bastante para ficar curado. E você ficou curado. Então, por essa lógica, teria recebido uma dádiva de Deus. Mas então por que Deus lhe deu esse tumor de estômago? Por que não lhe deu essa "dádiva" antes? Isso é um desrespeito com os que morreram. Muita gente também acredita em pensamento positivo. Quer dizer que os que morreram não tiveram pensamentos positivos? A verdade é que a gente precisa encontrar uma explicação sobrenatural para fenômenos que a gente não conhece. Eu trato alguns pacientes e eles se curam e trato outros e eles não se curam. É assim. O acaso está ligado à natureza humana o tempo todo. Como não consigo explicar que leis são essas, então, eu digo foi Deus. Prender-se a essas explicações miraculosas é um empobrecimento da condição humana. BBC Brasil: O que o médico mais detesta ouvir falar de um paciente? Drauzio Varella: Não tinha pensado nisso. Acho que é o "graças a Deus". Você fica com vontade de dizer: "Graças a Deus?! E eu?! Não ajudei nada?!". […]

  • Música pode ajudar no controle da pressão alta, reduzir a dor e o estresse
    on 16 de maio de 2018 at 13:44

    A música pode tratar e até prevenir a saúde mental. Uma boa trilha sonora é ótima para relaxar, reduzir a ansiedade, melhorar o desempenho na hora da atividade física. Mas a ciência prova que a música também controla o estresse, reduz a dor e controla a pressão alta. A musicoterapeuta Maristela Smith falou sobre os poderes da música para a nossa saúde no Bem Estar desta quarta-feira (16). A música atua no sistema límbico (das emoções), que é o responsável pelo funcionamento da região frontal do cérebro, a que toma as decisões. Ela muda a plasticidade da região e consegue modular o córtex frontal, causando impacto no comportamento e reação, explicou o neurologista Tarso Adoni. Música pode ajudar no controle da hipertensão Musicoterapia: a música pode tratar e até prevenir a saúde mental. Os musicoterapeutas procuram a música certa para as situações. Na verdade, ao invés de usar a música produzida e comercializada, eles usam a estrutura da música: duração, intensidade, timbre, altura, ritmo. A intenção é minimizar dificuldades motoras, dores, desconfortos e tristeza. Música e hipertensão: estudos mostram que atividades que deixam o organismo em uma sintonia de relaxamento trazem benefícios para equilíbrio da pressão. A música é uma dessas atividades, desde que seja por um período de alguns minutos – pelo menos cinco minutos. Uma pesquisa constatou que a música pode agir diretamente no sistema nervoso e ajuda, desacelerar os batimentos cardíacos e diminuir a pressão arterial. Projeto 'Música para despertar' ajuda pacientes com Alzheimer a resgatar as memórias Música e Alzheimer: reunir um conjunto de sons que deu sentido para a vida da pessoa. Músicas que marcaram momentos felizes e importantes. É importante uma música que traga emoções e não uma música irrelevante. Música, estresse e ansiedade: liste músicas e sons que são agradáveis, que lembrem coisas boas. Quando estiver em um dia estressante, escute aquelas músicas para acalmar e prevenir o desequilíbrio. Música melhora o desempenho na hora do exercício físico Ondas sonoras ajudam a combater a celulite Assista a íntegra do Bem Estar desta quarta-feira (16) sobre música e saúde Veja a reportagem da série Entre Nessa Onda: Entre Nessa Onda: praticar para melhorar […]

  • Pela 1ª vez, OMS publica lista com diagnósticos essenciais para centros de saúde 
    on 16 de maio de 2018 at 12:10

    Objetivo é possibilitar tratamento precoce, aumentar chances de cura e direcionar investimentos. Segundo entidade, 46% dos adultos com diabetes tipo 2 não foram diagnosticados.  Todos devem ter acesso a exames de perfil metabólico, como glicose e colesterol, diz a OMS. Também exames pontuais, para avaliar a função do fígado, por exemplo, podem ser pedidos a partir da avaliação de especialista Jarmoluk/Pixabay A Organização Mundial de Saúde publicou, pela 1ª vez, uma lista de 113 diagnósticos as quais todas as pessoas deveriam ter acesso. Tratam-se dos testes mais comuns, como para detecção do HIV e diabetes, até de doenças prioritárias para o combate global: como a malária. Os testes são recomendações e não têm o poder de serem obrigatórios; as decisões da OMS, entretanto, servem para justificar e validar políticas de saúde de governos locais. A lista com os testes chega para complementar uma outra mantida pela OMS -- a de medicamentos essenciais, que existe há mais de quatro décadas. Ela foi elaborada entre os dias 16 e 20 de abril desse ano em reuniões com 19 especialistas nos arredores da sede da OMS em Genebra (Suíça). A iniciativa é importante por motivos que vão desde ao tratamento a um melhor uso de recursos. A ausência de testes de rotina para HIV e tuberculose, por exemplo, podem deixar as doenças mais difíceis de tratar e facilitar sua disseminação: tratamentos antirretrovirais hoje contra o HIV, por exemplo, têm o poder de deixar a carga viral tão baixa que soropositivos para o vírus perdem o potencial de infectar outras pessoas. Outro ponto é que a ausência de diagnóstico atrasa tratamentos: a OMS estima, por exemplo, que 46% dos adultos mundialmente não receberam o diagnóstico para a diabetes tipo 2. A condição pode levar à cegueira e à amputação se não tratada -- juntamente com outras consequências tóxicas para o organismo. "Um diagnóstico preciso é o primeiro passo para obter um tratamento eficaz", diz o Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, em nota. "Ninguém deveria sofrer ou morrer por falta diagnóstico, ou porque os testes certos não estavam disponíveis." Exames dependem de avaliação Os 113 testes são divididos em dois grupos: 58 para o diagnóstico de condições comuns, como o rastreamento de sangue e urina; e os outros 55 para doenças prioritárias para o monitoramento e controle, como HIV, tuberculose, malária, hepatites B e C, HPV e sífilis. Confira alguns; Hemoglobina - para detecção de anemia; Contagem de glóbulos brancos - para detecção de infecções; Albumina - para detectar má nutrição, doenças do fígado e do rim; Glicose - para diagnosticar diabetes e hipoglicemia; Hemoglobina glicada - para monitorar diabetes; Diagnósticos para Hepatite B; Diagnósticos para Hepatite C; Testes para HIV; Testes para malária; Testes para tuberculose (a depender das condições laboratoriais, pode incluir mapeamento para bactérias resistentes); Testes para sífilis; Testes de eletrólitos (monitoramento de danos a órgãos) ; Proteína C-Reativa (para detectar inflamações; também é um indicador de doença cardiovascular); Perfil de lipídios (colesterol, triglicérides); Bilirrubina - Monitora doenças de fígado, pâncreas e pode indicar anemia; Exames de urina (para detectar contagem de células brancas e vermelhas, bactérias e outros micro-organismos); PH do sangue e gases (para detectar função pulmonar, metabólica e monitorar terapias com oxigênio); Creatinina (marcador para uma série de condições, como infecções generalizadas); Painel metabólico (pode incluir glicose, cálcio, creatinina); Segundo a OMS, muitos dos testes são adequados para cuidados de saúde primários como Unidades Básicas de Saúde; já outros, necessitam de hospitais com laboratórios. A entidade indica que a lista é básica e será agora atualizada periodicamente. O principal intuito, entretanto, é ajudar países em desenvolvimento a decidir para onde vai o investimento. “Nosso objetivo é fornecer uma ferramenta para testar e tratar melhor, mas também indicar o uso de recursos de forma mais eficiente”, afirma Mariângela Simão, diretora-geral adjunta da OMS para medicamentos e vacinas, em nota. A OMS indica que a adoção dos testes vai depender da opinião do médico -- que vai analisar a necessidade individual por meio dos sintomas e de dados epidemiológicos do entorno: por exemplo, um pedido para testes de malária deve considerar se a pessoa mora em um país endêmico ou se viajou recentemente para regiões onde há transmissão. […]

  • Como seus cuidados com a beleza podem estar prejudicando o ambiente
    on 16 de maio de 2018 at 10:22

    Vários produtos usados diariamente nos cuidados com limpeza de pele e maquiagem tem plástico que acaba se juntando aos dejetos que poluem os oceanos ou entupindo esgotos; mas o que você pode fazer para enfrentar o problema? Cotonetes com haste de plástico estão entre os vilões que se acumulam nos oceanos e podem ser banidos junto com os canudos, nos próximos anos Getty Images Desde a hora em que você acorda e lava o rosto pela manhã, sua rotina de beleza pode estar prejudicando o meio ambiente. Cerca de 12,2 milhões de toneladas de resíduos plásticos chegam aos oceanos todos os anos, de acordo com a organização ambiental independente The Green Alliance, sediada no Reino Unido. Grande parte desses resíduos vem de garrafas ou embalagens - estima-se que 80% dos dejetos no mar tenham vindo de terra firme, geralmente por rios, esgotos, lixo deixado em praias ou por ação do vento e chuvas. Mas outras parte dessa poluição, segundo especialistas, se dá por meio de artigos de higiene e de maquiagem que escorrem pelo ralo ou são descartados indevidamente. O governo britânico recentemente proibiu o uso de microesferas - os pequenos pedaços de plástico usados em cosméticos e itens como esfoliantes, cremes dentais e géis para banho - e estuda formas de coibir a utilização de plástico na produção de lenços umedecidos. Estes são usados, entre outras coisas, para remover maquiagem do rosto. Mas afinal, que danos o seu regime de beleza tem causado ao meio ambiente ? Quando você limpa o rosto Um dos produtos mais comuns usados na limpeza do rosto são os esfoliantes, que removem sujeira e células mortas da pele e a deixam mais macia e uniforme. Um dos principais componentes desses produtos - obtidos na forma de cremes, géis, sabonetes, duchas de banho - são as pequenas partículas que promovem a esfoliação da pele, as microesferas. Na indústria cosmética, é comum o uso de microesferas de plástico. Só no Reino Unido são usadas mais de 680 toneladas dessas microesferas a cada ano. Essas esferas podem entrar na cadeia alimentar, após serem ingeridas por peixes ou frutos do mar. Por isso, eles forma banidas nos EUA e agora o Reino Unido decidiu proibir seu uso. "A indústria de cosméticos é interessante para começar (com esse tipo de proibição) porque (o problema nela) é invisível", diz o diretor técnico da ONG Plastic Oceans, Geoff Brighty, à BBC. Nos EUA, a proibição levou empresas a buscar alternativas. Um porta-voz da Clearasil, marca americana de cuidados com a pele, por exemplo, disse à BBC que as microesferas foram substituídas, em alguns produtos, por produtos naturais como areia ou cascas de nozes trituradas. No Brasil, não há restrições ao uso das microesferas pela indústria cosmética. Quando você retoca a maquiagem ou usa glitter Se você usa cotonetes para limpar seu delineador ou rímel, sua rotina de beleza pode ser menos ecologicamente correta do que você pensa. Os cotonetes com haste de plástico podem ser banidos junto com os canudos de bebida, no futuro. "Os cotonetes simplesmente viajam através do sistema de tratamento de águas", diz Brighty. "Esse sistema não é concebido para lidar com microplásticos ou plásticos pequenos como cotonetes. Todos eles simplesmente passam pelos filtros". E não são os únicos a fazer isso. Lavar o glitter do seu rosto e deixá-lo descer pelo ralo também afeta a vida aquática, dizem os ambientalistas. E algumas iniciativas no Reino Unido estão tentando combater isso. Mais de 60 festivais independentes de música, por exemplo, prometeram se livrar de plásticos de uso único (incluindo glitter) até o ano 2021. Uma rede de creches em Dorset, na Inglaterra, também resolveu banir o glitter das aulas de artes no ano passado, por causa do "dano terrível" que a substância causa ao meio ambiente. Quando retira sua maquiagem Lenços umedecidos são uma das formas mais comuns de remover a maquiagem à noite, especialmente por causa da praticidade. No entanto, esses lenços descartáveis são um componente-chave dos fatbergs - como são chamadas as grandes massas de resíduos sólidos que se formam com lixo jogado em vasos sanitários - responsáveis por 93% dos entupimentos de esgotos registrados no Reino Unido. Os lenços podem se misturar com óleo e gordura no sistema de tratamento de água, virando essa grande massa que obstrui os esgotos. "Você acaba com (a água) dos esgotos (voltando pelo ralo) e as casas das pessoas inundadas", diz Brighty, da Plastic Oceans. O governo estuda proibir lenços umedecidos, uma vez que a maioria é feita de materiais não biodegradáveis, como o poliéster. Sua rotina noturna pode fazer maravilhas pela sua pele, mas causar grandes danos ao planeta Por último, se a sua rotina noturna de cuidados com a pele consiste em várias etapas - ou seja, no uso de vários produtos diferentes em frascos ou embalagens plásticos - provavelmente é hora de repensar o que você está usando. Você pode estar somando os seus frascos ao lixo plástico acumulado na Terra. Um estudo americano de 2017 diz que o volume total de plástico já produzido no mundo é de cerca de 8,3 bilhões de toneladas e que 6,3 bilhões de toneladas desse total são agora resíduos espalhados pelo planeta. Então o que eu posso fazer? "Se as pessoas estão usando lenços umedecidos para remover a maquiagem, certifique-se de que eles estão sendo devidamente descartados [coloque-os no lixo]", diz Brighty. "Também tente evitar produtos em pequenas garrafas plásticas." O especialista recomenda evitar aqueles produtos de higiene minúsculos que estão disponíveis em banheiros de hotel e experimentar xampus e desodorantes sólidos e orgânicos. Ele vê uma grande oportunidade para jovens empreendedores criarem marcas (e dinheiro) a partir de alternativas éticas. "Devemos encorajar as pessoas a surgirem com novas ideias e serem revolucionárias. A indústria de cosméticos é multibilionária, quem surge com essas ideias se sai muito bem", acrescenta. […]

  • O desconhecido poder cicatrizante do açúcar
    on 15 de maio de 2018 at 22:27

    Pesquisadores acreditam que o açúcar poderia beneficiar sua saúde pelo menos de uma maneira: ajudando a curar ferimentos. Pesquisadores acreditam que o açúcar pode beneficiar sua saúde de pelo menos uma maneira: ajudando a curar feridas Alicja/Pixabay Durante a infância pobre, na zona rural do Zimbábue, Moses Murandu costumava passar sal nos machucados quando caía ou se cortava. Nos dias de sorte, porém, seu pai tinha dinheiro suficiente para comprar algo que ardia bem menos: açúcar. Ele sempre reparou que o açúcar parecia cicatrizar os ferimentos mais rápido. E ficou surpreso quando, em 1997, foi contratado para trabalhar como enfermeiro do sistema público de saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês) e descobriu que a substância não era usada em nenhum procedimento oficial. Decidiu, então, tentar mudar isso. Mais de 20 anos depois, a ideia de Murandu está finalmente sendo levada a sério. Professor sênior de enfermagem na Universidade de Wolverhampton, na Inglaterra, ele desenvolveu um estudo-piloto focado na aplicação do açúcar para a cicatrização de feridas, que rendeu a ele um prêmio do Journal of Wound Care, em março deste ano. Em algumas partes do mundo, a adoção do procedimento pode ser crucial, já que parte da população não pode pagar por antibióticos. Mas o projeto é também de interesse do Reino Unido, uma vez que uma ferida infeccionada muitas vezes não responde à medicação. Segundo Murandu, o tratamento se resume a botar açúcar no machucado e cobrir com um curativo. Os grãos absorvem toda a umidade que permitiria a proliferação de bactérias. E, sem bactérias, a ferida cicatriza mais rápido. Resultados O pesquisador conseguiu demonstrar tudo isso em testes de laboratório. E diversos estudos de caso ao redor do mundo reforçaram sua descoberta, incluindo exemplos bem-sucedidos de tratamentos de feridas contaminadas por bactérias resistentes a antibióticos. Mesmo assim, ele tem uma árdua batalha pela frente. O financiamento para novas pesquisas pode ajudar Murandu a alcançar seu objetivo final: convencer o NHS a usar o açúcar como uma alternativa aos antibióticos. Porém, grande parte dos estudos médicos é patrocinada pela indústria farmacêutica. E essas empresas, diz ele, têm pouco a ganhar custeando pesquisas sobre algo que não podem patentear. O açúcar que ele utiliza é do tipo granulado, com o qual você poderia adoçar uma xícara de chá ou café. Nos testes em laboratório, ele constatou que não há diferença em usar o açúcar proveniente da cana ou da beterraba. O demerara, no entanto, não é tão eficaz. Sua pesquisa também mostrou que as cepas de bactérias crescem em baixas concentrações de açúcar, mas são completamente inibidas em níveis mais altos. Além disso, Murandu começou a registrar estudos de caso no Zimbábue, Botswana e Lesoto (onde começou a estudar enfermagem). Entre eles, está a história de uma mulher que mora em Harare. "O pé dela estava pronto para ser amputado, quando meu sobrinho me ligou", relembra. "Ela sofria havia cinco anos com um ferimento horrível, e o médico queria amputar. Eu disse a ela para lavar a ferida, botar açúcar, deixar agir e repetir (o procedimento)." "A mulher ainda tem a perna." Segundo ele, esse caso mostra por que há tanto interesse em seu método, principalmente em partes do mundo onde as pessoas não podem arcar com o custo de um antibiótico. Até agora, o pesquisador realizou estudos clínicos com 41 pacientes no Reino Unido. Ele ainda não publicou os resultados, mas tem apresentado suas descobertas em conferências nacionais e internacionais. Uma pergunta que ele teve que responder durante a pesquisa foi se o açúcar poderia ser usado em pacientes diabéticos, que geralmente apresentam úlceras nas pernas e nos pés. Como quem tem diabetes precisa controlar o nível de glicose no sangue, este seria a princípio um tratamento improvável. Murandu constatou, no entanto, que o método também é eficaz para os diabéticos - e não eleva as taxas de glicose no sangue. "O açúcar é sacarose – você precisa da enzima sacarase para convertê-lo em glicose. Como a sacarase é encontrada dentro do corpo, somente quando o açúcar é absorvido que ele é convertido. Aplicá-lo no exterior da ferida não tem o mesmo efeito", explica. Animais Enquanto Murandu dá continuidade a sua pesquisa com pacientes humanos, a veterinária americana Maureen McMichael tem usado há anos esse tipo de tratamento com animais. McMichael, que trabalha no Hospital Veterinário da Universidade de Illinois, começou a aplicar açúcar e mel em animais de estimação em 2002. Ela conta que foi atraída pela combinação da simplicidade e do baixo custo da medicação, especialmente no caso de donos que não podem pagar pelos tratamentos tradicionais. A veterinária diz que sempre tem açúcar e mel em sua clínica. Ela administra com frequência em cães e gatos - e, de vez em quando, em animais de fazenda. O mel tem propriedades curativas semelhantes às do açúcar (um estudo revelou que é ainda mais eficaz na inibição do crescimento de bactérias), embora seja mais caro. Tratamentos à base de açúcar podem ajudar não apenas seres humanos, mas também animais jaminriverside/Pixabay "Tivemos grandes casos de sucesso", afirma McMichael. Ela dá o exemplo de uma vira-lata que foi usada como "isca de pitbull", sendo atacada pelos cães durante um treinamento para brigar. A cadela chegou com cerca de 40 mordidas em cada membro – e ficou curada em oito semanas. "Ela estava abandonada, então, não havia dinheiro para ela. Nós a tratamos com mel e açúcar, e ela respondeu fabulosamente", relembra a veterinária. "Agora, está curada." Além de ser mais barato, o açúcar tem outro lado positivo. À medida que os antibióticos são usados com mais frequência, estamos nos tornando resistentes a eles. De volta ao Reino Unido, a especialista em engenharia de tecidos Sheila MacNeil, da Universidade de Sheffield, pesquisa como os açúcares naturais podem ser usados para estimular a retomada do crescimento de vasos sanguíneos. O estudo foi resultado de seu trabalho sobre tumores, quando ela observou um pequeno açúcar em particular, derivado da quebra do DNA (2-desoxirribose), que continuava a crescer. A equipe de MacNeil experimentou, então, aplicar esse açúcar na membrana que envolve os embriões de galinha, o que estimulou o crescimento em dobro do número de vasos sanguíneos que se desenvolveriam sem ele. Rede global Mas é claro que os açúcares naturais encontrados em nosso organismo são muito diferentes do tipo usado no dia a dia e por Murandu em seus experimentos. A "combinação dos sonhos", diz MacNeil, seria encontrar um açúcar que pudesse ser usado em ambos os casos. Ela acredita que esse deve ser o próximo passo das pesquisas científicas. Enquanto isso, em Wolverhampton, o plano de Murandu é montar uma clínica particular para aplicar seu método. Ele espera que, um dia, o açúcar seja usado com frequência, não apenas pelo NHS, mas por hospitais públicos de outros países. O professor conta que recebe regularmente pedidos de ajuda de diferentes partes do mundo - e orienta as pessoas remotamente por e-mail e mensagem de texto. Ao serem curados, os pacientes costumam enviar fotos do resultado do tratamento junto com sua gratidão. O método é antigo e usado por pessoas pobres em países em desenvolvimento. Mas só quando chegou ao Reino Unido que Murandu percebeu que o açúcar poderia ser importante na medicina. Ele vê isso como uma combinação de seu conhecimento nativo com as avançadas técnicas de pesquisa britânicas. "Como o açúcar, o conhecimento veio bruto do Zimbábue e foi refinado aqui. Agora, está voltando para ajudar as pessoas na África", afirma. Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future. […]

  • Dieta rica em fibras preveniu infecção por gripe em ratos
    on 15 de maio de 2018 at 15:00

    Estudo pré-clínico publicado nesta terça-feira (15) diz que composto produzido por fermentação das fibras no intestino ajuda a prevenir infecção por influenza.  Aveia é um tipo de alimento rico em fibras; cientistas estudam papel de composto na modulação do sistema imune Pexels/Pixabay Um estudo feito em camundongos mostrou que uma dieta rica em fibras ajuda o sistema imunológico a combater a infecção pelo vírus influenza, causador da gripe. Os achados da pesquisa foram publicados nesta terça-feira (15) na revista "Immunity", publicação da Cell Press. Cientistas da Universidade de Monash (Austrália) mostraram que as fibras atuam aumentando a atividade das células T, um tipo de célula do sistema imune, ao mesmo tempo em que previnem uma ação exagerada do sistema imunológico. Alimentos ricos em fibras são, por exemplo, aveia, folhas verdes, e algumas frutas. Cereais como linhaça e chia e grãos também são ricos nesse tipo de composto. No estudo, as fibras também aumentaram a sobrevida de camundongos afetados pelo vírus. Em caráter experimental, o estudo sugere que dietas rica em açúca e gordura e pobre em fibras predispõe o corpo a maiores infecções. Resumo do estudo Fibra fermenta no intestino O estudo mostrou que o benefício encontrado se deve ao fato de que a fermentação das fibras aumenta a produção de um grupo específico de ácidos graxos, os de cadeia curta (AGCCs). Esses compostos estão envolvidos no metabolismo de várias substâncias, como a glicose, e pesquisas anteriores já demonstraram o seu benefício em doenças inflamatórias. Agora, os cientistas na Austrália, no entanto, estavam querendo investigar, se as fibras poderiam ter um efeito nocivo em infecções, já que altera o sistema imune, modulando sua ação. "Os efeitos benéficos da fibra dietética em uma variedade de doenças inflamatórias crônicas, incluindo asma e alergias, receberam atenção substancial nos últimos anos", diz o autor sênior do estudo Benjamin Marsland, da Universidade de Monash (Austrália), em nota. "Estávamos preocupados se esses tratamentos pudessem aumentar a suscetibilidade a infecções". A preocupação dos autores incidiu especialmente na infecção por influenza A. Do ponto de vista da saúde pública, a infecção é especialmente importante pela sua circulação: cerca de 20% da população mundial é infectada pelo vírus anualmente. "O que nos surpreendeu foi que a fibra dietética estava seletivamente desligando parte do nosso sistema imunológico", completa Benjamin Marsland. Importante salientar que o estudo foi feito em cobaias e isso indica que não necessariamente as fibras possuem a mesma ação em humanos. Ainda, do ponto de vista terapêutico, pesquisas adicionais são necessárias para determinar quanta fibra, e que tipo de fibra, seria mais efetiva em humanos. Por isso, pesquisadores agora planejam outros estudos em humanos para averiguar o benefício da ingestão de fibra em alergias e outras infecções. […]